{"id":1391,"date":"2008-03-18T00:00:00","date_gmt":"2008-03-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/03\/para-andifes-expansao-das-federais-nao-afeta-qualidade\/"},"modified":"2008-03-18T00:00:00","modified_gmt":"2008-03-18T00:00:00","slug":"para-andifes-expansao-das-federais-nao-afeta-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/03\/18\/para-andifes-expansao-das-federais-nao-afeta-qualidade\/","title":{"rendered":"Para Andifes, expans\u00e3o das federais n\u00e3o afeta qualidade"},"content":{"rendered":"<p>Reuni pretende aumentar de 149.042 para 227.260 as vagas nas federais <\/p>\n<p>Para repercutir o impacto das mudan\u00e7as promovidas pelo Reuni, o Universia ouviu ex-ministros, reitores e dirigentes do Ensino Superior brasileiro<\/p>\n<p>O aumento no n\u00famero de alunos matriculados nas universidades federais n\u00e3o significar\u00e1 queda na qualidade do ensino. N\u00e3o apenas o governo pensa assim como tamb\u00e9m as pr\u00f3prias universidades. O crescimento na rela\u00e7\u00e3o professor\/aluno \u00e9 uma das metas previstas no Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais). Essa rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 atualmente na faixa de 12 alunos por professor e a proposta \u00e9 chegar at\u00e9 2012 a 18 alunos por professor. Segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior), o aumento dessa rela\u00e7\u00e3o, proposto no Reuni, \u00e9 compat\u00edvel com a capacidade das institui\u00e7\u00f5es federais. Na \u00faltima quinta-feira, 13 de mar\u00e7o, os reitores de 53 universidades federais estiveram em Bras\u00edlia para a assinatura do Acordo de Metas do Reuni. Clique aqui e veja as principais diretrizes e metas do Reuni.<\/p>\n<p>&#8216;Al\u00e9m da verba para contratar mais professores e t\u00e9cnicos administrativos que d\u00eaem sustentabilidade ao projeto, acredito que o n\u00famero de alunos por professores \u00e9 razo\u00e1vel para a realidade das universidades federais. Ainda que haja um aumento expressivo, os professores v\u00e3o dar conta e os acordos ser\u00e3o integralmente cumpridos&#8217;, disse Ciloni. O Reuni \u00e9 um bra\u00e7o do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o) do governo federal, que, com ele, pretende, entre outras coisas, reduzir a taxa de evas\u00e3o nas federais, aumentar n\u00famero de vagas nessas institui\u00e7\u00f5es e promover modifica\u00e7\u00f5es nas estruturas acad\u00eamicas. No Acordo de Metas assinado em Bras\u00edlia, a quest\u00e3o da evas\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o professor\/aluno s\u00e3o dois duas das principais condi\u00e7\u00f5es a serem cumpridas para que as universidades tenham acesso ao dinheiro investido.<\/p>\n<p>O Reuni foi desenvolvido para trabalhar a partir de tr\u00eas pilares: melhorar o acesso \u00e0s federais, garantir a forma\u00e7\u00e3o ao combater a evas\u00e3o universit\u00e1ria e aumentar a qualidade dos cursos. Para isso, o governo federal quer melhorar o aproveitamento das estruturas f\u00edsicas e de recursos humanos existentes nas suas universidades. Esses prop\u00f3sitos se traduzem em n\u00fameros. A meta \u00e9 aumentar a quantidade de cursos de gradua\u00e7\u00e3o presencial, que hoje s\u00e3o 2.570, para 3.601 at\u00e9 2012. Dessa forma, o governo espera fazer crescer as vagas dispon\u00edveis no sistema federal. Hoje s\u00e3o 149.042 vagas e a meta \u00e9 elev\u00e1-las para 227.260, em 2012. Outra ponta de atua\u00e7\u00e3o do governo federal diz respeito aos cursos noturnos. H\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial com rela\u00e7\u00e3o aos cursos noturnos porque muitos estudantes em potencial deixam de fazer cursos de gradua\u00e7\u00e3o porque precisam trabalhar durante o dia e s\u00f3 teriam oportunidade de estudar \u00e0 noite. Por isso, o Reuni pretende aumentar a oferta de cursos noturnos dos atuais 725 e chegar at\u00e9 2012 a 1.299 cursos noturnos. Al\u00e9m disso, quer fazer crescer as vagas nesses cursos e elevar as atuais 38.711 vagas existentes hoje para 79.215 em 2012.