{"id":965,"date":"2007-09-20T00:00:00","date_gmt":"2007-09-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/09\/tecnologia-e-aceleracao-do-crescimento\/"},"modified":"2007-09-20T00:00:00","modified_gmt":"2007-09-20T00:00:00","slug":"tecnologia-e-aceleracao-do-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/09\/20\/tecnologia-e-aceleracao-do-crescimento\/","title":{"rendered":"Tecnologia e acelera\u00e7\u00e3o do crescimento"},"content":{"rendered":"<p>Correio Braziliense, 20\/09\/07<\/p>\n<p>Roberto Nicolsky &#8211; Professor do Instituto de F\u00edsica da UFRJ e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pr\u00f3-Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Protec)<\/p>\n<p>A recente divulga\u00e7\u00e3o do ranking internacional dos artigos cient\u00edficos, que traz o Brasil na louv\u00e1vel 15\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 16.872 papers publicados e participa\u00e7\u00e3o de quase 2% no total mundial, contrasta flagrantemente com o desempenho do pa\u00eds em outro ranking internacional, diretamente ligado ao crescimento econ\u00f4mico: o das patentes, onde figuramos numa modesta 28\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 121 patentes obtidas em 2006. Isso imp\u00f5e uma reflex\u00e3o: em plena era do conhecimento, quando, mais do que nunca, a riqueza e o crescimento dos pa\u00edses se consubstanciam em propriedade intelectual, por que n\u00e3o geramos patentes se aparentemente temos crescido bem na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia? <\/p>\n<p>Para uma avalia\u00e7\u00e3o realista, vejamos o que aconteceu noutros pa\u00edses em desenvolvimento como o nosso. E a\u00ed verificamos que, enquanto a produ\u00e7\u00e3o brasileira de artigos cient\u00edficos cresceu 7,6 vezes entre 1980 e 2006, em outros emergentes cresceu muito mais no mesmo per\u00edodo: em Taiwan, 31 vezes; na China, 54; na Cor\u00e9ia, 133 vezes. A produ\u00e7\u00e3o coreana saltou de 175 artigos em 1980, quando j\u00e1 t\u00ednhamos 2.215, para 23.200 em 2006. Conclui-se, ent\u00e3o, que a nossa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o cresceu tanto quanto parecia. <\/p>\n<p>Ao examinar a qualidade dos artigos, avaliada pelo \u00edndice de cita\u00e7\u00f5es, vemos que nossa posi\u00e7\u00e3o cai para 20\u00ba lugar, o que indica que eles t\u00eam menos impacto internacional do que a m\u00e9dia mundial. O estudo The scientifici impact of nations, publicado em 2004 pela revista Nature, mostra que, entre 1993\/97 e 1997\/2001, as cita\u00e7\u00f5es a artigos brasileiros aumentaram 31%, contra 64% da China e 98% da Cor\u00e9ia. E o crescimento dos \u201ctop 1%\u201d (artigos mais citados) foi de 72% para o Brasil, contra 125% da China e 179% da Cor\u00e9ia. Ou seja, a China e, especialmente, a Cor\u00e9ia n\u00e3o s\u00f3 aumentaram muito mais do que n\u00f3s a produ\u00e7\u00e3o de artigos, mas ainda mais a qualidade. <\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o desse quadro \u00e9 a freq\u00fcente falta de v\u00ednculo da nossa pesquisa cient\u00edfica com a vida real. Enquanto a ci\u00eancia busca respostas, a tecnologia faz perguntas. Se n\u00e3o houver desenvolvimento tecnol\u00f3gico no pa\u00eds capaz de abrir um leque amplo de indaga\u00e7\u00f5es que instiguem a comunidade cient\u00edfica, as perguntas acabam ficando por conta de cada pesquisador, que passa a estudar aquilo que a curiosidade individual determina. <\/p>\n<p>Ora, o uso do conhecimento na vida real se traduz no desempenho da obten\u00e7\u00e3o de patentes. Como a patente tem validade local, essa avalia\u00e7\u00e3o tem por base a outorga pelo USPTO (sigla em ingl\u00eas do escrit\u00f3rio norte-americano de patentes) por ser o maior mercado internacional. E \u00e9 nesse ranking que