{"id":732,"date":"2007-06-28T00:00:00","date_gmt":"2007-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/06\/semi-arido-uma-terra-arida-e-esquecida\/"},"modified":"2007-06-28T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-28T00:00:00","slug":"semi-arido-uma-terra-arida-e-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/28\/semi-arido-uma-terra-arida-e-esquecida\/","title":{"rendered":"Semi-\u00c1rido: Uma terra \u00e1rida e esquecida"},"content":{"rendered":"<p>Professor Josivan Barbosa Menezes*<\/p>\n<p>De acordo com os estudos do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, o Semi-\u00c1rido Brasileiro \u00e9 caracterizado pelos seguintes crit\u00e9rios t\u00e9cnicos: precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica m\u00e9dia anual inferior a 800 mil\u00edmetros; \u00edndice de aridez at\u00e9 0,5, calculado pelo balan\u00e7o h\u00eddrico que relaciona as precipita\u00e7\u00f5es e a evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, no per\u00edodo entre 1961 e 1990; e risco de seca maior que 60%, tomando-se por base o per\u00edodo entre 1970 e 1990.<\/p>\n<p>A \u00e1rea classificada oficialmente como Semi-\u00c1rido Brasileiro \u00e9 969.589,4km2, abrangendo 1.133 munic\u00edpios. No site do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional h\u00e1 v\u00e1rios documentos evidenciando o seu compromisso com o desenvolvimento desta sub-regi\u00e3o, tanto no que se refere \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o de seu potencial end\u00f3geno de crescimento econ\u00f4mico, quanto no sentido da diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades inter-regionais vigentes no pa\u00eds. <\/p>\n<p>Mas esta sub-regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u00e1rida apenas de chuva, e o risco de continuar subdesenvolvida pelos pr\u00f3ximos 100 anos pode ser maior do que o risco da seca. O Semi-\u00c1rido \u00e9 tamb\u00e9m \u00e1rido de recursos humanos capacitados para a produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, e, se continuar dessa forma, corre o risco de se tornar muito mais \u00e1rido nas suas perspectivas de crescimento.<\/p>\n<p>A pergunta que fazemos \u00e9: como conseguir melhorar os \u00edndices de desenvolvimento humano, sem a presen\u00e7a em potencial das universidades p\u00fablicas federais e dos institutos de pesquisa, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e inova\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p>Primeiramente, no caso dos institutos, apenas quatro cidades (Campina Grande \u2013 PB , Sobral \u2013 CE, Petrolina \u2013 PE e Teresina \u2013 PI) do Semi-\u00c1rido s\u00e3o beneficiadas com a presen\u00e7a de pesquisadores voltados para o desenvolvimento regional. O n\u00famero de pesquisadores nas quatro cidades n\u00e3o ultrapassa duas centenas, o que representa uma propor\u00e7\u00e3o pesquisador\/munic\u00edpio do Semi-\u00c1rido igual a 1 para 5; ou uma propor\u00e7\u00e3o pesquisador:\u00e1rea de semi-\u00e1rido   aproximadamente igual a 1 para 5000.<\/p>\n<p>Se o n\u00famero de pesquisadores no Semi-\u00c1rido Brasileiro \u00e9 desanimador, imagine o n\u00famero de docentes nas universidades p\u00fablicas federais localizadas nessa sub-regi\u00e3o. Em apenas duas cidades (Campina Grande e Teresina) o n\u00famero de docentes ultrapassa a 500. Entre as outras cidades, dificilmente se encontra uma em que o n\u00famero de docentes atinja uma centena. Mesmo em cidades sedes de universidades federais, verdadeiros p\u00f3los de microrregi\u00f5es, como Mossor\u00f3 \u2013 RN e Petrolina, o n\u00famero de docentes universit\u00e1rios \u00e9 muito reduzido. A Soma dos n\u00fameros de docentes das duas IFES (Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior) sediadas nessas cidades, n\u00e3o chega a 10% do n\u00famero de docentes que est\u00e3o na cidade de Salvador. Como o n\u00famero de docentes no Semi-\u00c1rido \u00e9 muito reduzido, \u00e9 reduzido tamb\u00e9m o n\u00famero