{"id":1356,"date":"2008-03-05T00:00:00","date_gmt":"2008-03-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/03\/por-que-ser-professor\/"},"modified":"2008-03-05T00:00:00","modified_gmt":"2008-03-05T00:00:00","slug":"por-que-ser-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/03\/05\/por-que-ser-professor\/","title":{"rendered":"Por que ser professor"},"content":{"rendered":"<p>A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje prioridade no pa\u00eds e sobram vagas para quem quer lecionar. Benef\u00edcios como a estabilidade e a possibilidade de desenvolver um trabalho criativo s\u00e3o atrativos.<\/p>\n<p>\u201cAo se formar, um professor n\u00e3o fica muito tempo sem emprego.\u201d A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de Ana Cl\u00e9a Ayres, coordenadora de gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). E n\u00e3o s\u00e3o raros tamb\u00e9m os que lecionam enquanto ainda estudam. Tal situa\u00e7\u00e3o se explica pelo grande n\u00famero de vagas no mercado. Faltam quase 250 mil educadores qualificados para atuar na rede p\u00fablica de todo o Brasil, somente no segundo ciclo do Ensino Fundamental (da 5\u00aa a 8\u00aa s\u00e9rie) e no Ensino M\u00e9dio, situa\u00e7\u00e3o que vem sendo chamada de \u201capag\u00e3o\u201d. Quem se prepara para essa carreira, contudo, encontra outros benef\u00edcios al\u00e9m da garantia de emprego, como estabilidade, no caso dos concursados, f\u00e9rias duas vezes por ano, per\u00edodo para trabalho pedag\u00f3gico fora de sala remunerado e hor\u00e1rio flex\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, conciliar o trabalho com o estudo \u00e9 um privil\u00e9gio\u201d, afirma Ang\u00e9lica Louren\u00e7o Pinto, 35 anos, que leciona na EE Professora Maria Jannuzzi Mascari, em S\u00e3o Paulo, SP. H\u00e1 15 anos no magist\u00e9rio \u2013 j\u00e1 atuou tamb\u00e9m na rede particular \u2013, ela d\u00e1 aula de manh\u00e3 para uma turma de 4\u00aa s\u00e9rie. Por trabalhar em apenas uma escola, consegue se dedicar muito mais aos alunos e participar do trabalho da equipe.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estar concluindo a especializa\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia, Ang\u00e9lica ainda dedica cerca de quatro horas por dia \u00e0 leitura de textos passados pelos docentes e outros, que busca para aprimorar seu trabalho. \u201cEstudo muito para ajudar os que est\u00e3o com dificuldade de aprendizagem\u201d, diz. \u201cGanho 1,5 mil reais mensais. Poderia cumprir mais uma jornada e receber o dobro, mas tenho outras prioridades, como a forma\u00e7\u00e3o e o cuidado com minha filha.\u201d<\/p>\n<p>No que se refere especificamente ao dia-a-dia da profiss\u00e3o, o magist\u00e9rio oferece ainda outros incentivos. \u201cOs profissionais t\u00eam autonomia para desenvolver sua atividade de forma criativa, principalmente na rede p\u00fablica\u201d, defende Ana, da Uerj. Esse \u00e9 um benef\u00edcio que poucas ocupa\u00e7\u00f5es trazem e com uma compensa\u00e7\u00e3o imediata: quando a turma aprende, logo se v\u00ea o resultado do trabalho. \u201cSaber que os alunos na escola p\u00fablica est\u00e3o abertos ao conhecimento e que precisam de mim \u00e9 o que me mobiliza a seguir essa profiss\u00e3o. Me sinto \u00fatil para a sociedade\u201d, afirma Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p>A professora est\u00e1 em sintonia com a import\u00e2ncia que a Educa\u00e7\u00e3o vem conquistando aos olhos da sociedade brasileira e tamb\u00e9m do governo, que tem implementado v\u00e1rias medidas de incentivo \u00e0 qualidade do ensino dentro do Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (PDE), lan\u00e7ado em mar\u00e7o. Cada vez mais, o setor \u00e9 visto como imprescind\u00edvel ao desenvolvimento econ\u00f4mico e social. \u201cEst\u00e1 havendo uma febre pelo ensino no Brasil\u201d, afirma Mozart Ramos, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE). \u201cInfelizmente, tivemos de chegar ao fundo do po\u00e7o para que isso acontecesse. Mas deixar de acreditar que o magist\u00e9rio \u00e9 hoje um mercado promissor \u00e9 deixar de acreditar no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Tratar