{"id":883,"date":"2007-08-27T00:00:00","date_gmt":"2007-08-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/08\/educacao-infantil-na-formacao-das-criancas-desafios-de-gente-grande\/"},"modified":"2007-08-27T00:00:00","modified_gmt":"2007-08-27T00:00:00","slug":"educacao-infantil-na-formacao-das-criancas-desafios-de-gente-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/08\/27\/educacao-infantil-na-formacao-das-criancas-desafios-de-gente-grande\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o Infantil: Na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, desafios de gente grande"},"content":{"rendered":"<p>Folha Dirigida, 24\/08\/2007  <\/p>\n<p>Frequentemente, a alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como a primeira etapa da vida educacional. Afinal, ler e escrever s\u00e3o atividades essenciais para que qualquer crian\u00e7a continue a aprender ao longo da vida. At\u00e9 por isso, n\u00e3o s\u00e3o poucos os casos em que, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, as atividades t\u00eam como foco a linguagem verbal. Por\u00e9m, a base necess\u00e1ria para um bom n\u00edvel de aprendizado nas s\u00e9ries seguintes n\u00e3o depende s\u00f3 da leitura. Habilidades como racioc\u00ednio l\u00f3gico, criatividade, expressividade, tamb\u00e9m decisivas para uma vida escolar sem sobressaltos, est\u00e3o ligadas ao desenvolvimento cognitivo que se d\u00e1 em outras frentes, que v\u00e3o al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o oral. <\/p>\n<p>Aos poucos, o in\u00edcio do processo educacional se veste de formas cada vez mais diversificadas de ensinar. Atividades que preparam a crian\u00e7a para a leitura continuam com lugar cativo nas turmas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Por\u00e9m, segundo especialistas, as escolas j\u00e1 come\u00e7am a perceber que vale a pena apostar em novos paradigmas educacionais para explorar e desenvolver o potencial criativo das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8216;A escola de hoje ainda prioriza muito a linguagem verbal, mas as crian\u00e7as se expressam de muitas outras maneiras. Por isso, \u00e9 importante abrir espa\u00e7o na Educa\u00e7\u00e3o Infantil para outras formas de express\u00e3o que envolvam m\u00fasica, arte, desenho, o pr\u00f3prio corpo, entre outras&#8217;, avalia a professora Denise Pozas, mestra em Psicologia e Especialista em Educa\u00e7\u00e3o Infantil pelo Centro de Tecnologia em Gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o do Senac-Rio.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas linguagens pelo professor foi abordada em um semin\u00e1rio internacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, promovido pelo Senac nos dias 18 e 19 deste m\u00eas, no Rio, onde temas como Arte e Est\u00e9tica na forma\u00e7\u00e3o do educador, as Crian\u00e7as e a Natureza, Inf\u00e2ncia e M\u00eddia, entre outros, foram debatidos por especialistas. Segundo Denise Pozas, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um portal em que os participantes poder\u00e3o voltar \u00e0s discuss\u00f5es do evento, com especialistas. &#8216;Ser\u00e1 um espa\u00e7o de qualifica\u00e7\u00e3o permanente dos educadores&#8217;, salientou.<\/p>\n<p>Um segmento ainda marcado por v\u00e1rios desafios<\/p>\n<p>Se, no campo cient\u00edfico, a consci\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o trazida pela Educa\u00e7\u00e3o Infantil j\u00e1 \u00e9 uma realidade, no das pol\u00edticas educacionais a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 creche e \u00e0 pr\u00e9-escola ainda est\u00e1 longe de figurar entre as prioridades do poder p\u00fablico. Segundo dados do Censo Educacional de 2006 e do Censo Populacional de 2000, cerca de 7 milh\u00f5es de crian\u00e7as entre 0 e 5 anos estavam matriculadas em creches ou pr\u00e9-escolas no pa\u00eds, o que representa cerca de 12% de nossos estudantes e 35% das crian\u00e7as nesta faixa et\u00e1ria. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complicada no segmento de 0 a 3 anos, onde, dos 13 milh\u00f5es de brasileiros com esta idade, apenas 1,43 milh\u00e3o (o equivalente a 11%) freq\u00fcentam a escola.