{"id":135576,"date":"2017-07-17T14:44:03","date_gmt":"2017-07-17T17:44:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/?p=135576"},"modified":"2017-07-17T16:39:55","modified_gmt":"2017-07-17T19:39:55","slug":"dicas-de-portugues-todos-e-todas-brasileiros-e-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2017\/07\/17\/dicas-de-portugues-todos-e-todas-brasileiros-e-brasileiras\/","title":{"rendered":"Dicas de Portugu\u00eas: Todos e todas, brasileiros e brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201c\u2018Boa noite a todos e a todas\u2019 est\u00e1 correto? Virou moda entre alguns pol\u00edticos de minha cidade se referir a \u2018todos e todas\u2019. Todos n\u00e3o engloba\u2026 todas?\u201d <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 claro que engloba. Trata-se de um princ\u00edpio gramatical do portugu\u00eas, que n\u00e3o herdou do latim o g\u00eanero neutro: cabe ao masculino quebrar o galho nesse papel, abarcando tamb\u00e9m o feminino. A rebeli\u00e3o de certos falantes contra isso, que deu no modismo que intriga o leitor, \u00e9 um dos aspectos da onda politicamente correta que, a partir do \u00faltimo quarto do s\u00e9culo passado e tendo como centro irradiador o meio universit\u00e1rio americano, passou a tentar mudar a linguagem como uma forma de mascarar problemas que n\u00e3o conseguia resolver na realidade.<\/p>\n<p>Algumas propostas do movimento se afogaram no pr\u00f3prio rid\u00edculo \u2013 aquela de chamar carecas de \u201ccapilarmente diferenciados\u201d, por exemplo. Outras, por\u00e9m, terminaram se entranhando de tal forma em nosso modo de falar e pensar que muitas vezes nem nos damos conta da mudan\u00e7a. O substantivo velhice come\u00e7ou por ceder espa\u00e7o no discurso de muita gente ao eufemismo terceira idade e, em seguida, viu-se substitu\u00eddo por uma formula\u00e7\u00e3o francamente apatetada:&nbsp;<em>melhor idade<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de condenar a heran\u00e7a politicamente correta em bloco. \u00c9 saud\u00e1vel que se chame a aten\u00e7\u00e3o dos falantes para a carga odiosa de racismo embutida num verbo como \u201cjudiar\u201d, para citar um exemplo de ampla circula\u00e7\u00e3o no portugu\u00eas. Judiar, maltratar, nasceu com uma m\u00e1cula indisfar\u00e7\u00e1vel: quer dizer \u201ctratar como se tratam os judeus\u201d.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 quest\u00e3o de \u201ctodos e todas\u201d \u2013 ou \u201cbrasileiros e brasileiras\u201d, como Jos\u00e9 Sarney gostava de abrir seus discursos quando presidente da Rep\u00fablica \u2013, o modismo tem at\u00e9 nome: \u201clinguagem inclusiva\u201d. Tem tamb\u00e9m um princ\u00edpio de aparato legal a proteg\u00ea-lo, tornando seu uso obrigat\u00f3rio em algumas esferas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Basicamente, trata-se de uma bobagem populista \u2013 da\u00ed seu sucesso com os pol\u00edticos, cultores por excel\u00eancia de bobagens populistas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que vale a pena encher nossa l\u00edngua de cacos, redund\u00e2ncias e pedidos de perd\u00e3o, como se f\u00f4ssemos todos(as) advogados(as) gagos(as)? Ou seria melhor se combat\u00eassemos as discrimina\u00e7\u00f5es reais onde elas de fato causam dano \u00e0 sociedade?<\/p>\n<p>Fonte: veja.abril.com.br (com adapta\u00e7\u00f5es)<\/p>\n<h5>Paulo Roberto Ribeiro<br \/>\nJornalista &#8211; DCOM\/UFLA<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u2018Boa noite a todos e a todas\u2019 est\u00e1 correto? Virou moda entre alguns pol\u00edticos de minha cidade se referir a \u2018todos e todas\u2019. 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