A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) anunciou que está realizando a Consulta de Demanda entre os estudantes de graduação. De acordo com a PRG, a ação é uma proposta de aperfeiçoamento do processo de matrícula em disciplinas obrigatórias na Universidade Federal de Lavras (UFLA). A pró-reitoria salienta que, ao participar do processo, é importante que o estudante esteja consciente das matérias nas quais será aprovado ou reprovado. Dessa forma, ele terá condições de demonstrar interesse em quais delas fará solicitação de matrícula.
Por ser uma etapa anterior à solicitação de matrícula, a PRG observa que esse procedimento vai ajudar na melhoria da distribuição das vagas em disciplinas no período letivo subsequente ao cursado. Em caráter experimental, a primeira Consulta de Demanda auxiliará nos ajustes do Sistema Integrado de Gestão (SIG) para que nos próximos períodos letivos seja possível instituir essa atividade como rotina.
A diretora de Planejamento e Gestão Acadêmica, Daniela Armondes de Paula Oliveira, explicou que a Consulta de Demanda vai permitir ainda otimizar a distribuição das turmas e a oferta de disciplinas. Por fim, a diretora informou que os resultados do processo podem ser usados nas matrículas para o segundo período letivo de 2017.
A resposta à consulta está disponível até 10 de abril no SIG, podendo ser alterada pelo estudante dentro desse período. Os procedimentos para a resposta estão em um tutorial disponível no Manual Consulta de Demanda.
Um vídeo do Diretório Central do Estudantes (DCE) explica o funcionamento da Consulta de Demanda. Assista ao vídeo.
Estão abertas as inscrições para o “III UFLA de Portas Abertas”. A mostra de profissões da Universidade Federal de Lavras (UFLA) ocorrerá em 21 de junho, sob a organização da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e colaboração de toda a comunidade acadêmica. O objetivo é permitir que os estudantes matriculados no Ensino Médio conheçam os cursos de graduação, as respectivas profissões e o funcionamento da Universidade.
As escolas públicas e particulares, interessadas em participar, já podem acessar o formulário de inscrição (clique aqui), que deve ser preenchido por um responsável (professores, secretários, diretores, coordenadores, entre outros) da escola. É válido ressaltar que o evento não aceita inscrições individuais de estudantes, apenas das escolas.
A UFLA estará novamente atenta à acessibilidade. Sendo assim, escolas que tiverem algum aluno que necessite de atendimento especial devem especificar na ficha de inscrição. Na segunda edição, dez estudantes com necessidades especiais foram recebidos durante o evento. A equipe do Núcleo de Acessibilidade (NaUFLA) ofereceu suporte a eles, acompanhando-os durante a visita.
Atualmente, a UFLA conta com 35 cursos de graduação, entre presenciais e a distância. Durante o evento, os visitantes têm a oportunidade de conversar com professores e estudantes, numa troca de experiências e informações que pode ser determinante para seu futuro.
O evento
Cada coordenador de curso com as equipes de acadêmicos da UFLA receberão os estudantes com visitas guiadas. Durante a visita é indispensável a presença de um responsável da escola inscrita para acompanhar os alunos.
A comunidade acadêmica estará organizada, nos diferentes departamentos da Universidade, para receber os participantes com visitas guiadas, palestras, demonstrações e apresentações culturais, de maneira que eles possam conhecer os cursos, a estrutura da instituição e as pesquisas desenvolvidas.
Na segunda edição, participaram aproximadamente dez mil estudantes, de 98 municípios. O movimento foi intenso das 8h às 19h, com a participação de mais de 150 escolas públicas e particulares. Em cada lugar da Universidade havia uma programação extensa com diversas atividades teóricas e práticas. Assim, os estudantes do Ensino Médio tiveram a oportunidade de conhecer os cursos, a estrutura da instituição e as pesquisas desenvolvidas.
