{"id":779,"date":"2007-07-19T00:00:00","date_gmt":"2007-07-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/07\/mentes-inquietas\/"},"modified":"2007-07-19T00:00:00","modified_gmt":"2007-07-19T00:00:00","slug":"mentes-inquietas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/07\/19\/mentes-inquietas\/","title":{"rendered":"Mentes inquietas"},"content":{"rendered":"<p>Superdotados encontram amparo \u00e9tico e legal na educa\u00e7\u00e3o especial, mas a inclus\u00e3o, na pr\u00e1tica, est\u00e1 longe de ser realidade  <\/p>\n<p>REVISTA EDUCA\u00c7\u00c3O &#8211; EDI\u00c7\u00c3O 123  <\/p>\n<p>Val\u00e9ria Hartt <\/p>\n<p>Na sala de aula, casos de dislexia e transtornos de aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o soam estranhos aos ouvidos dos educadores. M\u00e9rito da pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o inclusiva, que bem ou mal incorpora o atendimento \u00e0s dificuldades de aprendizagem, sob o reconhecimento de que podemos, sim, ser muito diferentes. O mesmo olhar, no entanto, encontra resist\u00eancias quando o aluno em perspectiva apresenta habilidades incomuns entre os pares da mesma idade, demonstra talentos especiais ou potencial cognitivo superior. Sinal de que a educa\u00e7\u00e3o inclusiva no Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer ao encontro do aluno superdotado.<\/p>\n<p>Dados do Censo Escolar de 2005 revelam que menos de 0,3% das crian\u00e7as e jovens inscritos nos programas de Educa\u00e7\u00e3o Especial do ensino fundamental s\u00e3o identificados como superdotados. H\u00e1 dois anos, somavam 1.928 alunos, em um universo de 640.317 com necessidades educacionais especiais.<\/p>\n<p>&#8216;S\u00e3o n\u00fameros que sugerem que o atendimento \u00e0 demanda potencial est\u00e1 muito aqu\u00e9m do desej\u00e1vel e indicam a urgente necessidade de forma\u00e7\u00e3o profissional para ampliar os \u00edndices de identifica\u00e7\u00e3o desses alunos e garantir a eles servi\u00e7os especiais&#8217;, reconhece a pedagoga Renata Rodrigues Maia-Pinto, analista de Planejamento e Gest\u00e3o Educacional da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Especial do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (Seesp\/MEC).<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o inclusiva <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 perspectivas de um novo cen\u00e1rio.  No final de maio, a Seesp reuniu em Bras\u00edlia 110 educadores de todo o pa\u00eds para mais um curso de forma\u00e7\u00e3o destinado \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de N\u00facleos de Atividades de Altas Habilidades\/Superdota\u00e7\u00e3o (NAAH\/S). Institu\u00edda em 2005, \u00e9 a primeira pol\u00edtica p\u00fablica nessa \u00e1rea encampada pelo governo federal, ainda que se d\u00ea a passos lentos e care\u00e7a de maior visibilidade. <\/p>\n<p>Col\u00e9gio Objetivo, em S\u00e3o Paulo: programa voltado ao incentivo de talentos existe desde meados da d\u00e9cada de 80 <\/p>\n<p>A meta oficial \u00e9 ambiciosa: prev\u00ea o atendimento a 20% dos alunos da rede, da pr\u00e9-escola ao ensino superior, al\u00e9m de suporte pedag\u00f3gico aos professores e orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias envolvidas. Por ora, a proposta come\u00e7a a sair do papel e est\u00e1 longe de alcan\u00e7ar a amplitude pretendida. H\u00e1 apenas um NAAH\/S em cada uma das 26 capitais, al\u00e9m do Distrito Federal, cada um com estrutura para receber at\u00e9 60 alunos.     <\/p>\n<p>Apesar da t\u00edmida implementa\u00e7\u00e3o, o programa pode ter gerado seu primeiro efeito. O Censo Escolar de 2006 revelou aumento de 46,3% no n\u00famero de alunos com altas habilidades atendidos na educa\u00e7\u00e3o especial, agora com 2.553 crian\u00e7as registradas. <\/p>\n<p>A parceria com a Universidade de Bras\u00edlia (UnB), firmada em fevereiro, refor\u00e7a a capacita\u00e7\u00e3o de professores. No \u00faltimo encontro (A Constru\u00e7\u00e3o de Pr\u00e1ticas Educacionais para Alunos com Altas Habilidades, 40 horas), a UnB ofereceu apoio pr\u00e1tico e te\u00f3rico, com a elabora\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de uma colet\u00e2nea de quatro livros, distribu\u00edda a 5 mil professores.<\/p>\n<p>Modelos pedag\u00f3gicos<\/p>\n<p>O programa brasileiro segue o modelo de enriquecimento proposto pelo psic\u00f3logo e educador americano Joseph Renzulli.  A id\u00e9ia \u00e9 oferecer ao aluno oportunidades de aprofundar o conhecimento na sua \u00e1rea de interesse. Podem ser estudos independentes ou por meio de pequenos grupos de investiga\u00e7\u00e3o, minicursos ou desenvolvimento de centros de interesse. <\/p>\n<p>Como unidade aut\u00f4noma, cada NAAH\/S tem sua pr\u00f3pria conforma\u00e7\u00e3o, curr\u00edculos flex\u00edveis e abertos. O ponto em comum \u00e9 o funcionamento no contra-per\u00edodo da escola regular, o atendimento multidisciplinar e o material b\u00e1sico &#8211; mais de 105 itens, entre equipamentos de inform\u00e1tica, cole\u00e7\u00f5es para a organiza\u00e7\u00e3o de bibliotecas, jogos pedag\u00f3gicos e de estrat\u00e9gia. De resto, valem parcerias, como a estabelecida pelo n\u00facleo de Recife com o CNPq e a Universidade Federal de Pernambuco ou o conv\u00eanio do NAAH\/S de Mato Grosso do Sul com duas universidades em Campo Grande e uma em Dourados.<\/p>\n<p>Em outros moldes, vem de Lavras a experi\u00eancia do Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet), criado em 93 e hoje uma das mais reconhecidas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas para dota\u00e7\u00e3o e talento. Em 1998, foi apontado como refer\u00eancia nacional e, quatro anos depois, destacado em estudo do conselho brit\u00e2nico. O sucesso do modelo mineiro inspirou a cria\u00e7\u00e3o de outros centros, como o Cedet de Palmas, Vit\u00f3ria e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p>A proposta pedag\u00f3gica inspira-se em educadores como Helena Antipoff, Abe Maslow e Paulo Freire, em um modelo que contempla hoje 833 alunos. Para a forma\u00e7\u00e3o docente, o Centro mant\u00e9m o primeiro e \u00fanico curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o semipresencial (Especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o para Talentosos e Bem-dotados), incorporado \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o da Universidade Federal de Lavras, em 2001. <\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o assistida<\/p>\n<p>Com um plano individual, adequado ao seu talento, necessidades e interesses pessoais, cada crian\u00e7a encontra no Cedet atividades de enriquecimento curricular em tr\u00eas grandes \u00e1reas: comunica\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es e humanidades; ci\u00eancia, investiga\u00e7\u00e3o e tecnologia; criatividade, habilidades e express\u00e3o.  <\/p>\n<p>Pouco importa rotular o superdotado; o importante \u00e9 atend\u00ea-lo. Mas quais s\u00e3o as escolas aptas a dar o atendimento adequado? Eunice Soriano de Alencar, Professora Em\u00e9rita da UnB <\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o com a escola regular come\u00e7a na identifica\u00e7\u00e3o do aluno, apoiada nos quatro dom\u00ednios preconizados pelo canadense Fran\u00e7ois Gagn\u00e9 (intelig\u00eancia e capacidade intelectual; criatividade e pensamento criador; capacidade socioafetiva e intrapessoal;  habilidades sens\u00f3rio-motoras). Ao final do ano letivo, cada professor, da pr\u00e9-escola \u00e0 4\u00aa s\u00e9rie, preenche uma folha de dados e aponta alunos que, segundo os crit\u00e9rios do Cedet, apresentam comportamentos e atributos indicativos de capacidade elevada.