{"id":687,"date":"2007-06-12T00:00:00","date_gmt":"2007-06-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/06\/falha-na-alfabetizacao-cientifica-prejudica-interesse-pelo-assunto\/"},"modified":"2007-06-12T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-12T00:00:00","slug":"falha-na-alfabetizacao-cientifica-prejudica-interesse-pelo-assunto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/12\/falha-na-alfabetizacao-cientifica-prejudica-interesse-pelo-assunto\/","title":{"rendered":"Falha na alfabetiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica prejudica interesse pelo assunto"},"content":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 11\/06\/07<\/p>\n<p>Resist\u00eancia de adultos ao tema come\u00e7a na inf\u00e2ncia, em grande parte devido ao fraco ensino da disciplina na escola <\/p>\n<p>Giovana Girardi <\/p>\n<p>Levantamento divulgado pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia mostrou que cerca de 41% dos brasileiros t\u00eam muito interesse por ci\u00eancia. O n\u00famero foi recebido com entusiasmo por especialistas &#8211; uma vez que estava quase em p\u00e9 de igualdade com o do interesse por esporte e era superior ao de pol\u00edtica -, mas n\u00e3o deixou de refletir um problema intr\u00ednseco do ensino.<\/p>\n<p>Entre os 59% que disseram ter pouco ou nenhum interesse na \u00e1rea, a maioria justificou que simplesmente n\u00e3o entende o assunto. Os organizadores da pesquisa apontaram v\u00e1rios fatores como explica\u00e7\u00e3o, entre eles a exist\u00eancia de poucos museus de ci\u00eancia no Pa\u00eds, mas alertam que o cerne da quest\u00e3o \u00e9 a defici\u00eancia no ensino de ci\u00eancias. \u201cQuando a ci\u00eancia \u00e9 colocada de maneira clara e interessante, ela fascina. Mas a educa\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea ainda precisa melhorar muito. Um ensino livresco, sem desafio nem experimenta\u00e7\u00e3o como ocorre hoje n\u00e3o tem como ter resultados. Melhorar \u00e9 crucial\u201d, afirma o pesquisador Ildeu de Castro Moreira, respons\u00e1vel do MCT pelo estudo. <\/p>\n<p>\u201cTemos problema no ensino de ci\u00eancias assim como temos com a educa\u00e7\u00e3o em geral\u201d, lembra o f\u00edsico e educador da USP Luis Carlos Menezes. \u201cMas o agravante \u00e9 que os professores de portugu\u00eas ou matem\u00e1tica sabem ler, escrever, fazer conta. Podem ter problemas pedag\u00f3gicos, mas sabem o conte\u00fado. Ocorre que vemos professores de ci\u00eancias que realmente n\u00e3o entendem o assunto que est\u00e3o falando.\u201d<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o de estudos psicol\u00f3gicos divulgada no m\u00eas passado na revista Science aponta que a resist\u00eancia dos adultos \u00e0 ci\u00eancia tem origem na inf\u00e2ncia, em parte por causa do que as crian\u00e7as sabem \u2018naturalmente\u2019 e em parte pelo que elas aprendem (ou deixam de aprender), escrevem Paul Bloom e Deena Skolnick Weisberg, da Universidade Yale. <\/p>\n<p>Os pesquisadores alegam que essa desconfian\u00e7a ocorre porque alguns t\u00f3picos cient\u00edficos s\u00e3o contra-intuitivos, como o fato de a Terra ser esf\u00e9rica. Para os pequenos, dizem, \u00e9 dif\u00edcil entender que vivendo em uma esfera as pessoas n\u00e3o acabariam despencando. Por isso um ensino adequado \u00e9 imperativo desde cedo. \u201cA primeira barreira a ser derrubada \u00e9 a id\u00e9ia de que ci\u00eancia \u00e9 algo dif\u00edcil. A alfabetiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem de ser pensada como uma linguagem para ser falada e discutida por todos, n\u00e3o s\u00f3 pelo cientista\u201d, diz Menezes. <\/p>\n<p>\u201cO Pa\u00eds tem uma p\u00e9ssima tradi\u00e7\u00e3o em s\u00f3 come\u00e7ar a tratar de ci\u00eancia nos \u00faltimos anos do ensino fundamental. Mas \u00e9 j\u00e1 com os pequenos que esses preconceitos t\u00eam de ser trabalhados\u201d, complementa Jorge Werthein, ex-representante da Unesco no Brasil.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga Andr\u00e9a Ribeiro dos Santos, ligada \u00e0 Fiocruz, percebeu isso na pr\u00e1tica ao realizar trabalho sobre metamorfose com alunos de 4\u00aa a 8\u00aa s\u00e9ries de escola p\u00fablica em Nil\u00f3polis (RJ). \u201cMuitos t\u00eam avers\u00e3o a alguns insetos porque n\u00e3o os conhecem\u201d, conta. \u201cA maioria disse ter mais medo de abelha do que do mosquito da dengue, uma vez que eles n\u00e3o associavam que este inseto \u00e9 transmissor de doen\u00e7as. Os menores entendiam que o foco da dengue estava em vasilha com \u00e1gua, mas n\u00e3o associavam a larva ao adulto.