o chamado \u201capag\u00e3o\u201d \u2013 a falta de educadores principalmente nas \u00e1reas de Qu\u00edmica, F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Biologia \u2013 \u00e9 quest\u00e3o urgente, j\u00e1 que os jovens ficam sem aula ou s\u00e3o ensinados por pessoas que n\u00e3o t\u00eam qualifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Para atender \u00e0 demanda estimada para o ensino p\u00fablico nas \u00e1reas mais cr\u00edticas, a previs\u00e3o era de que precisariam ter sido formados 55 231 docentes tanto de Qu\u00edmica como de F\u00edsica ao longo da d\u00e9cada de 1990. No entanto, os licenciados foram apenas 7 216 em F\u00edsica e 13 559 em Qu\u00edmica. O que se v\u00ea hoje \u00e9 somente 9% dos docentes de F\u00edsica que atuam nas escolas p\u00fablicas brasileiras com forma\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea, segundo o estudo Escassez de Professores no Ensino M\u00e9dio: Propostas Estruturais e Emergenciais, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, divulgado em julho.<\/p>\n<p>Falta pessoal qualificado por todo o Brasil. No Par\u00e1, as disciplinas em que h\u00e1 a maior necessidade de m\u00e3o-de-obra s\u00e3o Qu\u00edmica, F\u00edsica, Biologia e Geografi a. Em algumas regi\u00f5es do Rio Grande do Sul, h\u00e1 dificuldade em encontrar quem lecione Matem\u00e1tica e F\u00edsica \u2013 al\u00e9m de Ingl\u00eas e Arte. No Cear\u00e1, apesar de recentes realiza\u00e7\u00f5es de concursos para a contrata\u00e7\u00e3o de licenciados em Qu\u00edmica e F\u00edsica, h\u00e1 locais em que ainda h\u00e1 car\u00eancia de profissionais com essas forma\u00e7\u00f5es. Na Para\u00edba, as mesmas especialidades s\u00e3o requisitadas.<\/p>\n<p>E outras secretarias n\u00e3o param de contratar. Minas Gerais, por exemplo, nomeou, entre 2006 e 2007, 17 832 professores de Biologia, F\u00edsica, Matem\u00e1tica, Qu\u00edmica, Geografia, Hist\u00f3ria e L\u00edngua Portuguesa. S\u00e3o Paulo realizou em 2003 o maior concurso j\u00e1 ocorrido numa rede estadual, oferecendo 49 mil vagas para as disciplinas de Biologia, Ci\u00eancias, Arte, F\u00edsica, Geografi a, Hist\u00f3ria, Ingl\u00eas, Matem\u00e1tica, L\u00edngua Portuguesa e Qu\u00edmica. Mais de 30 mil aprovados j\u00e1 est\u00e3o trabalhando e, at\u00e9 o final de 2007, a previs\u00e3o \u00e9 que sejam efetivados mais de 17 mil educadores.<\/p>\n<p>Para prover o mercado de tantos profissionais, as licenciaturas precisariam produzir diplomados a todo vapor. Por\u00e9m esse \u00e9 um campo que exige aten\u00e7\u00e3o. As \u00e1reas em que h\u00e1 postos no mercado s\u00e3o exatamente as que n\u00e3o graduam profissionais suficientes. Pesquisa realizada pela Comiss\u00e3o Especial de Estudos sobre a Evas\u00e3o nas Universidades P\u00fablicas Brasileiras, em parceria com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) h\u00e1 dez anos, j\u00e1 mostrava altos \u00edndices de evas\u00e3o. \u201cNada mudou de l\u00e1 para c\u00e1\u201d, lamenta Mozart Ramos. As expectativas s\u00e3o de que t\u00e3o cedo n\u00e3o haja gente qualifi cada em n\u00famero sufi ciente para suprir a demanda \u2013 pois os \u00edndices de evas\u00e3o nos cursos de licenciatura giram em torno de 65% em F\u00edsica, 75% em Qu\u00edmica e 56% em Matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para Elisabete Burigo, coordenadora do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Matem\u00e1tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o alto percentual de evas\u00e3o se deve essencialmente a tr\u00eas fatores. Em primeiro lugar, o pouco reconhecimento social e a baixa remunera\u00e7\u00e3o do of\u00edcio de docente. Em segundo, a migra\u00e7\u00e3o de estudantes desses cursos \u2013 que t\u00eam baixa rela\u00e7\u00e3o candidato\/vaga nos vestibulares \u2013 para outros ou a desist\u00eancia dos que os escolheram somente pela oportunidade de ingressar numa faculdade. Por \u00faltimo, a natureza dos cursos: Matem\u00e1tica, Qu\u00edmica e F\u00edsica s\u00e3o gradua\u00e7\u00f5es com alto grau de exig\u00eancia, o que nem sempre os ingressantes est\u00e3o dispostos a enfrentar.