Qualquer coisa é melhor que a escola formal de hoje; pior não fica

Folha de São Paulo, 30/11/07

Cláudia Collucci

Para psicóloga, o atual modelo de ensino está falido ; escola se preocupa que alunos aprendam conteúdo em vez de priorizar o conhecimento

O ATUAL MODELO de ensino está falido e parte dessa situação deve-se ao fato de a escola ter se aproximado tanto do estilo de vida familiar que acabou adotando um modo administrativo leigo em detrimento de condutas educacionais profissionais, baseada em teorias e metodologias.

A afirmação é da psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, durante sabatina realizada ontem pela Folha. Para ela, ‘qualquer coisa’ é melhor do que a escola formal de hoje. ‘Pior que está não fica. É preciso encontrar alternativas ao ensino falido existente em 98% das escolas privadas e públicas.’

Para a psicóloga, a aproximação entre escolas e famílias está fazendo com que as crianças tenham um tipo de educação muito parecida. ‘Hoje, professores e pais pensam e agem de maneira muito semelhante. E os pais estão desnorteados porque as referências educacionais se multiplicaram.’

ESCOLA
A escola hoje não serve para educar. Nem para educar para vida pública e muito menos para educar para a relação de conhecimento. A escola está mais preocupada que seus alunos aprendam conteúdo do que com a postura que deve ter para se relacionar com o conhecimento. Até o quinto ano do ensino fundamental, a gente deveria ensinar o que é ser aluno, o que é ter colegas, o que é agir coletivamente, quais as posturas físicas e mentais para se relacionar com o conhecimento. Hoje a gente tem uma grande dificuldade de trabalhar isso. Espera-se que o aluno chegue sabendo o que é ser aluno. Eles chegam filhos e a escola continua a tratá-los como filhos.

A escola se identificou muito com a família e perdeu seu caráter profissional. Ela se molda aos seus alunos e aos pais de seus alunos. Tem dificuldade de estabelecer uma conduta profissional baseada em teorias e metodologias e vai muito no agir educativo dos pais, que são leigos, e a escola não deveria ser leiga. Hoje, professores e pais pensam e agem de maneira muito semelhante.

VIDA FAMILIAR
É uma grande bobagem tentar adequar a escola ao estilo de vida familiar. Isso restringe muito os contatos, as relações, o tipo de visão que a criança tem do mundo. Restringe muito a ponto de impedir uma vida democrática, no ponto de vista das relações. Cada vez mais as crianças ficam submetidas a um tipo de educação muito parecida. A partir dos anos 90, a escola começou a anunciar que ela era a segunda casa, a segunda família dos alunos. Se uma família já dá trabalho, imagine duas. A grande questão é: nós vamos dar chance para as crianças aprenderem a conviver com as diferenças ou vamos cada vez mais colocá-las em clubes privados onde todos são semelhantes? Na busca de uma vida mais democrática, colocar a criança em uma escola onde há diversidade é o primeiro ponto. A função da escola é fazer a passagem da vida privada para a vida pública.

SELEÇÃO DE ALUNOS
Seleção de alunos é um absurdo. Na verdade, é selecionar o perfil de aluno que cabe dentro da minha escola, é preconceituoso. O aluno diferente, não importa a diferença que seja, ele não cabe dentro desse clube. Por lei, essa seleção não é permitida, mas as escolas continuam fazendo e os pais se submetem. Acho uma loucura. A gente já vê no presente algumas conseqüências disso. A vida pública é cada vez mais privada, jovens adultos evitando o contato das pessoas nas ruas.

SUPERPROTEÇÃO
Nas últimas décadas, os pais se incumbiram de uma missão impossível, que é proteger os filhos da vida. Nesta busca de proteção, têm cometido equívocos sérios, que comprometem o objetivo fundamental da educação, que é viver com autonomia. Os pais ensinam os filhos que eles têm muitos direitos e poucos deveres.