Alimentação
Há um limite de refeições ofertadas pelo Restaurante Universitário (RU) durante o evento. Por isso, serão seguidos alguns critérios para selecionar as escolas que poderão usufruir do almoço no RU pelo valor R$ 5,00 por pessoa:
Primeiro: Escola Pública;
Segundo: Ordem de inscrição.
Após a demonstração de interesse em almoçar no RU (por meio do preenchimento do formulário de inscrição), se ainda houver vagas disponíveis, a organização do evento entrará em contato confirmando o atendimento. Neste momento, a escola já deverá informar o número exato de alunos visitantes, com a menor margem de erro possível, para que assim outros alunos possam ser atendidos.
Parcerias
Empresas que tenham interesse em ser apoiadoras do evento devem ficar atentas ao Plano de Apoio do III UFLA de Portas Abertas. Atualmente, os produtos e serviços necessários para a realização do evento são: coffee break, coletes de identificação, materiais gráficos e canecas.
Por se tratar de um evento institucional, o UFLA de Portas Abertas possui grande capacidade de alcançar diferentes localidades através de mídias de divulgação, atingindo diferentes públicos. Além disso, apoiar uma mostra de profissões evidencia o papel social de uma organização, que se preocupa com o desenvolvimento dos indivíduos, a partir da educação e desenvolvimento social.
Desde 2013, o Núcleo de Estudos em Pós-Colheita do Café (PósCafé), da Universidade Federal de Lavras, promove a doação de cafés especiais à instituição filantrópica de apoio ao paciente oncológico Lar Esperança e Vida (LarEVida), com o objetivo de propiciar aos pacientes em tratamento de câncer o consumo de um café de melhor qualidade.
O LarEVida oferece assistência a pacientes com câncer e seus familiares, em áreas que complementam o tratamento, como psicologia, nutrição, odontologia, enfermagem e assistência social. Cerca de 50 pacientes frequentam a instituição diariamente, e todas as tardes eles podem usufruir de um café especial. Atualmente, são doados cerca de 10 quilos de café por mês. Esta iniciativa além de ter um fator social muito significativo, colabora com a disseminação do conceito para consumo de cafés de qualidade.
Café especial é realizado no LarEVida
“O café que o Lar e Vida recebe mensalmente, de doação da Universidade Federal de Lavras, é um café de grande qualidade. É utilizado no lanche diariamente, além de servir para completar as cestas básicas que doamos todos os meses. Desta maneira garantimos a complementação alimentar dos assistidos e economizamos recursos que serão investidos em outros itens para atendê-los”, comenta a auxiliar administrativo no LarEVida Cláudia Zacaroni.
O PósCafé é um órgão destinado a congregar pesquisadores, professores, estudantes e demais interessados em pós-colheita do café. Tendo por finalidade melhorar a formação de seus integrantes, com eventos que possam contribuir para um melhor aproveitamento dos conhecimentos gerados nesta área. O Núcleo tem como tutores os professores Flávio Meira Borém e Ednilton Tavares. A equipe é composta por 18 integrantes, sendo estudantes da graduação e pós-graduação.
As iniciativas das doações ao LarEVida partiu do tutor Borém, também coordenador do Laboratório de Processamento de produtos Agrícolas (LPPA), juntamente com o professor Ednilton. Neste local, que os cafés são torrados, embalados e entregues ao LarEVida.
Estrangeiros que estudam na Universidade Federal de Lavras (UFLA) terão a oportunidade de participar da segunda edição do Curso Intensivo de Português como Língua Estrangeira. O curso começou na segunda-feira (3/4) e será realizado das 14h às 17h até o dia 28/4.
As aulas são ministradas na sala 6 do Núcleo de Formação Continuada(NEC) da Diretoria de Educação a Distância (Dired), no câmpus histórico da UFLA. Serão 60 horas de atividades presenciais, com complementação pelo Campus Virtual.
