{"id":984,"date":"2007-09-25T00:00:00","date_gmt":"2007-09-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/09\/brasil-um-longo-caminho-a-percorrer-nos-investimentos-em-educacao\/"},"modified":"2007-09-25T00:00:00","modified_gmt":"2007-09-25T00:00:00","slug":"brasil-um-longo-caminho-a-percorrer-nos-investimentos-em-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/09\/25\/brasil-um-longo-caminho-a-percorrer-nos-investimentos-em-educacao\/","title":{"rendered":"Brasil: Um Longo Caminho a percorrer nos investimentos em educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Folha Dirigida, 25\/09\/2007  <\/p>\n<p>Bruno Vaz <\/p>\n<p>Pouco investimento, que se torna sin\u00f4nimo de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de estudo, desen-cadeando uma fraca forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que, por fim, se traduz em perdas econ\u00f4micas e sociais. Apesar do aporte recente de recursos para o setor educacional anunciado pelo governo federal, objetivado por programas como o Fundeb, o Reuni e, principalmente, o Plano de Desenvolvimento Educacional (PDE), a equa\u00e7\u00e3o contida no in\u00edcio da mat\u00e9ria traduz bem a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra a educa\u00e7\u00e3o brasileira de acordo com os padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) direcionado para o setor, o Education at a Glance 2007, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que menos investe na \u00e1rea. O relat\u00f3rio, por\u00e9m, n\u00e3o inclui as na\u00e7\u00f5es mais pobres do mundo, que n\u00e3o fazem parte da OCDE. Alguns pa\u00edses, como \u00e9 o caso brasileiro, apesar de n\u00e3o integrarem oficialmente a entidade, se dispuseram a fornecer seus dados de forma volunt\u00e1ria. Mas, apesar da iniciativa, os n\u00fameros mostram que o Brasil ainda precisa de muito esfor\u00e7o e pol\u00edticas espec\u00edficas para, um dia, poder se orgulhar do seu sistema educacional.<\/p>\n<p>&#8216;N\u00f3s entendemos que o pa\u00eds, com a d\u00edvida educacional que tem, n\u00e3o pode se conformar com esse n\u00edvel de investimento. Neste sentido, o PDE deve agregar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) ao investimento em educa\u00e7\u00e3o, como contrapartida federal, mas estados e munic\u00edpios tamb\u00e9m precisam participar deste mesmo esfor\u00e7o, para que possamos chegar a um patamar de sustentabilidade da reforma educacional&#8217;, afirmou o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, ap\u00f3s analisar os n\u00fameros divulgados pelo \u00f3rg\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Apesar de subir 0,1 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a 2000, o volume de recursos do PIB aplicados em educa\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds em 2004, quando os dados foram apurados, \u00e9 o antepen\u00faltimo entre os 36 pa\u00edses pesquisados, com 3,9%. O pa\u00eds ficou em \u00faltimo lugar em dois outros aspectos importantes: o valor investido, anualmente, por aluno dos tr\u00eas n\u00edveis de ensino (fundamental, m\u00e9dio e superior) &#8211; US$1.303 &#8211; e a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o entre 25 e 64 anos que completou o ensino superior, 8%.<\/p>\n<p>Para o representante da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNU) no Brasil, Jos\u00e9 Raymundo Romeo, enquanto o professor n\u00e3o for devidamente valorizado a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 recebido o devido destaque junto ao Poder P\u00fablico. &#8216;A quest\u00e3o fundamental na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 que, ao longo dos anos, vem havendo uma grande diferen\u00e7a entre o custo real da educa\u00e7\u00e3o e o custo realizado. Isso fica aparente quando o pr\u00f3prio governador do Rio diz: \u2018o professor deveria ganhar mais, mas n\u00f3s s\u00f3 podemos pagar isso\u2019. Ora, se existe o reconhecimento de que o professor deve ganhar mais, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo subsidiada, ou seja, o pr\u00f3prio professor est\u00e1 subsidiando o processo educacional&#8217;, explica.