<\/p>\n<p>Para dar conta dessa nova demanda o governo vai investir R$ 2 bilh\u00f5es para o per\u00edodo que vai de 2007 a 2012. Uma parte dessa verba, R$ 250 milh\u00f5es, j\u00e1 foi liberada em dezembro. No que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o da evas\u00e3o, o Reuni pretende baixar o \u00edndice atual de 40% de evas\u00e3o universit\u00e1ria para 10% at\u00e9 2012. O Reuni tamb\u00e9m abrange a quest\u00e3o dos cursos de licenciatura, aqueles dedicados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores. A estrat\u00e9gia do governo \u00e9 usar o Reuni e toda a expans\u00e3o que ele prop\u00f5e em benef\u00edcio do Ensino B\u00e1sico. Segundo dados do MEC, existe um d\u00e9ficit de 246 mil professores na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Dessa forma o MEC pretende elevar os 931 cursos de licenciatura oferecidos pelas universidades federais para 1.198 at\u00e9 2012. Mais cursos e mais vagas tamb\u00e9m, a meta do governo \u00e9 subir de 49.551 as vagas hoje dispon\u00edveis para 71.191.<\/p>\n<p>Para atender as novas demandas, a contrata\u00e7\u00e3o de professores de Ensino Superior tamb\u00e9m passa a ser uma meta quando se fala em tantos aumentos nos cursos e nas vagas dispon\u00edveis nas federais. Por isso mesmo, o Reuni estabelece a contrata\u00e7\u00e3o pelas federais de 13.276 de professores. De acordo com Ciloni, o valor do investimento \u00e9 suficiente para promover as mudan\u00e7as necess\u00e1rias ao alcance das metas propostas no Reuni. &#8216;Os R$ 2 bilh\u00f5es a mais foi um verba proposta pelas pr\u00f3prias universidades, n\u00e3o foi o governo que a estabeleceu. N\u00f3s fizemos as contas e estabelecemos os crit\u00e9rios. Creio que, com certeza, com a economia estabilizada e a infla\u00e7\u00e3o baixa, o cen\u00e1rio \u00e9 amplamente favor\u00e1vel. Claro que \u00e9 preciso um acompanhamento para algum reajuste. Mas n\u00f3s fizemos os c\u00e1lculos dentro daquilo que consideramos necess\u00e1rio para o governo atender&#8217;, declarou o dirigente. <\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Superior do MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o), Ronaldo Mota, garantiu que al\u00e9m do dinheiro investido, haver\u00e1 uma modifica\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento das federais para contemplar o custeio que os novos cursos e alunos implicar\u00e3o para as federais. Esse valor, segundo Mota, pode ultrapassar os R$ 2 bilh\u00f5es investidos, o que elevaria o or\u00e7amento das federais para algo acima dos R$ 12 bilh\u00f5es at\u00e9 2012.<\/p>\n<p>Mota negou ainda que as metas para diminui\u00e7\u00e3o da evas\u00e3o nas federais signifiquem a ado\u00e7\u00e3o de sistemas que facilitem a aprova\u00e7\u00e3o dos estudantes para que assim, eles permane\u00e7am estimulados a manter o curso at\u00e9 o fim. O secret\u00e1rio diz que essa \u00e9 uma &#8216;leitura equivocada&#8217; da meta. Segundo ele, respeitada a autonomia das institui\u00e7\u00f5es, h\u00e1 &#8216;maneira simples&#8217; de cumprir as metas de evas\u00e3o, que o governo pretende que caiam a 10% at\u00e9 2012. Hoje, esse \u00edndice de evas\u00e3o gira, segundo proje\u00e7\u00f5es do MEC, na faixa dos 40%. &#8216;Voc\u00ea pode estimular a transfer\u00eancia de alunos para cursos onde h\u00e1 evas\u00e3o. Especialmente para alunos de institui\u00e7\u00f5es particulares, que passariam por um processo eletivo junto ao colegiado do curso em quest\u00e3o. Essa \u00e9 uma maneira simples e que n\u00e3o traz preju\u00edzo para a qualidade&#8217;, afirma ele. Mota tamb\u00e9m citou o aumento no leque de disciplinas, com \u00eanfase nos cursos noturnos, como fator contribuinte \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o na evas\u00e3o.