Traçar um equilíbrio entre o cuidar e proteger é a questão. Não adianta a gente tentar proteger, proteger, porque na hora que eles saem, e eles saem queira a gente ou não, esse é o mundo em que eles vão viver. O mundo está perigoso, mas sempre esteve perigoso para os pais. É claro que o mundo mudou muito. Mas devo ensinar a saber reconhecer os riscos, a saber se proteger sem revidar etc.

SEXUALIDADE
Quando chega na adolescência, o grande acontecimento da vida é a descoberta da sexualidade. O jovem tem corpo de adulto e, portanto, pode desfrutar desse mundo da sexualidade. A idéia que fica é que eu desfruto, mas, se eu tiver um problema antes ou depois, alguém resolve para mim. É fundamental que cada um de nós tenha uma vida sexual saudável. Mas há o limite entre o privado e o público, o que diz respeito à intimidade e o que diz respeito ao convívio social. Por isso, é preciso demarcar bem essa fronteira. A função dos pais não é entrar nos segredos dos filhos. Aliás, tem coisas que é melhor não saber mesmo.

A questão não é falta de informação [sobre sexo, gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis]. O problema é que eles não têm maturidade para usar essas informações. Isso revela que estão chegando na vida sexual de modo absolutamente inconseqüente porque são imaturos e porque há adultos respondendo por eles.

O jovem vê a sexualidade como performance corporal, têm dificuldade de encarar uma relação sem tomar um comprimido tipo Viagra ou Cialis. Achei que fosse insegurança, mas descobri que era garantia de diversão por horas, sem perder a ereção. É um parque de diversão, não é mais o contato de proximidade de intimidade com uma pessoa.

CONSUMO
O ideal de consumo hoje é maior do que qualquer coisa, provoca angústia, provoca tédio também. O ideal de consumo faz com que a pessoa queira consumir e não necessariamente desfrutar daquilo que conquistou. Ele quer, quer e depois que consome não sabe o que fazer com aquilo. Cresce assustadoramente o número de jovens que querem entrar na faculdade e depois não sabem o fazer com a faculdade, trocam de curso, abandonam. É mais difícil viver hoje porque não há adultos que estimulem essa visão crítica do jovem. Eles não pensam criticamente e também adoecem facilmente. Temos muitos jovens com depressão, o índice de suicídios tem aumentado muito entre os jovens adultos. O grau de insatisfação com a vida é muito grande. Eu devo isso ao ideal de individualismo.

MEDICAMENTOS
É um outro ideal. Nossa sociedade está absolutamente submetida à medicalização. É mais um elemento que leva a essa passividade na vida, como se as coisas se resolvessem por mim. Hoje, por incrível que pareça, há escolas que chamam os pais e os orientam dar ritalina [medicação usada para déficit de atenção com hiperatividade] aos seus filhos. É como se falassem: ‘Acalma o seu filho para eu poder trabalhar bem enquanto ele for meu aluno.’
Acho que a medicina ainda vai se redimir dessa medicalização. Hoje há muito estímulo à hiperatividade. Já que o mundo estimula, vamos conviver com isso e ensinar nossas crianças a controlar isso.

PAIS
Os livros de auto-ajuda subestimam a capacidade dos pais. Não acho que os pais estejam perdidos, as escolas sim estão perdidas. Os pais estão desnorteados. Quando eu fui educada, todos os pais compartilhavam do mesmo norte. Hoje as referências se multiplicaram. Cada pai olha como vai educar seu filho e vê múltiplas referências. Eles ainda acreditam que há norte fora deles, mas o norte está neles. Não considero os pais perdidos. Eles se dedicam mais à educação dos filhos do que as escolas que os recebem.

LIMITE
Eu usei muito essa palavra e hoje sou contra o uso dela na educação. Todo mundo usava essa palavra e não falava-se em desobediência. Recebi um dia uma mãe desesperada porque a filha, de três anos, não tem limite algum, não aceita a autoridade dela. Se a gente aceita que o problema é deles, a gente ficará livre de qualquer responsabilidade. Criança não precisa de limite, precisa é de adulto. Eles não aprendem os limites porque, nós adultos, não exercemos bem nosso papel.

