Inscrições abertas para pós-graduação de estrangeiros no Brasil

Estão abertas as inscrições para o Programa de Estudantes – Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG). Administrado conjuntamente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), pelo Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o programa possibilita a realização de pós-graduação em instituições de ensino superior brasileiras, por professores universitários, pesquisadores, profissionais e graduados do ensino superior dos países com os quais o Brasil mantém Acordo de Cooperação Educacional, Cultural ou de Ciência e Tecnologia.

Os benefícios incluídos no programa são, além da bolsa de Mestrado ou Doutorado com início em 2008, a concessão do retorno ao país de origem para o bolsista que comprovadamente concluir o curso; orientação acadêmica especial por parte das coordenações dos cursos de Pós-graduação; e assistência médica, odontológica e farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para concorrer à bolsa, o candidato não pode ter visto permanente no Brasil e é preciso que tenha obtido o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (CELPE-Bras), se de país não-lusófono.

As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de julho deste ano, por meio do Formulário de inscrição online, disponível no endereço http://servicos2.capes.gov.br/pecpg.

Após a transmissão eletrônica do formulário online, uma cópia deste deverá ser impressa e enviada juntamente com a documentação complementar descrita no edital, via correio tradicional, para a Embaixada/Consulado do Brasil no país de origem ou país de residência fixa.

Especialistas defendem capacitação para uso da internet na escola

A instalação de computadores e internet nas escolas públicas estaduais deve ser acompanhada de programas de capacitação de professores para que os recursos possam ser efetivamente utilizados na educação. Essa foi uma das principais necessidades das escolas públicas apontadas na audiência pública da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática da Assembléia Legislativa, realizada nesta quarta-feira (13/6/07).

A reunião foi requerida pelos deputados Deiró Marra (PR), presidente da comissão; Carlin Moura (PCdoB); e pela deputada Maria Lúcia Mendonça (DEM), vice-presidente, com o objetivo de debater o Projeto de Lei (PL) 219/07, do deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT), que assegura a implantação do acesso à internet para os alunos das escolas da rede estadual.

A vice-presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Mariana Alves, afirmou que o projeto representa um grande avanço, mas que é necessário, além de fornecer os equipamentos para as escolas, garantir que os computadores sejam de fato utilizados para o ensino.’ O meu colégio, por exemplo, ganhou vários computadores que, entretanto, estão guardados no depósito, pois não existem nem espaço físico para colocá-los, nem profissionais habilitados para utilizá-los’, destacou. Ela lembrou que muitas vezes os dados oficiais indicam que várias escolas públicas possuem computadores, mas é preciso saber em quais delas de fato os equipamentos estão sendo utilizados.

A diretora da Escola Estadual José Bonifácio, Rosana Mota Costa, afirmou que atualmente uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas escolas é garantir que os recursos disponibilizados pelo Estado sejam efetivamente em utilização.

O subsecretário de Inovação e Inclusão Digital da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, William Brandt, destacou que o governo de Minas está fornecendo computadores para todas as escolas públicas. Ele reconheceu que experiências passadas já demonstraram que não basta apenas colocar os computadores nas escolas, mas fornecer mecanismos para que eles sejam efetivamente utilizados na educação.

Inclusão Digital – William Brandt falou ainda sobre o Projeto de Inclusão Digital, que conta com recursos federais e estaduais e que vem instalando os Telecentros e os Centros de Vocação Tecnológica (CVT) em vários municípios do Estado. Segundo ele, esses centros dão à população acesso gratuito à internet e cursos interativos de iniciação à informática e profissionalização. O subsecretário explicou que por serem interativos os cursos dispensam a presença de profissionais no local e a própria pessoa aprende passo-a-passo a utilização dos recursos.

William Brandt informou ainda que, em Minas Gerais, já existem 270 telecentros, 47 CVT´s, sendo que mais de 100 mil pessoas já fizeram os cursos de capacitação. De acordo com ele, os centros vêm realizando a inclusão digital da população, já que mais de 90% dos usuários possuem renda até dois salários mínimos.

