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Governo facilita curso de pós à distância

Folha de São Paulo, 13/12/07

Fábio Takahashi

Universidades não precisarão mais ter biblioteca e estrutura de apoio ao estudante na região onde a formação é oferecida

Segundo secretário, retirada da obrigatoriedade atende a universidades que reclamavam que a exigência inibia a abertura de vagas

O Ministério da Educação decidiu diminuir a exigência para abertura de cursos de especialização (pós-graduação lato sensu) à distância no país. Agora, as universidades não precisarão mais ter um prédio com tutor (professor), biblioteca e estrutura de apoio ao estudante na região em que a pós-graduação é oferecida.

Atualmente, para se abrir um curso nesse formato, é obrigatório que a instituição tenha essa estrutura (chamada oficialmente de pólo presencial).

O governo entendeu que a exigência era muito alta e desacelerava a expansão das matrículas na modalidade.

Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, foram oferecidas 72.524 vagas de especialização à distância em 2004 (último dado disponível).
Como comparação, a PUC-SP tem 15 mil alunos em especialização convencional (presencial). A especialização é mais comum no setor privado. Não há dados oficiais do MEC.

A alteração na área, antecipada à Folha, está presente em uma portaria assinada ontem pelo ministro da Educação do governo Lula, Fernando Haddad. A norma deve ser publicada hoje no Diário Oficial.

A obrigatoriedade da estrutura de apoio será mantida para os cursos de graduação.
O secretário de Educação à Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, disse que a alteração atende a pedidos das universidades que oferecem a modalidade. As instituições reclamavam que a exigência inibia a abertura de vagas -um dos motivos é o custo para se manter a estrutura.

Segundo Bielschowsky, a retirada da obrigatoriedade pôde ser feita porque ‘quem procura uma especialização já tem autonomia suficiente para poder estudar sozinho’, ou seja, sem a presença física dos tutores.

Em geral, as escolas utilizam a internet para mostrar o quê o aluno deve estudar e também para tirar dúvidas (tutoria).

‘Um aluno de graduação ainda precisa de um acompanhamento mais de perto’, afirmou.
O secretário disse ainda que o aluno de pós-graduação tem uma condição financeira que lhe permite dispensar serviços oferecidos nos pólos.

Coordenador de um grupo da USP que pesquisou educação à distância, Carlos Alberto Dantas se mostrou contrário à mudança. ‘A educação à distância é positiva, mas o contato com o professor é fundamental. Só dessa forma você sente o entusiasmo, o impulso para melhorar. Para funcionar, precisa mesclar os dois formatos.’

Licitações para concessões de uso de áreas físicas dentro do Campus

A Diretoria de Material e Serviços Gerais da Universidade Federal de Lavras, por meio de sua Comissão de Licitação, avisa que serão licitadas concessões de uso de áreas físicas dentro do Campus Universitário da Ufla – CANTINA e LANCHONETES / TRAILERS, nos termos da Lei 8.666 de 21 de junho de 1993 e alterações posteriores, conforme discriminado abaixo:

Concessão de uso de área física para exploração de serviços da Lanchonete/Trailer 1 – no Campus Universitário, próximo ao Ginásio Poliesportivo da Ufla.
Aluguel mínimo: R$ 100,00

Concessão de uso de área física para exploração de serviços da Lanchonete/Trailer 2 – no Campus Universitário, próximo aos departamentos de Medicina Veterinária/Zootecnia
Aluguel mínimo: R$ 100,00

Concessão de uso de área física para exploração de serviços da Lanchonete/Trailer 3 – no Campus Universitário, próximo aos departamentos de Agricultura/Fitopalogia/Entomologia
Aluguel mínimo: R$ 100,00

Concessão de uso de área física para exploração de serviços da Lanchonete/Trailer 4 – no Campus Universitário, próximo aos departamentos de Biologia/Pavilhão de aulas nº 2
Aluguel mínimo: R$ 100,00

Concessão de área física para exploração de serviços de Cantina no Campus Universitário, em área própria para cantina no Centro de Convivência, em frente à Biblioteca Central.
Aluguel mínimo: R$ 700,00

A VISITA TÉCNICA ocorrerá dia 20/12/2007, a partir das 8 horas e é imprescindível para a Habilitação dos licitantes.