CASTIGO
Castigo em crianças com menos de cinco anos eu não entendo. Quando a criança com menos de cinco anos faz ou não faz o que deveria fazer é porque o adulto falhou. Nessa idade, a criança não compreende o castigo como fruto do comportamento que ela teve. A partir dos seis, sete anos, é possível colocá-lo de castigo mas não como mera punição com sofrimento. Mas como demonstração de que tudo o que você faz, traz conseqüências, às vezes boas, às vezes não. Em geral, hoje o castigo é dado muito no momento em que os pais perdem o controle das emoções e depois o sofrimento dos filhos faz com que os pais afrouxem o castigo. A gente erra do começo ao fim.

Entre os piores na educação

O Globo, 30/11/07

Demétrio Weber

Brasil é o 52º de 57 países no ensino de ciências, mostra teste mundial com alunos de 15 anos

O Brasil foi reprovado no maior exame mundial de ciências para estudantes de 15 anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2006, divulgado parcialmente ontem. Os jovens brasileiros de escolas públicas e particulares ficaram na 52ª posição entre 57 países e territórios, com nota média de 390 pontos, na escala até 800. Dito de outra forma: o país teve o sexto pior resultado.

A Finlândia lidera o ranking. Dos outros cinco países latino-americanos incluídos — Chile, Uruguai, México, Argentina e Colômbia —, apenas a Colômbia ficou atrás do Brasil.

A prova é feita por amostragem. No Brasil, foram avaliados 9.345 alunos de 390 municípios, em todos os estados. O critério para participar é ter 15 anos e cursar pelo menos a 7asérie do ensino fundamental (8º ano, onde o ensino fundamental dura nove anos). Por causa de diferenças na amostragem, a margem de erro varia em cada país. A brasileira é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, o Pisa classifica o Brasil entre a 50ae a 54aposição.

Mesmo nações com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aparecem à frente do Brasil no Pisa 2006. É o caso da Indonésia, que ocupa a 107aposição no ranking anunciado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O IDH mede a qualidade de vida da população e, pelo primeira vez, deu ao Brasil o status de país de alto desenvolvimento humano, na 70ap os ição, entre 177 países e territórios. A Indonésia está no grupo de médio desenvolvimento.

— Não estamos bem, temos que melhorar.

Há muitos alunos atrasados no Brasil, mas isso não é desculpa. Ter alunos atrasados é um problema, e o Pisa capta isso — disse o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, Reynaldo Fernandes.

Aos 15 anos, um estudante brasileiro deveria cursar a primeira série do ensino médio.

Mas, por causa da repetência e do abandono escolar, 32,7% dos alunos de ensino fundamental apresentavam atraso de duas séries ou mais em 2005, segundo o Inep.

— O problema é a formação de professores.

Temos uma deficiência grande em matemática, química, física e biologia. E a maioria das escolas não tem ou não usa laboratórios. O ensino se torna muito livresco e chato — disse o diretor de Popularização da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ildeu de Castro.

Prova foi aplicada a 400 mil estudantes

De 149 mil escolas públicas de ensino fundamental no Brasil, apenas 6% tinham laboratório de ciências e 14% contavam com salas de informática em 2005.

— Se queremos entrar no mundo desenvolvido, não podemos ignorar a importância do aprendizado de ciências desde o ensino fundamental — diz o diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), Jorge Werthein, ex-representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Mais de 400 mil estudantes dos 57 países fizeram o Pisa no ano passado, com foco em ciências. O teste avalia também a capacidade de leitura e os conhecimentos de matemática — a cada ano, dois terços do tempo são dedicados a uma dessas disciplinas. Os resultados das outras provas serão divulgados na terçafeira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa foi realizado pela primeira vez em 2000, com foco em leitura. A segunda edição, em 2003, teve ênfase em matemática. Apenas 42 países participaram, embora nem todos tenham sido incluídos no ranking. Em 2000, o Brasil ficou em último lugar nas três disciplinas, entre 31 nações. Em 2003, foi o penúltimo em ciências, à frente da Tunísia, entre 40 países.