Professora apresenta panorama da inclusão digital

A internet é um instrumento fundamental para a educação nas escolas. Essa é a opinião da professora da Faculdade de Estudos Administrativos (Fead), Érika Nahass. Para ela, o crescimento econômico do país está diretamente ligado aos investimentos na área de educação e, em especial, à presença de computadores e internet nas escolas públicas. ‘Para que nosso país cresça o tanto que desejamos é fundamental que a população tenham acesso à internet e aos computadores’, afirmou.

Érika Nahass apresentou vários dados que mostram a situação da inclusão digital no Brasil e indicam que é necessário que os governos invistam mais recursos na área. Segundo ela, estatística divulgada pelo Ministério da Educação indica que apenas 10% das escolas no Brasil possuem acesso à internet. Outros dados apresentados: em 2006, apenas 19,6% dos domicílios brasileiros possuem computador e 14,5% têm computador com acesso a internet, sendo que 54% dos brasileiros nunca utilizaram um computador e 67% nunca usaram a internet.

Segundo a professora, se forem comparados aos dados de anos anteriores as estatísticas apontam que o acesso da população aos computadores com internet está crescendo, mas num ritmo ainda lento. Ela mostrou que existe uma grande demanda da população para o uso dessas tecnologias, já que foi constatado um crescimento significativo na utilização das lojas de acesso pago à internet. Segundo Érika Nahass, em 2005, 17% das pessoas acessaram a rede mundial a partir desse centros e, em 2006, esse número aumentou para 30%. Já os centros públicos de acesso gratuito à internet e as escolas públicas ainda possuem uma participação muito pequena, pois, em 2006, apenas 3,5% e 15% da população, respectivamente, utilizou desses locais para ter acesso à rede.

Nesse sentido, o professor da Escola Estadual José Bonifácio, Otacílio Ribeiro, destacou que os dados apresentados pela professora indicam que existe uma grande lacuna que as políticas públicas não estão conseguindo preencher. Para ele, a pequena utilização das escolas e dos centros públicos de acesso gratuito indica que é necessário mais investimentos do Poder Público.

Deputados defendem implantação da internet nas escolas

Os deputados Deiró Marra e Carlin Moura e a deputada Maria Lúcia Mendonça afirmaram que é preciso garantir o acesso à internet para os alunos da escolas públicas. Maria Lúcia Mendonça afirmou que é preciso estimular a presença dos alunos e professores nas escolas e defendeu a importância da internet e dos computadores como recursos pedagógicos. ‘A internet é hoje um instrumento fundamental para os alunos e professores se atualizarem’, ressaltou.

Já o deputado Deiró Marra considerou que a aprovação do PL 219/07 será um avanço importante para garantir a internet nas escolas. Entretanto, o parlamentar lembrou que não basta aprovar o projeto, mas que é necessário que suas determinações sejam cumpridas e colocadas em prática pelo Poder Público.

O deputado Carlin Moura afirmou que é fundamental que a educação nas escolas públicas acompanhem os avanços tecnológicos. Para ele, é indispensável que as escolas ofereçam aos alunos o acesso à internet. Carlin Moura ainda criticou a ausência de um representante da Secretaria de Estado de Educação na reunião.

Requerimentos – Foi aprovado requerimento da deputada Ana Maria Resende (PSDB) e dos deputados Carlos Pimenta (PDT), Gil Pereira (PP), Paulo Guedes (PT), Luiz Tadeu Leite (PMDB), Ruy Muniz (DEM) e Arlen Santiago (PTB) solicitando a realização de audiência pública da Comissão de Educação para debater os critérios de escolha de reitores e vice-reitores nas universidades estaduais. Outro requerimento aprovado foi apresentado pelo deputado Deiró Marra, solicitando a realização de audiência pública para debater a criação pelo Ministério Público da Promotoria de Justiça de Defesa da Educação e da Cultura.

A comissão ainda aprovou proposições que dispensam a apreciação do Plenário.

Presenças – Deputados Deiró Marra (PR), presidente da comissão; Carlin Moura (PCdoB) e Weliton Prado (PT); e deputada Maria Lúcia Mendonça (DEM), vice-presidente da comissão.

