{"id":158539,"date":"2018-07-03T13:30:47","date_gmt":"2018-07-03T16:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufla.br\/dcom\/?p=158539"},"modified":"2021-09-20T16:50:32","modified_gmt":"2021-09-20T19:50:32","slug":"pesquisa-da-ufla-e-premiada-ao-desmistificar-movimento-antivacinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2018\/07\/03\/pesquisa-da-ufla-e-premiada-ao-desmistificar-movimento-antivacinas\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFLA \u00e9 premiada em evento ao desmistificar movimento antivacinas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/vacina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-28833 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/vacina-249x155.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"155\" srcset=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/vacina-249x155.jpg 249w, https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/vacina.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a>Com o alerta aceso para a queda dos \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desmistificaram um fen\u00f4meno sem base cient\u00edfica, mas que se populariza cada dia mais e amea\u00e7a a sa\u00fade: &nbsp;o movimento antivacinas.<\/p>\n<p>O estudo, realizado por estudantes de gradua\u00e7\u00e3o de Medicina, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora do Departamento da Sa\u00fade (DSA) Cynthia Silva, foi apresentado recentemente pela estudante J\u00falia Rezende Ribeiro no Congresso Mineiro de Pediatria, onde recebeu o pr\u00eamio Ennio Le\u00e3o. Desenvolvido com apoio da Liga Acad\u00eamica da Sa\u00fade da Mulher e da Crian\u00e7a (<em>Lasamc<\/em><em>\/<\/em><em>UFLA<\/em>), a pesquisa foi elaborada a partir de 22 artigos sobre o tema publicados em revistas cient\u00edficas nacionais e internacionais, notas da Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es. &nbsp;<\/p>\n<p>J\u00falia explica que, contr\u00e1rio ao que prega os partid\u00e1rios da n\u00e3o imuniza\u00e7\u00e3o, pesquisas cient\u00edficas confirmam as conquistas da vacina\u00e7\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias doen\u00e7as e redu\u00e7\u00e3o da mortalidade.&nbsp; \u201cGra\u00e7as \u00e0s vacinas, doen\u00e7as s\u00e9rias e altamente contagiosas foram quase erradicadas. Algumas, como a var\u00edola, praticamente n\u00e3o existem mais\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com J\u00falia , h\u00e1 diversos fatores que podem estar por tr\u00e1s do crescimento do movimento antivacinas. Um deles \u00e9 o esquecimento de doen\u00e7as s\u00e9rias e fatais que foram controladas no passado pela imuniza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \u201cAlgumas quase n\u00e3o s\u00e3o mais vistas hoje. Rub\u00e9ola e a poliomielite, por exemplo, foram erradicadas no Brasil. Ent\u00e3o, parte da popula\u00e7\u00e3o, principalmente aqueles que vivem em melhores condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e de sa\u00fade, esquece dos benef\u00edcios da vacina\u00e7\u00e3o e enfoca apenas nos efeitos adversos\u201d, critica.<\/p>\n<p>Outro motivo da queda na vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na internet. As redes sociais s\u00e3o um dos principais meios de propaga\u00e7\u00e3o das ideias do movimento antivacinas, muitas vezes, atrelados a site e blogs com conte\u00fado de baixa credibilidade. \u201cA popula\u00e7\u00e3o busca grande parte das informa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas na internet, o que faz o movimento ganhar for\u00e7a entre os leigos no assunto. Por exemplo, pelo menos 13 mil pessoas integram um dos grupos fechados no Facebook sobre o tema\u201d, informa.<\/p>\n<p>Consequentemente, temerosos, muitos pais se recusam em vacinar seus filhos. As justificativas v\u00e3o desde o medo das rea\u00e7\u00f5es adversas da vacina, \u00e0 cren\u00e7a de que a imuniza\u00e7\u00e3o adquirida com a doen\u00e7a seria melhor do que a adquirida com a imuniza\u00e7\u00e3o; al\u00e9m de que as pol\u00edticas de vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o autorit\u00e1rias e que as vacinas s\u00e3o fabricadas para gerar lucro para a ind\u00fastria farmac\u00eautica.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o movimento antivacinas no Brasil vem arrebanhado seguidores e explica o porqu\u00ea da queda da cobertura de vacina\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as como caxumba, sarampo e rub\u00e9ola ano a ano. Dados apurados pela estudante da UFLA apontaram redu\u00e7\u00e3o nas taxas de vacina\u00e7\u00e3o em muitos dos estados brasileiros. \u201cA taxa de imuniza\u00e7\u00e3o das camadas mais ricas chega a ser menor que entre os mais pobres\u201d, conta a estudante de Medicina.