No Pisa 2006, a Tunísia continuou atrás do Brasil. Os demais países que tiveram desempenho inferior eram estreantes: Colômbia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão. Apenas oito dos 57 participantes tiraram nota abaixo de 400 pontos. Na Finlândia, os estudantes atingiram média de 563 pontos, seguidos pelos de Hong Kong (542) e Canadá (534). As 57 nações participantes respondem por cerca de 90% da riqueza mundial.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Arquimedes Diógenes Ciloni, defende a valorização da carreira de professor do ensino básico. Reitor da Universidade Federal de Uberlândia, ele diz que é preciso tornar o magistério nas escolas públicas mais atraente.

— Para recuperar a escola pública, temos que formar bem os professores. E pagar salários decentes — afirmou Arquimedes.

O Plano de Desenvolvimento da Educação lançado em abril pelo presidente Lula fixou metas até 2021. O objetivo é que os alunos brasileiros atinjam, às vésperas do bicentenário da Independência, o rendimento médio dos alunos da OCDE no Pisa de 2003.

Confira os lançamentos das editoras universitárias

“O Eu nos Ensaios de Montaigne”, Telma de Souza Birchal – Michel de Montaigne apresenta seus Ensaios como sendo uma pintura de seu autor “inteiro e nu”. A originalidade desse propósito assim como a do estilo de sua escrita fazem com que a obra possa ser objeto de diferentes olhares. Aqui, pretende-se ressaltar o Montaigne filósofo e, mais especificamente, situar seu pensamento no que podemos chamar de uma “história da subjetividade”. Distinto tanto da “alma” ou da “razão” dos antigos, tão próximas da divindade quanto do “eu penso” de Descartes, tão certo de si, o “eu” dos Ensaios traz uma figura da subjetividade marcada pela dúvida, pela cor. (UFMG)

“Literalmente falando: sentido literal e metáfora na metalinguagem”, Solange Coelho Vereza – A discussão sobre os conceitos de sentido literal e de metáfora remonta ao início do interesse pelos estudos da linguagem na Grécia antiga. No pensamento contemporâneo, na filosofia da linguagem, na lingüística, nos estudos literários e na teoria da comunicação esta tem sido uma das questões mais polêmicas. Quais as fronteiras entre sentido literal e metafórico? A metáfora é derivada do sentido literal e o pressupõe? O sentido literal é simplesmente a fixação dos múltiplos usos e significados das palavras? Essas questões vêm sendo discutidas em perspectivas as mais diversas e permanecem em aberto. Encontramos desde defesas convictas da necessidade de se manter uma concepção estrita de sentido literal até posturas radicais advogando a eliminação de qualquer distinção entre o literal e o metafórico. (UFF)

“Recôncavo da Bahia: Educação, Cultura e Sociedade”, Luís Flávio Reis Godinho e Fábio Josué Souza dos Santos (Orgs.) – o livro é resultado do Congresso de Pesquisadores do Recôncavo Sul: Educação, Cultura e Sociedade, promovido pelo Centro de Formação de Professores da UFRB, entre 08 e11 de maio de 2007, em Amargosa. O Prefácio, da Drª Maria D. de Azevedo Brandão, da UFBa presta uma homenagem à UFRB, sobretudo ao CFP, pela realização do encontro e pelos méritos próprios em temática, participantes e organização. Para ela, o CFP aponta, apropriadamente, como missão das universidades interioranas, a valorização das comunidades de suas regiões, no intercâmbio entre suas diferentes associações e com outros centros culturais, em favor de um pensamento sério e transformador. (UFRB)

