{"id":34542,"date":"2014-04-24T08:00:07","date_gmt":"2014-04-24T11:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/?p=34542"},"modified":"2014-05-08T16:02:41","modified_gmt":"2014-05-08T19:02:41","slug":"estudo-de-professor-da-ufla-sobre-insetos-de-sexo-revertido-ganha-repercussao-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2014\/04\/24\/estudo-de-professor-da-ufla-sobre-insetos-de-sexo-revertido-ganha-repercussao-internacional\/","title":{"rendered":"Estudo de professor da UFLA sobre insetos de sexo revertido ganha repercuss\u00e3o internacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Neotrogla.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-34543\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Neotrogla-249x161.jpg\" alt=\"Neotrogla\" width=\"249\" height=\"161\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Neotrogla-249x161.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Neotrogla-612x396.jpg 612w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Neotrogla.jpg 623w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a>Uma descoberta de insetos que vivem em cavernas, cuja f\u00eamea possui um \u00f3rg\u00e3o genital caracteristicamente masculino, tem sido bastante difundida no meio cient\u00edfico em todo o mundo, devido ao ineditismo dessa situa\u00e7\u00e3o. A pesquisa teve in\u00edcio com o trabalho do professor Rodrigo Lopes Ferreira, do Departamento de Biologia (<a href=\"http:\/\/www.dbi.ufla.br\/\">DBI<\/a>) da Universidade Federal de Lavras (<a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/\">UFLA<\/a>). Foi ele quem descobriu as quatro esp\u00e9cies, do g\u00eanero <em>Neotrogla<\/em>, em cavernas de Minas Gerais, Bahia e Tocantins.<\/p>\n<p>Os primeiros achados foram em 1997, no Parque Nacional Cavernas do Perua\u00e7u, em Itacarambi, na regi\u00e3o norte de\u00a0Minas Gerais. Naquele momento, foram coletados insetos em fase de ninfa; os adultos, que medem cerca de 3 mil\u00edmetros de comprimento, foram coletados em 2003, e posteriormente estudados em pesquisa realizada por Tha\u00eds Oliveira do Carmo (que fazia mestrado em Ecologia Aplicada\/UFLA).<\/p>\n<p>Isso constituiu o primeiro achado de insetos da rara fam\u00edlia <em>Prionoglarididae<\/em> na Am\u00e9rica do Sul e a esp\u00e9cie recebeu o nome de <em>Neotrogla brasiliensis<\/em>. Outras esp\u00e9cies foram encontradas na Bahia (<em>Neotrogla truncata<\/em>) e Tocantins (<em>Neotrogla aurora<\/em>). Os insetos foram descritos pela primeira vez em 2010.<\/p>\n<figure id=\"attachment_34544\" aria-describedby=\"caption-attachment-34544\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/penis-feminino-neotrogla-curvata.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-34544\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/penis-feminino-neotrogla-curvata-249x174.jpg\" alt=\"\u00d3rg\u00e3o feminino da esp\u00e9cie Neotrogla curvata\" width=\"249\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/penis-feminino-neotrogla-curvata-249x174.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/penis-feminino-neotrogla-curvata-612x428.jpg 612w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/penis-feminino-neotrogla-curvata.jpg 1901w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-34544\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3rg\u00e3o feminino da esp\u00e9cie Neotrogla curvata<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa para reconhecimento do g\u00eanero e da morfologia foi feita por meio de parcerias internacionais. O entomologista Charles Lienhard, do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Genebra (Su\u00ed\u00e7a), fez a disseca\u00e7\u00e3o do <em>Neotrogla brasiliensis<\/em> e reconheceu o novo g\u00eanero e o aspecto incomum dos \u00f3rg\u00e3os. Os detalhes sobre a anatomia foram obtidos pelos entomologistas Kazunori Yoshizawa, da Universidade de Hokkaido, e Yoshitaka Kamimura, da Universidade de Keio (Jap\u00e3o). Os detalhes da descoberta vieram \u00e0 tona em artigo publicado no dia 17\/4 no peri\u00f3dico <em>Current Biology<\/em>.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira vez que um animal do sexo feminino \u00e9 identificado possuindo o \u00f3rg\u00e3o masculino, que recebeu o nome de ginossoma. Ao contr\u00e1rio do que se imagina, a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de \u00f3rg\u00e3o sexual n\u00e3o indica seu g\u00eanero; os\u00a0bi\u00f3logos\u00a0detectam o\u00a0sexo\u00a0da esp\u00e9cie segundo o tamanho dos gametas (c\u00e9lulas sexuais). A f\u00eamea contribui com o maior gameta, enquanto o macho tem o menor. Por isso, entre outras caracter\u00edsticas, o <em>Neotrogla<\/em> com o \u00f3rg\u00e3o caracteristicamente masculino foi identificado como f\u00eamea. Os machos possuem aberturas e s\u00e3o penetrados pela f\u00eamea, que suga esperma e alimento (fluidos seminais nutritivos).