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia preocupa autoridades p\u00fablicas e profissionais da sa\u00fade por causar risco de surtos e epidemias de doen\u00e7as fatais.&nbsp;&nbsp; \u201cQuando uma pessoa deixa de ser vacinada, cria-se um grupo de pessoas suscet\u00edveis a contrair a doen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 caso apenas de escolha pessoal, vira problema de sa\u00fade p\u00fablica. Quem prefere deixar de se vacinar, coloca em risco aqueles que n\u00e3o podem ser imunizados, como pessoas com doen\u00e7as imunossupressoras, crian\u00e7as transplantadas e al\u00e9rgicos a componentes das vacinas\u201d, esclarece J\u00falia.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu no Cear\u00e1 e em Pernambuco entre 2013 e 2015. Por cerca de dez anos, o Brasil n\u00e3o tinha um \u00fanico caso de sarampo aut\u00f3ctone (de origem local). Os poucos epis\u00f3dios decorriam de pessoas que vinham do exterior. Mas, em 2013, houve uma queda na vacina\u00e7\u00e3o de sarampo, seguida de um surto que se espalhou entre os dois estados.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 reconhecido no mundo inteiro por seu programa de vacina\u00e7\u00e3o, que disponibiliza vacinas gratuitamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o por meio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Criado em 1973, o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI) foi refor\u00e7ado com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, e, desde essa \u00e9poca, a cobertura das vacinas sem custos subiu de quatro para 27 tipos oferecidos.&nbsp;<\/p>\n<p>O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente ainda determina que os pais vacinem seus filhos de acordo com a faixa et\u00e1ria. \u201cO problema \u00e9 que o Pa\u00eds n\u00e3o teve uma legisla\u00e7\u00e3o firme. Se ningu\u00e9m denunciar quem escolheu n\u00e3o se vacinar, a pessoa n\u00e3o \u00e9 punida. \u00c9 da autonomia de cada um\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Movimento contagioso<\/strong><\/p>\n<p>O movimento antivacinas ganhou for\u00e7a no mundo a partir de 1997, quando o m\u00e9dico ingl\u00eas Andrew Wakefield publicou um estudo que relacionava a vacina Tr\u00edplice Viral (contra sarampo, caxumba e rub\u00e9ola) ao autismo.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudiosos refizeram pesquisas cient\u00edficas e nunca encontraram liga\u00e7\u00e3o entre essa vacina e o autismo. \u201cNa verdade, foi provado por uma comiss\u00e3o de \u00e9tica que o pesquisador fraudou dados de seu estudo\u201d, lembra J\u00falia. Wakefield teve sua licen\u00e7a m\u00e9dica cassada e o estudo foi retirado das publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, apesar do descr\u00e9dito do estudo, a teoria se espalhou, sobretudo, na internet entre pais receosos de que a vacina pudesse causar problemas a seus filhos.<\/p>\n<p>No Brasil, a onda antivacinas tamb\u00e9m ganhou visibilidade em 2014 quando, ap\u00f3s vacina\u00e7\u00e3o contra HPV, algumas adolescentes associaram a imuniza\u00e7\u00e3o \u00e0 paralisia dos membros inferiores. \u201cAp\u00f3s estudos, n\u00e3o foi provada nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre os eventos de paralisia e a vacina\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta J\u00falia Rezende Ribeiro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pesquisa da UFLA \u00e9 premiada ao desmistificar movimento antivacinas\" width=\"474\" height=\"267\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CNTUaDxkKck?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h5><strong><em>Pollyanna Dias, jornalista- bolsista Dcom\/Fapemig<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/h5>\n<h5><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o do V\u00eddeo: Mayara Toyama &#8211; bolsista Dcom\/Fapemig<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/h5>\n<p>Esse conte\u00fado de populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia foi produzido com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa de Minas Gerais &#8211; Fapemig.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o alerta aceso para a queda dos \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desmistificaram (&#8230;)<\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[8,1],"tags":[166,896,2126,2127,169,237],"class_list":["post-158539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque","category-noticias","tag-estudantes","tag-ex-alunos","tag-ingressantes","tag-internacional","tag-pesquisa-2","tag-servidores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158539"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":159202,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158539\/revisions\/159202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}