Segundo a professora Débora Racy Soares, do Departamento de Educação (DED) e responsável pelo curso, essa será uma excelente oportunidade para os estudantes praticarem e aperfeiçoarem seus conhecimentos, antes do início do primeiro semestre letivo de 2017, mesmo para aqueles que nunca fizeram curso de português.
Interessados devem comparecer na sala 6, do NEC, às 14h. O curso é promovido pelo Departamento de Educação, a Diretoria de Relações Internacionais, o Núcleo de Estudos Internacionais: PLE e Multiculturalismo, e o Projeto de Extensão Aquarela Cultural 2017.
Nesta quarta-feira (5/4), no Anfiteatro da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (UFLA), às 17 horas, será lançado o livro “Uma luz em nome de Deus”.
O livro foi escrito por Maria Aparecida Nunes, funcionária terceirizada na Biblioteca Universitária. Mais conhecida como “Tazinha”, a autora retrata, em sua obra, 65 acontecimentos que vivenciou em cenários rústicos e simples de uma região interiorana de Minas Gerais. A linguagem leve da narrativa estimula a reflexão sobre os temas abordados, a partir de uma construção espiritual.
Seguindo orientações do Ministério da Educação (Ofício-Circular nº 8/2017/CGRE/DIPES/SESU/SESU-MEC), a Pró-Reitoria de Assuntos Estudos e Comunitários (Praec) informa aos estudantes contemplados pelo Programa Bolsa Permanência, do Governo do Federal, que deverão atualizar seus dados por meio no Sistema de Gestão da Bolsa Permanência (SISBP), já disponível para acesso.
A atualização ocorre devido à renovação do SISBP e do Sistema de Segurança Digital (SSD). O procedimento deve ser realizado antes do próximo pagamento de bolsa.
Com o objetivo de deixar mais uma contribuição para a sociedade, o professor titular aposentado e extensionista voluntário do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (DEG/UFLA) Gilmar Tavares autorizou a inclusão de seu livro “Elementos orgânicos e fundamentais de máquinas e implementos agrícolas” no acervo virtual da Universidade. A obra está acessível pelo Repositório Institucional (RIUFLA) e pode ser baixada em pdf.
São 259 páginas, organizadas em 19 capítulos, que tratam de assuntos relacionados a engenharia agrícola, na área de cinemática de apoio ao desenvolvimento de máquinas agrícolas e implementos agrícolas. A primeira edição o livro foi publicada em 1999, pela Editora Londrina. A edição revisada e ampliada é de 2014 e foi publicada pela Editora UFLA – agora disponível também como e-book.
De acordo com o professor, o objetivo da disponibilização gratuita é comemorar a aposentadoria com uma ação que pode contribuir para o compartilhamento do conhecimento e a geração de novos saberes. “O livro aborda uma temática que não é recorrente em outras publicações. Em poucas horas de disponibilização do conteúdo on-line, tivemos considerável número de acessos. Então, acredito que o formato e-book trará benefícios a quem se interessa pela área e, consequentente, à comunidade”.
Arte mostra área de reserva ambiental e animais encontrados no local
Treze espécies de animais silvestres foram monitoradas por armadilhas fotográficas durante dez meses, no Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito, em Lavras. De acordo com o professor Antonio Carlos da Silva Zanzini, do Departamento de Ciências Florestais (DCF) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o trabalho, desenvolvido em parceria com a aluna do curso de biologia (bacharelado) Ellen Cristina Mões Oliveira, resultou em cerca de três mil registros que flagraram o período e o perfil de atividade dos bichos por 24 horas. Um deles, o porco do mato, foi encontrado pela primeira vez na reserva. Lobo-guará (vulnerável à extinção), cateto (vulnerável à extinção), irara, jaguatirica, sagui e coelho do mato e outros também foram localizados no parque.
O monitoramento permitiu também avaliar a riqueza em espécies de mamíferos de médio e grande porte do parque e analisar a similaridade entre os tipos fisionômicos dos vegetais encontrados. O parque é o maior de Lavras, com cerca de 250 hectares de extensão, motivos que fizeram o professor a escolher o local para o levantamento. Aberta ao público, a reserva ecológica é mantida por uma fundação.