A Documentação para Habilitação e a Proposta deverão ser entregues em envelopes fechados, sendo: ENVELOPE Nº 01 – DOCUMENTAÇÃO, e ENVELOPE Nº 02 – PROPOSTA, à Divisão de Compras da Ufla, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, 37200-000, Lavras MG. A data limite para entrega dos envelopes é 26/12/2007, às 14 horas, quando os mesmos serão abertos.

A cópia integral do Edital pode ser obtida na página da Ufla, www.ufla.br, na Central de Cópias localizada na Cantina, e ainda, na Divisão de Compras da Ufla. Demais informações serão obtidas na Divisão de Compras da Ufla, pelo fone (35) 3829-1130,
ou pelo e-mail georges@ufla.br.

Georges Francisco Villela Zouein
Presidente da Comissão de Licitação

Comissão Eleitoral Permanente

O Colégio Eleitoral da Universidade Federal de Lavras (Ufla) reunido no dia 12 de dezembro, na Sala dos Conselhos, sob a presidência do reitor Antônio Nazareno Guimarães Mendes e com a presença de membros docentes, técnico-administrativos, discentes e representantes da comunidade discutiu a possibilidade da instalação de Comissão Eleitoral Permanente na Ufla.

Após esclarecimentos pertinentes que justificaram a designação de uma comissão permanente encarregada de coordenar todo e qualquer processo eleitoral na instituição, foi delegada competência ao Conselho Universitário para tratar do assunto. Ficou estabelecido que a matéria será pauta da próxima reunião do Conselho Universitário.

MA in International Political Economy na Jacob University de Bremen

Possibilidade de isenção de taxas e bolsas

A Jacob University de Bremen, uma das principais instituições de ensino superior privado da Alemanha, está recebendo inscrições para seu programa de pós-graduação ‘MA in International Political Economy’. Este master dirige-se sobretudo a bacharéis em ciências sociais, ciências econômicas e áreasafins, com proficiência em inglês, idioma oficial do programa.

O ‘MA in International Political Economy’ oferece um estudo aprofundado das ricas interações entre sistemas econômicos e instituições políticas. Embora focado em temas da economia política da atualidade, o MA aborda também a dimensão histórica do processo de globalização. A cooperação com o Instituto de Energia de Bremen propicia aos participantes uma visão da economia política internacional relacionada a recursos naturais e suprimento energético.

O programa de quatro semestres (o último dedicado à elaboração da tese de conclusão) requer um investimento anual de 20 mil euros dos participantes, além das despesas pessoais com custo de vida. Há a possibilidade de isenção das taxas da universidade para os melhores candidatos, bem como de bolsas deestadia. Todos os pós-graduandos podem também buscar ‘student jobs’ duranteo curso.

O prazo para a primeira rodada de inscrições de candidatos à próxima turma (início em setembro de 2008) termina em 1o. de fevereiro e o segundo em 1o. de maio. Recomenda-se aos interessados em isenção de taxas e em bolsas que candidatem-se até 1o. de fevereiro de 2008. A seleção dos candidatos se baseará no histórico acadêmico, em referências pessoais e no desempenho individual.

Para mais informações:
http://www.jacobsuniversity.de/schools/ shss/programs/graduate/ipe/program/

Pedidos de esclarecimentos e de orientação devem ser dirigidos diretamente à Jacob University.

CNPq destinará R$ 50 milhões para bolsas de mestrado e doutorado em áreas específicas

Portal CNPq, 07/12/07

Para promover a consolidação e o fortalecimento da pós-graduação brasileira, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) lança Edital, com investimentos de R$ 50 milhões, convidando orientadores, vinculados aos Programas de Pós-Graduação stricto sensu do país, a apresentarem propostas de projetos de bolsas de mestrado ou de doutorado.

