{"id":719,"date":"2007-06-26T00:00:00","date_gmt":"2007-06-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/06\/escolaridade-afeta-diretamente-o-pib\/"},"modified":"2007-06-26T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-26T00:00:00","slug":"escolaridade-afeta-diretamente-o-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/26\/escolaridade-afeta-diretamente-o-pib\/","title":{"rendered":"Escolaridade afeta diretamente o PIB"},"content":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 26\/06\/07<\/p>\n<p>Lisandra Paraguass\u00fa, BRAS\u00cdLIA <\/p>\n<p>Em uma gera\u00e7\u00e3o, Pa\u00eds deixa de ganhar R$ 300 bilh\u00f5es, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto, diz Banco Mundial <\/p>\n<p>Habituados a ouvir dizer que a baixa escolaridade trava o desenvolvimento, os brasileiros t\u00eam agora um n\u00famero calculado pelo Banco Mundial (Bird) que ajuda a provar o tamanho do estrago social e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Segundo o banco, o Produto Interno Bruto (PIB) do Pa\u00eds deixa de crescer meio ponto porcentual por ano porque um grande contingente de jovens n\u00e3o consegue terminar a escola. Essa porcentagem significa que, em uma gera\u00e7\u00e3o (40 anos, neste caso), o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilh\u00f5es, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.<\/p>\n<p>O estrago e a conta est\u00e3o no relat\u00f3rio \u201cJovens em Situa\u00e7\u00e3o de Risco no Brasil\u201d, divulgado ontem em Bras\u00edlia. E os custos s\u00e3o muito mais amplos: viol\u00eancia, gravidez precoce, aids, desemprego, abuso de drogas e \u00e1lcool. Os problemas que cercam os jovens em risco custam caro, tanto em despesas diretas do Pa\u00eds quanto no que esse jovens deixam de produzir, para si e para o Brasil.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico do Banco Mundial \u00e9 duro: \u201cA baixa acumula\u00e7\u00e3o de capital humano permite antecipar uma futura gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ser\u00e1 competitiva nem na regi\u00e3o, nem no mundo\u201d, diz o estudo. \u201cN\u00e3o apoiar os jovens \u00e9 um custo alto para o Pa\u00eds. \u00c9 um grupo sobre o qual o governo tem de pensar mais\u201d, disse a autora do estudo, Wendy Cunningham, economista s\u00eanior do Banco Mundial.<\/p>\n<p>Apesar de uma certa evolu\u00e7\u00e3o &#8211; os jovens brasileiros hoje t\u00eam, em m\u00e9dia, 8,5 anos de estudo, um a mais do que a gera\u00e7\u00e3o anterior -, a escolaridade no Pa\u00eds \u00e9 considerada baixa. O estudo mostra que o n\u00famero de jovens que chegam ao ensino superior no Brasil \u00e9 o menor da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p>Ingrid Faria Adamo, de 18 anos, parou de estudar em mar\u00e7o. Ela cursava o 3\u00ba ano do ensino m\u00e9dio noturno quando seu hor\u00e1rio de trabalho foi alterado e ela passou a ter de permanecer na empresa de telemarketing at\u00e9 as 21 horas. Enquanto esperava sua transfer\u00eancia para o per\u00edodo matutino na escola, acabou conseguindo trocar novamente de turno no servi\u00e7o. Ao informar a escola de que poderia voltar a estudar \u00e0 noite, conta, o diretor disse que ela j\u00e1 havia perdido muitas aulas e provas e que deveria procurar um supletivo. \u201cEle praticamente me expulsou porque faltei duas semanas\u201d, diz. Hoje, Ingrid &#8211; que trabalha desde os 15 anos &#8211; ainda procura uma vaga na Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), o antigo supletivo. \u201cEu gostava de estudar e quero muito fazer uma faculdade de Arquitetura.\u00b4<\/p>\n<p>A CADEIA DA POBREZA<\/p>\n<p>Os R$ 300 bilh\u00f5es calculados pelo Banco Mundial referem-se diretamente a esse problema: se os jovens brasileiros que deixam a escola completassem apenas o n\u00edvel de ensino seguinte ao que deixaram de fazer &#8211; se um jovem que deixa a escola na 8\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, por exemplo, terminasse o ensino m\u00e9dio -, ele receberia um sal\u00e1rio maior. Somados, esses sal\u00e1rios (n\u00e3o recebidos) da gera\u00e7\u00e3o que largou a escola somariam mais R$ 300 bilh\u00f5es girando na economia nacional.