{"id":718,"date":"2007-06-26T00:00:00","date_gmt":"2007-06-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/06\/aluno-ainda-e-apontado-como-culpado-por-fracasso\/"},"modified":"2007-06-26T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-26T00:00:00","slug":"aluno-ainda-e-apontado-como-culpado-por-fracasso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/26\/aluno-ainda-e-apontado-como-culpado-por-fracasso\/","title":{"rendered":"Aluno ainda \u00e9 apontado como culpado por fracasso"},"content":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 26\/06\/07<\/p>\n<p>Lisandra Paraguass\u00fa, Bras\u00edlia <\/p>\n<p>\u00c9 o que mostra estudo realizado pela Unesco no Pa\u00eds<\/p>\n<p>Leia o relat\u00f3rio <\/p>\n<p>A culpa \u00e9 do aluno. Professores, pais, diretores, coordenadores e at\u00e9 o pr\u00f3prio estudante acreditam que, se a crian\u00e7a n\u00e3o aprende, a maior parte da culpa \u00e9 dela mesma. Esse \u00e9 o quadro que sai do estudo \u201cRepensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever\u201d, divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco). Com maior ou menor intensidade, a escola culpa o aluno e seus pais pelas defici\u00eancias na capacidade de ensinar.<\/p>\n<p>\u201cPode-se afirmar que, se a escola deseja transferir a culpa pelo fracasso aos alunos, nisso consegue ter amplo \u00eaxito, pelo menos nas s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental. Com maior freq\u00fc\u00eancia, as falas atribuem a responsabilidade aos pr\u00f3prios discentes (alunos) e \u00e0s suas fam\u00edlias. Os pais n\u00e3o ajudam ou a crian\u00e7a n\u00e3o aproveita\u201d, diz o documento. A medida para ser um bom aluno est\u00e1 no esfor\u00e7o e na disciplina em sala de aula. <\/p>\n<p>A pesquisa da Unesco foi feita por amostragem em dez Estados, apenas em escolas p\u00fablicas, com alunos da 4\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental. H\u00e1 uma parte quantitativa, de question\u00e1rios respondidos por alunos, professores, diretores e funcion\u00e1rios de cargos t\u00e9cnicos (coordenadores de \u00e1rea, pedag\u00f3gicos, etc.) e outra qualitativa, com entrevistas, que inclu\u00edram tamb\u00e9m os pais dos estudantes.<\/p>\n<p>Entre os professores, quase 40% consideram que, se um aluno n\u00e3o passa de ano, a culpa \u00e9 dele mesmo. Outros 24% acreditam que a culpa \u00e9 dos pais. Mas apenas 2% reconhecem algum tipo de responsabilidade. Cerca de um ter\u00e7o dos diretores e t\u00e9cnicos tamb\u00e9m considera que a culpa \u00e9 do aluno, mas metade deles acredita que a escola \u00e9 a verdadeira respons\u00e1vel. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma carga tremenda para uma crian\u00e7a. Uma situa\u00e7\u00e3o em que os adultos se eximem da culpa e a transferem para o lado mais fraco. Ela carrega a culpa por todo o fracasso. Desse jeito n\u00e3o se aprende, n\u00e3o se educa\u201d, diz C\u00e2ndido Gomes, um dos autores do estudo. <\/p>\n<p>A cobran\u00e7a vem tamb\u00e9m da fam\u00edlia, que \u00e9 cobrada pela escola. A maior parte dos professores tamb\u00e9m culpa pais e m\u00e3es pelo fracasso escolar do filho e considera que n\u00e3o h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o suficiente ou, pelo menos, acha que o aluno n\u00e3o ir\u00e1 adiante porque a fam\u00edlia n\u00e3o tem como ajudar. O estudo mostra, por\u00e9m, que, na maioria dos casos, \u00e9 na fam\u00edlia que a crian\u00e7a encontra ajuda quando precisa. A escola aparece apenas em 4\u00ba lugar. \u201cEssa cobran\u00e7a est\u00e1, muito freq\u00fcentemente, acima da realidade. Na verdade, a escola d\u00e1 pouco apoio e \u00e9 na fam\u00edlia que a crian\u00e7a encontra ajuda\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p>ESCOLA CHATA <\/p>\n<p>A escola que aparece no estudo \u00e9 chata, sem sentido e n\u00e3o consegue passar para seus estudantes o porqu\u00ea de aprender a ler e escrever e, principalmente, de fazer aquelas tarefas. Nas entrevistas qualitativas, os alunos apontam como principal &#8211; e praticamente \u00fanica &#8211; raz\u00e3o para estudar a necessidade de precisar da leitura para trabalhar. <\/p>\n<p>Mais do que isso, n\u00e3o conseguem entender as tarefas que lhes s\u00e3o dadas na escola. Os exerc\u00edcios de c\u00f3pia, por exemplo, aparecem como um castigo: quando a turma est\u00e1 bagun\u00e7ando, a professora d\u00e1 c\u00f3pias para fazerem. \u201cO aluno com facilidade aprende. Para os outros, sobra a bagun\u00e7a. Professores e estudantes n\u00e3o se entendem\u201d, afirma Gomes. <\/p>\n<p>\u00c9 justamente como o estudante que se esfor\u00e7a para aprender e \u00e9 disciplinado que o professor v\u00ea o bom aluno. Apesar de n\u00e3o considerar \u201cobedecer ao professor\u201d um dos quesitos principais, a tradu\u00e7\u00e3o de \u201cser disciplinado\u201d \u00e9, segundo o estudo, justamente n\u00e3o fazer bagun\u00e7a. <\/p>\n<p>Para o estudante, o perfil vai al\u00e9m: a crian\u00e7a acha que n\u00e3o deve fazer perguntas demais ou duvidar do professor. \u201cO aluno tem de ser recebido com afeto e valoriza\u00e7\u00e3o; a escola tem de estar sintonizada com a realidade do aluno; a crian\u00e7a tem de saber por que est\u00e1 aprendendo. \u00c9 um sistema que tem de mudar\u00b4, resume Gomes. \n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 26\/06\/07 Lisandra Paraguass\u00fa, Bras\u00edlia \u00c9 o que mostra estudo realizado pela Unesco no Pa\u00eds Leia o relat\u00f3rio A culpa \u00e9 do aluno. 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