Segundo a agência, o principal objetivo deste edital é investir na disseminação de recursos humanos para a ciência, a tecnologia e a inovação do Brasil. Para isto, investirá na formação dos novos mestres e doutores, em áreas consideradas estratégicas e de extrema necessidade para o desenvolvimento nacional e o crescimento do país.

Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e do CNPq, serão distribuídos em R$ 25 milhões para a primeira chamada, e o restante para a segunda chamada. Fomentando também a descentralização regional da pesquisa brasileira, o Edital destinará uma parcela de 30% do valor global de investimento para propostas de pesquisadores vinculados a instituições sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluindo as respectivas áreas de abrangência das Agências de Desenvolvimento Regional.

As áreas estratégicas

Seguindo o Plano de Ação 2007-2010 de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, as propostas deverão privilegiar áreas estratégicas nas temáticas de Ciências Exatas e da Terra, para Matemática, Áreas Experimentais da Física, Química e Geociências, Áreas Experimentais de Ciência de Materiais, e para Meteorologia e Mudanças Climáticas. Nas Engenharias, as propostas devem abordar temáticas de Aeronáutica, Computação, Elétrica, Materiais, Mecânica, Metalurgia, Minas, Naval e Oceânica, Química e Transportes, Software e Tecnologias da Informação e Comunicação, Semicondutores e Materiais Avançados, Microeletrônica, optoeletrônica, dispositivos e hardware, Ciência Aeroespacial, Energia Nuclear, Energias Renováveis e Biocombustíveis.

Nas Ciências Agrárias, as áreas serão Recursos Florestais, Agronomia, Engenharia Agrícola, Biodiversidade e Recursos Naturais, Biotecnologia, Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, do Cerrado e do Semi-Árido, Saúde Animal, e Segurança Alimentar. Em Ciências da Saúde, serão áreas de Fármacos e Medicamentos, Biotecnologia, Pesquisa Clínica, Terapias Inovadoras e Toxicologia. E projetos interdisciplinares poderão ser focados em Mar e Antártica, Trauma, Violência e Segurança Pública.

Cronograma

O recebimento das propostas para o Edital MCT/CNPq nº 27/2007 será dividido em duas chamadas. Na primeira, os pesquisadores poderão enviar seus projetos até o dia 31 de janeiro de 2008, a divulgação dos resultados será feita a partir do dia 20 de fevereiro e as contratações dos projetos estão previstas para o início do mês de março de 2008. A segunda chamada receberá as propostas do dia 10 de março até o dia 15 de maio de 2008.Os resultados estão previstos para a segunda quinzena de junho e a implementação e vigência das bolsas acontecerá a partir de agosto de 2008.

Os projetos deverão ser enviados por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento , a partir do dia 14 de dezembro de 2007.

Confira o Edital na íntegra pelo link abaixo
www.cnpq.br/editais/ct/2007/027.htm

Ministro da Educação defende melhor salário para estimular professores

Agência Brasil, 11/12/07

Stênio Ribeiro

Brasília – O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu hoje (11) melhores salários para os professores como forma de atrair profissionais para o magistério.

‘A melhoria do nível de salários tem grande peso na atração de talentos para o magistério’, disse Haddad, ao participar de reunião em que a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) discutiu medidas de estímulo ao magistério, que a cada ano tem mais dificuldade de repor os profissionais que se aposentam. ‘Em especial por falta de salários dignos que estimulem as vocações’, como frisou o presidente da Andifes, Arquimedes Diógenes Coloni.

Está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei proposto pelo governo federal que trata da definição de um piso mínimo para os professores, com vistas a reduzir as desigualdades regionais de salários no setor.

Na reunião da Andifes, o ministro Fernando Haddad disse que, em algumas regiões do Norte e Nordeste, os professores recebem salários em torno de R$ 400. Ele ressaltou, no entanto, que a proposta de piso, já aprovada na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, estipula salário de R$ 950,00 para professores com formação de nível médio, para jornada de 40 horas semanais. A diferença será coberta com recursos do Fundo de Ensino Básico (Fundeb), que ‘existe justamente para remunerar melhor os professores’, lembrou Haddad.

