´O que a escola pública é capaz de fazer deveria surpreender´

O Estado de São Paulo, 10/12/07

Renata Cafardo

Fernando Haddad: ministro da Educação

Para ele, resultados do Pisa precisam levar em conta que o País tem um dos menores investimentos por aluno do mundo

Os resultados insuficientes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que colocaram mais uma vez o Brasil entre os piores do mundo em leitura, matemática e ciência, não abalaram o ministro da Educação, Fernando Haddad. “O que a escola pública é capaz de fazer com um investimento de R$ 170 por aluno, por mês, deveria surpreender tanto quanto os resultados”, disse ele, em entrevista exclusiva ao Estado, dias depois da divulgação do exame.

Haddad se referia ao gasto anual por aluno no ensino fundamental do Brasil (US$ 1.159), um dos menores entre os países avaliados pelo Pisa. A quantia equivale a pelo menos um quarto da mensalidade média da escola particular brasileira.

O ministro acredita que mudanças virão com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado por ele no início do ano, com metas de qualidade para todas as escolas. Na quarta-feira, o MEC anunciará mais R$ 500 milhões, como parte do PDE, para o ensino médio. Mas Haddad conta que está “apreensivo” com a eventual não-prorrogação da CPMF. Evitou dizer que o PDE poderia ficar comprometido, mas afirmou que o assunto é “grave demais”.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, em que o ministro fala ainda da briga entre PT e PSDB sobre o ensino paulista. Para ele, apenas um “mal-entendido”.

Como o senhor analisa os resultados do Pisa, em que o Brasil continua entre os piores do mundo?

O Pisa reflete o ensino fundamental do País porque avalia jovens de 15 anos. Em português e ciência, há uma estabilidade, dentro da margem de erro. O incremento foi em matemática, embora seja o nosso pior resultado. O que parece que está acontecendo, a julgar pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica, um exame nacional) e pelo Pisa, é que os anos iniciais do fundamental parecem reagir. Vamos ver nos resultados de 2007 do Saeb (que serão divulgados em abril) se isso é consistente ou não.

O Brasil continua atrás de outros países da America Latina.

Colômbia, Brasil, Argentina e México estão muito próximos. Uruguai se descola um pouco, mas caiu. E o país que finalmente se descola é o Chile, que colhe os resultados agora depois de 15 anos da reforma educacional. O que significa dizer que mais recursos e mais gestão na educação refletem nos indicadores de qualidade. Apesar da demora (e, em educação infelizmente essa é a regra), o resultado vem. Temos de aprender com países que têm uma história parecida com a nossa, embora nosso fardo histórico seja mais pesado – em primeiro lugar, pelo atraso no endereçamento da agenda da educação. A Argentina fez sua grande primeira reforma educacional em 1870. Nós temos um passado escravista que nenhum desses países têm, e temos uma tradição republicana muito mais recente.

Em 15 anos, o Chile colheu resultados. O Brasil vai demorar quanto?

Para não cair nisso de “esperar quantos anos”, fixamos as metas intermediárias no PDE. Uma delas é em 2009, mesmo ano do próximo Pisa. O nosso acompanhamento vai ser feito pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que foi estipulado para cada escola, com metas de aumento a cada dois anos). Eu espero que o Brasil cumpra as metas.

Se isso acontecer, vamos melhorar no Pisa?

Quando a educação melhora, melhora em todos os exames.

O governador José Serra disse que o senhor fez uso político dos resultados ao comentar o desempenho de São Paulo no Pisa, abaixo da média nacional.

Foi feita a pergunta sobre São Paulo, não partiu de mim o comentário. É obvio que a minha expectativa era de que São Paulo tivesse uma média superior à media nacional, pelo trabalho que tem sido feito. Não vejo no que isso possa ofender. Seria uma ofensa se eu dissesse que não esperava. Foi um grande mal-entendido.

Como o senhor analisa os resultados das escolas privadas no Pisa, também muito ruins?

Eu nunca acreditei na correlação entre renda e mérito. Há também uma elite dentro da escola pública, que se sai melhor. Mas o problema da educação é nacional. Precisamos lembrar que nossa escola pública tem o menor investimento por aluno de todos os países do Pisa. Mesmo nessas condições, ela consegue, com o investimento que representa um quarto ou menos de uma mensalidade escolar, não estar tão distante da escola privada. O que a escola pública é capaz de fazer com um investimento de R$ 170 por aluno por mês deveria surpreender tanto quanto os resultados.