“Aplicación Judicial del Derecho en Perspectiva Hermenęutica”, Lúcia Alvarenga – trata-se de parte da tese desenvolvida no doutorado na Espanha pela docente. No livro, a autora apresenta um novo olhar da hermenęutica (interpretaçăo dos textos) em Gadamer – onde compreender e interpretar significa aplicar o texto ŕ situaçăo presente. Essa obra pretende investigar o conteúdo e a importância da hermenęutica jurídica e indagar em que medida ele pode, efetivamente, abrir as portas para um novo horizonte da aplicaçăo do Direito. (UnB)

“Introdução ao Estudo de Minerais Comuns e de Importância Econômica”, Sebastião de Oliveira Menezes – A publicação, além de se basear no estudo dos minerais e fornecer uma tabela para reconhecimento de minerais comuns, aborda a utilização de minerais como recursos naturais e comenta sobre jazidas e reservas destes recursos no Brasil. (UFJF)

“Revista Poité”, 10ª edição – Criada por estudantes do curso de Letras, em 1986, como sucessora da Revista Discente, veículo de expressão cultural e artística dos alunos da UFSC durante as décadas de 70 e 80, a Poité registra a cada edição a
produção em artes no campus. Hoje, fazem parte do corpo editorial da revista alunos de diversos cursos, de estudantes de Artes a acadêmicos de Medicina e Matemática. A edição nº 10 foi obtida a partir da reunião de 54 colaboradores. A Poité é apoiada pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PREG), Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE). (UFSC)

“Notas de História e Cultura Afro-Brasileiras’, Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Paraná (Org.) – o intuito do livro é disponibilizar para as escolas públicas mais uma fonte dirigida aos professores para o trabalho com conteúdos relacionados à História e à Cultura Afro-Brasileiras, visando cumprir a Lei 10.639, que modificou artigo da Lei de Diretrizes de Bases da Educação brasileira, tornando obrigatório o ensino destes conteúdos. (UFPR)

“O amor a duas línguas”, Roberto Mendoza e Leôncio Caminho – o livro traduz o amor em dois estilos, duas nacionalidades, duas culturas e dois sentires. O erotismo que celebram suas páginas é contemplação, capricho e gratuidade. Desordem, desejo e intensidade. Sabor, risco e transgressão. É rebeldia contra a solidão, a abstinência e a virgindade. Contra o rancor e o tédio. Contra a brutalidade, a iniqüidade e o desamor. É vida, utopia que nega o utilitarismo cotidiano. (UFCG)

“Caminhos e Memórias: narrativas e cotidiano de itinerantes rumo a Poxoréo”, Nileide Souza Dourado – é o resultado da sua pesquisa de mestrado sobre a história de vida de homens e mulheres das cidades de Poxoréu e Cuiabá. A obra tem foco na história dos deslocamentos, das trajetórias, do cotidiano, da cultura material de pessoas, famílias e grupos, na primeira metade do século XX, rumo a Mato Grosso, tendo Poxoréu como ponto de atração. O estudo é inédito, tem uma abordagem científica e reúne um conjunto de questões direcionadas para o estudo da história dos movimentos populacionais brasileiros. (UFMT)

“Entendendo e Dominando o Hardware: técnicas avançadas para montagem e manutenção de PCs”, Ivan Max Freire de Lacerda – o livro aborda recursos mais avançados e é destinado aos estudiosos ou profissionais do assunto. (UFRN)

“Revista Chronos”, nº 4 – nesta edição, aborda a obra do jurista e professor Nilo Batista. A Chronos, de periodicidade trimestral, sempre destaca personalidade expressiva das áreas de conhecimento contempladas nos diversos cursos de graduação e pós-graduação da UNIRIO. O objetivo da publicação é criar um elo entre fontes primárias de pesquisa (entrevistas com realizadores, material iconográfico, ensaios e artigos inéditos etc.) e pesquisadores e estudantes. Nesta edição, foi contemplado o curso de Direito. A versão impressa é distribuída para bibliotecas e instituições culturais no Brasil e no exterior. (UNIRIO)

