{"id":2179,"date":"2009-06-18T14:07:00","date_gmt":"2009-06-18T14:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2009\/06\/registro-de-patentes-das-universidades-quadruplicou\/"},"modified":"2009-06-18T14:07:00","modified_gmt":"2009-06-18T14:07:00","slug":"registro-de-patentes-das-universidades-quadruplicou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2009\/06\/18\/registro-de-patentes-das-universidades-quadruplicou\/","title":{"rendered":"Registro de patentes das universidades quadruplicou"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>As grandes universidades ultrapassaram uma dezena de tradicionais empresas inovadoras e hoje s&atilde;o respons&aacute;veis pela maioria dos pedidos de patentes para novos produtos no Brasil. Entre 2001 e 2008, as maiores universidades protocolaram 1.359 solicita&ccedil;&otilde;es junto ao Instituto Nacional de Propriedade&nbsp;Industrial (INPI), superando os 933 pedidos das dez empresas que mais inovam. O resultado contraria a percep&ccedil;&atilde;o de que a academia n&atilde;o transforma conhecimento em produto.<\/p>\n<\/p>\n<p>Na d&eacute;cada de 90, as empresas superavam as universidades por larga vantagem quando o assunto era inova&ccedil;&atilde;o. Entre 1992 e 2000, as empresas brasileiras depositaram 1.029 patentes, contra 353 das universidades. Os dados fazem parte de um estudo da Prospectiva Consultoria ,que catalogou os pedidos de um grupo de dez empresas e dez universidades que mais inovam. O levantamento incluiu apenas as empresas de capital nacional.<\/p>\n<\/p>\n<p>Segundo Ricardo Sennes, diretor-executivo da Prospectiva, alguns fatores explicam a guinada das universidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas na inova&ccedil;&atilde;o: o governo aumentou o volume de recursos destinado as universidades; um novo arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico permitiu que o pesquisador recebesse parte dos royalties pelo invento; e as universidades est&atilde;o mais conscientes da import&acirc;ncia das patentes e criaram n&uacute;cleos especializados em auxiliar os pesquisadores no processo de solicita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<\/p>\n<p>&quot;O conhecimento que se cria na academia n&atilde;o &eacute; facilmente transferido para a sociedade. Estamos tentando promover uma mudan&ccedil;a cultural na universidade&quot;, disse Jos&eacute; Aranha Varela, diretor da ag&ecirc;ncia de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que foi criada em mar&ccedil;o de 2009, substituindo um n&uacute;cleo da universidade sobre o assunto, fundado em 2007.<\/p>\n<\/p>\n<p>Varela contou que a Unesp possui hoje 88 pedidos em an&aacute;lise no Inpi &#8211; o que significa um aumento de um ter&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o aos 50 pedidos que existiam em 2007, quando o n&uacute;cleo come&ccedil;ou suas atividades. Ele disse que a universidade incrementou o trabalho nessa &aacute;rea incentivada pela lei de inova&ccedil;&atilde;o e passou a oferecer aos pesquisadores 30% do que &eacute; arrecadado com as patentes.<\/p>\n<\/p>\n<p>Nas universidades, a maioria das patentes est&aacute; na &aacute;rea de sa&uacute;de: medicina, qu&iacute;mica, bioqu&iacute;mica, farm&aacute;cia, ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias e outras &aacute;reas correlatas. E tamb&eacute;m h&aacute; uma forte concentra&ccedil;&atilde;o no eixo Rio-S&atilde;o Paulo. &quot;A &aacute;rea que mais cresce &eacute; farm&aacute;cia, porque essas empresas realmente precisam das patentes para fazer valer seus investimentos. Tamb&eacute;m por isso procuram mais as universidades e querem os pesquisadores como parceiros&quot;, disse Maria Aparecida de Souza, diretora t&eacute;cnica de propriedade intelectual do Inova&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).<\/p>\n<\/p>\n<p>Na USP, existe um grupo para cuidar do requerimento de patentes desde 1986, mas que s&oacute; ganhou o status de ag&ecirc;ncia em 2005, o que trouxe mais verba e estrutura. Para incentivar os pesquisadores, a maior universidade do Brasil oferece 50% de participa&ccedil;&atilde;o nos royalties. Os pedidos de patentes deram um salto na USP: 34 em 2006, 82 em 2007 e 76 no ano passado. De janeiro a maio de 2009, j&aacute; foram registrados mais 15 pedidos.