Chamada para a apresentação de trabalhos no Conex

No período de 22 a 26 de outubro de 2007, será realizado o III Congresso de Extensão da Universidade Federal de Lavras (Ufla) – III CONEX que faz parte da programação da I Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão em comemoração aos 100 anos da Ufla. Com o tema “Extensão Universitária e Desenvolvimento Sustentável”, o Congresso contará com a seguinte programação: 1) Conferências; 2) Minicursos; 3) Mostras e Clínicas Tecnológicas; 4) Experiências Comunitárias; 5) Oficinas e Apresentações Culturais; 6) Diálogo de Concertação e 7) Apresentação de Trabalhos de Extensão.

A Comissão Organizadora (Proex) convida docentes, técnicos e estudantes da Universidade Federal de Lavras e de outras Instituições para participarem da Apresentação de Trabalhos de Extensão. As inscrições já estão abertas e a chamada dos trabalhos está disponível no site:

www.proex.ufla.br
E-mail: conex@proex.ufla.br

Ufla lança DVD e livros sobre flora nativa e reflorestamento em Minas Gerais

O Sistema Estadual de Meio Ambiente, através do Instituto Estadual de Florestas – IEF, e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) realizaram o lançamento do DVD ‘Atlas Digital do Mapeamento da Flora Nativa e Reflorestamentos de Minas Gerais (2003 – 2005); dos livros “Catálogo das Árvores Nativas de Minas Gerais – mapeamento e inventário da flora nativa e do reflorestamento de Minas Gerais” e “Modelo Fitogeográfico para Áreas de Preservação Permanente – um estudo na bacia hidrográfica do rio São Francisco”, e o guia de turismo ecológico do Parque Estadual do Rio Doce.

Estiveram presentes, o pró-reitor de Pesquisa, professor José Roberto Soares Scolforo, pró-reitor adjunto de Pesquisa Antônio Donizette de Oliveira, ambos coordenadores do Projeto Mapeamento e Inventário da Flora Nativa e Reflorestamento de Minas Gerais, professor José Márcio de Mello e pesquisador Charles Plinio de Castro Silva. O evento aconteceu no dia 11 de junho, no Auditório da Federação das Indústrias do Estado de Minas, em Belo Horizonte/MG.

Na oportunidade foi assinado o protocolo de intenções entre o IEF e a Vallourec & Mannesmann Tubes para a criação do Centro de Referência em Revegetação da Mata Atlântica e ainda, a entrega dos Diplomas de Produtor Rural Modelo em Conservação da Natureza de 2007.

Capes finaliza pré-seleção de candidatos a leitor em oito países

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC) encerrou a pré-seleção de candidatos à função de leitor em instituições universitárias estrangeiras de oito países. Do total de 181 inscrições recebidas até 31 de maio, foram pré-selecionados 26 candidatos. Eles concorrem a vagas na Armênia, Coréia do Sul, Croácia, Líbano, Nova Zelândia, Panamá, Trinidad e Tobago, e Vietnã.

O país que teve o maior número de inscritos foi a Nova Zelândia, com 49 candidaturas. A Croácia aparece em segundo lugar, com 40 inscrições. Segundo informações da responsável pela execução do programa na Coordenação Geral de Cooperação Internacional (CGCI/Capes), Maria Luiza Pereira de Carvalho, após o término da análise feita na Capes, pelo grupo assessor especial, os currículos pré-selecionados foram encaminhados ao Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores (MRE). “Eles são os responsáveis pelo contato com os candidatos, a fim de confirmar sua permanência no processo seletivo. Em seguida, deverão enviar os currículos para as universidades estrangeiras, para que elas façam a escolha final,” explica. Os resultados serão conhecidos até o próximo dia 16 de julho.

A função de leitor foi regulamentada pelo Ministério das Relações Exteriores, em 1999. Os candidatos aprovados ficam responsáveis pela divulgação da cultura brasileira no exterior, por meio da organização de cursos e palestras em instituições de ensino superior. Para isso recebem passagem aérea e auxílio financeiro mensal, de acordo com o país de destino. O exercício do leitorado é de dois anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período.

Inscrições abertas para intercâmbio entre Brasil e Argentina

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC) está com inscrições abertas para dois programas de intercâmbio acadêmico com a Argentina. O Programa CAPG-BA recebe inscrições até 30 de junho. As inscrições para o Capes-SECyT podem ser feitas até 31 de julho.