\u201d <\/p>\n<p>Investigar \u00e9 chave para aprender <\/p>\n<p>Professores com bom material conseguem instigar mais os alunos a descobrir como a ci\u00eancia \u00e9 feita <\/p>\n<p>Na hora de buscar respons\u00e1veis pelas defici\u00eancias no ensino de ci\u00eancias do Pa\u00eds, a culpa sempre recai nos professores. Mas especialistas alertam que a solu\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m de somente melhorar a forma\u00e7\u00e3o dos docentes. \u00c9 preciso dar instrumentos para eles conseguirem inovar em sala de aula.<\/p>\n<p>\u201cHoje vemos a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de professores e outras para melhorar o livro did\u00e1tico, mas n\u00e3o existe conex\u00e3o entre elas. A forma\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 aprimorar o discurso, mas o livro engessa\u201d, comenta Ana Rosa Abreu, diretora educacional do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Sangari do Brasil, instituto que desenvolve modelos de ensino de ci\u00eancia. <\/p>\n<p>\u201cNas poucas escolas que t\u00eam laborat\u00f3rio, a imagem que os estudantes fazem \u00e9 de um local antiss\u00e9ptico, para poucos. Para entrar ali tem todo um ritual. A ci\u00eancia deixa de fazer parte do cotidiano\u201d, complementa a educadora, que defende uma metodologia investigativa de ensino para que o aprendizado se torne natural.<\/p>\n<p>\u00c9 nisso que se baseia o Ci\u00eancia e Tecnologia em Criatividade, um programa educativo desenvolvido pelo instituto para ser usado no ensino fundamental. \u201cPor anos ouvimos professores dizendo que gostariam de fazer diferente, mas n\u00e3o tinham coragem de ousar nem sabiam como. Criamos um instrumento para isso\u201d, diz. \u201cO Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o tem de entender que o modelo do livro did\u00e1tico \u00e9 muito restrito. \u00c9 preciso colocar materiais na m\u00e3o dessas crian\u00e7as para elas descobrirem os conceitos por conta pr\u00f3pria.\u201d<\/p>\n<p>Jim Heinhold, de 9 anos, \u00e9 um exemplo de que isso funciona. Aluno do Col\u00e9gio Via Sapiens, em Cotia, que usa o sistema da Sangari, observa intrigado um p\u00f3 branco em uma colher colocada sobre uma chama de fogo. O material n\u00e3o gruda, n\u00e3o derrete, nada acontece. Mas o garoto n\u00e3o desanima. \u201cJ\u00e1 sei. \u00c9 talco\u201d, fala com ar sabich\u00e3o para a professora Ana Cristina de Lima, que v\u00eam instigando a turma da 4\u00aa s\u00e9rie a descobrir o que s\u00e3o quatro \u201csubst\u00e2ncias misteriosas\u201d. Jim diz que a mat\u00e9ria \u00e9 sua favorita. E gosta tanto que j\u00e1 sabe o que quer ser quando crescer: cientista. <\/p>\n<p>Na rede municipal de S\u00e3o Paulo algumas escolas t\u00eam adotado um esquema mais modesto, mas que tamb\u00e9m busca promover a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento pelo aluno. \u00c9 o projeto apelidado de \u201cM\u00e3os na Massa\u201d, desenvolvido pela Esta\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cNa escola p\u00fablica, ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 muito priorizada diante da necessidade de ensinar a ler e a escrever. Aqui n\u00f3s n\u00e3o temos muitos materiais, mas buscamos trabalhar com temas que tenha significado para os alunos\u201d, conta a professora Janete Santos de Brito, que d\u00e1 aulas para uma turma do 3\u00ba ano em escola de Santo Amaro. \u201cFazendo experi\u00eancias, os alunos conseguem estabelecer rela\u00e7\u00f5es. Eles guardam o novo conhecimento n\u00e3o por mera memoriza\u00e7\u00e3o, mas porque passa a fazer sentido para eles\u201d, diz. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 11\/06\/07 Resist\u00eancia de adultos ao tema come\u00e7a na inf\u00e2ncia, em grande parte devido ao fraco ensino da disciplina na escola Giovana Girardi Levantamento divulgado pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia mostrou que cerca de 41% dos brasileiros t\u00eam muito interesse por ci\u00eancia. 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