{"id":752,"date":"2007-07-13T00:00:00","date_gmt":"2007-07-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/07\/jovem-gosta-e-quer-ler-mas-acesso-aos-livros-e-dificil\/"},"modified":"2007-07-13T00:00:00","modified_gmt":"2007-07-13T00:00:00","slug":"jovem-gosta-e-quer-ler-mas-acesso-aos-livros-e-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/07\/13\/jovem-gosta-e-quer-ler-mas-acesso-aos-livros-e-dificil\/","title":{"rendered":"Jovem gosta e quer ler, mas acesso aos livros \u00e9 dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<p>Portal Jovem Aprendiz, 11\/07\/07<\/p>\n<p>Julia Dietrich  <\/p>\n<p>&#8216;Eu gosto muito de ler, mas a biblioteca da minha escola est\u00e1 sempre fechada. S\u00f3 podemos entrar se a professora reservar a sala, o que nunca acontece&#8217;. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de Everton Dias, que aos treze anos n\u00e3o recebe autoriza\u00e7\u00e3o da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Fel\u00edcio Pagliuso, em S\u00e3o Paulo (SP), para ter acesso aos livros, revistas e gibis da biblioteca da institui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Infelizmente, o caso n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o dos Professores do Estado de S\u00e3o Paulo (Apeoesp), em recorte do censo escolar 2006 realizado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio-econ\u00f4micos (Dieese), apenas 15% das mais de cinco mil escolas estaduais paulistas t\u00eam bibliotecas e, na maioria dos casos, o acesso \u00e9 controlado. &#8216;\u00c9 fundamental que as bibliotecas fiquem abertas e que tenham profissionais capacitados respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do material e aux\u00edlio aos alunos&#8217;, conta o presidente da associa\u00e7\u00e3o, Carlos Ramiro de Castro. De acordo com a mesma pesquisa, 73% das escolas p\u00fablicas do estado n\u00e3o t\u00eam bibliotec\u00e1rios, funcionando apenas como dep\u00f3sito de livros ou salas de leitura. <\/p>\n<p>Em contrapartida, Juliana de Ferran Cremone, de 11 anos, que estuda em escola particular bil\u00edng\u00fce de Curitiba (PR), n\u00e3o s\u00f3 tem acesso livre e irrestrito aos livros na escola, como busca bibliotecas p\u00fablicas para satisfazer sua enorme vontade de ler. &#8216;Acho que meu gosto pela literatura vem muito do incentivo da minha m\u00e3e e da minha bisa-av\u00f3 que me d\u00e3o livros e sempre insistiram que eu lesse bastante&#8217;, conta, associando seu h\u00e1bito tamb\u00e9m ao fato de ser aluna da rede particular de ensino. <\/p>\n<p>Para o presidente da Apeoesp, o governo tem absoluta responsabilidade na oferta da literatura aos jovens. &#8216;Se n\u00e3o agirmos rapidamente, a dist\u00e2ncia entre os jovens que saem das escolas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o ao das particulares ser\u00e1 cada vez maior&#8217;, observa, lembrando que o gosto pela leitura est\u00e1 ligado ao incentivo que a fam\u00edlia d\u00e1. &#8216;Como o pai da escola p\u00fablica n\u00e3o tem tempo para encorajar seus filhos porque est\u00e1 trabalhando ou como ele mesmo n\u00e3o teve acesso, forma-se um ciclo ininterrupto&#8217;, analisa. <\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, os livros infanto-juvenis n\u00e3o saem por menos de R$15,00. &#8216;\u00c9 mais do que o pre\u00e7o, \u00e9 a falta do culto \u00e0 leitura presente em toda sociedade, do \u00e2mbito familiar \u00e0 estrutura das escolas&#8217;, indica Castro. Por\u00e9m, em alguns casos, por raz\u00f5es individuais, a vontade de ler rompe as  barreiras financeiras. &#8216;Tenho alguns gibis e j\u00e1 reli cada um pelo menos tr\u00eas vezes. Enquanto n\u00e3o ganho outros, volto aos meus antigos. Isso que \u00e9 legal da leitura, d\u00e1 para ler tudo v\u00e1rias vezes e sempre descobrir coisas novas&#8217;, explica Dias, de apenas 13 anos. <\/p>\n<p>Na tentativa de transformar esse panorama, o governo federal, em parceria in\u00e9dita entre Minist\u00e9rio da Cultura e Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, desenvolveu o Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) que aumentou o n\u00famero de bibliotecas e acervo em mais da metade dos munic\u00edpios brasileiros. Para o presidente da Apeoesp, a a\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, mas o reconhecimento dos profissionais da \u00e1rea deve ser maior e o incentivo governamental deve percorrer todos os setores do pa\u00eds. &#8216;N\u00e3o adianta doar livros, se n\u00e3o tiver quem os organize. \u00c9 preciso que a a\u00e7\u00e3o seja cada vez maior e englobe todos de forma aut\u00f4noma dos partidos. A descontinuidade de pol\u00edticas p\u00fablicas ainda \u00e9 um dos problemas centrais na escola&#8217;, verifica. <\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio do PNLL, Jos\u00e9 Castillo, o grande diferencial do programa \u00e9 ser suprapartid\u00e1rio e manter-se cont\u00ednuo ao longo das futuras gest\u00f5es \u00e9 uma de suas grandes metas. Aline da Silva Santos, que atualmente trabalha como adolescente aprendiz em uma empresa de seguros, conta que foi sua vontade e gosto pela literatura que a ajudou a se destacar profissionalmente. &#8216;Quando conseguia ir a biblioteca da escola, sempre pegava livros emprestados que aumentaram meu vocabul\u00e1rio e senso cr\u00edtico. Sempre descubro coisas novas&#8217;, diz a menina, hoje com 17 anos.