<\/p>\n<p>A etapa seguinte \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o assistida, realizada no pr\u00f3prio Centro. S\u00f3 ent\u00e3o a crian\u00e7a passa a receber atendimento. A partir da 5\u00aa s\u00e9rie, quando o conjunto de disciplinas faz recair sobre o aluno olhares de diferentes educadores, qualquer indica\u00e7\u00e3o \u00e0 observa\u00e7\u00e3o assistida deve ser validada pelocolegiado da classe.<\/p>\n<p>&#8216;N\u00e3o utilizamos nenhuma situa\u00e7\u00e3o envolvendo testes, medidas padronizadas ou meios de aferi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Nossa ades\u00e3o continua fiel ao processo de conviver, observar e acompanhar a crian\u00e7a, coletar sua produ\u00e7\u00e3o por meio de alguma forma de portf\u00f3lio, fazer a avalia\u00e7\u00e3o grupal e individual, em cada situa\u00e7\u00e3o&#8217;, explica Zenita Guenther, diretora-t\u00e9cnica do Cedet. <\/p>\n<p>Contrastes<\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7as importantes entre a pr\u00e1tica do Cedet, a proposta dos NAAH\/S e a de uma terceira iniciativa, esta conduzida pelo Instituto Social Maria Telles (Ismart), da Funda\u00e7\u00e3o Lemann, que ap\u00f3ia alunos de baixa renda cuja principal caracter\u00edstica \u00e9 o talento acad\u00eamico. <\/p>\n<p>O Cedet dispensa os testes psicol\u00f3gicos na identifica\u00e7\u00e3o, mas se det\u00e9m nos percentuais conservadores, entre 3% e 5% da popula\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>O Ismart associa testes e a observa\u00e7\u00e3o do aluno. A identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita ao longo da 6\u00aa s\u00e9rie e a partir da 7\u00aa o estudante passa a freq\u00fcentar escolas parceiras, da rede privada, como parte do Projeto Alicerce. Apenas se cumprir o desempenho exigido &#8211; aproveitamento de pelo menos 70% em todas as disciplinas &#8211; permanece como bolsista no ensino m\u00e9dio, em uma das escolas engajadas nos dois outros projetos do Instituto (Bolsa Talento e Espa\u00e7o Talento), hoje nas cidades de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. No processo de sele\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m o Ismart se concentra na mesma por\u00e7\u00e3o de alunos, baseado em crit\u00e9rios como alto n\u00edvel de desempenho escolar, acentuada atividade intelectual e motiva\u00e7\u00e3o para aprender.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica oficial prop\u00f5e ir al\u00e9m: &#8216;De acordo com o nosso crit\u00e9rio, acreditamos que podemos trabalhar com at\u00e9 20% dos alunos da rede. Temos um potencial criativo muito grande a ser desenvolvido e isso pode acontecer em diferentes <br \/>\n\u00e1reas&#8217;, sustenta Renata Maia-Pinto.<\/p>\n<p>Muitas vis\u00f5es<\/p>\n<p>A falta de consenso sobre como lidar com o tema come\u00e7a em sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o, o que resulta em mais de 100 defini\u00e7\u00f5es diferentes. <\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), entre 3% e 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 constitu\u00edda de superdotados, numa classifica\u00e7\u00e3o que considera apenas indiv\u00edduos identificados por testes de QI superior a 140. J\u00e1 a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Especial do MEC, utiliza um conceito ampliado, seguindo proposta aprovada pelo Departamento de Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Bem-estar dos Estados Unidos, feita em 1972. &#8216;Superdota\u00e7\u00e3o caracteriza-se pela elevada potencialidade de aptid\u00f5es, talentos e habilidades, evidenciadas pelo alto desempenho nas diversas \u00e1reas de atividade&#8217;, define a Seesp\/MEC no manual lan\u00e7ado em 1999 para a forma\u00e7\u00e3o de educadores. Est\u00e3o contemplados a\u00ed n\u00e3o apenas os talentos cognitivos, de capacidade intelectual superior, mas tamb\u00e9m os talentos criativos, psicomotores e aptid\u00f5es acad\u00eamicas espec\u00edficas.   <\/p>\n<p>A superdota\u00e7\u00e3o no ensino privado<\/p>\n<p>Christina Cupertino, coordenadora do Poit: programa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada e atividades de enriquecimento  <\/p>\n<p>A descoberta de talentos e seu atendimento por meio de um trabalho pedag\u00f3gico sistematizado tamb\u00e9m se imp\u00f5e como desafio para a rede privada. &#8216;Os professores, pedagogos e psic\u00f3logos n\u00e3o recebem, em seus cursos de forma\u00e7\u00e3o, uma bagagem para lidar com esse aluno. Os pais, por sua vez, querem primeiro confirmar o diagn\u00f3stico. E da\u00ed? N\u00e3o interessa rotul\u00e1-lo, mas atend\u00ea-lo em suas singularidades, em suas necessidades individuais. Que escola pode dar a ele atendimento adequado? Esse continua sendo o grande n\u00f3 da quest\u00e3o&#8217;, aponta Eunice Soriano de Alencar, nome de refer\u00eancia na \u00e1rea. Hoje aposentada com o t\u00edtulo de Professora Em\u00e9rita da UnB, implementou de forma pioneira no pa\u00eds as linhas de pesquisa &#8216;Processos de Identifica\u00e7\u00e3o e Atendimento ao Superdotado&#8217; e &#8216;Criatividade nos Contextos Educacional e Organizacional&#8217;, pelo Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, do Instituto de Psicologia.<\/p>\n<p>O Col\u00e9gio Objetivo, sediado em S\u00e3o Paulo, est\u00e1 entre os poucos a manter um trabalho estruturado para o aluno superdotado, identificado por meio de testes, observa\u00e7\u00f5es e entrevistas com pais e professores. No Programa Objetivo de Incentivo ao Talento (Poit), criado em 1986, o aluno freq\u00fcenta a sala regular e recebe aulas especiais, formatadas por faixa et\u00e1ria e \u00e1reas de interesse. Assim, crian\u00e7as do 1\u00ba  e 2\u00ba anos podem, por exemplo, participar das oficinas de criatividade, enquanto o teatro de fantoches, as oficinas de brinquedos e de bonecos est\u00e3o abertas a alunos do 3\u00ba ao 6\u00ba ano. Para o ensino m\u00e9dio, a proposta envolve a produ\u00e7\u00e3o de programas de TV e sites para a internet (diagrama\u00e7\u00e3o, ferramentas vetoriais e recursos de \u00e1udio), com anima\u00e7\u00e3o em Flash.    <\/p>\n<p>&#8216;S\u00e3o cursos de programa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada e atividades de enriquecimento intelectual e afetivo&#8217;, define Christina Cupertino, coordenadora do Poit. O Programa ainda n\u00e3o foi adotado por nenhuma franqueada e continua restrito \u00e0s unidades pr\u00f3prias do Col\u00e9gio Objetivo em S\u00e3o Paulo, Barueri (Alphaville)  e Cotia (Granja Viana). <\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00f5es e perigos da acelera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao lado das propostas de enriquecimento, tamb\u00e9m a estrat\u00e9gia de Acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada no atendimento ao superdotado. O aluno pode participar de cursos especiais, freq\u00fcentar mat\u00e9rias em salas mais avan\u00e7adas ou, ainda, ingressar antecipadamente na pr\u00e9-escola. S\u00e3o formas diferentes de acelera\u00e7\u00e3o curricular que, em tese, devem proporcionar ao aluno a oportunidade de avan\u00e7ar, no seu pr\u00f3prio ritmo.