{"id":30044,"date":"2014-02-24T16:15:38","date_gmt":"2014-02-24T19:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/?p=30044"},"modified":"2014-07-11T16:34:19","modified_gmt":"2014-07-11T19:34:19","slug":"estudante-com-deficiencia-visual-supera-dificuldades-conclui-o-curso-de-fisica-na-ufla-e-e-aprovado-para-o-mestrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2014\/02\/24\/estudante-com-deficiencia-visual-supera-dificuldades-conclui-o-curso-de-fisica-na-ufla-e-e-aprovado-para-o-mestrado\/","title":{"rendered":"Estudante com defici\u00eancia visual supera dificuldades, conclui o curso de F\u00edsica na UFLA e \u00e9 aprovado para o Mestrado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/image0051.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30046\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/image0051-249x166.jpg\" alt=\"image005\" width=\"249\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/image0051-249x166.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/image0051-612x408.jpg 612w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/image0051.jpg 850w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a>Entre os muitos formandos que se preparam para sair da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e ingressarem no mercado de trabalho &#8211; com o per\u00edodo letivo que chega ao fim neste m\u00eas &#8211; est\u00e1 Felipe Fortes Braz. Com uma defici\u00eancia visual que apenas lhe permite enxergar vultos durante o dia, originada de uma doen\u00e7a chamada retinose pigmentar, ele \u00e9 protagonista de uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o: concluiu o curso de Licenciatura em F\u00edsica, uma \u00e1rea complexa, em que a vis\u00e3o parece imprescind\u00edvel \u00e0 compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos; e prepara-se para iniciar o Mestrado, depois de ter sido aprovado em primeiro lugar no processo seletivo do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica para a turma de 2014.<\/p>\n<p>De acordo com o censo demogr\u00e1fico feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2010, mais de 45 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds informaram ter algum tipo de defici\u00eancia. Dessas, quase 6 milh\u00f5es t\u00eam a vis\u00e3o totalmente comprometida ou possuem grande dificuldade de enxergar. Pela representatividade do n\u00famero na popula\u00e7\u00e3o brasileira, temas como a acessibilidade e a inclus\u00e3o tornam-se preocupa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria tamb\u00e9m das universidades. Na UFLA, a miss\u00e3o de coordenar a evolu\u00e7\u00e3o nesses temas \u00e9 do N\u00facleo de Acessibilidade, criado em 2012.<\/p>\n<p><b>A trajet\u00f3ria de Felipe Braz<\/b><\/p>\n<p>O estudante conta que come\u00e7ou a apresentar a defici\u00eancia por volta dos 15 anos. Aos 20 anos, com boa parte da vis\u00e3o j\u00e1 comprometida, saiu de Santo Andr\u00e9 (SP), sozinho, para fazer o curso superior na UFLA. Depois de 4 anos e meio frequentando a Universidade, ele admite que foi uma maratona. \u201cTodo in\u00edcio de semestre era dif\u00edcil: apresentar-me aos professores, explicar a defici\u00eancia, dizer que eu precisava de alguns recursos, etc.\u201d, relata Br\u00e1s. \u201cDepois dessa fase, as coisas melhoravam um pouco, para recome\u00e7ar no semestre seguinte\u201d.<\/p>\n<p>O curso de F\u00edsica, com suas equa\u00e7\u00f5es e leis, ainda assusta grande parte dos alunos. N\u00e3o foi o caso de Br\u00e1s. Ele confessa que a primeira disciplina em laborat\u00f3rio foi um momento marcante. \u201cPensei: o que eu estou fazendo aqui?