(Lilian Saldanha – Assessoria de Comunicação da Andifes)

Renda agrícola é influenciada pela queda do preço do leite

O ritmo de variação média dos preços agropecuários continua em queda para o produtor rural. Em novembro, o Índice de Preços Recebidos (IPR) pela venda dos produtos agrícolas ficou negativo em 0,83%. Este resultado acontece principalmente pela queda do leite fluído pago ao pecuarista, cuja baixa foi de 20,0% para o leite tipo B e 13,68% para o tipo C. Em outubro, a renda agropecuária já havia caído 1,83%, também puxada pelas quedas dos preços do leite pagos aos produtores. O leite tipo B havia caído 9,41% e o tipo C, redução de 6,92%.

São levantados os preços de 42 produtos na pesquisa feita pelo Departamento de Administração e Economia (DAE) da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

Apesar de o setor leiteiro ter puxado para baixo esse Índice de Preços, os grãos ainda mantiveram em alta, a exemplo do mês anterior. Em novembro, a preço recebido pelo feijão teve variação positiva de 65,96% e o milho, com alta de 20,91%. Já a cotação do café teve uma baixa de 0,35%.

De acordo com o professor Ricardo Reis, do Departamento de Administração e Economia da Ufla, e coordenador dos Índices Agrícolas e do Índice de Preços ao Consumidor, essa alta do feijão já influenciou a inflação de novembro, cujo aumento para o consumidor foi de 20,85%. A matéria-prima para a venda de carnes também teve influência na renda do produtor, com alta de 19,3% no preço da arroba do boi gordo, 16,49% na arroba da vaca para abate e aumento de 20,0% no preço da arroba do novilho para abate.

Entre os hortifrutigranjeiros, que teve uma queda média de 8,28%, as maiores baixas para os produtores ficaram localizadas na laranja (-40,0%), batata (-11,31%), beterraba (-12,94%), cenoura, (-15,38%) e mandioca (-16,25%). As maiores altas entre os hortifruti foram: banana (34,43%), alface (33,33%), couve-flor (66,67%) e quiabo (19,44%).

No caso dos preços pagos pelos insumos agrícolas, medido pelo Índice de Preços Pagos (IPP), a variação em novembro foi de 9,42%. Para estes insumos, são pesquisados 187 produtos, e entre estes, as principais altas ocorreram nos setores de sementes e mudas (7,98%), carrapaticidas (7,4%), vermífugos (4,84%), máquinas e equipamentos (6,53%), animais de rebanho (10,08%) e serviços de terceiros (dia/homem, hora/trator, assistência técnica), com alta de 14,27%.

O Índice de Preços Recebidos (IPR) estima a renda do setor rural e o Índice de Preços Pagos (IPP) reflete a variação dos custos de produção desse segmento.

Pesquisadores da Ufla em visita técnica a Holanda

Os professores do Departamento de Biologia, Renato Paiva e Antonio Chalfun Junior e do Departamento de Química, Luciano Vilela Paiva retornaram recentemente de uma missão de trabalho na Universidade de Wageningen, Holanda, como parte do programa de cooperação internacional Capes/Wageningen.

A missão proporcionou a consolidação da inserção internacional dos programas de Pós-Graduação em Fisiologia Vegetal e Biotecnologia Vegetal da Universidade Federal de Lavras (Ufla)permitindo a seus discentes a oportunidade de desenvolverem atividades relacionadas com seus temas de pesquisa na Holanda e a vinda de pesquisadores holandeses a Ufla.

Durante o período da visita técnica, os professores participaram da conferência “Sustainable Agriculture in Brazil” que contou com a presença de pesquisadores brasileiros e holandeses, além de autoridades como o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes e o Governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi.