<\/p>\n<p>O curso de Matem\u00e1tica da UFRGS oferece 90 vagas por ano e, atualmente, apresenta cerca de 50% de evas\u00e3o. Segundo Elisabete, nos anos 1990, ele chegava a 70%. Para melhorar a situa\u00e7\u00e3o, algumas estrat\u00e9gias foram adotadas pela universidade, como a cria\u00e7\u00e3o do per\u00edodo noturno, que atende a quem trabalha durante o dia, o incentivo \u00e0s disciplinas pr\u00e1ticas em que se exigem est\u00e1gio em escolas, e as atividades em laborat\u00f3rios, nas quais eles trabalham com crian\u00e7as e jovens na pr\u00f3pria faculdade. \u201cDessa maneira, o graduando aprende como planejar uma aula e ensinar. Pode, assim, entrar mais cedo em contato com o trabalho.\u201d<\/p>\n<p>VANTAGENS DO MAGIST\u00c9RIO <br \/>\nAbund\u00e2ncia de vagas.<br \/>\nF\u00e9rias duas vezes por ano.<br \/>\nAutonomia para desenvolver atividades.<br \/>\nHor\u00e1rio flex\u00edvel.<br \/>\nEstabilidade de emprego para os concursados.<\/p>\n<p>O PORQU\u00ca DA EVAS\u00c3O NAS LICENCIATURAS <br \/>\nDificuldades diante do grau de exig\u00eancia dos cursos.<br \/>\nPouco reconhecimento da carreira de magist\u00e9rio.<br \/>\nAus\u00eancia de atividades pr\u00e1ticas no curr\u00edculo.<br \/>\nProximidade com as escolas<\/p>\n<p>A chamada \u201chumaniza\u00e7\u00e3o do ensino\u201d tamb\u00e9m \u00e9 defendida por Ana Cl\u00e9a, da Uerj. Licenciada em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre e doutora em Educa\u00e7\u00e3o, ela trabalhou na rede p\u00fablica durante 12 anos, lecionando Ci\u00eancias no Ensino Fundamental e Biologia no M\u00e9dio. Como coordenadora do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, ela defendeu a id\u00e9ia de que era preciso dar mais contexto \u00e0 Biologia, estabelecendo um di\u00e1logo com a sala de aula. \u201cIsso n\u00e3o significa um rebaixamento do conte\u00fado em rela\u00e7\u00e3o aos cursos de bacharelado, mas a mudan\u00e7a de enfoque, que amplia a forma\u00e7\u00e3o meramente t\u00e9cnica\u201d, diz. Assim, segundo ela, forma-se quem sabe ensinar melhor e trata a mat\u00e9ria com prazer, passando esse sentimento para a turma.<\/p>\n<p>Grande parte dos que ingressam em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Qu\u00edmica e F\u00edsica quer ser pesquisador e j\u00e1 durante o curso faz est\u00e1gio em laborat\u00f3rios de pesquisa da universidade ou em outra institui\u00e7\u00e3o porque acredita em melhores perspectivas de futuro fora da sala de aula. Mas muitos acabam se apaixonando pela profiss\u00e3o quando passam a ter um contato mais direto com a escola e seus estudantes. Jo\u00e3o Iecco, que d\u00e1 aulas de Qu\u00edmica do Col\u00e9gio S\u00e3o Luis, em S\u00e3o Paulo, SP, foi um deles.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o das estat\u00edsticas, Iecco preferiu lecionar na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica a ser um qu\u00edmico e atuar na ind\u00fastria. \u201cResolvi me tornar professor para transformar o ensino da disciplina em algo estimulante e prazeroso.\u201d Ap\u00f3s 22 anos, ele continua fazendo cursos e se aprimorando, al\u00e9m de atuar como volunt\u00e1rio em um curso preparat\u00f3rio para vestibulares e num projeto social para jovens carentes. \u201cMinha profiss\u00e3o \u00e9 gratificante. Para diminuir os problemas sociais do nosso pa\u00eds, ser\u00e1 cada vez mais necess\u00e1rio tratar a educa\u00e7\u00e3o com seriedade.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 com o objetivo de valorizar a Educa\u00e7\u00e3o que o relat\u00f3rio Escassez de Professores, do CNE, prop\u00f5e provid\u00eancias para sanar a quest\u00e3o do apag\u00e3o. Dentre as sugest\u00f5es, uma j\u00e1 foi acatada pelo MEC, que anunciou a cria\u00e7\u00e3o de 10 mil bolsas de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 doc\u00eancia destinadas a quem faz licenciatura. Outra medida prev\u00ea o incentivo ao retardamento das aposentadorias de educadores. De acordo com Mozart, do CNE, \u201co n\u00famero de aposentadorias tende a superar o de formados nos pr\u00f3ximos anos\u201d.