Participaram também do encontro, realizado no Hotel Nacional, os ex-ministros da Educação Paulo Renato de Souza e Cristovam Buarque. Titular da pasta no governo de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato é hoje deputado federal, pelo PSDB de São Paulo, enquanto Cristovam Buarque, primeiro ministro da Educação no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é senador pelo PDT do Distrito Federal. Ambos defenderam adaptações também de conteúdo e de modelo pedagógico.

Haddad reafirmou a prioridade do governo federal na execução do novo Plano Plurianual, que, para ele, ‘é o melhor feito até agora’, para tirar a escola pública da situação em que se encontra. Segundo o ministro, as universidades federais vão investir nos cursos de licenciatura para formar professores para a educação básica. Esse segmento que precisa de cerca de 100 mil novos profissionais por ano, disse Haddad.

Já o reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Valmar Ferreira Andrade, afirmou que a carência do setor poderá ser sanada com mais salário e formação voltada para a realidade de cada região, além de infra-estrutura nas escolas para acompanhar ‘a grande velocidade das informações que chegam’ e que precisam de adequação, principalmente na área de informática.

O reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Ricardo Motta, defendeu a dinamização dos currículos de formação dos professores, com produção de material didático de qualidade para estimular os alunos. Motta ressaltou que é preciso se adequar aos novos tempos, e os professores de ensino básico são fundamentais para isso, no seu entender.

Nesse sentido, a diretora do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior, Eliane Leão, destacou a necessidade de ‘salário digno’ para que os professores de ensino básico e fundamental possam ‘procurar competência em novos cursos de especialização’. Como os salários que ganham hoje não permitem isso, Eliane ressaltou que o fórum é incansável na condução de campanhas salariais e agora conta também com ajuda do Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), voltado para licenciaturas e apoiado pela maioria das 58 universidades do sistema federal.

Universidades credenciadas pelo MEC vão registrar diplomas de faculdades

Portal G1, 11/12/07

Até então, o CNE designava uma universidade para registrar diplomas de faculdades.

Medida vale a partir deste mês e pode reduzir custo para a emissão do documento.

O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta terça-feira (11) a homologação do parecer que simplifica o registro de diplomas de instituições não-universitárias. A partir deste mês, todas as universidades credenciadas pelo MEC, particulares ou públicas, podem registrar diplomas, independente de autorização ou designação do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Até então, o CNE designava universidades para registrar os diplomas das faculdades conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O artigo 48 da LDB estipula que os diplomas expedidos pelas universidades são registrados pelas mesmas, e os conferidos por instituições não-universitárias são registrados em universidades indicadas pelo CNE. Segundo a assessoria de imprensa do MEC, o conselho designava apenas universidades federais ou estaduais.

A legislação em vigor organiza as instituições de educação superior em universidades, universidades especializadas, centros universitários, centros universitários especializados, faculdades integradas, faculdades, institutos superiores ou escolas superiores, centros de educação tecnológica.

O presidente da Câmara de Educação Superior do CNE, Antônio Carlos Ronca, afirma que uma universidade que é autorizada pelo ministério tem todas as condições de registrar diplomas.

Para o secretário de Educação Superior, Ronaldo Mota, a decisão desburocratiza o processo para as faculdades. Ele ainda diz que a medida pode baixar custos, pois as faculdades pagam as universidades pela emissão do diploma.

Formação de professores é prioridade

UnB Agência, 11/12/07

Camila Rabelo

MEC aposta nas universidades federais para a qualificação dos docentes, mas baixos salários são empecilhos para a carreira

As 33 instituições com propostas aprovadas no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) – iniciativa do Ministério da Educação (MEC) – vão oferecer 4,5 mil novas vagas em cursos de licenciatura em 2008. Estima-se ainda que esse número triplique nos dois anos seguintes. O esforço das universidades ao abraçar os programas do governo vai ao encontro da carência de professores na rede pública que, no ensino médio, já chega a 265 mil docentes, e da qualificação deles.

“Apostamos na excelência das universidades públicas e na parceria entre o sistema federal e estadual para lançarmos novas bases para o ensino”, afirma o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele participou na manhã de terça-feira, 11 de dezembro, da primeira mesa de debates do seminário Carência de Professores na Educação Básica: dignóstico e proposta. Organizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o encontro segue até quarta-feira, dia 12, no Hotel Nacional, em Brasília.