O CAPG-BA é o Programa de Centros Associados de Pós-graduação Brasil e Argentina. É realizado em parceria com a Secretaria de Políticas Universitárias (SPU). Tem como objetivo estimular a parceria acadêmica entre programas de pós-graduação de instituições de ensino superior dos dois países e promover o intercâmbio de professores e alunos.

O Programa Capes-SECyT é realizado em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva (SECyT). Seu objetivo é estimular, por meio de projetos conjuntos de pesquisa, o intercâmbio de docentes e pesquisadores brasileiros e argentinos vinculados a programas de pós-graduação de instituições de ensino superior.

Segundo o assessor técnico de Cooperação Internacional da Capes, Sérgio Avellar, os dois programas buscam a formação de recursos humanos de alto nível nos dois países, nas diversas áreas do conhecimento. “A meta do CAPG-BA é obter, a médio prazo, equivalência de títulos, reconhecimento de créditos cursados, bem como co-tutela e co-orientação de estudantes de pós-graduação”, explica Avellar.

Já o SECyT, esclarece Avellar, fortalece o intercâmbio de pesquisadores de ambos os países. Os dois programas são realizados em parceria com o Ministério de Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina. Desde que foi criado em 1998, o SECyT financiou 132 projetos. O CAPG-BA foi criado no ano 2000 e financiou, até o momento, 30 projetos.

Sinal vermelho do MEC

Correio Braziliense, 13/06/07

Baixo desempenho no Enade leva ministro a alertar faculdades particulares: terão de melhorar para continuar funcionando

O governo federal não vai dar colher de chá para as faculdades particulares que têm seus alunos com as piores avaliações no Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade). Em todo o país, existem 9,4 mil instituições de ensino superior privadas. O ministro da Educação, Fernando Haddad, avisou que, se as faculdades com mau desempenho quiserem continuar funcionando, terão de assumir compromissos para melhorar a qualidade do ensino. De um total de 13,4 mil cursos universitários em todo o país avaliados pelo Enade, 7% tiveram o “sinal vermelho aceso” com os resultados das provas feitas pelos alunos, disse o ministro.

O MEC criou um sistema de avaliação que vai checar nas próprias faculdades a razão do mau desempenho. “Nós compusemos um banco de avaliadores formado por doutores de toda rede federal de educação superior. São especialistas, que estão sendo capacitados, inclusive, para poder aplicar os instrumentos que foram elaborados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes)”, disse.

As comissões de avaliação serão formadas por sorteio. “Esses consultores vão compor comissões de avaliações in loco, por sorteio, quer dizer, não vai ter indicação. É um sorteio do banco, que compõe essas comissões, com instrumento aprovado pela Conaes, para fazer uma avaliação de por que o resultado foi ruim”.

Boicote

Haddad disse que o boicote dos estudantes às provas do Enade não justifica a baixa qualidade constatada. “Há a possibilidade de boicote de alunos em um ou outro caso, mas nós sabemos que isso não é a explicação de todo desempenho”, afirmou. “Há cursos que estão precários e esses, se quiserem continuar ofertando vagas, vão ter que estabelecer termos de compromisso que, se não forem cumpridos, poderão ensejar a suspensão de processo seletivo”.

O ministro afirmou que não há relação entre a baixa qualidade constatada pelo Enade e o processo verificado em muitas universidades, que estão sendo transformadas em empresas para serem vendidas ou para receber o capital privado, principalmente internacional. A avaliação está sendo feita, segundo o ministro, para que seja feito o controle de qualidade do ensino superior no país, já que a quantidade de cursos tem aumentado muito em todos os estados.

Haddad disse que o MEC está não só controlando a qualidade das instituições particulares como ampliando a ofertas das instituições públicas para corrigir as distorções. “Paralelamente nós estamos fazendo uma expansão vigorosa da educação pública de qualidade e gratuita no país, com a interiorização dos campi universitários”, declarou. “São 77 cidades atendidas pelo plano de expansão das universidades federais. Não é pouca coisa. Nós estamos ampliando em 25% as vagas de ingresso e o objetivo é dobrar as vagas de ingresso em quatro anos, dobrar as matrículas em oito anos”.