<\/p>\n<p>O documento Sinopse do Censo dos Profi ssionais do Magist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2003 do Inep\/MEC mostra que, na faixa et\u00e1ria de 45 anos ou mais, encontram-se 35% dos professores e, na faixa cr\u00edtica para a aposentadoria, encontram-se 7% \u2013 enquanto os ingressantes s\u00e3o apenas 3,6%. Carlos Ramiro de Castro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo (Apeoesp), confi rma o envelhecimento na categoria. \u201cNo m\u00e9dio prazo, esse fator agravar\u00e1 o problema de falta de educadores.\u201d<\/p>\n<p>Outras solu\u00e7\u00f5es propostas pelo CNE \u2013 que poder\u00e3o ser adotadas gradativamente \u2013 s\u00e3o a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais liberais, a oferta de bolsas para alunos de baixa renda nas licenciaturas e na Pedagogia na rede privada e o aproveitamento de estudantes de licenciatura como docentes. N\u00e3o h\u00e1 como negar que tantas vagas abertas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a falta de um plano de carreira e, principalmente, com os baixos sal\u00e1rios, que n\u00e3o atraem novos talentos.<\/p>\n<p>Especialmente nas regi\u00f5es mais afastadas, o quadro que se apresenta \u00e9 de um grande n\u00famero de profissionais lecionando disciplinas espec\u00edfi cas sem forma\u00e7\u00e3o adequada (veja o quadro \u00e0 esquerda). A Educa\u00e7\u00e3o Infantil e as primeiras s\u00e9ries do Fundamental s\u00e3o um caso \u00e0 parte. \u201cO Normal de n\u00edvel m\u00e9dio \u00e9 admitido como forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima\u201d, explica o especialista na \u00e1rea de pol\u00edticas educacionais Carlos Jamil Cury, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais. Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) admita que os formados em Magist\u00e9rio lecionem nessse dois n\u00edveis, o mercado mostra que o caminho \u00e9 buscar a qualifi ca\u00e7\u00e3o. Nos grandes centros, os profissionais sem n\u00edvel superior n\u00e3o s\u00e3o admitidos. \u201cA LDB tem um inciso, por\u00e9m, que permite \u00e0s regi\u00f5es que n\u00e3o disponham de profissionais licenciados equiparar a qualifi ca\u00e7\u00e3o dos docentes para complementar os quadros\u201d, ressalta Cury.<\/p>\n<p>Para solucionar essa situa\u00e7\u00e3o, o PDE, lan\u00e7ado pelo governo federal, destaca propostas que incluem a amplia\u00e7\u00e3o do acesso dos educadores \u00e0 universidade (leia reportagem gradua\u00e7\u00e3o) e a cria\u00e7\u00e3o de um piso salarial nacional para o magist\u00e9rio. Atualmente, 43% dos docentes da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica que trabalham 40 horas semanais ganham menos do que o piso proposto pelo projeto. O valor de 950 reais, aprovado na C\u00e2mara em outubro, ser\u00e1 atingido gradativamente at\u00e9 2010. O projeto de lei que o institui deve passar por aprova\u00e7\u00e3o no Senado e, posteriormente, ser sancionado pelo presidente. Ele prev\u00ea tamb\u00e9m que at\u00e9 2009, Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios devem elaborar um plano de carreira que vise melhorar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de trabalho docente.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos vencimentos \u00e9, sem d\u00favida, um dos maiores imbr\u00f3glios a serem solucionados na \u00e1rea do ensino no pa\u00eds. H\u00e1 muita disparidade entre os diferentes estados. Enquanto em Teresina, por exemplo, o piso para quem leciona 40 horas \u00e9 de 535,54 reais, em Palmas esse valor \u00e9 quase quatro vezes maior por hora trabalhada: 1 019 reais para 20 horas.<\/p>\n<p>Para Mozart Ramos, do CNE, al\u00e9m do piso, deve ser institu\u00eddo um teto salarial para a categoria, de maneira que se crie uma meta a ser alcan\u00e7ada ao longo dos anos. \u201cEsse of\u00edcio precisa ser valorizado. N\u00e3o d\u00e1 para acreditar que algu\u00e9m v\u00e1 ser professor s\u00f3 por voca\u00e7\u00e3o.\u201d Para ele, com o teto e um plano de carreira, o jovem talentoso se sentiria motivado. Os vencimentos aumentariam com base na forma\u00e7\u00e3o, a partir do momento que fossem conclu\u00eddos a especializa\u00e7\u00e3o, o mestrado e o doutorado.