<\/p>\n<p>Se, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, o segmento ainda n\u00e3o possui status de obrigat\u00f3ria, no meio educacional cresce a compreens\u00e3o de que a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, na pr\u00e1tica, antes de um processo separado, \u00e9 a primeira etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Por isso, mesmo diante de um acesso t\u00e3o restrito \u00e0 creche e \u00e0 pr\u00e9-escola, as perspectivas s\u00e3o animadoras, segundo a professora da PUC-Rio e da UniRio e especialista em Educa\u00e7\u00e3o Infantil, Maria Fernanda Nunes. <\/p>\n<p>&#8216;Uma conquista que a Educa\u00e7\u00e3o Infantil alcan\u00e7ou no pa\u00eds foi sua inclus\u00e3o no Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica). Precisamos ver como se dar\u00e1 este financiamento e que fatia do fundo corresponder\u00e1 \u00e0s creches e pr\u00e9-escolas. Mas, de qualquer forma, uma fonte de recursos para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 algo significativo&#8217;, avalia a professora Maria Fernanda Nunes, tamb\u00e9m doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela UFRJ.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso avan\u00e7ar na forma\u00e7\u00e3o dos professores<\/p>\n<p>Superada a batalha da fonte de recursos, as aten\u00e7\u00f5es se voltam para a qualifica\u00e7\u00e3o dos educadores. Para Maria Fernanda Nunes, como o professor da Educa\u00e7\u00e3o Infantil lida com uma atividade em que precisa entender quest\u00f5es como o papel das v\u00e1rias linguagens no desenvolvimento cognitivo, a intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as e adultos na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, entre outras, o ideal seria que todos tivessem ensino superior. Por\u00e9m, ela acredita que j\u00e1 representaria um avan\u00e7o investir na capacita\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o dos profissionais. &#8216;\u00c9 preciso que as Secretarias Municipais de Educa\u00e7\u00e3o possibilitem a seus professores a oportunidade de fazer este aperfei\u00e7oamento&#8217;, destacou Maria Fernanda.<\/p>\n<p>A maior presen\u00e7a das m\u00faltiplas formas de aprendizado e desenvolvimento de habilidades na Educa\u00e7\u00e3o Infantil tamb\u00e9m exige uma nova an\u00e1lise da forma\u00e7\u00e3o dos profissionais. \u00c9 cada vez mais necess\u00e1rio que, nos cursos universit\u00e1rios, os professores tamb\u00e9m aprendam a lidar com metodologias e pr\u00e1ticas que contemplem o trabalho pedag\u00f3gico com a m\u00fasica, a comunica\u00e7\u00e3o gestual e verbal e o uso de ilustra\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as. &#8216;O educador tem de ser formado tamb\u00e9m em sua sensibilidade, em sua emo\u00e7\u00e3o. E, para isso, al\u00e9m de trabalhar v\u00e1rias formas de express\u00e3o com as crian\u00e7as, este mesmo profissional precisar ter acesso a elas. Por isso, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1ria uma pol\u00edtica de apoio cultural a estes professores&#8217;, comentou a professora Denise Pozas.<\/p>\n<p>M\u00eddia e Educa\u00e7\u00e3o como tema de debate na escola<\/p>\n<p>Das v\u00e1rias formas de linguagem e de express\u00e3o que existem, a m\u00eddia talvez seja aquela \u00e0 qual as crian\u00e7as tenham acesso mais f\u00e1cil e que, at\u00e9 por isso, n\u00e3o poderia ficar fora do cotidiano escolar, segundo especialistas. Mas, como tirar proveito pedag\u00f3gico da influ\u00eancia dos programas, principalmente de televis\u00e3o, tema que ainda divide opini\u00f5es? Para a professora da Uerj e doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela PUC-Rio, Rita Ribes, a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 discutir o assunto na escola. <\/p>\n<p>&#8216;A inser\u00e7\u00e3o da m\u00eddia na proposta pedag\u00f3gica precisa ser assunto das reuni\u00f5es de professores e pais. Esta \u00e9 uma discuss\u00e3o essencial. N\u00e3o se trata de a escola definir o que \u00e9 certo ou errado, e sim colocar em discuss\u00e3o para, com isto, tamb\u00e9m evoluir&#8217;, frisou. <\/p>\n<p>Para a educadora, estimular este debate permite escapar de certas id\u00e9ias que j\u00e1 se tornaram