Como aumentar esse valor?

Para isso temos que cumprir o Plano de Desenvolvimento da Educação, que exigirá mais recursos para a educação. O PDE, a partir de seu quarto ano, agrega R$ 19 bilhões ao MEC.

A não-prorrogação da CPMF atrapalha a educação?

Posso estar errado, mas eu considero isso um assunto grave demais. Eu temo a não-prorrogação e torço para que nada de ruim aconteça. Temo pelo eventual desequilíbrio fiscal que isso pode gerar. Cortar R$ 40 bilhões do orçamento não será uma tarefa simples, provavelmente vai comprometer o investimento em infra-estrutura e na área social.

Quanto a educação perderia com o fim da CPMF?

Não saberia dizer porque há um compromisso do ministro Guido Mantega de vincular novamente os recursos da DRU da educação (pelo mecanismo, a União pode tirar até 20% dos recursos da educação. Isso acabaria progressivamente, em troca da prorrogação da CPMF). Com a DRU, o orçamento do MEC perdeu, ao longo dos 12 anos, R$ 50 bilhões. A formação de um bom professor de física, química, biologia custa R$ 50 mil. Poderíamos ter formado 1 milhão de professores.

O PDE ficaria comprometido?

Espero que não. Apreensivo, eu confesso que estou.

Os melhores países no Pisa têm escolas que podem demitir seus professores sem consultar o governo. O senhor defende isso?

Em caso de falta grave, o professor pode ser punido com a demissão. Mas acredito que fazemos mau uso do estágio probatório, aquele período em que o professor é escolhido, mas só é efetivado depois de três a seis anos. Isso deveria ser feito em todos os Estados. É uma das diretrizes do PDE.

Esses países também têm mais aulas de ciências, leitura e matemática.

Volto a dizer que poderíamos ter formado 1 milhão de professores sem a DRU. Precisamos de professores em quantidade e em qualidade.

Mas a carga horária não é baixa só por falta de professor. Há alunos demais em algumas escolas, o que leva a quatro turnos em um só dia.

Em ciência e matemática, o maior problema é a falta de professores. Em leitura, para aumentar a carga horária, teria de ter o tempo integral. O Fundeb (fundo que agrupa e redistribui, com complementação da União, um valor mínimo por aluno nas redes públicas) remunera em 25% a mais a matrícula em período integral.

Quem é:
Fernando Haddad

É ministro da Educação do governo Lula desde julho de 2005. Antes disso, foi secretário-executivo do MEC

Haddad foi o criador do ProUni, que dá bolsas em universidades privadas para alunos de escolas públicas

Lançou neste ano o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com metas de qualidade para cada escola do País

Instalada Comissão de Corte de Árvores

Com a finalidade de julgar os pedidos de corte de árvores isoladas dentro do Campus da Universidade Federal de Lavras (Ufla), foi instalada a Comissão para esse fim – Portaria 942, de 30 de novembro de 2007.

Fazem parte da comissão os professores Antônio Cláudio Davide (presidente), Soraya Alvarenga Botelho e Patrícia de Oliveira Paiva

Missa de 7º Dia – Professor Eufêmio Steiner

Será celebrada missa de 7º Dia em intenção do professor Eufêmio Steiner Gomes Juste Júnior, dia 9/12 às 18h00 na Igreja Matriz Sant´ana, em Lavras.

Falecido dia 3/12, o professor Eufêmio Steiner Gomes Juste Júnior, era aposentado do Departamento de Ciência dos Alimentos, da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

O professor Eufêmio Steiner foi presidente da AdUfla (1980-1982) e em sua gestão foi adquirida uma área nas proximidades da então ESAL, para construção do Clube de Campo da Associação, que teve sua infra-estrutura ampliada ao longo das gestões posteriores, consolidando diferentes espaços para lazer e prática de esportes pelo sindicalizado e seus dependentes. Foi também chefe de gabinete de 1973 a 1975, chefe do Departamento de Ciência dos Alimentos de 1977 a 1978, além de presidente da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) de 1986 a 1987.