Medicina e agronomia lideram pesquisas

O Estado de São Paulo, 30/11/07

MCT e CNPq apontam descentralização regional, com Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% em 2 anos

A maioria das pesquisas científicas brasileiras, espalhada por 403 instituições, concentra-se nas áreas de medicina e agronomia. Há uma pequena, mas constante descentralização regional da pesquisa, com o Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% nos últimos dois anos, ante 5% no Sul-Sudeste. As mulheres cientistas (48%), além de quase empatarem em quantidade com o número de homens (52%), lideram cada vez mais os grupos de pesquisa (43%) – ante 57% de grupos liderados por homens.

Esse retrato da pesquisa e dos pesquisadores foi divulgado ontem pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). O censo, intitulado Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, é realizado de dois em dois anos desde 1992.

O censo 2006 mostra que há hoje 90.320 pesquisadores em atividade no País, além de 128.969 estudantes envolvidos nos 21 mil grupos de pesquisa. Ao todo, foram registradas 76.719 linhas de pesquisa, com medicina (4.928) e agronomia (4.363) liderando o trabalho científico (12%). Pela ordem de quantidades de linhas de pesquisa, seguem-se educação (3.897), química (3.606) e física (2.794).

A idade média dos pesquisadores, homens e mulheres, é de 44 anos desde o primeiro censo em 1993. Do total de pesquisadores, 64% são doutores (57,5 mil). As ciências exatas e da terra (83%), as ciência biológicas (79%) e as ciências agrárias (75%) têm os mais altos índices de doutores envolvidos nas pesquisas. Entre os censos de 2004 e 2006, o Brasil incluiu 10 mil novos doutores ao cenário da produção científica.

Apesar da registrada descentralização, com a região Norte, sozinha, registrando 21% de crescimento, o Sudeste ainda concentra (50,4%) das pesquisas científicas do País. Pela ordem, essa distribuição, segundo o Censo 2006, está assim: Sul, 23,6%; Nordeste, 15,5%; Centro-Oeste, 6,1%; Norte, 4,4%.

Por Estado, a liderança é de São Paulo, com 27% dos grupos de pesquisa, seguido do Rio (13,2%), Rio Grande do Sul (10,4%), Minas Gerais (9,1%), Paraná (8,1%), Santa Catarina (5,1%), Bahia (4,6%), Pernambuco (3,2%), DF (2,1%) e Ceará (2%). Os demais Estados concentram menos de 2% dos grupos de pesquisa. Segundo o censo, há no País, ao todo, 129 mil estudantes envolvidos com a pesquisa.

Sozinha, a USP concentra 8,5% dos grupos de pesquisa, seguida da Unesp com 3,7%. As demais instituições dividem-se assim: UFRJ, 4,1%; UFMG, 3,1%; Unicamp, 3%; UFRGS, 2,6% e UFSC, 2%. As demais têm menos de 2% de participação.

Eleições para DCE

Dias 3 e 4 de dezembro, estudantes de graduação da Universidade Federal de Lavras(Ufla) votam para a escolha da nova diretoria para o Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Concorrem duas chapas: Revitalizar e Contramolas.

A votação será na Cantina Central, de 8 às 21 horas e no Restaurante Universitário, no horário de almoço.

Realizado terceiro momento “Quem somos nós”

O terceiro momento abordou o tema “Históricos e perspectivas de extensão na Ufla”, que aconteceu ontem, dia 29 de novembro, às 18 horas, no Salão de Convenções.

Com o objetivo de repassar informações referentes ao crescimento e desenvolvimento da Universidade Federal de Lavras (Ufla) ao longo desses 100 anos, assim como a expansão da universidade, em âmbito nacional e internacional por meio do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, foi realizado primeiro momento do evento “Ufla: Quem somos nós”, que aconteceu no Anfiteatro do Departamento de Agricultura, dia 13 de novembro.

A primeiro momento, foi realizado no Ginásio Poliesportivo e contou com a presença de estudantes de graduação e de pós-graduação com vínculo em programas institucionais, PET, PIBIC, Bolsistas Institucionais (Monitoria, Rede, Extensão, Atividade, Preuni), Grupos e Núcleos de Estudos, Centros Acadêmicos, APG e Empresas Juniores.