\u201d lembra Braz, explicando que a falta da vis\u00e3o parecia inviabilizar qualquer aprendizado naquele ambiente. Mas a ent\u00e3o professora do Departamento de Ci\u00eancias Exatas (DEX) Helena Libardi preparou uma metodologia que lhe garantiu a participa\u00e7\u00e3o naquele primeiro laborat\u00f3rio. A partir de ent\u00e3o,soube que era poss\u00edvel ir em frente. Explica em poucas palavras o motivo da escolha: \u201cEu sempre fui curioso e sempre gostei de F\u00edsica, desde menino\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo do curso, Braz encontrou outros professores que souberam lidar com a defici\u00eancia. \u201cNunca havia imaginado encontrar pela frente um aluno como o Felipe, mas hoje sou admirador da hist\u00f3ria desse menino\u201d, diz o professor do DEX Gilberto Lage. Ele tamb\u00e9m ministrou aulas em laborat\u00f3rios para Braz, e tomava o cuidado de repassar ao aluno, com anteced\u00eancia, tudo o que seria tratado na sala. Tateando os instrumentos, Braz conseguia acompanhar os conte\u00fados. O professor mant\u00e9m registro fotogr\u00e1fico da atua\u00e7\u00e3o do estudante, tamanho o envolvimento que desenvolveu com o assunto. \u201cO meu recurso foi sempre o de tentar me colocar no lugar dele; pensar na forma como eu gostaria de receber as informa\u00e7\u00f5es se estivesse em seu lugar\u201d.<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m professor do DEX Ant\u00f4nio Marcelo Martins Maciel explica que j\u00e1 possu\u00eda experi\u00eancia em lecionar para deficientes visuais; por isso, considerou tranquilo o contato com Braz. Ele ressalta que \u00e9 importante o docente ter algumas no\u00e7\u00f5es, como o fato de os prazos terem efeito diferente para o deficiente visual. \u201cAt\u00e9 pela quest\u00e3o do acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, eles precisam de mais tempo para preparar um trabalho, por exemplo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Se o aux\u00edlio dos professores \u00e9 importante, o papel dos amigos tamb\u00e9m parece ser fundamental. Br\u00e1s conta que fez verdadeiros parceiros, que o acompanhavam e estudavam com ele. Chegaram a formar um grupo de estudos. \u201cMeu software n\u00e3o l\u00ea os conte\u00fados; ent\u00e3o, os amigos liam para mim\u201d. Depois ele passou a ter um monitor selecionado pela Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o (PRG), o que considera um ganho no quesito acessibilidade.<\/p>\n<p>Apesar de vencidas as dificuldades, o formando enumera formas de as institui\u00e7\u00f5es se prepararem para receber alunos com defici\u00eancia visual. Ele diz que priorizaria o investimento na mobilidade, ressaltando que o estudante precisa chegar \u00e0 sala de aula, mas os degraus e os obst\u00e1culos ainda dificultam muito. Tamb\u00e9m diz ser importante que os professores se mostrem sempre sens\u00edveis \u00e0s dificuldades e busquem formas de dar acesso aos conte\u00fados. Sugere, por exemplo, que se tenha um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o em que os conte\u00fados possam ser transformados em \u00e1udio e utilizados pelo aluno, quando precisar, diminuindo a depend\u00eancia de algu\u00e9m que s\u00f3 pode fazer a leitura em determinados momentos.<\/p>\n<p>Esperando a chegada da fam\u00edlia e dos amigos para comemorarem a formatura, Braz j\u00e1 faz planos de continuar a caminhada acad\u00eamica e exercer futuramente a carreira de professor. A motiva\u00e7\u00e3o do formando pode ser resumida com a frase que disse aos alunos curiosos do Ensino M\u00e9dio quando fez est\u00e1gio: \u201ceu tinha vontade de estudar, algumas dificuldades (que eram super\u00e1veis) e o sonho de fazer F\u00edsica \u2013 foi assim que consegui.