MEC reajusta salário das federais

O Estado de São Paulo, 07/12/07

Lisandra Paraguassú

Acordo com sindicato define aumento de até 69% para professores, até 2010, mas medida depende da CPMF

Os professores das universidades federais deverão receber reajustes que chegam a 69%, até 2010, depois de um acordo fechado ontem entre o governo federal e o sindicato da categoria. A proposta, aprovada já pelo Ministério do Planejamento, prevê salários que poderão chegar a R$ 11,7 mil para professores titulares. Mas, como quase todo o gasto extra do governo, depende da aprovação da CPMF para realmente tornar-se realidade.

O acordo foi costurado pelo governo com o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (ProIfes) e a Central Única de Trabalhadores (CUT).

A estimativa inicial é que, já para o ano que vem, a folha de pagamento dos professores aumente em R$ 1,7 bilhão – recursos já previstos no Orçamento, mas com base na manutenção da CPMF. Em 2010, quando o reajuste completo estiver em vigor, o custo deverá ficar em torno de R$ 3 bilhões. Hoje, está em torno de R$ 5,3 bilhões. O País tem hoje cerca de 74 mil professores, sendo cerca de 50 mil na ativa.

O acordo fechado pelo MEC, Ministério do Planejamento e professores inclui uma das reivindicações mais antigas dos docentes, a incorporação no salário-base da Gratificação de Atividade Executiva (GAE). Também foi incorporada uma outra gratificação, a Vantagem Pecuniária Individual. Com isso, o vencimento básico mais baixo – de um professor auxiliar nível 1 com 20 horas -, que era de R$ 147,40, passa para R$ 551,23.

No geral, os reajustes ficarão entre 25% e 69%. “A grande maioria dos professores terá pelo menos a reposição da inflação no período, a partir de 2005”, afirmou Gil Vicente, presidente do ProIfes. Um professor associado 4, por exemplo – nível mais alto da carreira antes do titular – deverá chegar a 50% de aumento real. Hoje recebendo R$ 6.412 para dedicação exclusiva, o salário em julho de 2010 chegará a R$ 10.446. “Nossa intenção é que a carreira seja muito estimulante para quem está começando e com doutorado”, afirmou Ronaldo Mota, secretário de Ensino Superior do MEC.

Outra mudança aceita pelo governo também é uma antiga reivindicação: a equiparação da Gratificação de Estímulo à Docência (GED) para os inativos.

Capes assume formação de professores para a educação básica

Portal MEC, 05/12/07

Com nova estrutura, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) assume a formação de professores para a educação básica. Nesta quarta-feira, 5, durante a 44ª reunião do Conselho Superior da Capes, o ministro da Educação, Fernando Haddad, falou sobre a estruturação de um sistema nacional de formação de professores como forma de melhorar a qualidade da educação básica. “A formação deve ser aliada à avaliação e ao financiamento como o tripé que sustentará o sistema”, disse.

Segundo Haddad, o magistério brasileiro não é formado na educação superior e é preciso mudar esse quadro. “Nosso desafio é tornar a política de formação uma questão de estado, sem prejuízo nos estados e municípios.” De acordo com o ministro, o MEC pode fortalecer e ampliar a capacitação.

Para isso, o ministério espera ajuda da rede federal de educação superior na ampliação de vagas e das taxas de conclusão dos cursos de licenciatura, principalmente. “É preciso criar um vínculo do professor com o MEC.”

Outro ponto importante é a incorporação da Universidade Aberta do Brasil à Capes, que vai ajudar a formar os 50% de professores da educação básica que não têm diploma de curso superior. A formação continuada dos professores poderá ser feita a distância. “Em alguns casos, até a formação inicial”, disse Haddad.

Investimento — O ministro anunciou que o orçamento da Capes vai mais que dobrar em quatro anos. Só para 2008, a proposta orçamentária prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão. E mais R$ 8 milhões para a construção da nova sede.