uma esp\u00e9cie de lugar-comum, como a de que a m\u00eddia n\u00e3o contribui de forma alguma para a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. &#8216;Quando se fala em influ\u00eancia da m\u00eddia, nunca se diz que, por exemplo, ela permite o acesso a um vocabul\u00e1rio mais rico na inf\u00e2ncia. A m\u00eddia influencia tanto quanto as a\u00e7\u00f5es dos adultos&#8217;, defendeu a educadora. <\/p>\n<p>Cada vez mais presentes no dia-a-dia das crian\u00e7as, embora em escala bem menor que a televis\u00e3o, a tecnologia tamb\u00e9m tem sido incorporada ao cotidiano educacional. \u00c9 cada vez mais comum ver an\u00fancios de escolas que utilizam laborat\u00f3rios de Inform\u00e1tica e recursos multim\u00eddia com alunos de at\u00e9 cinco anos. Para a professora da Uerj, a pr\u00e1tica \u00e9 v\u00e1lida, desde que fa\u00e7a parte de um planejamento pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8216;Em muitos casos, o uso da tecnologia tem um car\u00e1ter apenas mercadol\u00f3gico, ou seja, serve apenas como instrumento de marketing para as escolas vencerem a concorr\u00eancia que existe no mercado. Virou corriqueiro criar salas de computadores para as crian\u00e7as, como se isto fosse sin\u00f4nimo de qualidade. Mas, antes de tudo, \u00e9 preciso ouvir as pr\u00f3prias crian\u00e7as para saber se gostam da forma como as m\u00e1quinas s\u00e3o usadas com elas&#8217;, salientou Rita Ribes, lembrando que o mesmo vale para outros recursos multim\u00eddia.<\/p>\n<p>&#8216;A TV \u00e9 usada, em muitos casos, para distrair a crian\u00e7a. As escolas precisam repensar o uso que fazem das m\u00eddias. Certamente n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico modo de fazer isto, assim como n\u00e3o existe uma s\u00f3 realidade. Ou seja, \u00e9 importante estimular este debate dentro da escola, pois os recursos tecnol\u00f3gicos, se utilizados de acordo com a proposta pedag\u00f3gica, s\u00e3o, sem d\u00favida, muito \u00fateis ao aprendizado&#8217;, completou Rita Ribes.<\/p>\n<p>\nQual o principal desafio da Educa\u00e7\u00e3o Infantil?<\/p>\n<p>&#8216;Acho que \u00e9 preciso fazer com que a sociedade reconhe\u00e7a a import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o Infantil para o desenvolvimento cognitivo das crian\u00e7as. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 brincadeiras. Al\u00e9m disso, os profissionais tamb\u00e9m necessitam conhecer bem as caracter\u00edsticas da faixa et\u00e1ria dos alunos deste segmento para impor menos e respeitar e aprender mais. Para isto, os cursos de forma\u00e7\u00e3o continuada t\u00eam papel decisivo.&#8217;<\/p>\n<p>Rosania Martins Gomes, Professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/p>\n<p>&#8216;Um desafio nesta \u00e1rea seria ampliar a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre Educa\u00e7\u00e3o Infantil, para conscientizar as pessoas de que a creche e a pr\u00e9-escola n\u00e3o s\u00e3o ambientes onde as crian\u00e7as s\u00f3 brincam ou recebem cuidados ao longo do dia, enquanto os pais trabalham. As brincadeiras t\u00eam sua l\u00f3gica. Elas n\u00e3o s\u00e3o preparadas de forma isolada. S\u00e3o propostas para levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Mas muitos n\u00e3o sabem disto.&#8217;<\/p>\n<p>Claudia Maria Soares, Professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/p>\n<p>&#8216;Acho que \u00e9 fundamental investir mais na forma\u00e7\u00e3o continuada dos profissionais que atuam na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. E esta forma\u00e7\u00e3o deve estar focada no desenvolvimento da crian\u00e7a, na sua intera\u00e7\u00e3o com a natureza e com a realidade, na forma como ela v\u00ea o mundo em que vive. Tamb\u00e9m seria importante para o professor trabalhar mais com as m\u00faltiplas linguagens em sala, principalmente com o uso da m\u00eddia no processo de ensino.&#8217;<\/p>\n<p>Maria Cristina de Arag\u00e3o, Professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha Dirigida, 24\/08\/2007 Frequentemente, a alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como a primeira etapa da vida educacional. 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