Cães foram localizados no parque
O professor explicou que oito armadilhas fotográficas foram fixadas em árvores, a aproximadamente dez centímetros de distância do solo, e em regiões por onde os bichos circulam na mata. De acordo com Zanzini, cada máquina pode captar os movimentos dos animais a cada 30 segundos, sendo que as câmeras ficaram em modo filmagem por 24 horas/dia. Outro tipo de registro, o chamado de “independente” pelo professor, flagrou as espécies no intervalo de tempo superior a uma hora.
Antes de deixar os equipamentos no parque, o Zanzini visitou a área e escolheu quatro tipos de vegetação para desenvolver o trabalho. Os locais onde houve monitoramento compreendem Floresta Estacional Semidecidual, Mata de Galeria, Campo Cerrado e Cerrado Típico.
Com a ação, foi possível também identificar 400 registros da presença de cães no parque e esses animais domésticos tiveram o mesmo horário de circulação de oito espécies silvestres. Para o professor, essa constatação sinaliza um desequilíbrio ambiental em razão da convivência entre bichos domésticos e nativos. Além desse problema, o Zanzini identificou que alguns animais de porte pequeno acabam virando presa para os cachorros.
Armadilhas fotográficas utilizadas no trabalho
Para que essa situação seja controlada, Zanzini sugeriu captura e remoção dos cães, controle da entrada desses animais na reserva e uma ação de educação ambiental. O professor Zanzini avaliou como positivo o resultado do trabalho e disse que espera publicá-lo em forma de artigo científico. Por fim, ele ressaltou a disponibilidade e a atenção da direção do parque para a realização da pesquisa.
Texto: Rafael Passos – Jornalista/bolsista – Fapemig
Esse conteúdo de popularização da ciência foi produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais – Fapemig.
Alunos, professor e representante do poder público no projeto Carreta da Saúde
Atendimento e informação. Dois instrumentos importantes para combater e prevenir a leishmaniose tegumentar e a hanseníase foram levados à população lavrense nessa segunda-feira (03/04). A ação uniu esforços da Universidade Federal de Lavras (UFLA) do poder público e do laboratório Novartis. A Carreta da Saúde – veículo itinerante que funciona como unidade móvel – atendeu 81 pessoas de todas as faixas etárias que passaram por triagem e avaliação, segundo balanço da prefeitura.
Pela primeira vez, Lavras sediou esse tipo de trabalho, que teve a organização da administração municipal em parceria com a UFLA por meio do projeto Minuto da Saúde. A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitário (Praec), o Departamento de Ciências da Saúde (DSA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e do Laboratório de Biologia Parasitária (Biopar/UFLA), também estiveram envolvidos na ação.
Alunos do terceiro e quarto períodos dos cursos de medicina e de biologia da universidade participaram dos trabalhos. Eles abordaram as pessoas, que se submetiam a uma triagem e eram informadas a respeito das doenças. Alguns casos foram examinados pelo dermatologista Marcos Vilela, professor do DAS.
Segundo o professor, os pacientes atendidos seguiram o protocolo de avaliação clínica, de teste de sensibilidade cutânea, de dermatoscopia e de orientação. Ao todo, sete pessoas foram aconselhadas a procurar nova avaliação.
Vilela considerou positivo o projeto Carreta da Saúde por orientar a população e prevenir doenças de forma gratuita. O professor disse ser importante o contato dos alunos com casos estudos na universidade. “O curso de medicina também é extensão ao oferecer a oportunidade de levar a sociedade aquilo que é visto em sala de aula”, opinou.