Manoela Frade

Andifes debate carência de professores na educação básica

A discussão norteará o III Seminário Anual de Políticas Públicas para a Educação, que acontece nos dias 11 e 12 de dezembro, no Hotel Nacional, em Brasília

No final de novembro, a divulgação, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2006 revelou um dado preocupante: o Brasil teve o sexto pior resultado no programa, ficando na 52ª posição entre os 57 países e territórios participantes. Ou seja, os jovens brasileiros de escolas públicas e privadas obtiveram nota média de 390 pontos em uma avaliação com escala até 800 pontos. O Programa avaliou 9.345 alunos – de 15 anos e cursando pelo menos a 7ª série do ensino fundamental – de 390 municípios, em todos os estados.

Uma estimativa do Ministério da Educação (MEC), divulgada recentemente e realizada com base em dados de 2003 para turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental e médio, demonstra que sete em cada dez professores brasileiros das disciplinas de ciências não têm formação específica para lecionar. Alguns possuem diplomas áreas diferentes e outros não concluíram sequer a graduação.

De acordo com o relatório ‘Escasses de professores no ensino médio: soluções estruturais e emergenciais’, publicado em maio deste ano pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), um número cada vez menor de jovens segue a carreira do magistério. Para suprir a carência de professores no ensino médio, o País precisaria de cerca de 235 mil docentes, particularmente nas disciplinas de física, química, matemática e biologia. Mas esse número é difícil de alcançar. Para se ter idéia, em 2001, formaram-se pela Universidade de São Paulo (USP), a maior universidade brasileira, apenas 172 professores para lecionar nessas quatro disciplinas.

A falta de profissionais na educação é agravada pela aposentadoria e pelo afastamento dos docentes. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Brasil corre o sério risco de ficar sem professores de ensino médio na rede pública, na próxima década. Isso porque, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em 2005, 60% dos 2,5 milhões de educadores encontravam-se próximos da aposentadoria.

O III Seminário Anual de Políticas Públicas para a Educação demonstra a preocupação da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em debater as formas de atuação do ensino superior, em especial das IFES, para a melhoria da educação básica, em especial no que tange à carência de docentes nesse nível educacional. Na ocasião, será apresentado um diagnóstico da realidade brasileira e se buscarão propostas para a sua melhoria.

O evento reunirá os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende; os ex-ministros da Educação, Murílio Hingel e Paulo Renato de Souza, parlamentares; dirigentes, ex-dirigentes e pró-reitores de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e as principais entidades ligadas à educação brasileira.

Foram convidadas para o debate, também, as Secretarias de Educação Básica (SEB/MEC) e Superior (SESu/MEC), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Mais informações pelo telefone: (61) 3321.6341, ou pelo email: andifes@andifes.org.br.

Assessoria de Comunicação da Andifes
Lilian Saldanha

Sem rumo

Correio Braziliense, 06/12/07

Cláudio Weber Abramo
Diretor executivo da Transparência Brasil

Na semana passada divulgaram-se os resultados de uma avaliação do nível de educação científica de estudantes de segundo grau de 57 países. Conduzido em 2006, foi o terceiro estudo do tipo feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O desempenho dos estudantes brasileiros colocou-os no 52º lugar da lista. Os dois levantamentos anteriores, feitos em 2001 e 2003 e dedicados respectivamente ao manejo do idioma e à matemática, incluíram quantidades menores de países. O Brasil ficou em último lugar nos dois.

Por aqui, ninguém se surpreendeu com o resultado. Todo mundo sabe que o ensino brasileiro, público ou privado, é de péssima qualidade. Tal apreciação intuitiva é confirmada por avaliação da Fundação Paulo Montenegro segundo a qual 76% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Isso não inclui apenas as populações miseráveis espalhadas pelo país afora, mas também (embora, naturalmente, em proporção menor do que a média dos 76%) detentores de diplomas universitários.

Algo que se comenta pouco é que o ensino de baixa qualidade não se esgota na escola. As pessoas que saem do sistema de ensino ingressam no mercado de trabalho. A alta ineficiência desse contingente se traduz em desperdícios espalhados de alto a baixo no sistema produtivo.

A questão é saber por que isso acontece. A resposta padrão é que “não se dá a importância devida à educação no Brasil”. No entanto, é difícil encontrar alguém que, se perguntado, diria que educação não é importante. Isso levanta a hipótese de que a relevância vocal que se dá ao tema seja só de fachada, e que o desprezo efetivo pelo assunto se demonstre pela carência de recursos destinados à área.

