{"id":1329,"date":"2008-02-25T00:00:00","date_gmt":"2008-02-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/02\/salario-de-professores-aumentou-39\/"},"modified":"2008-02-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-02-25T00:00:00","slug":"salario-de-professores-aumentou-39","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/02\/25\/salario-de-professores-aumentou-39\/","title":{"rendered":"Sal\u00e1rio de professores aumentou 39%"},"content":{"rendered":"<p>Estudo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o mostra que varia\u00e7\u00e3o de renda na rede p\u00fablica foi maior que a infla\u00e7\u00e3o de 17% entre 2003 a 2006<\/p>\n<p>Tese da FGV-SP revela tamb\u00e9m que de 1995 a 2006 sal\u00e1rios no magist\u00e9rio p\u00fablico cresceram mais do que em outras categorias <\/p>\n<p>Em muitas an\u00e1lises sobre a piora da qualidade da educa\u00e7\u00e3o, um argumento usado \u00e9 o de que sucessivas perdas salariais foram diminuindo a atratividade da carreira do magist\u00e9rio. Duas pesquisas in\u00e9ditas, no entanto, apontam mudan\u00e7as positivas nesse quadro.<\/p>\n<p>Uma delas, feita pelo Inep (instituto de pesquisa e avalia\u00e7\u00e3o do MEC) a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios, do IBGE), mostra que, de 2003 a 2006, o rendimento m\u00e9dio dos professores do setor p\u00fablico na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica aumentou 39%.<br \/>\nO crescimento foi superior aos 17% registrados no \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o oficial, o IPCA, e aos 29% registrados para os demais trabalhadores.<\/p>\n<p>A outra, elaborada por Gabriela Moriconi na Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas da FGV-SP, usa tamb\u00e9m a Pnad para concluir que, de 1995 a 2006, os ganhos nos rendimentos dos professores da rede p\u00fablica b\u00e1sica foram superiores aos das escolas particulares e aos de outros trabalhadores do setor p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p>Moriconi comparou os sal\u00e1rios de um professor da rede p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica aos de um trabalhador com as mesmas caracter\u00edsticas (escolaridade, cor, sexo, domic\u00edlio e outras vari\u00e1veis) no setor privado e em outras ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para profissionais com n\u00edvel superior, seu trabalho mostra que a dist\u00e2ncia que separava os professores da rede p\u00fablica dos demais grupos diminuiu.<\/p>\n<p>O diferencial em favor de outros trabalhadores (n\u00e3o-professores) do setor privado com n\u00edvel superior caiu de 62% para 17% entre 1995 e 2006. Para ocupados no setor p\u00fablico que n\u00e3o est\u00e3o no magist\u00e9rio, a redu\u00e7\u00e3o foi de 60% para 43%.<\/p>\n<p>Quando se compara somente docentes do setor p\u00fablico e privado com diploma, o diferencial cai de 34% em 1995 para insignificativos 2,5% (ainda em favor do setor particular).<\/p>\n<p>O mesmo foi verificado nas compara\u00e7\u00f5es de profissionais com forma\u00e7\u00e3o apenas de n\u00edvel m\u00e9dio com mesmas caracter\u00edsticas. Nesse caso, os diferenciais, desfavor\u00e1veis em 1995, passaram a ser favor\u00e1veis aos professores da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Pela pesquisa do MEC, o maior crescimento na renda da rede p\u00fablica foi verificado de 2005 para 2006.<\/p>\n<p>O trabalho de Moriconi destaca igualmente que a melhoria foi mais intensa nos \u00faltimos anos, mas, por analisar um per\u00edodo maior -1995 a 2006-, cita tamb\u00e9m poss\u00edveis efeitos do Fundef (fundo de financiamento do ensino fundamental criado em 1996) e uma tend\u00eancia de melhoria na remunera\u00e7\u00e3o em todo o setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Por se tratar de um movimento recente, as raz\u00f5es dessa melhoria salarial ainda foram pouco estudadas.<\/p>\n<p>Para o ministro Fernando Haddad (Educa\u00e7\u00e3o), a retomada das discuss\u00f5es sobre o estabelecimento de um piso salarial nacional de R$ 850 e uma maior press\u00e3o em ano eleitoral (2006) por reajuste ajudaram a melhorar o rendimento dos professores em 2006.<br \/>\nA presidente Uni\u00e3o Nacional dos Dirigentes Municipais da Educa\u00e7\u00e3o, Justina Iva Silva, aponta que muitos munic\u00edpios s\u00f3 recentemente criaram planos de carreira e remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Roberto Franklin de Le\u00e3o, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o, o crescimento se deve ao pagamento de abonose gratifica\u00e7\u00f5es. &#8216;N\u00e3o pode ser considerada pol\u00edtica salarial perene. O benef\u00edcio pode ser retirado a qualquer momento e n\u00e3o atinge inativos&#8217;.