<\/p>\n<p>Ler o qu\u00ea? &#8211; Entre os jovens que l\u00eaem, os g\u00eaneros de aventura e mist\u00e9rio figuram como os favoritos. &#8216;O leitor se identifica com os protagonistas das hist\u00f3rias. Ele se v\u00ea vivendo os conflitos e jornadas de amadurecimento pr\u00f3prios da sua juventude&#8217;, conta a editora do segmento infanto-juvenil na Editora \u00c1tica, Gabriela Dias, lembrando que a partir dos 13 ou 14 anos as meninas come\u00e7am a se interessar mais por hist\u00f3rias que tenham romance e os meninos, aventuras de turmas juvenis que envolvam molecagem, que trabalhem conceitos de uni\u00e3o de grupo. &#8216;Por\u00e9m, \u00e9 claro que determinada literatura n\u00e3o \u00e9 exclusiva de certo g\u00eanero. As meninas gostam muito de aventura, mas, como caracter\u00edstica da pr\u00f3pria idade, elas se interessam por temas como o primeiro beijo ou o primeiro amor&#8217;, conta, citando como  exemplo, a cole\u00e7\u00e3o para meninas pr\u00e9-adolescentes, &#8216;Psiu!\u00c9 segredo.&#8217; <\/p>\n<p>No ano em que completa 35 anos, a cole\u00e7\u00e3o Vaga-lume, voltada ao p\u00fablico juvenil, continua a ser um marco editorial com 90 t\u00edtulos no cat\u00e1logo, al\u00e9m dos novos que est\u00e3o sendo lan\u00e7ados. A primeira edi\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada com 50 mil exemplares de cada t\u00edtulo. De 2001 a junho de 2007, a Cole\u00e7\u00e3o Vaga-lume vendeu mais de 1,5 milh\u00f5es de exemplares, segundo a empresa. &#8216;Eu li quase todos, pois s\u00e3o super divertidos. Tem sempre um mist\u00e9rio a ser resolvido, aventuras com pessoas da minha idade&#8217;, conta a estudante Cremone. Bruna Mikelly, oito anos, que rec\u00e9m ingressou no universo dos livros, se identifica muito com o feminino dos contos de fada. &#8216;Gosto de imaginar e os livros ajudam a gente a fazer isso&#8217;, conta. <\/p>\n<p>Abrindo portas &#8211; Para Castro, a literatura \u00e9 a porta de entrada para o auto-conhecimento e para desvendar os mist\u00e9rios do outro. &#8216;Quando o jovem l\u00ea, ele passa a se questionar e questionar aquilo que v\u00ea no mundo. Ao tomar conhecimento de outras realidades, ele v\u00ea a sua pr\u00f3pria&#8217;, observa. Nessa perspectiva, a editora Dias conta sobre uma cole\u00e7\u00e3o da \u00c1tica que transp\u00f5e grandes cl\u00e1ssicos para a linguagem e contexto do jovem. &#8216;Cl\u00e1ssicos s\u00e3o universais porque trabalham temas que permanecem atemporais. \u00c9 uma forma de despertar a curiosidade do jovem para ler autores cl\u00e1ssicos e verificar que eles trabalharam quest\u00f5es ainda atuais e presentes na sociedade&#8217;, verifica. <\/p>\n<p>Segundo a editora, para competir com videogames e a grande oferta de filmes e desenhos animados \u00e9 preciso incentivar a possibilidade da imagina\u00e7\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o \u00e9 referendada unanimemente por todos os jovens entrevistados. &#8216;Na tev\u00ea vem tudo pronto, n\u00e3o tem tanta gra\u00e7a. \u00c9 bem mais divertido imaginar o que meus her\u00f3is est\u00e3o fazendo e \u00e0s vezes, consigo at\u00e9 mudar a hist\u00f3ria que est\u00e1 escrita e fingir que estou participando dela&#8217;, pontua Everton Dias sobre as hist\u00f3rias em quadrinhos e livros de aventura que tanto aprecia. Cremone diz que os livros fazem com que ela busque conhecer mais sobre os temas. &#8216;Quando come\u00e7o a ler sobre uma coisa vou atr\u00e1s de mais hist\u00f3rias sobre o tema. Gosto de acompanhar cole\u00e7\u00f5es e o divertido \u00e9 que sempre aprendo algo novo e posso imaginar. Nos filmes e nos desenhos n\u00e3o tenho espa\u00e7o para isso&#8217;, conclui. \n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portal Jovem Aprendiz, 11\/07\/07 Julia Dietrich &#8216;Eu gosto muito de ler, mas a biblioteca da minha escola est\u00e1 sempre fechada. S\u00f3 podemos entrar se a professora reservar a sala, o que nunca acontece&#8217;. 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