<\/p>\n<p>A invers\u00e3o do papel sexual j\u00e1 foi identificada em outros animais, mas o <em>Neotrogla<\/em> \u00e9 o primeiro exemplo em que o \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 trocado. Para os pesquisadores, a invers\u00e3o possivelmente foi impulsionada pelo ambiente desprovido de recursos (os insetos se alimentam de excrementos de morcegos e seus cad\u00e1veres). A f\u00eamea aproveitaria o acasalamento para obter nutrientes dos machos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_34545\" aria-describedby=\"caption-attachment-34545\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Rodrigo-Lopes-Ferreira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34545 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Rodrigo-Lopes-Ferreira-249x183.jpg\" alt=\"O professor Rodrigo Ferreira, do DBI\/UFLA\" width=\"249\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Rodrigo-Lopes-Ferreira-249x183.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Rodrigo-Lopes-Ferreira.jpg 343w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-34545\" class=\"wp-caption-text\">O professor Rodrigo Ferreira, do DBI\/UFLA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Agora, os cientistas pretendem criar as esp\u00e9cies em laborat\u00f3rio, a fim de identificar seu genoma e compar\u00e1-lo a de esp\u00e9cies parecidas. A informa\u00e7\u00e3o pode ajudar a ci\u00eancia a compreender como o desenvolvimento de \u00f3rg\u00e3os invertidos aconteceu, bem como testar hip\u00f3teses sobre sele\u00e7\u00e3o sexual, conflitos entre os sexos e evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Potencial para novas descobertas<\/strong><\/p>\n<p>O professor Rodrigo ressalta que as cavernas brasileiras possuem um grande potencial de explora\u00e7\u00e3o de fauna. \u201cH\u00e1 cerca de 12 mil cavernas cadastradas no Brasil, mas esse n\u00famero, segundo proje\u00e7\u00f5es de ge\u00f3logos, pode chegar a 150 mil. E, das cadastradas, s\u00f3 uma pequena parte foi inventariada. Isso revela o quanto ainda \u00e9 desconhecida a fauna das cavernas e o quanto ainda h\u00e1 para ser descoberto\u201d, analisa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_34546\" aria-describedby=\"caption-attachment-34546\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/toca-dos-ossos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34546 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/toca-dos-ossos-249x165.jpg\" alt=\"Uma das esp\u00e9cies foi registrada na Toca dos Ossos, em Ourol\u00e2ndia ( Bahia). Foto: Daniel Menin\" width=\"249\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/toca-dos-ossos-249x165.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/toca-dos-ossos-612x407.jpg 612w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/toca-dos-ossos.jpg 1598w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-34546\" class=\"wp-caption-text\">Uma das esp\u00e9cies foi registrada na Toca dos Ossos, em Ourol\u00e2ndia ( Bahia). Foto: Daniel Menin<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, ele teme que a falta de preserva\u00e7\u00e3o das cavernas possa levar ao desaparecimento precoce das esp\u00e9cies que as habitam: \u201cAt\u00e9 2008, a legisla\u00e7\u00e3o protegia integralmente todas as cavernas, mas naquele ano, um decreto criou quatro classifica\u00e7\u00f5es de relev\u00e2ncia, com crit\u00e9rios geol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos. Somente as cavernas que est\u00e3o no grau m\u00e1ximo s\u00e3o protegidas; as demais, podem ser at\u00e9 destru\u00eddas. Existe o risco de esp\u00e9cies desaparecerem antes de serem descobertas e estudadas\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p><strong>Veja alguns sites que destacaram a descoberta:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/d-brief\/2014\/04\/17\/in-brazilian-cave-insects-females-have-the-penis\/\"><strong>Discovery Magazine<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/tecnologia\/noticias\/cientistas-descobrem-o-primeiro-penis-feminino\"><strong>Exame<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/newswatch.nationalgeographic.com\/2014\/04\/17\/insects-caves-animals-sex-mating-science-brazil\/\"><strong>National Geographic<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/female-insect-uses-spiky-penis-to-take-charge-1.15064\"><strong>Nature<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2014\/04\/22\/science\/for-these-females-no-such-thing-as-penis-envy.html\"><strong>New York Times<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2014\/04\/inseto-femea-encontrado-no-brasil-tem-penis-e-penetra-macho.html\"><strong>Portal G1<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/news.sciencemag.org\/biology\/2014\/04\/scienceshot-females-sport-penises-genital-swapped-insects\"><strong>Science<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/female-insect-uses-spiky-penis-to-take-charge\/\"><strong>Scientific American<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma descoberta de insetos que vivem em cavernas, cuja f\u00eamea possui um \u00f3rg\u00e3o genital caracteristicamente masculino, tem sido bastante difundida no meio cient\u00edfico em todo o mundo, devido ao ineditismo dessa situa\u00e7\u00e3o. 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