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio explicou que a distribui\u00e7\u00e3o do investimento nas federais foi pensada de maneira a proporcionar \u00e0s menores institui\u00e7\u00f5es maiores possibilidades de crescimento. Assim, as universidades classificadas como de pequeno porte, aquelas com menos de mil professores, t\u00eam a possibilidade de explorar at\u00e9 50% do valor de seu or\u00e7amento dentro da verba investida. As maiores poder\u00e3o explorar at\u00e9 20% do valor de seu or\u00e7amento. &#8216;Isso dar\u00e1 \u00e0s menores universidades a oportunidade de crescer proporcionalmente mais&#8217;, diz o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ciloni comentou um ponto que foi alvo de cr\u00edtica feita pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, Crist\u00f3vam Buarque, de que o Reuni n\u00e3o resolver\u00e1 o problema do acesso ao Ensino Superior no longo prazo. Para Buarque, o governo s\u00f3 resolve o problema do acesso ao Ensino Superior quando trabalhar na educa\u00e7\u00e3o de base. Para Ciloni, o Reuni acabar\u00e1 por beneficiar o Ensino B\u00e1sico e M\u00e9dio. &#8216;O impacto que a expans\u00e3o ter\u00e1 em termos de retorno para a sociedade \u00e9 outra quest\u00e3o importante. As universidades federais estar\u00e3o mais aptas para formar mais alunos e mais professores. Assim, os governos municipais, estaduais e federais ter\u00e3o mais m\u00e3o-de-obra qualificada a sua disposi\u00e7\u00e3o para recuperar o ensino p\u00fablico b\u00e1sico&#8217;, aposta o dirigente.<\/p>\n<p>Para ex-ministros, Reuni n\u00e3o resolve o problema <\/p>\n<p>Com reservas, Cristovam Buarque e Paulo Renato d\u00e3o cr\u00e9dito a projeto <\/p>\n<p>Do lado de fora do governo, ex-ministros enxergam o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais) como uma possibilidade de resolver problemas de ordem administrativa das Ifes (Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior). Por outro lado, ex-comandantes da pasta n\u00e3o o consideram suficiente para transformar a educa\u00e7\u00e3o da maneira necess\u00e1ria para a evolu\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. <\/p>\n<p>De um lado, sobram cr\u00edticas \u00e0 falta de interesse federal para ampliar as medidas restritas \u00e0s universidades para todo o sistema de ensino, como o Ensino B\u00e1sico e Ensino M\u00e9dio, a fim de favorecer o acesso ao Ensino Superior. Do outro, protestos \u00e0 lentid\u00e3o com o que governo se dirige a um novo modelo de educa\u00e7\u00e3o como o adotado pelos Estados Unidos e a Europa (Tratado de Bolonha) que visam reformular a universidade para formar cidad\u00e3os mais cr\u00edticos e com vis\u00e3o de mundo, em detrimento de profissionais que apenas buscam mais um lugar ao sol no mercado de trabalho. <\/p>\n<p>&#8216;O Reuni \u00e9 um bom projeto, mas daqui a dez anos vamos olhar para nosso Ensino Superior e ver que continuamos atrasados em rela\u00e7\u00e3o a outros continentes e pa\u00edses que adotaram um novo modelo de universidade que realmente trar\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o social como \u00e9 o caso da Europa e dos Estados Unidos. Hoje, o Reuni cria medidas que pretendem organizar o trabalho das Ifes (Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior) quando na verdade deveria voltar os olhos para a educa\u00e7\u00e3o como um todo para promover uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acho que o projeto \u00e9 ruim. \u00c9 como a lei do ventre-livre: ela era boa, mas n\u00e3o abolia a escravatura&#8217;, destaca o ex-ministro Cristovam Buarque. <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do ex-ministro Paulo Renato Souza, que chefiou o MEC na gest\u00e3o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se o governo federal n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as que