Além de informações históricas sobre a Escola Agrícola de Lavras, Escola Superior de Agricultura de Lavras e Universidade Federal de Lavras, foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e informações sobre o crescimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Ufla participa do Projeto Rondon no Pará e Piauí

A Universidade Federal de Lavras(Ufla) aprovou junto ao Ministério da Defesa dois projetos para a operação Grão-Pará do Projeto Rondon 2008.

A operação envolverá os estados do Pará e Piauí. No Piauí, a equipe da Ufla atuará na cidade de Boa Hora e terá a coordenação do professor Carlos Eduardo Silva Volpato. No Pará, a equipe atuará na cidade de Oeiras e terá a coordenação da professora Ila Maria da Silva Souza.

Entre os dias 19 e 23 de novembro os coordenadores visitaram as cidades de atuação e se reuniram com o prefeito e lideranças locais para traçarem o plano de trabalho, que será executado no mês de janeiro de 2008.

Desde 2005, quando o Projeto Rondon voltou a ser realizado, esta será a quarta participação da Universidade. Em 2005 esteve na Amazônia. Em 2006 em Roraima e em 2007 no Pará.

Jovens se dizem desencantados com o Brasil

O Globo, 29/11/07

Chico de Gois

Violência e políticos são apontados, em estudo com adolescentes, como os maiores motivos de vergonha

Pesquisa realizada por Unicef, Fundação Itaú Social e Instituto Ayrton Senna mostra o desencanto dos jovens com o Brasil. Quando perguntados sobre quais motivos tinham para se orgulhar do país, 29% não quiseram ou não souberam responder, enquanto 11% afirmaram que “nada” lhes dá orgulho. Foram entrevistados 3.010 jovens em 206 municípios e 210 indígenas de 15 cidades, todos na faixa etária de 15 a 19 anos. Entre os que encontraram algum motivo de orgulho, 15% identificaram as riquezas, as belezas naturais e as praias, e 10% optaram pelo futebol. Dos representantes das classes D e E, 34% não opinaram. Para 20% dos indígenas, o povo e o cidadão brasileiro são motivos de orgulho, resposta de 5% dos demais entrevistados. Do lado oposto, o que mais envergonha os jovens entrevistados é a segurança pública, empatada com a política e os políticos. Em resposta espontânea, 20% apontaram cada um desses três problemas. Entre os indígenas, 23% não souberam ou não quiseram responder.

Entre os indígenas, quase metade sente-se discriminada A corrupção política é, na visão dos jovens, o que mais causa problemas sociais no Brasil: 27% dos entrevistados têm essa opinião, enquanto 17% apontaram a discriminação racial e 15%, a falta de segurança.

Entre os indígenas, a discriminação racial está no mesmo patamar da corrupção política, com 17% das respostas. Na Região Centro-Oeste, a corrupção política foi apontada como um dos principais males do país: 35% têm essa opinião, quase o mesmo percentual do Sudeste, 33%. Os jovens se dividiram ao apontarem caminhos para o ambiente político. Ao escolherem a expressão com a qual mais concordavam, 47% disseram que “a política é um ambiente muito contaminado, por isso o jovem deve buscar outros canais de participação”. Percentual praticamente igual dos que têm visão oposta: 48% responderam que “a participação política é um canal importante demais para deixar de ser utilizado pelos jovens”.

Embora observem a discriminação como um grave problema a ser enfrentado, a maioria (67%) não se sente vítima de preconceito. Porém, entre os que assim se sentem, 20% apontam o fato de serem pobres como motivo para serem destratados. Os indígenas (44%) são os que mais se sentem discriminados. A primeira etapa da pesquisa, intitulada “Adolescentes e jovens do Brasil”, foi realizada entre 11 e 18 de julho de 2006. O estudo foi concluído em 9 de agosto do ano passado, e divulgado ontem.

Universidade Federal de Lavras