Contudo, isso também não é verdadeiro, pois os investimentos em educação têm crescido mais ou menos constantemente na última década. Por que, então, apesar disso, a educação do país continua tão ruim? A resposta deve ser buscada na economia política.

Apesar das doutrinas politicamente corretas que dominam a discussão do tema, a finalidade de um sistema educacional é formar pessoas para ocupar funções na estrutura produtiva. Objetivos como incrementar a felicidade das pessoas são respeitáveis, mas constituem conseqüência, não móvel da educação. Ninguém pode ser feliz se condenado ao imobilismo econômico.

Num país minimamente racional, o desenho do sistema e os investimentos em educação, não apenas quanto aos montantes mas principalmente quanto à sua alocação, são determinados pelas necessidades futuras do mercado de trabalho, por sua vez decorrentes do projeto de desenvolvimento do país. As cansativas menções que se fazem no Brasil ao exemplo da Coréia do Sul, que investiu alto em educação, esquecem-se de adicionar que tais aportes não foram realizados por conta de algum imperativo moral, mas no âmbito de um projeto de desenvolvimento que definiu as áreas que seria necessário estimular para alimentar o mercado de trabalho.

O que nos leva à razão fundamental pela qual o ensino brasileiro não anda. Apesar das manifestações de boas intenções, o mercado de trabalho (Estado e setor privado) não tem real demanda por pessoas qualificadas, de forma que tanto faz o que o aparato de ensino produz. Obviamente, os analfabetos funcionais que as escolas brasileiras despejam até o terceiro grau são suficientes para satisfazer às necessidades das empresas e às conveniências de governos capturados por interesses privados e políticos.

Se não fossem suficientes, os empregadores públicos e privados exerceriam pressões sobre o sistema de ensino. O fato de isso não acontecer constitui demonstração bastante de que estão satisfeitos.

A ausência de aspirações de desenvolvimento explica por que o ambiente educacional brasileiro é tão afetado pela subjetividade. Proposições estapafúrdias a respeito de educação são universais. Por exemplo, em todo lugar existe quem defenda que a educação seja “participativa” e “democrática”, incluindo desde a consulta a estudantes para a definição de currículos à designação de dirigentes das estruturas de ensino por meio de eleições. A diferença é que, num ambiente que sabe mais ou menos para onde quer se dirigir, essas tendências não predominam.

Predominam no Brasil porque o país não tem projeto de futuro. O Brasil mergulha na mediocridade complacente porque não sabe o que quer da vida. Como os determinantes materiais que pudessem direcionar a educação não estão presentes no ambiente, o sistema de ensino vagueia sem rumo, produzindo a cada ano, nos três níveis, contingentes de pessoas desqualificadas. O fato materialmente dado é que esses contingentes são dotados das habilidades necessárias para ocupar os postos de trabalho que se apresentam.

Missa de 7º Dia

Será celebrada missa de 7º Dia em intenção do acadêmico Gabriel Lelis Junqueira de Paiva Junior, dia 11/12 às 19h00 na Igreja Matriz Sant´ana, em Lavras.

Natural de Lambari/MG, Gabriel Júnior era aluno do 1º semestre do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Lavras(Ufla) e faleceu no dia 5/12.

Seleção Pública de Projetos 2007 do programa “Desenvolvimento e Cidadania Petrobras”

O lançamento do programa “Desenvolvimento & Cidadania Petrobras” ocorreu em Brasília (DF) no dia 21/11. Com vigência até 2012, o programa vai investir, neste período, R$ 1,2 bilhão em projetos que tenham como foco geração de renda, oportunidade de trabalho, educação para a qualificação profissional e garantia dos direitos da criança e do adolescente. O objetivo é contribuir para a redução da pobreza e da desigualdade social. O programa deve atender cerca de 4 milhões de pessoas, diretamente, e 14 milhões de forma indireta, além de alcançar outros 27 milhões de pessoas com ações de comunicação e difusão da cidadania.