SALÁRIOS – Em reposta às preocupações dos dirigentes das universidades sobre os altos índices de evasão nos cursos de licenciatura, Haddad adianta que, além da expansão dos programas de assistência estudantil, o MEC pretende instituir bolsas de iniciação a licenciatura, cujo investimento em 2008 será de R$ 15 mil. Mas o presidente da Andifes, Arquimedes Diógenes Ciloni, acredita que os esforços do governo federal devem extrapolar a formação e qualificação de professores no Brasil. “Precisamos atrair os jovens para a carreira, mediante melhores salários. Isso não cabe às universidades”, ressalta.

Com a pouca atratividade da carreira docente, o reitor da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Oswaldo Baptista Duarte Filho, alerta que o empenho na formação de professores poderá se voltar para a iniciativa privada: “Enquanto o salário for mil reais, não vai ter professor. Vamos formar os melhores da área, mas eles vão trabalhar nas escolas particulares. Corremos o risco de dobrar o número de professores formados e a situação continuar a mesma”.

Para ele, essa questão só será resolvida com mais recursos. Os investimentos em educação representam hoje cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). “Se continuarmos mantendo esse patamar, a educação se desenvolverá muito vagarosamente. O país tem necessidade de uma velocidade maior”, critica. Mas o ministro Haddad defende que o índice já traz avanços e deverá chegar a quase 5% em 2010. “Não considero trivial o que conseguimos em 2007. As verbas não serão suficientes sem um preparo da rede e dos gestores”, diz.

Educação básica pede socorro

A Secretaria de Educação de Goiás, Milca Severino, relatou na manhã de terça-feira, dia 11 de dezembro, durante o seminário a Carência de Professores na Educação Básica: dignóstico e proposta, a situação crítica das escolas públicas do estado: violência, estrutura física precária, transporte escolar inexistente, professores despreparados. “Uma vez autorizei a compra de um jumento, pois era a única forma de se chegar em uma escola no interior do estado”, conta. Sobre o despreparo dos professores, ela diz que não se trata apenas da falta de conteúdo acadêmico, mas também cultural. “Encontro professores que nunca foram ao cinema”, revela.

Abandono de licenciaturas chega a 75%

Portal G1, 11/12/2007

Química e física são as areas mais afetadas.
Segundo conselheiro, acontece um “apagão” de professores.

Simone Harnik Do G1

Os cursos de formação de professores chegam a ter abandono de 75% de seus estudantes, segundo dados do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC). Esse é o caso das graduações de química, mas em outros cursos a situação não melhora muito. O abandono dos estudantes se reflete na falta de professores para o ensino médio e, segundo o conselheiro nacional de educação, Antonio Ibañez Ruiz, já provoca um “apagão”.

Faculdades que formam professores de física, por exemplo, têm, em média 65% de abandono. Nas faculdades que pretendem formar professores de matemática, a evasão é de 56%.

As informações fazem parte do relatório “Escassez de professores no ensino médio: propostas estruturais e emergenciais”, em debate no seminário da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizado nesta terça-feira (11), em Brasília.

Nas humanidades, a evasão é um pouco menor, mas a situação se mantém grave: nos licenciados em letras, a evasão dos cursos é de 50% no país. Geografia tem abandono de 47%, e história, de 44%. Para as artes o quadro também é pouco cômodo: são 52% dos estudantes que largam a faculdade. Em biologia, atinge 42%.

Ruiz, que é um dos autores do relatório, afirma que, apesar de esses dados serem de 1997, pouco mudou a situação do abandono de cursos de formação de professores. “Até hoje, não teve ações contundentes”, diz. “O Reuni [Reestruturação e Expansão das Universidades Federais] é a primeira política pública, que começou a ser implantada agora”, afirma.

“Acho que uma das causas é a falta de informações sobre os cursos. Também faltam políticas de assistência, boas bibliotecas, bons equipamentos. E falta o professor de universidade entender que é docente, ver suas avaliações, sua metodologia”, disse.