Elogios públicos

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) ganhou elogios públicos ontem do ministro da Educação, Fernando Haddad, por conta da revisão de normas que tratam da autonomia universitária. Haddad classificou como “generoso” o gesto do tucano, que editou um “decreto declaratório” para esclarecer que as medidas tomadas em relação aos atos de criação da Secretaria de Ensino Superior não afetariam a autonomia universitária. A publicação dos decretos que criaram a secretaria motivou a ocupação da reitoria da USP por estudantes em 3 de maio.

Haddad defendeu a “plenitude” do gesto de Serra. “A autonomia universitária é uma conquista de gerações, é um princípio consagrado internacionalmente e que ninguém discorda”, disse. “Houve um grande mal-entendido em relação aos decretos iniciais do governo estadual. Isso gerou uma preocupação legítima na comunidade, inclusive de pessoas próximas ao governador”. Haddad afirmou que, na sua avaliação, Serra fez certo ao editar um decreto declaratório esclarecendo a questão. “Parece-me que é um gesto que deve ser levado em consideração no momento e que, talvez, não esteja sendo considerado em toda a sua plenitude”, afirmou.

REUNI – para onde caminha a Universidade

Thompson Fernandes Mariz

Reitor da UFCG

O Decreto Nº. 6.096, de 24 de abril de 2007, que institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, tem como objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior, e traz à luz do debate a necessidade de revisão do modelo acadêmico em voga na maioria das Instituições Federais de Ensino Superior do país. Inegavelmente, os dados fornecidos pelo censo da educação superior mostram a necessidade de ações enérgicas e imediatas de combate à alta taxa de evasão verificada no atual modelo acadêmico, bem como a premência de ampliar a oferta de vagas no ensino público superior. Portanto, não há, aparentemente, o que discutir quanto ao objetivo do REUNI.

O que, de imediato, nos preocupa no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais é a sua meta nada modesta: “a elevação da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito, ao final de cinco anos”.

Esta preocupação aumenta bastante quando lembramos que o Decreto em referência é fruto do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, que tem como escopo a duplicação da oferta de vagas no ensino público superior. Como o Plano de Reestruturação não pode estar descontextualizado do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC, que prevê, para os próximos dez anos, uma significativa limitação na expansão das folhas de pagamentos, não permitindo aumento superior a 1,5% por ano, o objetivo do REUNI se revela assustador.

Nesta hora percebemos que o aparentemente inquestionável objetivo do REUNI de ampliar o acesso e a permanência na educação superior se dará pelo muitíssimo questionável “melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais”. Duplicar a oferta de vagas e aumentar, pelo menos em 50%, o número de concluintes, a partir de um incremento de apenas 20% das atuais verbas de custeio e pessoal (excluídos os inativos!) é a indicação sub-reptícia de que a reestruturação proposta pelo Decreto Nº. 6.096 cobra uma subutilização dos recursos existentes nas Universidades Federais e aponta somente dois caminhos para o cumprimento de sua meta global: a aprovação automática ou a certificação por etapas de formação.

Não desconhecemos que a maioria dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação oferecidos pelas Instituições Federais de Ensino Superior tem uma feição que prioriza a educação instrumental e dá pouca atenção ao desenvolvimento de habilidades e competências que possam levar o educando a “aprender a aprender”, que capacitem o estudante para a pesquisa básica. Todos nós concordamos que a educação deve ser continuada e que não termina com a formação profissional. Da mesma forma, sabemos da necessidade urgente de “redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno”.

Mas será que, para resolver estes problemas, temos que necessariamente optar por uma “diversificação das modalidades de graduação, preferencialmente não voltadas à profissionalização precoce e especializada”? Não estaríamos, assim, indo na contramão do modelo pactuado no Tratado de Bolonha, que propõe uma circulação do conhecimento mais rápida e ampla para conquistar os jovens que estavam fugindo do meio acadêmico para ir para o mercado de trabalho, mais atrativo do que os cinco anos indispensáveis para se obter uma graduação, ou os dez ou doze anos necessários para se formar um doutor?

Na reorganização dos cursos de graduação, com vistas à “implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem a construção de itinerários formativos, mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de estudantes entre instituições, cursos e programas de educação superior” não estaria implícita uma orientação para uma certificação conferida antes do tempo, em flagrante contradição com a dita preocupante profissionalização precoce e especializada?