<\/p>\n<p>A pobreza faz com que todos os demais riscos aumentem. Jovens pobres abandonam mais cedo a escola, t\u00eam mais dificuldades de encontrar emprego, morrem mais cedo, envolvem-se mais com drogas e correm mais riscos de serem pais ainda muito cedo. <\/p>\n<p>Entre os jovens mais pobres, a taxa de analfabetismo \u00e9 tr\u00eas vezes a da m\u00e9dia nacional. Os que trabalham com carteira assinada representam apenas 1\/8 da m\u00e9dia do Pa\u00eds e 90% dos jovens desempregados v\u00eam de fam\u00edlias com renda inferior a dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. <\/p>\n<p>De acordo com o Banco Mundial, o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego entre jovens da Am\u00e9rica Latina. Mas, quando comparada com a dos adultos, \u00e9 alta demais para um Pa\u00eds com o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica que o Brasil tem. <\/p>\n<p>9,5 MILH\u00d5ES <\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o quantifica quantos jovens brasileiros poderiam ser considerados em situa\u00e7\u00e3o de risco. O governo brasileiro trabalha com um grupo de 9,5 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 29 anos que est\u00e3o fora da escola e desempregados. Desses, 4,5 milh\u00f5es ainda n\u00e3o conseguiram completar nem mesmo o ensino fundamental.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o p\u00fablico mais importante. Se atacarmos esses problemas, podemos alcan\u00e7ar os demais\u201d, disse o secret\u00e1rio nacional de Pol\u00edtica para a Juventude, Beto Cury. (Colaborou Renata Cafardo)<\/p>\n<p>Gasto p\u00fablico ignora faixas et\u00e1rias de grande risco <\/p>\n<p>Os jovens entre 15 e 29 anos s\u00e3o hoje mais de um quarto da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Somam 50 milh\u00f5es de pessoas, mas os investimentos p\u00fablicos nesse grupo representam s\u00f3 0,6% do gasto social.<\/p>\n<p>A maior parte dos gastos sociais, mostra o relat\u00f3rio do Banco Mundial \u201cJovens em Situa\u00e7\u00e3o de Risco no Brasil\u201d, s\u00e3o direcionados para as pessoas com mais de 60 anos, por meio das aposentadorias. J\u00e1 o gasto com os jovens inclui as despesas com universidades p\u00fablicas &#8211; um investimento que raramente chega a jovens em situa\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>\u201cQuando se eliminam os gastos com ensino universit\u00e1rio &#8211; limitados a uma pequena parcela elitizada da popula\u00e7\u00e3o -, os gastos com jovens caem a quase 0% do total dos gastos sociais\u201d, diz o relat\u00f3rio. \u201cAs duas faixas et\u00e1rias nas quais os investimentos s\u00e3o os mais baixos s\u00e3o a primeira inf\u00e2ncia e a juventude, dois per\u00edodos cruciais para a preven\u00e7\u00e3o de comportamentos de risco.\u201d<\/p>\n<p>O governo tem, no Or\u00e7amento de 2007, programas para a juventude que, somados, chegam a R$ 1 bilh\u00e3o. De acordo com o secret\u00e1rio nacional de Pol\u00edticas para a Juventude, Beto Cury, os dados usados pelo Banco Mundial s\u00e3o anteriores \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nacional de juventude, que ampliou os programas e os investimentos na \u00e1rea. \u201cMas, claro, temos uma d\u00edvida anterior.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, o Pa\u00eds tem hoje pouqu\u00edssima informa\u00e7\u00e3o sobre os resultados dos programas para jovens. Faltam avalia\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o. Hoje, os 20 programas para juventude est\u00e3o divididos por 18 minist\u00e9rios. \n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 26\/06\/07 Lisandra Paraguass\u00fa, BRAS\u00cdLIA Em uma gera\u00e7\u00e3o, Pa\u00eds deixa de ganhar R$ 300 bilh\u00f5es, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto, diz Banco Mundial Habituados a ouvir dizer que a baixa escolaridade trava o desenvolvimento, os brasileiros t\u00eam agora um n\u00famero calculado pelo Banco Mundial (Bird) que ajuda a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/26\/escolaridade-afeta-diretamente-o-pib\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Escolaridade afeta diretamente o PIB<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}