Rumos da educação

Programa Bom Dia Brasil, 11/12/2007

Os novos números da educação brasileira atestam o mau desempenho dos alunos. Esse é o tema da entrevista com o ministro da Educação, Fernando Haddad. Os novos números da educação brasileira expõem o tamanho de um problema antigo: espanta o mau desempenho de nossos alunos em provas de ciências, matemática e português. Mas não se pode deixar também de reconhecer um mérito: ter os números é fundamental para enfrentar esse desafio. Só avança o país que conhece as suas chagas. Esse é o tema da entrevista com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Bom Dia Brasil – Foi um resultado que chocou o país, mas é fundamental ter esses números, saber que estamos no fim da fila entre 57 nações. Qual ação imediata para consertar isso?

Fernando Haddad – As decisões têm que ser tomadas agora e estão sendo tomadas. Mas os resultados virão no médio e longo prazo, porque em educação não se colhe os frutos no prazo de um mandato. Portanto, não pode ser uma tarefa de um partido político ou de um governo, é uma tarefa nacional. Os dados não devem nos orgulhar, mas não devem nos envergonhar. Dos países analisados, somos um dos países com menos renda per capita, com um dos mais baixos indicadores de distribuição de renda e investimento por aluno. Estamos nos comparando com países ricos. Se tomarmos o contexto latino-americano, vamos ver que estamos muito próximos de países como Colômbia e Argentina – este, um país com tradição na área de educação muito maior que a nossa. Temos que ter cautela. Entendo que esse pacto que está sendo feito em torno da educação entre governos estaduais e municipais vai se refletir em indicadores.

Há um estudo do Ipea que mostra a redução do número de alunos concluindo o Ensino Médio. Desde meados da década de 1990, o número crescia, mas cai a partir de 2002. Era esperada uma alta, como aumentou a inclusão no Ensino Fundamental, mas não foi o que aconteceu. Houve queda de 300 mil alunos. Estamos regredindo no Ensino Médio?

Não. A taxa de atendimento dos alunos entre 15 e 17 anos, a faixa do Ensino Médio, está estacionária. O que acontece é que as taxas de aprovação da 5ª a 8ª série não estão reagindo adequadamente. Temos um avanço nos anos iniciais do Ensino Fundamental tanto em desempenho como em rendimento. Fluxo e exames nacionais. Mas nos anos finais do Ensino Médio o reflexo ainda não chegou. Da 8ª série para o 1º ano do Ensino Médio está havendo uma retenção. Como a democracia joga a favor da queda das matrículas, porque os nascimentos são, cada vez, em menor número, se não houver uma correção de fluxo, a matrícula tende a estacionar ou até cair.

Na sua opinião, como a má formação dos professores influenciou nesse resultado?

Penso que essa é a principal variável a ser enfrentada no próximo período. Nós, na minha opinião, de maneira equivocada, transferimos a responsabilidade pela formação de professores para estados e municípios, pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, quando deveria ser atribuição da União, em virtude do fato de ela manter um parque enorme de universidades federais. O que queremos agora, por parte das universidades federais, é que elas assumam, com apoio financeiro do ministério da Educação, uma maior responsabilidade pela formação inicial e continuada do magistério.

O senhor disse que um país não colhe os frutos no prazo de um mandato. Mas o Chile vem apresentando resultado excepcionais e vem se distanciando cada vez mais de países latino-americanos como o Brasil. O que podemos aprender com esse exemplo?

O Chile, na verdade, está colhendo os resultados 15 anos depois da reforma educacional. O que houve no Chile foi perseverança, persistência, insistência nas reformas educacionais que começaram em 1991, com a ‘Concertación’. Quando todos davam o Chile como um caso de fracasso, ou seja, muito investimento, muito empenho, muita reforma e pouco resultado, os resultados começaram a aparecer 15 anos depois. Temos que seguir o exemplo de países como Irlanda, Coréia, Chile, que pactuaram um acordo nacional, insistiram e perceberam que o investimento pode até demorar, mas quando chega, emancipa um país.