O certo é que a aprovação automática se contrapõe a qualidade sempre defendida para a educação nacional e a certificação por etapas mascara a atual evasão sob o discurso perverso – porque enganoso! – da inclusão social. Não temos dúvidas de que uma saída fácil para o cumprimento da meta de elevar a taxa de conclusão para noventa por cento do ingresso seria optar pela certificação por etapas. Ao aluno que concluir uma etapa de sua formação global dá-se um certificado e contabiliza-se esta certificação como uma conclusão. Alguns egressos da primeira fase de formação migrarão para a fase seguinte de formação, outros, por falta de condições competitivas, “serão migrados” para o mercado de trabalho, precocemente, porque ainda estarão sem uma profissão.

Resta saber que tratamento o mercado de trabalho, a cada dia mais competitivo, dará aos egressos do ensino superior que, apesar de poderem demonstrar capacidade de expressão e de raciocínio lógico, conhecimento de ética, política e filosofia, domínio de técnicas da informática, e espírito empreendedor observado na criatividade e flexibilidade de suas iniciativas, não tenham um diploma de graduação, nos moldes estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, ainda em vigência, e exigidos pelos Conselhos Profissionais, cada vez mais atuantes na definição do perfil do profissional.

Verbas são necessárias para a melhoria da qualidade do ensino que hoje é ofertado nas Instituições de Ensino Superior, mas não sob a forma de uma mesada que será dada, por cinco anos, “na medida da elaboração e apresentação dos respectivos planos de reestruturação” e do “cumprimento das metas fixadas pela instituição, em atendimento aos objetivos do Programa”.

Aumentar a oferta de vagas no ensino superior e ampliar as políticas de inclusão e assistência estudantil são objetivos que exigem significativo investimento, não sendo um alvo possível de se atingir apenas em melhor aproveitar a estrutura física e os recursos humanos existentes, até porque estes recursos estão já há muito tempo defasados.

Encontrar solução para a redução das altas taxas de retenção e evasão hoje existentes na educação superior passa necessariamente pela busca de novas metodologias de ensino que contemplem novas formas de avaliação. E isto requer tempo dedicado à pesquisa, o que já se mostra difícil com a atual relação de um professor para cada dez alunos de graduação: realidade que revela o perigo que o estabelecimento da relação de um professor para cada dezoito alunos de graduação representa para o ensino público superior, em sua constante busca da elevação da qualidade.

Não estamos discordando da necessidade de se reestruturar o ensino superior, de se evitar a evasão desenfreada, de se ocupar as vagas ociosas, de se ampliar a oferta de vagas, notadamente no turno noturno. Tampouco estamos fugindo da responsabilidade que nos cabe neste processo de revisão da estrutura acadêmica e de atualização das metodologias de ensino. Apenas esperamos uma revisão que contemple a adequação das metas do Programa às ferramentas disponibilizadas para o seu cumprimento, para que não caiamos simplesmente na redefinição da função da Universidade.

Por fim, fica a pergunta inevitável: para onde caminhará uma Instituição que resolva não aderir ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, uma vez que o Ministério da Educação estabelecerá parâmetros de cálculo dos indicadores que compõem a meta global do REUNI?

Oportunidade para especialistas em recursos hídricos, ex-bolsistas do DAAD

O DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) está convidando seus ex-bolsistas da área de recursos hídricos para participar do programa “Groundwater well digging and rural water supply’, de 3 a 15 de setembro de 2007, a cargo da Universidade de Siegen.

A iniciativa prevê um workshop de nove dias em Hof, na Alemanha, uma excursão e a participação de três dias na feira especializada Geofora, inclusive simpósio científico “Well Drilling, Well Development and Geothermal Energy Resources”. Durante o workshop, os participantes terão a oportunidade de preparar apresentações para a feira. O programa visa proporcionar compreensão técnica e ecológica na área de abastecimento de água potável através de poços, bem como integrar aspectos de higiene e saúde.

Todos os custos (viagem, visto, hospedagem, alimentação etc.) serão assumidos pelos organizadores (Universidade de Siegen). O seguro-saúde (em grupo) será providenciado pelo DAAD.