<\/p>\n<p>DOCENTES SEM FORMA\u00c7\u00c3O ESPEC\u00cdFICA <br \/>\nDISCIPLINA                        PROFESSORES <br \/>\nL\u00edngua Portuguesa                          44% <br \/>\nMatem\u00e1tica                                 73% <br \/>\nBiologia                                   43% <br \/>\nF\u00edsica                                     91% <br \/>\nQu\u00edmica                                    87% <br \/>\nL\u00edngua Estrangeira                         71% <br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o F\u00edsica                            50% <br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o Art\u00edstica                         80% <br \/>\nHist\u00f3ria                                   69% <br \/>\nGeografia                                  74% <br \/>\nFonte: Relat\u00f3rio do CNE com base no MEC\/Inep <\/p>\n<p>Mais qualifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em escolas particulares de ponta nos grandes centros, como S\u00e3o Paulo, a tend\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 de valoriza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, com o pagamento de vencimentos melhores para quem se qualifica mais. Na capital paulista, um educador de Educa\u00e7\u00e3o Infantil com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, por exemplo, pode ganhar em torno de 4 mil reais mensais. Mas essas vagas s\u00e3o bem poucas.<\/p>\n<p>Na rede particular, de modo geral, uma boa forma\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para as melhores oportunidades dentro do mercado. A hist\u00f3ria de Carlos Alberto de Freitas, de Belo Horizonte, MG, comprova isso. H\u00e1 cerca de sete anos, ele trabalha em dois col\u00e9gios da rede privada, o Loyola e o Santa Dorot\u00e9ia, nos quais ganha cerca de sete vezes mais do que quando atuava no ensino p\u00fablico. \u201cQuando me formei, j\u00e1 tinha quatro anos de trabalho na escola p\u00fablica\u201d, conta ele, que lecionava desde o primeiro ano da faculdade de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Carlos, hoje, acumula em seu curr\u00edculo duas especializa\u00e7\u00f5es, uma em Hist\u00f3ria do Brasil e outra em Educa\u00e7\u00e3o. \u201cO professor precisa acreditar no poder da Educa\u00e7\u00e3o, se reciclar e conhecer muito bem o que faz. Tem espa\u00e7o para muita gente, mas o topo pertence a quem realmente est\u00e1 preparado e em constante atualiza\u00e7\u00e3o.\u201d Ele ressalta, contudo, que a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o \u00fanico motivo pela escolha da rede particular: o ambiente de trabalho tamb\u00e9m se difere quando o assunto \u00e9 a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, casos de agress\u00f5es a professores s\u00e3o hoje um fator que afugenta os profi ssionais do magist\u00e9rio. \u201cA viol\u00eancia nas escolas tem mais a ver com a fal\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas, mas, sem d\u00favida, a solu\u00e7\u00e3o do problema come\u00e7a na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, com o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es respeitosas entre alunos e professores e entre eles e a escola\u201d, diz Renato Alves, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es, esse problema \u00e9 realmente grave, mas n\u00e3o exclusivo da escola. As manifesta\u00e7\u00f5es que ali se v\u00eaem s\u00e3o o refl exo do que ocorre na comunidade e na sociedade. Para a professora Ang\u00e9lica Louren\u00e7o Pinto, de S\u00e3o Paulo, cabe \u00e0 equipe trabalhar para enfrent\u00e1los. \u201cOs alunos s\u00e3o agressivos entre si e at\u00e9 com a gente, mas n\u00f3s podemos mudar isso.\u201d<\/p>\n<p>PROPOSTAS PARA TORNAR A PROFISS\u00c3O ATRAENTE<\/p>\n<p>Estabelecer um piso salarial nacional. <br \/>\nIncentivar a implanta\u00e7\u00e3o de planos de carreira.<br \/>\nRemunerar de acordo com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer saber mais?<br \/>\nInep. www.inep.gov.br<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio Escassez de Professores no Ensino M\u00e9dio,  portal.mec.gov.br\/cne\/ arquivos\/pdf\/escassez1.pdf <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje prioridade no pa\u00eds e sobram vagas para quem quer lecionar. 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