<\/p>\n<p>&#8216;A nossa cultura escolar n\u00e3o favorece a Acelera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 um modelo a ser desprezado. N\u00e3o \u00e9 melhor nem pior que o Enriquecimento, depende apenas de uma adequa\u00e7\u00e3o&#8217;, defende In\u00eas Fran\u00e7a, gerente-t\u00e9cnica do Ismart. Na mesma linha, T\u00e2nia Gonzaga Guimar\u00e3es, da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, onde se pratica uma das mais antigas experi\u00eancias pedag\u00f3gicas do pa\u00eds, cita diferentes te\u00f3ricos para sustentar que a Acelera\u00e7\u00e3o, conduzida de forma adequada, tende a ser uma forma de enriquecimento, enquanto um programa de enriquecimento apropriado tamb\u00e9m comporta a acelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, h\u00e1 casos como o de um jovem de 13 anos, que cursa o ensino m\u00e9dio em uma escola regular do Rio de Janeiro e freq\u00fcenta as aulas de C\u00e1lculo II do Instituto de Matem\u00e1tica da Universidade Federal Fluminense (UFF). No C\u00e1lculo I, foi aprovado em quarto lugar, com 6,4 de m\u00e9dia final. <\/p>\n<p>Cogni\u00e7\u00e3o X desenvolvimento emocional<\/p>\n<p>&#8216;Nossa ades\u00e3o continua fiel ao processo de conviver, observar e acompanhar a crian\u00e7a, avali\u00e1-la em cada situa\u00e7\u00e3o&#8217; <br \/>\nZenita Guenther, diretora-t\u00e9cnica do Cedet  <\/p>\n<p>&#8216;Entendemos que esse jovem fica com seu desenvolvimento afetivo e emocional comprometido quando deslocado de outros interesses pr\u00f3prios da idade. Valoriza-se apenas o cognitivo, sem considerar que esse indiv\u00edduo pode estar sofrendo por n\u00e3o estar sendo contemplado em suas necessidades emocionais e sociais&#8217;, diz Daniel Fuentes, diretor do servi\u00e7o de Psicologia e Neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da USP. A pertin\u00eancia da vis\u00e3o de Fuentes \u00e9 ineg\u00e1vel, principalmente quando se considera que \u00e9 freq\u00fcente entre os superdotados uma certa assimetria entre o desenvolvimento cognitivo e seu grau de maturidade emocional e psicossocial.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Cristina Maria Carvalho Delou, mestre e doutora em Educa\u00e7\u00e3o e professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFF, reconhece a preocupa\u00e7\u00e3o, mas assegura que a Acelera\u00e7\u00e3o \u00e9, em muitos casos, a melhor resposta para a inclus\u00e3o. Toma como exemplo o mesmo jovem que se destaca nas aulas de c\u00e1lculo da Universidade Fluminense, onde a especialista coordena um grupo de apoio a superdotados.<\/p>\n<p>&#8216;Quando o conheci, aos 12 anos, ele j\u00e1 dominava o alem\u00e3o e hoje \u00e9 poliglota, demonstra precocidade na leitura e um repert\u00f3rio muito avan\u00e7ado para a idade. Em uma classe regular, ele n\u00e3o teria o que conversar com jovens de 13, 14 anos, enquanto na UFF apresenta um n\u00edvel de motiva\u00e7\u00e3o alt\u00edssimo, sem nenhuma estereotipia. Por que, ent\u00e3o, n\u00e3o deix\u00e1-lo simplesmente ser feliz?&#8217;, questiona. &#8216;Sem d\u00favida, vivemos muitas contradi\u00e7\u00f5es e temos muito que caminhar no sentido da inclus\u00e3o&#8217;, conclui. <\/p>\n<p>Mitos e verdades<\/p>\n<p>&#8216;Os preconceitos levam muitas crian\u00e7as a mascarar ou negar suas habilidades, em busca de aceita\u00e7\u00e3o&#8217;, alerta Denise Fleith, da UnB <\/p>\n<p>No novo mil\u00eanio, a vis\u00e3o multidimensional da intelig\u00eancia, j\u00e1 apontada desde meados do s\u00e9culo passado por te\u00f3ricos como Joy Paul Guilford  (Creativity, American Psychologist, 1950 e The Nature of Human Intelligence,  McGraw-Hill, 1967),  ganhou for\u00e7a com a proje\u00e7\u00e3o da obra de Howard Gardner, autor da teoria das Intelig\u00eancias M\u00faltiplas (Intelig\u00eancias M\u00faltiplas, 1995).