{"id":1540,"date":"2008-05-19T00:00:00","date_gmt":"2008-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/05\/fim-do-vestibular\/"},"modified":"2008-05-19T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-19T00:00:00","slug":"fim-do-vestibular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/05\/19\/fim-do-vestibular\/","title":{"rendered":"Fim do vestibular?"},"content":{"rendered":"<p>Alunos, professores e especialistas avaliam se a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 justa ou n\u00e3o para o ingresso de jovens no ensino superior<\/p>\n<p>Est\u00e3o abertas as inscri\u00e7\u00f5es para v\u00e1rios vestibulares do pa\u00eds. Com isso, vem \u00e0 tona o debate sobre o vestibular como a principal forma de ingresso na universidade. E n\u00e3o s\u00e3o apenas os cansados estudantes do ensino m\u00e9dio ou de cursinhos que acham o vestibular uma forma injusta de sele\u00e7\u00e3o. Alguns especialistas tamb\u00e9m questionam essa forma de acesso ao ensino superior e at\u00e9 prop\u00f5em alternativas. Mas, por enquanto, \u00e9 o processo seletivo adotado pela grande maioria das universidades do Brasil. Embora a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o fa\u00e7a essa exig\u00eancia. Ela apenas determina que as institui\u00e7\u00f5es precisam admitir os estudantes por meio de sele\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o define modelos. <\/p>\n<p>Uma das principais cr\u00edticas feitas ao vestibular \u00e9 quanto ao privil\u00e9gio de alunos que podem pagar por col\u00e9gios de ensino m\u00e9dio ou cursinhos preparat\u00f3rios, enquanto o ensino p\u00fablico n\u00e3o consegue criar condi\u00e7\u00f5es para que seus alunos se saiam bem. \u201cO vestibular \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 boa porque a preponder\u00e2ncia da quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 muito grande\u201d, avalia o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras\u00edlia Pedro Demo. <\/p>\n<p>\u201cAcho que o vestibular \u00e9 justo, mas n\u00e3o no nosso pa\u00eds, que \u00e9 cheio de desigualdades\u201d, concorda Karla Gabriela Silva de Ara\u00fajo, 22 anos. <\/p>\n<p>Para a presidente do centro de sele\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), Luciana Freire, o vestibular ainda \u00e9 a forma mais democr\u00e1tica de acesso ao ensino superior. \u201cUma quest\u00e3o muito forte nas universidades p\u00fablicas \u00e9 o n\u00famero de vagas, que n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a demanda. Nesse sentido, o vestibular ainda \u00e9 a forma mais justa de ingresso porque h\u00e1 a possibilidade de concorr\u00eancia para todos. Existem diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00e3o de ensino, de forma\u00e7\u00e3o, mas no momento de realiza\u00e7\u00e3o da prova, ela \u00e9 igualit\u00e1ria porque n\u00e3o h\u00e1 favorecimento de ningu\u00e9m, todos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de concorrer\u201d, justifica Luciana. <\/p>\n<p>No Brasil, de acordo com o \u00faltimo Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, realizado pelo Inep em 2006, foram oferecidas 2.629.598 vagas no ensino superior para 5.629.698 estudantes inscritos em processos seletivos. <\/p>\n<p>Segundo o professor Pedro Demo, a quest\u00e3o das vagas realmente \u00e9 um problema. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para comparar com outros pa\u00edses. Aqui falta vagas no ensino superior gratuito e sobram nas particulares. Na Europa, por exemplo, as universidades s\u00e3o todas p\u00fablicas e gratuitas. No Brasil, vamos ter que continuar suportando o vestibular\u201d, explica. Para ele, algumas universidades apontam avan\u00e7os, como as que adotam os programas de avalia\u00e7\u00e3o seriada e aquelas que fazem provas discursivas ou de reda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rico escolar vale a pena?<\/p>\n<p>Alguns modelos de sele\u00e7\u00e3o, como o norte-americano, levam em considera\u00e7\u00e3o o desempenho do aluno ao longo de seus anos escolares e a realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas, o que na vis\u00e3o de muitos estudantes seria mais adequado. <\/p>\n<p>\u201cO vestibular \u00e9 usado aqui porque n\u00e3o tem espa\u00e7o para todos no ensino superior. Mas acho que pelo hist\u00f3rico escolar seria bem melhor. Eu n\u00e3o sei se iria para uma boa universidade porque fui um aluno mediano, mas acho que se fosse assim os alunos seriam incentivados a estudar sempre, e n\u00e3o s\u00f3 para o vestibular\u201d, acredita o estudante de cursinho Raiony Farias de Souza, 17 anos. <\/p>\n<p>Segundo especialistas, esse tipo de processo n\u00e3o daria certo no Brasil por v\u00e1rios fatores. \u201c Seria preciso haver maior oferta de vagas e maior homogeneidade no ensino m\u00e9dio e fundamental em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade e \u00e0 estrutura. O sistema educacional do Brasil \u00e9 diferente e outra forma de sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria poss\u00edvel\u201d, avalia Luciana Freire. <\/p>\n<p>O gerente de intera\u00e7\u00e3o educacional do Centro de Sele\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o de Eventos da Universidade de Bras\u00edlia (Cespe), Ricardo Gauche, aponta outros impedimentos. \u201cLevando-se em conta a emiss\u00e3o de documentos em nosso pa\u00eds, n\u00e3o temos ainda a seguran\u00e7a exigida em processos seletivos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s entrevistas, n\u00e3o h\u00e1 como faz\u00ea-las, por absoluta falta de recursos humanos e objetividade exigida no processo. \u00c9 fundamental distinguir avalia\u00e7\u00e3o seletiva de avalia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica\u201d, argumenta Ricardo. <\/p>\n<p>Provas sem decoreba<\/p>\n<p>Embora acreditem que o vestibular seja ainda a principal forma poss\u00edvel de sele\u00e7\u00e3o no Brasil, os especialistas avaliam que ele precisa ser revisto e garantem que alguns avan\u00e7os j\u00e1 foram conquistados. Entre eles est\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o em preparar provas que levem os alunos a refletir e n\u00e3o apenas memorizar os conte\u00fados. Outra conquista s\u00e3o os processos de avalia\u00e7\u00e3o seriada, visto com bons olhos por universidades, alunos e estudiosos do assunto. Al\u00e9m disso, algumas universidades t\u00eam se aproximado do ensino m\u00e9dio para que as provas fiquem mais semelhantes \u00e0 realidade dos alunos e professores. <\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o seriada<\/p>\n<p>Algumas institui\u00e7\u00f5es, como a Universidade de Bras\u00edlia(UnB), a Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e a Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), adotaram processos seletivos seriados al\u00e9m do vestibular tradicional. Nesse tipo de avalia\u00e7\u00e3o, mede-se o conhecimento do aluno em cada ano do ensino m\u00e9dio. \u201cO Programa de Avalia\u00e7\u00e3o Seriada (PAS) \u00e9 uma oportunidade \u00edmpar para os candidatos aos diversos cursos da UnB, j\u00e1 que, sendo durante todo o ensino m\u00e9dio, permite uma auto-avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, com amplas oportunidades de supera\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, considera Ricardo Gauche. <\/p>\n<p>Para o vestibulando Jos\u00e9 R. Lopes Moreira, 19 anos, \u201co PAS \u00e9 a melhor coisa que existe, porque cobra o que o estudante sabe em cada ano. Acho que se os alunos soubessem o quanto \u00e9 melhor, levariam mais a s\u00e9rio e estudariam desde o primeiro ano\u201d. <\/p>\n<p>Nova abordagem<\/p>\n<p>Ainda hoje, algumas universidades insistem em aplicar provas que exigem do aluno apenas a memoriza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado visto em sala de aula, mas algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam buscado outros caminhos, elaborando provas que exigem an\u00e1lise e reflex\u00e3o e n\u00e3o apenas conhecimento. Com essa abordagem, as universidades pretendem tamb\u00e9m provocar uma mudan\u00e7a no ensino m\u00e9dio, que muitas vezes tem se restringido \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o vestibular e abandonando os reais prop\u00f3sitos da educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Para isso, a Universidade de Bras\u00edlia, por exemplo, define os objetos de avalia\u00e7\u00e3o em conjunto com os professores do ensino m\u00e9dio, com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais, o que aproxima a avalia\u00e7\u00e3o da realidade dos candidatos. \u201cO vestibular convencional n\u00e3o \u00e9 a melhor forma para selecionar estudantes\u201d, diz Ricardo Gauche. Ele afirma que a UnB tem procurado melhorar o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido nos sistemas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e de ensino superior. <\/p>\n<p>Segundo Luciana Freire, essa tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o da UFG. \u201cFrisamos muito com as escolas, tanto p\u00fablicas quanto particulares, que o ensino m\u00e9dio tem um papel na vida do estudante para al\u00e9m do vestibular, um papel de forma\u00e7\u00e3o. O vestibular n\u00e3o pode ser o fim do ensino m\u00e9dio. Penso que mudar essa mentalidade \u00e9 necess\u00e1rio\u201d. <\/p>\n<p>\u201cEu acho que a educa\u00e7\u00e3o como um todo precisa ser reformulada. O ensino m\u00e9dio hoje s\u00f3 quer que o aluno passe no vestibular\u201d, avalia a estudante Laryssa Albuquerque Martins, 17 anos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos, professores e especialistas avaliam se a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 justa ou n\u00e3o para o ingresso de jovens no ensino superior Est\u00e3o abertas as inscri\u00e7\u00f5es para v\u00e1rios vestibulares do pa\u00eds. Com isso, vem \u00e0 tona o debate sobre o vestibular como a principal forma de ingresso na universidade. 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