{"id":672,"date":"2007-06-01T00:00:00","date_gmt":"2007-06-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/06\/novo-termometro-da-educacao\/"},"modified":"2007-06-01T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-01T00:00:00","slug":"novo-termometro-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/06\/01\/novo-termometro-da-educacao\/","title":{"rendered":"Novo term\u00f4metro da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Claudio de Moura Castro  <\/p>\n<p>&#8216;Se o ensino de qualidade fosse t\u00e3o caro, como poderia ocorrer em munic\u00edpios pobres?&#8217; <\/p>\n<p>Tipicamente, a ci\u00eancia gera os avan\u00e7os que se transformam em tecnologia. Mas h\u00e1 o caminho inverso, pois avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos podem permitir saltos na ci\u00eancia. Com a tecnologia do microsc\u00f3pio, os micr\u00f3bios passaram de conjectura a entes reais. O telesc\u00f3pio revelou astros invis\u00edveis a olho nu. Na economia, o conceito de PIB engendrou novas an\u00e1lises. Mais adiante, veio o IDH, revelando o outro lado do desenvolvimento. Na educa\u00e7\u00e3o, o Brasil acaba de ganhar um novo term\u00f4metro: o Ideb. Trata-se de um \u00edndice de excel\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o, que permite novas an\u00e1lises. <\/p>\n<p>O Ideb \u00e9 um indicador engenhoso, que combina a velocidade de avan\u00e7o dos alunos dentro da escola com o n\u00edvel de rendimento nos testes da Prova Brasil. Foi calculado para a 4\u00aa e a 8\u00aa s\u00e9ries e para a \u00faltima s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio. Quanto menos repet\u00eancia, maior o \u00edndice. Quanto mais altos os escores na Prova Brasil, maior o \u00edndice. <\/p>\n<p>O Ideb premia munic\u00edpios ou escolas cujos alunos aprendem mais e repetem menos. Portanto, se a escola aprovar quem n\u00e3o sabe, para reduzir a repet\u00eancia, perder\u00e1 nos escores de rendimento escolar. A que peneirar os melhores, com o objetivo de gerar escores superiores, ter\u00e1 mais repet\u00eancia, puxando para baixo o \u00edndice. <\/p>\n<p>Sem revirar tudo de pernas para o ar, o Ideb mostra algumas novidades. Consolida-se a lideran\u00e7a do Centro-Sul, premiando a continuidade das suas pol\u00edticas educativas. Do Rio  Grande at\u00e9 Minas Gerais, os resultados s\u00e3o sempre superiores. A surpresa \u00e9 que nesse time acaba de entrar o Esp\u00edrito Santo e sair o Rio de Janeiro. Depois de liderar por mais de dois s\u00e9culos, o Rio afundou para o meio da distribui\u00e7\u00e3o, equiparando-se com o Acre, Sergipe e outros estados pobres. S\u00e3o Paulo \u00e9 reabilitado pelo Ideb, aparecendo em 1\u00ba, 1\u00ba e 4\u00ba (na 4\u00aa, 8\u00aa e 11\u00aa s\u00e9ries). Perd\u00e3o para a sua t\u00e3o vilipendiada pol\u00edtica de promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica? <\/p>\n<p>Apesar de quinze estados terem maiores gastos per capita, a educa\u00e7\u00e3o de Minas est\u00e1 entre as melhores. Ou seja, gastar bem vale mais do que gastar muito. V\u00ednhamos observando os avan\u00e7os do Centro-Oeste. De fato, est\u00e1 bufando no cangote do Centro-Sul, apesar de sua recent\u00edssima coloniza\u00e7\u00e3o. A grande surpresa s\u00e3o os novos estados e ex-territ\u00f3rios, sempre subestimados. Rapidamente subiram, mesclando-se com o Centro-Oeste. Com dezoito anos de idade, o Tocantins desponta em 6\u00ba lugar (na 8\u00aa s\u00e9rie), mostrando que \u00e9 poss\u00edvel criar um sistema educativo adequado em tempo recorde. Bela li\u00e7\u00e3o. Querendo, educa\u00e7\u00e3o melhor n\u00e3o \u00e9 apenas para os netos. <\/p>\n<p>Em contraste, os velhos Norte e Nordeste permanecem firmes na rabeira. Foram ultrapassados at\u00e9 pelos ex-territ\u00f3rios. No ensino m\u00e9dio, raspando na trave, escapam o Cear\u00e1 e Sergipe. Alagoas e Amazonas carregam a lanterninha. E que surpresa ver Acre, Amap\u00e1 e Roraima se  descolarem do Norte e Nordeste. A maior vergonha \u00e9 o Distrito Federal. Na 4\u00aa s\u00e9rie, vai bem (2\u00ba lugar). Mas, nos n\u00edveis seguintes, cai para 13\u00ba e 9\u00ba. Com custo por aluno de quatro vezes a m\u00e9dia nacional, \u00e9 inaceit\u00e1vel que a politicagem de Bras\u00edlia tenha provocado t\u00e3o lament\u00e1veis conseq\u00fc\u00eancias. <\/p>\n<p>Nos munic\u00edpios, o que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 ver a qualidade fugir das capitais. De fato, poucas est\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional. Curitiba \u00e9 a melhor capital. Contudo, h\u00e1 mais de 400 munic\u00edpios com educa\u00e7\u00e3o melhor. Recentemente, ouvi depoimentos de diretoras de escolas da periferia de uma grande capital. A conflagra\u00e7\u00e3o urbana domina a agenda. Discorreram sobre todas as desgraceiras e falaram de tudo, menos de educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Se educa\u00e7\u00e3o de qualidade n\u00e3o est\u00e1 na agenda delas, como poder\u00edamos querer que se materializasse? Nem por milagre. As grandes estrelas s\u00e3o munic\u00edpios pouco conhecidos. Quem ouviu falar de Trajano de Morais? Pois, pasmem, tem o melhor ensino fundamental do Brasil. Mas o quarto pior (Pira\u00ed) est\u00e1 tamb\u00e9m no estado do Rio. Barra do Chap\u00e9u, a melhor 4\u00aa s\u00e9rie do pa\u00eds, est\u00e1 no Vale do Ribeira, uma regi\u00e3o pobre do estado de S\u00e3o Paulo. Ou seja, para ultrapassar o desempenho das capitais n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mais do que prefeitos dedicados e o feij\u00e3o-com-arroz bem-feito. Se o ensino de qualidade fosse t\u00e3o caro, como poderia ocorrer em munic\u00edpios pobres?\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudio de Moura Castro &#8216;Se o ensino de qualidade fosse t\u00e3o caro, como poderia ocorrer em munic\u00edpios pobres?&#8217; Tipicamente, a ci\u00eancia gera os avan\u00e7os que se transformam em tecnologia. Mas h\u00e1 o caminho inverso, pois avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos podem permitir saltos na ci\u00eancia. 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