<\/p>\n<p>Mas no senso comum ainda prevalece a valoriza\u00e7\u00e3o do cognitivo. E a escola n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8216;A escola valoriza apenas duas intelig\u00eancias: a ling\u00fc\u00edstica e a l\u00f3gico-matem\u00e1tica. Se voc\u00ea tiver essas intelig\u00eancias bem desenvolvidas, n\u00e3o ter\u00e1 dificuldades na grande maioria das disciplinas. Quase todas utilizam essas habilidades n\u00e3o s\u00f3 para refletir os conhecimentos adquiridos, mas, fundamentalmente, avaliam esses conhecimentos a partir dessas duas intelig\u00eancias. J\u00e1 o contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 verdadeiro. Se o aluno for um brilhante desenhista, pintor, m\u00fasico, atleta, dan\u00e7arino etc., mas deixar a desejar nas outras disciplinas, certamente vai rodar&#8217;, diz a presidente do Conselho Brasileiro para Superdota\u00e7\u00e3o (ConBraSD), Susana Barrera P\u00e9rez.<\/p>\n<p>Por essa janela coletiva, o superdotado ainda transita entre o estere\u00f3tipo da genialidade e da aberra\u00e7\u00e3o. De um lado, o estigma do aluno prod\u00edgio, do jovem inventor, do pr\u00f3prio g\u00eanio. No outro extremo, o esquisito, o nerd da classe, a raridade.<\/p>\n<p>&#8216;S\u00e3o preconceitos que levam muitas crian\u00e7as a mascarar ou negar suas habilidades, em busca de aceita\u00e7\u00e3o. Sabem que suas caracter\u00edsticas individuais podem lev\u00e1-las \u00e0 solid\u00e3o, ao isolamento social e \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o pelos colegas&#8217;, alerta  a pesquisadora Denise Fleith,  Ph.D. pela Universidade de Connecticut e professora adjunta do Departamento de Psicologia Escolar e de Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da UnB.<\/p>\n<p>Os desafios para a inclus\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Disseminar a \u00e1rea da superdota\u00e7\u00e3o, aprofundando o conhecimento da sociedade sobre o tema;<br \/>\n&#8211; Ressaltar as necessidades cognitivas, sociais e emocionais especiais dessa popula\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; Combater mitos e fal\u00e1cias, como o de que o superdotado n\u00e3o necessita de mais recursos, podendo se desenvolver sozinho;<br \/>\n&#8211; Proporcionar treinamento especializado aos profissionais envolvidos;<br \/>\n&#8211; Proporcionar materiais adequados \u00e0 necessidade do grupo;<br \/>\n&#8211; Desenvolver e utilizar t\u00e9cnicas modernas de identifica\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; Adaptar e diferenciar curr\u00edculos e programas aos diferentes n\u00edveis, em escolas p\u00fablicas e particulares;<br \/>\n&#8211; Implantar cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o espec\u00edficos para a \u00e1rea nas universidades brasileiras;<br \/>\n&#8211; Realizar mais pesquisas com essa popula\u00e7\u00e3o para a nossa realidade; Publicar e implementar a literatura especializada em nosso idioma.<\/p>\n<p>Fonte: Altas Habilidades\/Superdota\u00e7\u00e3o &#8211; Encorajando Potenciais (Angela M. R. Virgolim , SEESP\/MEC, Bras\u00edlia, 2007) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Superdotados encontram amparo \u00e9tico e legal na educa\u00e7\u00e3o especial, mas a inclus\u00e3o, na pr\u00e1tica, est\u00e1 longe de ser realidade REVISTA EDUCA\u00c7\u00c3O &#8211; EDI\u00c7\u00c3O 123 Val\u00e9ria Hartt Na sala de aula, casos de dislexia e transtornos de aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o soam estranhos aos ouvidos dos educadores. M\u00e9rito da pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o inclusiva, que bem ou mal &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/07\/19\/mentes-inquietas\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Mentes inquietas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-779","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=779"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/779\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}