o cen\u00e1rio internacional faz no quesito educa\u00e7\u00e3o, certamente ficaremos para tr\u00e1s. Ele acrescenta, por\u00e9m, que para promover verdadeira transforma\u00e7\u00e3o social a partir de um novo modelo de universidade, este modelo deveria ser debatido com o mercado, pois sem flexibiliza\u00e7\u00e3o na regulamenta\u00e7\u00e3o das profiss\u00f5es e do perfil do profissional exigido, transformar os curr\u00edculos das universidades com modelos em ciclos n\u00e3o seria o suficiente. &#8216;S\u00e3o necess\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es entre universidade e mercado. \u00c9 preciso que os objetivos estejam alinhados para o sucesso de uma transforma\u00e7\u00e3o com este peso. Sem esta sinaliza\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a na universidade e articula\u00e7\u00e3o com o mercado certamente ficaremos para tr\u00e1s&#8217;, diz. <\/p>\n<p>Buarque acredita, por\u00e9m, que a grande prioridade do governo federal deveria ser repensar o conceito de universidade e voltar os olhos para o grande problema da exclus\u00e3o de jovens que vem da rede p\u00fablica, mal formados por um ensino Fundamental e M\u00e9dio decadente. Na opini\u00e3o dele, ainda que a educa\u00e7\u00e3o nestes n\u00edveis seja de responsabilidade municipal ou estadual, o governo federal, mais do que se preocupar com quest\u00f5es pol\u00edticas e administrativas do sistema, deveria atender aos alunos para garantir amplo acesso ao Ensino Superior. &#8216;Enquanto a preocupa\u00e7\u00e3o for atender s\u00f3 ao sistema que cabe ao governo e, ainda assim, uma pequena parcela como \u00e9 o caso das Ifes, n\u00e3o veremos a transforma\u00e7\u00e3o de que o Brasil tanto precisa&#8217;, lamenta o ex-ministro.<\/p>\n<p>Para Buarque, ainda que modificar o conceito de universidade e interferir no Ensino B\u00e1sico e M\u00e9dio sejam grandes transforma\u00e7\u00f5es, essas s\u00e3o bandeiras que deveriam ser levantadas pelo governo federal. Especialmente quando projetos como o Reuni s\u00e3o criados e tido como transformadores. &#8216;O Reuni \u00e9 um bom projeto, mas que mostra outra vez a lentid\u00e3o com que o governo Lula caminha para tomar decis\u00f5es e propor transforma\u00e7\u00f5es importantes do ponto de vista social. O governo n\u00e3o interfere nos outros n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o porque isso n\u00e3o d\u00e1 voto. Ele n\u00e3o tem como creditar a si o sucesso ou o fracasso dos projetos, ent\u00e3o ele n\u00e3o interfere. Quem d\u00e1 voto \u00e9 universit\u00e1rio. Quem tem peso pol\u00edtico \u00e9 reitor. Enquanto isso, o ensino Fundamental e M\u00e9dio continuam sucateados e os alunos exclu\u00eddos. Seria preciso \u00b4federalizar\u00b4 o Ensino Fundamental e M\u00e9dio e criar um Minist\u00e9rio para isso&#8217;, opina Buarque.<\/p>\n<p>Entre os pontos positivos do Reuni, os ex-ministros citam o aumento da propor\u00e7\u00e3o de alunos por professor e das vagas a serem oferecidas no per\u00edodo noturno. &#8216;Na minha \u00e9poca essa propor\u00e7\u00e3o era de oito alunos por professor, conseguimos chegar at\u00e9 o patamar de 12 alunos, que ainda \u00e9 confort\u00e1vel demais. Com o aumento, poderemos explorar mais o potencial dos professores e nos aproximarmos do patamar internacional. Sem d\u00favida, esse aumento de alunos \u00e9 favor\u00e1vel&#8217;, acredita Paulo Renato. Para Buarque, o aumento de vagas no per\u00edodo noturno tamb\u00e9m \u00e9 outro fator positivo porque ele democratiza o acesso ao possibilitar o ingresso na universidade por estudantes que sequer pensariam em prestar vestibular, caso as vagas noturnas n\u00e3o existissem. &#8216;Alegro-me em dizer que em meus tempos de reitor da UnB (Universidade de Bras\u00edlia) fui o primeiro a implantar cursos noturnos na universidade. Contrariei inclusive professores universit\u00e1rios que n\u00e3o aceitavam a id\u00e9ia&#8217;, lembra ele.