{"id":636,"date":"2007-05-22T00:00:00","date_gmt":"2007-05-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/05\/repensar-a-universidade-e-preciso\/"},"modified":"2007-05-22T00:00:00","modified_gmt":"2007-05-22T00:00:00","slug":"repensar-a-universidade-e-preciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/05\/22\/repensar-a-universidade-e-preciso\/","title":{"rendered":"Repensar a Universidade \u00e9 preciso"},"content":{"rendered":"<p>Os mercados cada vez mais globalizados e competitivos est\u00e3o exigindo profissionais dotados de um senso cr\u00edtico\/criativo em rela\u00e7\u00e3o aos problemas do setor onde desenvolver\u00e3o  suas atividades, considerando-o como um todo, seja nos aspectos t\u00e9cnicos, humanos, sociais ou pol\u00edticos. O profissional deve estar suficientemente preparado e capacitado para discernir o grau de import\u00e2ncia do desenvolvimento do setor onde trabalha, tanto na economia nacional como internacional, bem como nos seus inter-relacionamentos com outros setores da economia.<\/p>\n<p>Formar um profissional com esse perfil requer professores qualificados, curr\u00edculos coerentes e atualizados e estruturas adequadas. Analisando algumas universidades brasileiras, observa-se que em muitas h\u00e1 car\u00eancia de alguns desses requisitos. Em algumas faltam professores qualificados, em outras os curr\u00edculos est\u00e3o ultrapassados e em outras tantas as estruturas organizacionais  s\u00e3o antigas e pouco produtivas. <\/p>\n<p>Aliada \u00e0 car\u00eancia de alguns requisitos, encontra-se a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias inadequadas ou, mesmo, a falta delas para solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Muitas universidades p\u00fablicas n\u00e3o disp\u00f5em de estrat\u00e9gias de curto, m\u00e9dio e longo prazo, em termos de ensino, pesquisa, extens\u00e3o, financiamento e gest\u00e3o. Com isso, observa-se desperd\u00edcio  de tempo e de recursos f\u00edsicos, humanos e financeiros, formando profissionais desalinhados em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho,  desenvolvendo pesquisas incoerentes com a realidade e com o futuro e n\u00e3o interagindo com a sociedade na busca de solu\u00e7\u00f5es para seus problemas. <\/p>\n<p>Em muitas universidades, os sistemas educacionais constru\u00eddos para a forma\u00e7\u00e3o intelectuais se tornaram insatisfat\u00f3rios para um ambiente cuja caracter\u00edstica marcante \u00e9 a mudan\u00e7a. Apesar dos esfor\u00e7os para sanar este problema, muitas universidades continuam a formar indiv\u00edduos pouco adapt\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as constantes, resultando na rejei\u00e7\u00e3o de seus produtos pela sociedade. A nova educa\u00e7\u00e3o deve ser baseada em um curr\u00edculo flex\u00edvel, organizado em torno de mudan\u00e7as de interesses e necessidades dos estudantes, oferecendo oportunidades de entrada e sa\u00edda em diferentes momentos com menos \u00eanfase em certificados como pr\u00e9-requisitos para participa\u00e7\u00e3o nas atividades. O aluno deve ter alternativas para escolher, em termos de n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. Ao entrar na universidade, ele deve ter a op\u00e7\u00e3o de escolher se quer sair com o n\u00edvel t\u00e9cnico, graduado ou p\u00f3s-graduado. Nesse sentido, \u00e9 bom salientar que, no mercado brasileiro de trabalho, existe uma car\u00eancia muito grande de profissionais de n\u00edvel t\u00e9cnico. <\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 freq\u00fc\u00eancia, hoje em dia, grande parte da educa\u00e7\u00e3o acontece fora do hor\u00e1rio escolar, em local e hora da pr\u00f3pria escolha do indiv\u00edduo. O que precisamos \u00e9 de um processo educacional continuado e permanente, uma vez que a educa\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o \u00e9 suficiente para que o indiv\u00edduo possa viver o resto de sua vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o processo educacional deve ser capaz de desenvolver indiv\u00edduos com capacidade de continuar sua pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o. O curr\u00edculo deve promover oportunidade para que ele aprenda, principalmente, a ler, ouvir, observar, expressar-se e adquirir t\u00e9cnicas de obter informa\u00e7\u00f5es. Nesta nova vis\u00e3o do processo educativo, \u00e9 necess\u00e1rio redefinir o papel do aluno, do professor e das universidades, rever as formas de avalia\u00e7\u00e3o, bem como refletir sobre o papel do educador e da educa\u00e7\u00e3o. No tocante ao papel do aluno, este deve caracterizar-se por assumir a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, ou seja, como autodidata. O autodidatismo orientado deve ser privilegiado na medida que experi\u00eancias t\u00eam demonstrado que as pessoas, em sua maioria, admitem que foi o conv\u00edvio com os outros, na troca de experi\u00eancias, no debates de id\u00e9ias, por meio de experi\u00eancias vividas que aprenderam a maior parte das coisas \u00fateis de que precisam. O essencial \u00e9 ensinar a aprender, fornecendo aos indiv\u00edduos instrumento para mudar de tipo de atividade, de trabalho, v\u00e1rias vezes, durante a vida.