Para participar, o ex-bolsista precisa ter bons conhecimentos do idioma alemão. Os interessados devem confirmar seu desejo de participar até 20 de junho de 2007.

Contatos e mais informações:

Frau Ingrid Althoff
ingrid.althoff@uni-siegen.de

Na internet:
www.wasserwirtschaft.uni-siegen.de
(clicar em “German Alumni Water Network (GAWN)” e depois em “News” www.geofora.org

Ufla realiza III Curso de Bioinformática

O terceiro curso teórico-prático de bioinformática, intitulado “Bioinformática: do seqüenciamento a função biológica”, foi realizado na Ufla de 21 a 25 de maio de 2007 por iniciativa do Projeto PRODOC/Capes do Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento de Plantas – DBI, sob a coordenação da Dra. Magnólia de Araújo Campos (PRODOC/GENÉTICA/PRPG/UFLA) e do Núcleo de Estudos em Genética – GEN.

O curso foi ministrado por cinco professores, incluindo as seguintes palestras: O seqüenciamento de DNA (proessor. Luciano Vilela Paiva, LCBM/DQI, Ufla), Bancos de dados: arquitetura e utilização (professor Ricardo Martins A. Silva, DCC, Ufla), Caracterização estrutural de genes e de proteínas (Dra. Magnólia A. Campos), Alinhamentos de seqüências DNA e de proteínas e desenho de primers (professor Antonio Chalfun Junior, DBI, Ufla) e Inferências evolucionárias e geográficas a partir da diversidade de seqüências (Dra. Magnólia A. Campos e Dr. Cristiano S. Lima, RD/CNPq/DFP, Ufla).

Além de preencher lacuna nesta área, o curso teve caráter multidisciplinar, integrando vários departamentos e estudantes de diversos Programas de Pós-Graduação da Ufla. Dentre os 21 participantes, 16 eram estudantes de pós-graduação (Genética e Melhoramento de Plantas, Microbiologia Agrícola, Solos e Nutrição de Plantas, Ciências dos Alimentos, Zootecnia, além da presença dos novos estudantes do curso de Pós-Graduação em Biotecnologia), 03 eram estudantes de graduação (Agronomia e Ciências Biológicas) e 2 eram profissionais, incluindo a presença do professor João Bosco Barreiro Filho, do Departamento de Veterinária da Ufla. Como resultado e em virtude da demanda, o curso será oferecido, no segundo semestre ou em fevereiro de 2008.

Os objetivos do curso são explicar, em termos gerais, como biólogos e agrônomos utilizam programas de computadores para analisar seqüências de DNA e de proteínas para inferir funções biológica e evolucionária; despertar no estudante o interesse pela Bioinformática e a utilidade em seus trabalhos de pós-graduação e cumprir com uma etapa do projeto PRODOC ligado à Pós-Graduação em Genética e Melhoramento de Plantas – DBI.

O apoio institucional se fez notar de várias formas: O DCC apoiou com a liberação do Laboratório de Computação contendo 30 computadores, fundamental para a parte prática. A Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Ufla apoiou, com o fornecimento do Projetor (datashow). A Coordenação de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento incentivo e apoio com inscrições do evento.

Estiveram presentes na abertura do curso o pró-reitor de Pós-graduação professor Joel Augusto Muniz, chefe do Departamento de Biologia professor César Augusto Brasil Pereira Pinto, coordenador do Laboratório Central de Biologia Molecular professor Luciano Vilela Paiva, os professores do curso Antonio Chalfun Junior, a diretora do Núcleo de Estudos em Genética – GEN, a estudante de Pós-Graduação em Genética Francine Ishikawa.

A Bioinformática é uma área da Biologia Computacional, que utiliza computadores para a realização de tarefas em biologia. A importância da Biologia Computacional está em extrair a informação biológica contida na seqüência de DNA, vulgarmente conhecida como “sopa de letrinhas”.

Para o pró-reitor de Pós-Graduação, professor Joel Muniz “uma vez que a Ufla está definitivamente inserida na era Genômica, esperamos que este curso provenha uma direção para o leigo, através da introdução dos principais conceitos relacionados à biologia molecular e a bioinformática, softwares e sites mais usados”.

Universidade Federal de Lavras