de vagas nos concursos vestibulares das universidades federais dessa sub-regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Tomando como exemplo a Universidade do Semi-\u00c1rido (UFERSA) que, mesmo sem docentes para ministrar as disciplinas dos cursos rec\u00e9m-instalados, oferece apenas 560 vagas por ano; isto s\u00f3 dar para atender o n\u00famero de jovens de um pequeno munic\u00edpio do Semi-\u00c1rido. <\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s todo o processo de expans\u00e3o das universidades p\u00fablicas federais, ocorrido nos \u00faltimos cinco anos, as desigualdades na aloca\u00e7\u00e3o de docentes nas diferentes regi\u00f5es t\u00eam se acentuado. Apenas para se ter uma id\u00e9ia dessa desigualdade na regi\u00e3o Semi-\u00c1rida, onde habita uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 21 milh\u00f5es de habitantes, ainda se encontram trechos de at\u00e9 500 quil\u00f4metros sem uma universidade federal, ou sem um campus de uma universidade federal. Esta realidade \u00e9 muito diferente da encontrada no Sudeste. L\u00e1, \u00e9 muito comum encontrar uma universidade ou um campus universit\u00e1rio distante um do outro apenas 50 ou 100km. Ou seja, no Sudeste a universidade vai aonde a popula\u00e7\u00e3o precisa, mas no Semi-\u00e1rido a popula\u00e7\u00e3o precisa correr atr\u00e1s da universidade e, mesmo assim, nessas IFES ainda h\u00e1 pouqu\u00edssimas vagas para atender a demanda. A desigualdade de tratamento dispensado \u00e0s IFES, por ocasi\u00e3o do processo de expans\u00e3o do sistema federal de ensino superior, tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade dentro do pr\u00f3prio Nordeste. No \u00faltimo processo de expans\u00e3o, o RN foi o \u00fanico Estado da regi\u00e3o que n\u00e3o foi contemplado com um novo campus. De Mossor\u00f3 a Touros \u2013 RN (320km de dist\u00e2ncia) e de Mossor\u00f3 ao extremo do Alto Oeste, sub-regi\u00e3o do Rio Grande do Norte (cerca de 300km de dist\u00e2ncia) n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 campus de universidade federal. O n\u00famero de munic\u00edpios nessas microrregi\u00f5es n\u00e3o beneficiadas por uma universidade federal chega a mais de 50% dos munic\u00edpios do Estado.<\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimas distribui\u00e7\u00f5es de docentes feitas pela Sesu (Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Superior), a regi\u00e3o esquecida pelo resto do pa\u00eds tamb\u00e9m foi esquecida pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Na pen\u00faltima, a Universidade do Semi-\u00c1rido foi contemplada com apenas 15 vagas para realizar o seu processo de expans\u00e3o. Na \u00faltima, ocorrida na semana de 18 a 24-6-2007, foi pior. Apenas 10 vagas para docentes foram alocadas para a Universidade do Semi-\u00c1rido ampliar o n\u00famero de cursos de gradua\u00e7\u00e3o. Novamente esqueceram do Semi-\u00c1rido.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o de aridez mostrada acima, torna-se iminente o engajamento dos homens p\u00fablicos da regi\u00e3o para minimizar este quadro ca\u00f3tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Josivan Barbosa Menezes* De acordo com os estudos do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, o Semi-\u00c1rido Brasileiro \u00e9 caracterizado pelos seguintes crit\u00e9rios t\u00e9cnicos: precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica m\u00e9dia anual inferior a 800 mil\u00edmetros; \u00edndice de aridez at\u00e9 0,5, calculado pelo balan\u00e7o h\u00eddrico que relaciona as precipita\u00e7\u00f5es e a evapotranspira\u00e7\u00e3o potencial, no per\u00edodo entre 1961 e 1990; e &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/28\/semi-arido-uma-terra-arida-e-esquecida\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Semi-\u00c1rido: Uma terra \u00e1rida e esquecida<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/732\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}