<\/p>\n<p>Quanto ao papel do professor, a sua fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1, cada vez mais, a de \u201cpreparar situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem, organizar a recep\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es televisionadas ou radiofundidas, orientar grupos de trabalho a cargo de monitores n\u00e3o especializados\u201d. O papel do professor passa de instrutor para o de diagnosticador, cooperador, estrategista, guia, amigo e colega de  aprendizado.<\/p>\n<p>Em se tratando do papel da universidade, esta deve ter tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es: transmiss\u00e3o da cultura, ensino das profiss\u00f5es e a pesquisa cient\u00edfica. Estas fun\u00e7\u00f5es devem ser realizadas com sobriedade e austeridade, ensinando somente o que os alunos podem aprender e  n\u00e3o o que os professores desejam. A universidade n\u00e3o pode ser um sindicato nem um partido pol\u00edtico, mas deve ser uma institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria com o papel de agente de reforma social e acelerador do processo evolutivo da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A universidade \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o composta de pessoas, tecnologias, conhecimentos e pr\u00e1ticas; posicionada na sociedade no sentido de olhar para esta, visando entender seus problemas,  desenvolver  tecnologias coerentes aos seus problemas, conhecimento e pr\u00e1ticas, bem como capacitar pessoas para utiliz\u00e1-los na solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Infelizmente, muitas universidades no Brasil, no meu entender, tomaram outra conota\u00e7\u00e3o. Elas constru\u00edram, em volta de si, um muro que a sociedade tenta escalar para saber o que se est\u00e1 acontecendo dentro dela. Somada a esse fato predomina, dentro de muitas universidades, a \u201cfilosofia do bicho da seda\u201d, segundo o qual professores se encasulam em torno de sua \u00e1rea, disciplina ou linha de pesquisa, esquecendo da integra\u00e7\u00e3o. Quando esses professores se aposentam, n\u00e3o h\u00e1 continuidade dos estudos e pesquisas ou, mesmo, o aproveitamento dos conhecimentos gerados, morrendo, assim, uma c\u00e9lula da universidade.<\/p>\n<p>O advento dos novos tipos de estruturas e estrat\u00e9gias educacionais implica em uma revis\u00e3o profunda nos m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o de resultados e, principalmente, de gest\u00e3o das universidades. Se for adotada a autodidaxia como estrat\u00e9gia, a avalia\u00e7\u00e3o tender\u00e1 ser mais para abordagens subjetivas, sendo os testes objetivos usados para diagnosticar falhas e defici\u00eancias. Deve ser dada \u00eanfase especial a autoavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o, h\u00e1  necessidade de revis\u00e3o das estruturas organizacionais, com a ado\u00e7\u00e3o de formas mais alinhadas ao ambiente de neg\u00f3cio. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de organogramas mais flex\u00edveis e que permitam uma maior intera\u00e7\u00e3o entre os setores envolvidos, al\u00e9m de possibilitar a profissionaliza\u00e7\u00e3o destes. Hoje em dia, j\u00e1 existem estruturas mais adequadas ao ambiente de educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, como a matricial, as unidades de neg\u00f3cio e a governan\u00e7a coorporativa.<br \/>\nEm s\u00edntese, precisamos reestruturar o sistema educacional, ligando a educa\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, associa-la a objetivos concretos, estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o estreita com a sociedade e a economia, e, finalmente, criar e redescobrir uma educa\u00e7\u00e3o em estreita simbiose com o ambiente. A situa\u00e7\u00e3o atual  n\u00e3o pode continuar, em face da import\u00e2ncia das universidades no contexto de uma sociedade.  Por isso, \u00e9 preciso repensar suas estruturas e estrat\u00e9gias. Do contr\u00e1rio, corre-se o risco de cair no descr\u00e9dito da sociedade ou, mesmo, o de n\u00e3o conseguir parceiros para apoiar suas atividades.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Carlos dos Santos<br \/>\nEngenheiro Agr\u00f4nomo, mestre e doutor em administra\u00e7\u00e3o rural e chefe do Departamento de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Lavras<br \/>\nE-mail: acsantos@ufla.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mercados cada vez mais globalizados e competitivos est\u00e3o exigindo profissionais dotados de um senso cr\u00edtico\/criativo em rela\u00e7\u00e3o aos problemas do setor onde desenvolver\u00e3o suas atividades, considerando-o como um todo, seja nos aspectos t\u00e9cnicos, humanos, sociais ou pol\u00edticos. 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