Alunos do curso de medicina orientam a população
O aluno do quinto período de medicina Giliard Souza aprovou a iniciativa, sobretudo por praticar o que é transmitido pelos professores e de se aproximar de situações com as quais vai lidar na carreira. Quem tem opinião semelhante ao do estudante é Cristiane Teixeira Gomes, do oitavo período de biologia. “Levar educação e saúde para a população é importante a agrega conhecimento para quem está na universidade”.
O professor Marco Aurélio Ferreira da Silva levou a filha de sete anos para consultar após ficar sabendo do projeto na escola onde ela estuda. A criança apresentou algumas machas na pele e, por prevenção, o pai resolveu seguir orientação médica.
A dona de casa Zélia Borges Ribeiro foi atendida pelo professor Marcos Vilela, que a examinou e a aconselhou a buscar atendimento especializado em razão de algumas manchas na pele. Apesar da recomendação, dona Zélia não apresentou nenhum sintoma de doença, conforme o médico.
Precavida, a dona de casa contou que sempre passa filtro solar no corpo antes sair de casa para se proteger contra a exposição solar. Ela também fez elogios ao projeto e sugeriu que a ação se repita outras vezes na cidade. “Muita gente não têm condições de pagar uma consulta e aqui (Carreta da Saúde) o atendimento foi de graça”.
A Carreta da Saúde é desenvolvida pela empresa Novartis junto com Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de saúde, além do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) e o do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).
Texto: Rafael Passos – Jornalista/bolsista – Fapemig
No início de 2017, o diagnóstico do primeiro caso de leishmaniose visceral humana em Lavras (MG) – que foi também o primeiro do sul do estado de Minas Gerais – chamou a atenção da população e das autoridades de saúde para a doença. A notícia recente sobre mais um caso, que resultou na morte de um homem de 36 anos no último fim de semana, reforça a importância dos trabalhos que vêm sendo realizados em torno do tema.
Casos de leishmaniose tegumentar, outra forma clínica da doença, também já foram diagnosticados em pacientes com lesões de pele residentes no município.
A Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio do Laboratório de Biologia Parasitária da UFLA (Biopar), vem atuando desde 2013 para compreender a epidemiologia das leishmanioses em Lavras e empregar esforços para o controle e combate a essas doenças. O trabalho reúne profissionais e estudantes dos departamentos de Medicina Veterinária (DMV), Saúde (DSA), Biologia (DBI) e Nutrição (DNU) e é feito em parceria com a Vigilância Ambiental e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Lavras.
Para contribuir na divulgação de informações que precisam ser conhecidas pelo cidadão, possibilitando que melhor compreenda os casos e que possa atuar na prevenção e controle da doença, o Biopar resgata o histórico da mobilização, esclarecendo pontos importantes sobre as leishmanioses.
O combate às leishmanioses em Lavras
Em 2013, casos de leishmaniose visceral em cães foram identificados por meio de necropsias feitas no setor de Patologia do Hospital Veterinário da UFLA. Esse alerta, juntamente com a constatação da presença do inseto transmissor da doença no município, levou à necessidade de se estabelecer na cidade a investigação epidemiológica. Foi então que a UFLA e a Vigilância Ambiental iniciaram um trabalho conjunto, obtendo apoio do Estado, dentro do Programa Nacional de Controle da Leishmaniose Visceral.
Lavras recebeu do Governo do Estado os kits para realização dos testes rápidos para a detecção da infecção em cães. Com o apoio da UFLA, os exames começaram a ser realizados em vários bairros da cidade. No estado de Minas Gerais, a incidência estimada seria de 2% de resultados positivos, mas em Lavras, naquele período, havia bairros com 20% de positividade.
Os animais com exames que apresentavam resultados positivos no teste rápido passavam por um teste confirmatório, conhecido como Elisa, realizado pelo laboratório de referência da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. A partir de dois resultados positivos, os proprietários eram orientados sobre a única recomendação preconizada pelo Ministério da Saúde à época: a eutanásia dos animais. Uma parceria entre a Vigilância Ambiental e o Setor de Patologia da UFLA permitiu que os procedimentos de eutanásia fossem realizados na instituição.