<\/p>\n<\/p>\n<p>Para Maria Aparecida, um importante fator de est&iacute;mulo para o professor patentear sua pesquisa ocorreu quando as ag&ecirc;ncias de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e a Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), passaram a considerar o n&uacute;mero de patentes na hora de aprovar financiamentos. Antes, valiam pontos apenas a publica&ccedil;&atilde;o de textos acad&ecirc;micos em revistas especializadas.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os especialistas elogiam o atual arcabou&ccedil;o de leis no pa&iacute;s para estimular a inova&ccedil;&atilde;o, mas dizem que ainda h&aacute; bastante a ser feito, principalmente para aproximar empresas e pesquisadores. Varela, da Unesp, critica o fato de as universidades p&uacute;blicas serem obrigadas a promover licita&ccedil;&otilde;es para fechar contrato com uma empresa depois de patenteado o produto, mesmo que uma empresa espec&iacute;fica esteja financiando a pesquisa desde o in&iacute;cio. &quot;No Brasil, os doutores est&atilde;o dentro das universidades e n&atilde;o nas empresas&quot;, disse Maria Aparecida, da USP.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os dados da Prospectiva apontam ainda que os pedidos de patentes das empresas s&atilde;o mais sens&iacute;veis &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do que nas universidades, que se financiam com recursos p&uacute;blicos. Em m&eacute;dia, as solicita&ccedil;&otilde;es de patentes pelas empresas se mant&ecirc;m est&aacute;veis ao longo tempo, mas h&aacute; um pico em 1996 e em 2006, com quedas significativas entre 1998 e 2002, per&iacute;odo que coincide com um fraco desempenho da economia brasileira, que desmotivou as empresas a investir em pesquisa.<\/p>\n<\/p>\n<p>No balan&ccedil;o geral de 1992 a 2008, as empresas ainda superam as universidades com 1.962 patentes depositadas no Inpi, contra 1.712. Na avalia&ccedil;&atilde;o dos especialistas, o problema &eacute; que as empresas n&atilde;o deslancharam suas pesquisas, apesar dos benef&iacute;cios tribut&aacute;rios previstos na Lei de Inova&ccedil;&atilde;o e na Lei do Bem. O desencanto com o processo de concess&atilde;o de patentes pode ser um fator de desest&iacute;mulo para as empresas. A pesquisa da Prospectiva apontou que o tempo m&eacute;dio de concess&atilde;o de patentes &eacute; de 5,8 anos. Alguns pedidos chegaram a demorar 11 anos.&nbsp;<\/p>\n<\/p>\n<p>De acordo com Sennes, dois pontos chamam a aten&ccedil;&atilde;o no ranking das empresas mais inovadoras: a amplitude de setores e a presen&ccedil;a de multinacionais brasileiras. &quot;Isso demonstra que presen&ccedil;a global e investimento em pesquisa e tecnologia caminham juntos&quot;, disse. Entre as companhias, a principal &aacute;rea de inova&ccedil;&atilde;o &eacute; a manufatura, com destaque para petr&oacute;leo, metalurgia, m&aacute;quinas e equipamentos.<\/p>\n<\/p>\n<p>A Petrobras aparece muito &agrave; frente como a empresa mais inovadora do pa&iacute;s, com 1.113 pedidos de patentes no Inpi ao longo do tempo. A estatal tamb&eacute;m possui 194 patentes concedidas e 83 em an&aacute;lise nos Estados Unidos. Fazem parte do ranking de patentes empresas ligadas &agrave; venda de commodities, como Vale, Usiminas e CSN, mas tamb&eacute;m est&atilde;o presentes a Grendene (cal&ccedil;ados) e a Natura (cosm&eacute;ticos). Nos &uacute;ltimos dois casos, o medo da pirataria, principalmente procedente da &Aacute;sia, pode ser um fator decisivo para investir em patentes.<\/p>\n<\/p>\n<p>O estudo da Prospectiva aponta uma queda abrupta do registro de patentes do pa&iacute;s em 2007 e 2008, mas os autores ressaltam que esses dados ainda s&atilde;o preliminares para serem considerados uma tend&ecirc;ncia, porque, segundo eles, as estat&iacute;sticas do Inpi s&atilde;o divulgadas com atraso.<\/p>\n<\/p>\n<p><em>Raquel Landim &#8211; Valor Econ&ocirc;mico, 12\/6<\/em><\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grandes universidades ultrapassaram uma dezena de tradicionais empresas inovadoras e hoje s&atilde;o respons&aacute;veis pela maioria dos pedidos de patentes para novos produtos no Brasil. 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