estamos hoje num med\u00edocre 28\u00ba lugar. Passamos de 24 patentes obtidas em 1980 para 121 em 2006, ou seja, crescemos cinco vezes. <\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, a China multiplicou as patentes nos EUA por 35, Taiwan por 98, \u00cdndia por 120, e a Cor\u00e9ia por 738. Note-se que em Taiwan (6.360) e Cor\u00e9ia (5.908), respectivamente quarto e quinto patenteadores em 2006 nos EUA, as patentes cresceram algumas vezes mais do que a publica\u00e7\u00e3o de papers, indicando que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico induziu um crescimento cient\u00edfico acelerado. \u00c9 o chamado technology push. <\/p>\n<p>E voltamos ao ponto de partida deste artigo. O que significa alcan\u00e7armos a 15\u00aa posi\u00e7\u00e3o em artigos cient\u00edficos? Muito, se esse fosse o resultado de questionamentos da vida real, ou seja, suscitados pelo desenvolvimento de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de produtos e processos no ch\u00e3o de f\u00e1brica. Muito pouco, se for \u2014 como parece ser \u2014 o resultado de motiva\u00e7\u00f5es individuais, ainda que magistralmente exploradas por cientistas brilhantes. <\/p>\n<p>Isso porque as nossas pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o t\u00eam criado ambiente de real est\u00edmulo \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. A Lei do Bem (n\u00ba 11.196\/2005) restringe o incentivo fiscal para inova\u00e7\u00e3o apenas ao Imposto de Renda sobre o lucro real das grandes empresas (6% do total). A Lei de Inova\u00e7\u00e3o (n\u00ba 10.973\/2004), no artigo 19, promete subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para projetos de inova\u00e7\u00e3o, mobilizando para isso recursos tirados das empresas por meio da Cide e de royalties sobre concess\u00f5es a pretexto de promover o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Mas, no final, menos de 10% dos recursos revertem para essa finalidade. <\/p>\n<p>A experi\u00eancia do mundo, principalmente dos pa\u00edses em desenvolvimento, mostra que, ao estimular o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, estaremos acelerando, e muito, a produ\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos e melhorando a sua qualidade pelo v\u00ednculo com a demanda real. E, ao elevar a competitividade da produ\u00e7\u00e3o, aceleraremos o crescimento do PIB, gerando emprego e renda. <\/p>\n<p>Precisamos ter a coragem de reconhecer a preced\u00eancia do desenvolvimento tecnol\u00f3gico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em termos de benef\u00edcios econ\u00f4micos e sociais para o pa\u00eds, e centrar o foco na universaliza\u00e7\u00e3o do fomento \u00e0 tecnologia nacional. Assim fez a \u00cdndia em 1995, com The Technology Development Board Act, o que passou a lhe render excelentes frutos, expressos em crescimentos do PIB, que passou de 5% para mais de 9% ao ano. At\u00e9 quando devemos nos contentar com 3% ou 4%? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correio Braziliense, 20\/09\/07 Roberto Nicolsky &#8211; Professor do Instituto de F\u00edsica da UFRJ e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pr\u00f3-Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Protec) A recente divulga\u00e7\u00e3o do ranking internacional dos artigos cient\u00edficos, que traz o Brasil na louv\u00e1vel 15\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 16.872 papers publicados e participa\u00e7\u00e3o de quase 2% no total mundial, contrasta flagrantemente com o desempenho &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/09\/20\/tecnologia-e-aceleracao-do-crescimento\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Tecnologia e acelera\u00e7\u00e3o do crescimento<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}