\u201d O estudante defendeu na sexta-feira (21\/2) seu trabalho de conclus\u00e3o de curso (&#8220;Defici\u00eancia visual e ensino superior: possibilidades e entraves&#8221;) e foi aprovado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/index.php\/2014\/02\/software-audiodescritor-de-imagens-e-desenvolvido-na-ufla-e-podera-colaborar-na-rotina-de-alunos-com-deficiencia-visual\/\"><span style=\"text-decoration: underline; line-height: 1.5em;\">Veja tamb\u00e9m: Software audiodescritor de imagens \u00e9 desenvolvido na UFLA e poder\u00e1 colaborar na rotina de alunos com defici\u00eancia visual<\/span><\/a><\/p>\n<p><b>A atua\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Acessibilidade<\/b><\/p>\n<p>Espa\u00e7o de discuss\u00e3o e proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas institucionais que possam promover a acessibilidade e tornar o ambiente acad\u00eamico acolhedor \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, o N\u00facleo tem tamb\u00e9m a proposta de ajudar na forma\u00e7\u00e3o dos novos professores, atuando nos cursos de licenciatura e estimulando a preocupa\u00e7\u00e3o com a inclus\u00e3o. Os trabalhos s\u00e3o coordenados pela professora Helena Libardi. \u00c9 composto de um Conselho com seis membros (quatro professores do DEX e dois do Departamento de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o). Recebe tamb\u00e9m o apoio de alunos dos cursos de Letras, Computa\u00e7\u00e3o e F\u00edsica.<\/p>\n<p>A professora Helena diz que ainda h\u00e1 muito a ser feito. No momento, os membros est\u00e3o elaborando o regimento interno e buscando conhecer e garantir os direitos dos alunos com defici\u00eancia. \u201cEstamos crescendo muito em boa vontade, evoluindo na parte arquitet\u00f4nica a cada semestre\u201d, avalia.\u00a0 Mas afirma tamb\u00e9m que \u201cainda restam barreiras atitudinais, as quais s\u00f3 ser\u00e3o removidas com palestras e momentos de sensibiliza\u00e7\u00e3o\u201d. A expectativa, segundo ela, \u00e9 tamb\u00e9m de cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas, que aumentem o n\u00famero de portadores de defici\u00eancia estudando na UFLA, e com condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade.<\/p>\n<p>Para os alunos que precisarem de apoio ou para qualquer membro da comunidade acad\u00eamica que deseje fazer contato com o N\u00facleo, o endere\u00e7o de e-mail \u00e9 <a href=\"mailto:naufla@praec.ufla.br\">naufla@praec.ufla.br<\/a>.<\/p>\n<p><b>Outros estudantes trilham caminhos parecidos<\/b><\/p>\n<p>Como Braz, outros alunos com defici\u00eancia est\u00e3o na UFLA n\u00e3o s\u00f3 cuidando de seus estudos, mas ajudando servidores, professores e colegas de turma a formarem a cultura da inclus\u00e3o. Como diz Nilmar Machado, estudante de Letras que tamb\u00e9m possui defici\u00eancia visual, \u00e0s vezes as pessoas ainda se rendem ao pensamento equivocado de que devem tratar um cidad\u00e3o com defici\u00eancia como um \u201cigual\u201d. \u201cNa verdade, se temos a defici\u00eancia, temos tamb\u00e9m necessidades de metodologias diferentes, por exemplo\u201d, explica. A conviv\u00eancia e a troca de experi\u00eancias com esses estudantes podem preparar a comunidade acad\u00eamica para a mudan\u00e7a de atitude.<\/p>\n<p>Machado tamb\u00e9m j\u00e1 cursou Direito em uma institui\u00e7\u00e3o privada e especializa\u00e7\u00e3o no Departamento de Educa\u00e7\u00e3o (DED\/UFLA).<\/p>\n<h5><span style=\"line-height: 1.5em;\">Confira na galeria de imagens fotos de Felipe Braz feitas durante as aulas de laborat\u00f3rio, sua participa\u00e7\u00e3o no Simp\u00f3sio Nacional do Ensino de F\u00edsica (Manaus\/AM), em est\u00e1gio na Escola Estadual Dora Matarazzo e defendendo seu TCC.<\/span><\/h5>\nngg_shortcode_0_placeholder\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os muitos formandos que se preparam para sair da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e ingressarem no mercado de trabalho &#8211; com o per\u00edodo letivo que chega ao fim neste m\u00eas &#8211; est\u00e1 Felipe Fortes Br\u00e1s. 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