O agente transmissor das leishmanioses é a fêmea do inseto conhecido como mosquito-palha.
Além de identificar os cães infectados e orientar quanto aos procedimentos, as equipes instalaram armadilhas luminosas em algumas residências, para detectar a presença do inseto transmissor em regiões específicas da cidade. O acompanhamento sistemático ocorre nos bairros em que os casos de leishmaniose visceral canina ou humana são notificados. Durante dois anos, os mesmos locais são monitorados, com armadilhas permanecendo instaladas por três noites, pelo menos uma vez por mês. A equipe da UFLA recolhe as armadilhas e faz a análise dos insetos capturados, identificando as espécies e a possível infecção por parasitos do gênero Leishmania.
O trabalho permanece contínuo e envolve também ações de educação em saúde junto à comunidade acadêmica e lavrense.
Leishmanioses: diferenças entre os tipos visceral e tegumentar
As leishmanioses são causadas por parasitos do gênero Leishmania, que, por sua vez, são transmitidos por insetos – os flebotomíneos. Mas há diferenças importantes entre os dois tipos de leishmaniose:
*O tratamento de cães não deve, em hipótese alguma, ser realizado com drogas destinadas ao tratamento humano. O tratamento autorizado a partir de 2017 deve ser realizado por um médico veterinário com acompanhamento sistemático e permanente do animal.
Ação educativa realizada em 3/4 na Praça Dr. Augusto Silva. Foto: Rafael Passos.
Ações de Educação em Saúde
Além das ações diretas de combate à doença, o Biopar/UFLA, a Vigilância Ambiental e a Vigilância Epidemiológica desenvolvem ações educativas permanentes com a população.
Pelo projeto “Pesquisador Mirim”, por exemplo, o tema é trabalhado nas escolas das redes pública e privada, informando as crianças sobre as doenças e incentivando uma postura preventiva e proativa.
Ações de educação e saúde também são realizados pelo projeto Minuto da Saúde, que visa levar à sociedade o conhecimento gerado na academia. A ação tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Eventos na Praça Dr. Augusto Silva e outros locais da cidade reforçam a mensagem junto a toda a população. No dia 19/2, as equipes compartilharam informações com a população por meio da ação educativa “Leishmaniose Visceral – conhecer, informar e prevenir”. Outra ação ocorreu nessa segunda-feira (3/7), com a Carreta da Saúde.
Capacitações dos profissionais de saúde do município também fazem parte do roteiro de ações que visam contribuir com a atualização de informações relativas às leishmanioses, auxiliando no rápido diagnóstico e instituição precoce do tratamento adequado.
Sobre o óbito registrado
De acordo com a Vigilância em Saúde da Prefeitura de Lavras, no último fim de semana, foi registrada no município a primeira morte humana por leishmaniose visceral, sendo também a primeira do sul de Minas. A vítima tinha 36 anos, era moradora do bairro Joaquim Sales e estava em tratamento há duas semanas.
O diretor de Vigilância em Saúde, Júlio Cesar Cardoso, destaca a importância da mobilização da população neste momento. “Diferentemente do mosquito que transmite a dengue, que voa em um raio de até 200 metros, o mosquito-palha é local, deslocando-se em pequenas distâncias. Por isso é fundamental o cuidado que as pessoas devem ter na limpeza de seu próprio quintal e nos cuidados com seus cães. A colaboração entre vizinhos, neste sentido, também é essencial”.
A prefeitura dará seguimento às estratégias de prevenção e combate à doença, que envolvem mutirões nos bairros para retirada de entulho, inquérito sorológico canino, pulverizações de inseticida (de acordo com o preconizado pelo Ministério da Saúde) e ações de sensibilização da comunidade.
Assista à entrevista realizada pela TVU Lavras sobre o tema:
Esse conteúdo de popularização da ciência foi produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais – Fapemig.