<\/p>\n<p>Segundo Romeo, sem investir no setor, os governos est\u00e3o afastando jovens talentosos do exerc\u00edcio da doc\u00eancia, contribuindo para a fal\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. &#8216;H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre talento e remunera\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que os jovens mais talentosos v\u00e3o querer se tornar professores? Infelizmente, estamos caminhando para o que aconteceu h\u00e1 40 anos com o ensino fundamental p\u00fablico, desta vez no ensino superior. Os sal\u00e1rios foram se aviltando, as pessoas mais talentosas se afastando do setor p\u00fablico e os que ficaram se desinteressaram&#8217;. <\/p>\n<p>Coordenador de Gradua\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), Ant\u00f4nio Freitas acredita que os recursos para o setor educacional existem, mas n\u00e3o s\u00e3o bem distribu\u00eddos. &#8216;N\u00f3s n\u00e3o temos poucos recursos para investir, eles s\u00e3o mal aplicados. As universidades p\u00fablicas, por exemplo, s\u00e3o mal geridas. Voc\u00ea tem professores excelentes, boas instala\u00e7\u00f5es, mas a produtividade \u00e9 abaixo do que poderia ser. J\u00e1 o setor privado, quando quer passar qualquer projeto no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), demora anos para conseguir&#8217;, reclama.<\/p>\n<p>Ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior, Mozart Neves Ramos ocupa, atualmente, o cargo de diretor-executivo da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental &#8216;Todos pela Educa\u00e7\u00e3o&#8217;, e discorda do dirigente da FGV. &#8216;\u00c9 necess\u00e1rio um investimento maior para se fazer a mudan\u00e7a planejada na educa\u00e7\u00e3o. Com os recursos hoje investidos no setor, n\u00f3s n\u00e3o faremos a mudan\u00e7a&#8217;, declara.<\/p>\n<p>O dirigente destaca o contingenciamento de recursos para a educa\u00e7\u00e3o como um dos fatores que colocam o Brasil entre as na\u00e7\u00f5es analisadas pela OCDE que menos investem em educa\u00e7\u00e3o. &#8216;Se o governo considerasse que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 prioridade, poderia simplesmente tirar o setor da Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o (DRU), que tirou R$43 bilh\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dez anos. Tirar a educa\u00e7\u00e3o da DRU renderia R$17 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos quatro anos, o suficiente para fazer a mudan\u00e7a de qualidade na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica&#8217;.<\/p>\n<p>A medida, que significaria a aplica\u00e7\u00e3o imediata de mais recursos na educa\u00e7\u00e3o nacional, j\u00e1 se encontra no Congresso Nacional atrav\u00e9s da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o 66\/07, de autoria do deputado federal Rog\u00e9rio Marinho (PSB-RN), e prev\u00ea paulatinamente o fim da DRU sobre o or\u00e7amento do MEC. &#8216;O financiamento educacional no pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 suficiente. A incid\u00eancia da DRU, que atualmente \u00e9 de 20% sobre o or\u00e7amento da Educa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 reduzida, caso aprovada a PEC, nos pr\u00f3ximos quatro anos, at\u00e9 deixar de existir naquela rubrica&#8217;, explica o parlamentar. <\/p>\n<p>Segundo ele, alguns dos pa\u00edses da OCDE com melhor desempenho no relat\u00f3rio investem cerca de 20% do seu PIB per capita em cada aluno matriculado no per\u00edodo de um ano, enquanto a m\u00e9dia brasileira \u00e9 de 13%. &#8216;Estes indicadores educacionais atestam as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o brasileira comparadas \u00e0s de outros pa\u00edses, e como essa situa\u00e7\u00e3o afeta o projeto nacional de desenvolvimento a m\u00e9dio e longo prazo&#8217;. <\/p>\n<p>A proposta fixa a redu\u00e7\u00e3o da desvincula\u00e7\u00e3o para 15% em 2008, 10% em 2009 e 5% em 2010, at\u00e9 zerar em 2011. Pelos c\u00e1lculos do deputado, a aprova\u00e7\u00e3o do projeto representar\u00e1 um acr\u00e9scimo de R$17,6 bilh\u00f5es para investimentos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. &#8216;\u00c9 um montante suficiente para realizarmos uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e uma excelente oportunidade para o Congresso Nacional ajudar o ministro Haddad em sua busca por recursos que financiem o PDE&#8217;, lembra o deputado. Os n\u00fameros do relat\u00f3rio 2008 da OCDE podem ser os primeiros a retratar esta mudan\u00e7a.\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha Dirigida, 25\/09\/2007 Bruno Vaz Pouco investimento, que se torna sin\u00f4nimo de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de estudo, desen-cadeando uma fraca forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que, por fim, se traduz em perdas econ\u00f4micas e sociais. 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