Serão destinados, nesse ano, R$ 27 milhões a projetos que contribuam para a redução das desigualdades sociais nas comunidades mais excluídas do país. Os projetos inscritos devem solicitar o patrocínio de até R$ 690.000,00 (seiscentos e noventa mil de reais) por ano (12 meses), com a possibilidade de renovação por até dois anos (24 meses). Cabe ressaltar que poderão candidatar-se projetos em andamento ou em fase de planejamento e que a Petrobras irá priorizar a juventude de 15 a 29 anos. Serão aceitos projetos sob responsabilidade de organismos governamentais, não-governamentais e comunitários, legalmente constituídos no País, sem finalidades lucrativas e que atuem no Terceiro Setor brasileiro.

As inscrições para o Programa Desenvolvimento e Cidadania Petrobras já estão abertas e acontecem até 11 de janeiro de 2008, pelo site www.petrobras.com.br/desenvolvimentoecidadania, e devem seguir as orientações do Roteiro Para Elaboração de Projetos. A escolha dos projetos beneficiados acontecerá via seleção pública coordenada pelo Instituto Ethos e, obrigatoriamente, pelo menos um projeto de cada estado da federação será aprovado. No caso da região semi-árida, pelo menos dois serão beneficiados.

Programa Desenvolvimento e Cidadania Petrobras

Inscrições: www.petrobras.com.br/desenvolvimentoecidadania
Período: até 11 de janeiro de 2008
Público alvo: Organizações governamentais, não governamentais e comunitárias que atuem no Terceiro Setor
Informações: 0800-789001

(Fonte: Petrobras)

Uma avaliação dura

Folha de São Paulo, 06/12/07

Brasil vai mal em prova internacional de leitura, matemática e ciências; resultado serve para tirar educação do marasmo

SÃO POUCAS as surpresas, menos ainda boas, no desempenho de estudantes brasileiros na prova de 2006 do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). O exame feito de três em três anos pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) desnudou o que já está à vista de todos: a educação vai mal no país.

Eis o resumo: entre 57 nações (30 da OCDE e 27 voluntárias, como o Brasil), o país obteve a 53ª posição em matemática, a 52ª em ciências e a 48ª em leitura. A distância em relação à média da OCDE, nos três casos, é de uma centena de pontos em 500.

A deprimente comparação internacional, ainda que confirmatória, serve para espantar a complacência diante do naufrágio. Se não por razões de eqüidade, ao menos por pragmatismo os brasileiros responsáveis já parecem dar-se conta de que como está o ensino não pode ficar: cidadãos mais cultos e qualificados são pré-requisito para participar do mercado internacional.

Acima de tudo, porém, estatísticas à moda do Pisa são úteis para diagnóstico. Esmiuçados seus dados, o exame revela que nem a educação de elite vai bem por aqui. O Brasil apresenta a maior distância no desempenho de escolas pública e privadas, mas nem por isso ganha número significativo de posições no ranking quando só as particulares são consideradas. Também na comparação dos 5% de melhores alunos brasileiros com os 5% superiores da OCDE o país continua 80 a 115 pontos abaixo da média dos países desenvolvidos.

Em outras palavras, a negligência com o ensino público piora a qualidade da educação de modo sistêmico. A depreciação da carreira de professor não afeta só escolas da rede oficial, pois as privadas recrutam professores em meio aos mesmos egressos de universidades que já renunciaram ao papel de propagar o melhor conhecimento também fora de seus muros.

O quadro paulista é ilustrativo. Ainda que ostente a segunda melhor renda per capita do país (atrás do Distrito Federal), o Estado fica em 11ª (matemática e leitura) ou 12ª (ciências) colocação entre 27 unidades da Federação. O governador José Serra e sua secretária da Educação podem fazer as ponderações estatísticas que lhes parecerem adequadas, mas não terão o poder de apagar a constatação: no Estado mais rico, a educação está abaixo da média nacional e muito aquém da média OCDE.

Nem tudo é negativo, porém. Em matemática, os estudantes brasileiros avançaram 14 pontos desde a prova de 2003 (já em leitura houve recuo de 10). Mais: os 5% piores ganharam nada menos que 23 pontos. Há quem veja aí frutos do esforço de popularização da matéria, em iniciativas como as olimpíadas de matemática, o que não parece descabido.

É disso que a educação precisa: alunos liderados por professores competentes na busca da excelência. Competições, contudo, são só um ingrediente. Crucial mesmo é formar, recrutar, premiar e reter os melhores mestres, pagando-lhes salário digno e cobrando o resultado devido.

Universidade Federal de Lavras