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio na UnB serve de argumento para Buarque na defesa das mudan\u00e7as que ele prop\u00f5e na universidade. &#8216;Tem muito professor universit\u00e1rio &#8211; principalmente de esquerda &#8211; que quer mudar o mundo, mas n\u00e3o come\u00e7a pela pr\u00f3pria universidade. E quando tem a oportunidade, ele se nega a transformar a realidade onde vive. Hoje, os professores pensam que s\u00f3 falta dinheiro e isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u00c9 verdade, sim, que o professor universit\u00e1rio faz milagre com os poucos recursos que t\u00eam. \u00c9 tamb\u00e9m verdade, por\u00e9m, que se chovesse dinheiro na universidade ele ia virar lama porque ela tamb\u00e9m precisa se transformar&#8217;, afirma Buarque. <\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es a que Buarque se refere incluem mudan\u00e7as no ingresso \u00e0 universidade com o fim do vestibular e a inclus\u00e3o do PAS (Programa de Avalia\u00e7\u00e3o Seriada), como j\u00e1 existe na UnB, para dar mais chance ao estudante de escola p\u00fablica ter acesso ao Ensino Superior. Elas incluem ainda a reforma nos curr\u00edculos; mudan\u00e7as na concep\u00e7\u00e3o de que os cursos precisam ter uma dura\u00e7\u00e3o fixa j\u00e1 que, para ele, cada estudante tem um tempo para se formar; a inclus\u00e3o de mais aulas \u00e0 dist\u00e2ncia (mesmo em cursos presenciais); e a substitui\u00e7\u00e3o de um diploma permanente pelo diploma provis\u00f3rio, a fim de estimular que o aluno continue sempre a estudar. <\/p>\n<p>&#8216;Tudo isso estava documentado no tempo em que eu era ministro e sequer foi debatido. Posso dizer que a universidade n\u00e3o tem interesse de mudar. N\u00e3o existe nada mais conservador do que um professor que quer mudar o mundo, mas n\u00e3o muda a pr\u00f3pria universidade&#8217;, lamenta Buarque. <\/p>\n<p>O ex-ministro acredita que tais mudan\u00e7as serviriam tamb\u00e9m como medida para reduzir a evas\u00e3o, porque prop\u00f5em um novo conceito de educa\u00e7\u00e3o. Segundo ele, mais do que medidas alternativas como o PNAES (Plano Nacional de Assist\u00eancia Estudantil) promovido pelo governo federal e que concede verba para alimenta\u00e7\u00e3o, moradia al\u00e9m de bolsas perman\u00eancia para alunos carentes das Ifes, elas permitiriam que o estudante ingressasse no Ensino Superior mais preparado e com um novo conceito de Educa\u00e7\u00e3o. &#8216;O PNAES \u00e9 excelente porque garante que parte dos exclu\u00eddos tenha condi\u00e7\u00f5es de se manter na universidade. Se pensarmos, por\u00e9m, em reduzir a educa\u00e7\u00e3o como um todo, inevitavelmente as medidas passam pela constru\u00e7\u00e3o de uma universidade diferente&#8217;, defende ele. <\/p>\n<p>O ex-ministro Paulo Renato Souza tamb\u00e9m acredita que mudan\u00e7as no curr\u00edculo e na estrutura da universidade como a ado\u00e7\u00e3o do ciclo b\u00e1sico, ainda que n\u00e3o reduzissem a evas\u00e3o, poderiam retard\u00e1-la, porque permitiriam ao estudante uma vis\u00e3o mais completa de sua forma\u00e7\u00e3o e um per\u00edodo maior de aprendizado antes do conhecimento pr\u00e1tico de sua profiss\u00e3o. &#8216;\u00c9 preciso ressaltar, por\u00e9m, que isso s\u00f3 seria poss\u00edvel a partir de uma articula\u00e7\u00e3o com as profiss\u00f5es e o mercado. Do contr\u00e1rio a experi\u00eancia n\u00e3o daria certo&#8217;, refor\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reuni pretende aumentar de 149.042 para 227.260 as vagas nas federais Para repercutir o impacto das mudan\u00e7as promovidas pelo Reuni, o Universia ouviu ex-ministros, reitores e dirigentes do Ensino Superior brasileiro O aumento no n\u00famero de alunos matriculados nas universidades federais n\u00e3o significar\u00e1 queda na qualidade do ensino. 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