<\/p>\n<p>Pernambuco tem piores sal\u00e1rios; DF, os melhores <\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo tem quinta maior m\u00e9dia, R$ 1.767, nas redes municipal e estadual. Levantamento revela surpresa, como o terceiro lugar conquistado por Sergipe; c\u00e1lculo teve como base jornada de 40 horas <\/p>\n<p>Os maiores rendimentos de professores da rede p\u00fablica b\u00e1sica para uma jornada de 40 horas s\u00e3o encontrados no Distrito Federal (R$ 3.371, em m\u00e9dia), diz o estudo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o feito a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios). Os docentes de Pernambuco s\u00e3o os com piores sal\u00e1rios (R$ 831) no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, Maria Agnalda Cunha, 47, mesmo com n\u00edvel superior, tem na rede estadual sal\u00e1rio bruto com gratifica\u00e7\u00f5es de apenas R$ 542 para uma jornada parcial. Segundo ela, o valor n\u00e3o chegar a ser suficiente nem para poder quitar mensalmente as despesas com \u00e1gua, luz e telefone.<\/p>\n<p>Por isso, precisa complementar o sal\u00e1rio dando aulas \u00e0 noite no munic\u00edpio e, entre as duas escolas, ainda acha tempo para dar aulas particulares. &#8216;Fica muito apertado e n\u00e3o sobra quase nenhum tempo livre&#8217;, diz Maria Agnalda.<\/p>\n<p>J\u00e1 Cesar Santos, 41, professor em Bras\u00edlia, consegue um rendimento l\u00edquido de cerca de R$ 3.000 ao trabalhar exclusivamente na rede distrital.<\/p>\n<p>&#8216;Se eu disser que n\u00e3o consigo viver com esse sal\u00e1rio estaria mentindo, mas n\u00e3o pago aluguel. Muitos professores daqui n\u00e3o t\u00eam essa facilidade, o que faz muita diferen\u00e7a numa cidade com custo de vida t\u00e3o alto&#8217;, afirma Santos.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Lisboa, diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal, lembra que, al\u00e9m do custo de vida, \u00e9 preciso considerar que os professores t\u00eam o pior rendimento entre os servidores p\u00fablicos da capital.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o do DF, Jos\u00e9 Valente, reconhece essa situa\u00e7\u00e3o e diz que o governo se comprometeu a priorizar os professores em reajustes, mas afirma que, por ter os melhores sal\u00e1rios do Brasil, cobrar\u00e1 sempre os melhores desempenhos em avalia\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO levantamento revela tamb\u00e9m algumas surpresas. O Estado de Sergipe aparece como terceiro melhor rendimento (m\u00e9dia de R$ 2.012).<\/p>\n<p>O diretor de comunica\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o de Sergipe, Roberto dos Santos, diz que, levando em conta gratifica\u00e7\u00f5es, o sal\u00e1rio pode mesmo chegar a R$ 2.000 se o professor trabalhar no Estado e no munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Ele diz que o sindicato conseguiu repor parte das perdas em 2006, mas que ainda h\u00e1 uma perda acumulada de 32%.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo tinha em 2006 a quinta maior m\u00e9dia (R$ 1.767) quando se considerava tanto a rede municipal quanto a estadual. Considerando apenas a rede estadual, o Estado apresentava o s\u00e9timo maior rendimento (R$ 1.840). Na m\u00e9dia das redes municipais, o rendimento dos professores paulistas era o segundo maior.<\/p>\n<p>Uma das maiores vantagens de usar a Pnad em compara\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios de professores \u00e9 que a pesquisa permite medir o rendimento m\u00e9dio de todos os docentes do pa\u00eds, sem se limitar a apenas um ponto da carreira (o rendimento para um professor em in\u00edcio da carreira \u00e9 sempre diferente de um no fim, por exemplo).<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, por ser uma pesquisa feita por amostra, \u00e9 preciso considerar que h\u00e1 margem de erro.<\/p>\n<p>Os rendimentos m\u00e9dios de R$ 1.840 na rede estadual de S\u00e3o Paulo, por exemplo, s\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos dos de Rond\u00f4nia (R$ 1.863), Roraima (R$ 1.856) e Acre (R$ 1.826) que a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 estatisticamente significativa. (ANT\u00d4NIO GOIS)<\/p>\n<p>Melhoria salarial n\u00e3o \u00e9 suficiente, diz MEC <\/p>\n<p>Para o MEC e secret\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o, a melhoria dos sal\u00e1rios dos professores \u00e9 um ponto positivo, mas n\u00e3o suficiente para impactar na qualidade.<\/p>\n<p>O ministro Fernando Haddad diz que o governo espera que os sal\u00e1rios continuem melhorando por causa do Fundeb (fundo de financiamento da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que substituiu o Fundef) e da aprova\u00e7\u00e3o do piso nacional de R$ 850, em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso. Ele afirma, no entanto, que a melhoria na forma\u00e7\u00e3o dos professores \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Sua avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os curr\u00edculos em cursos de pedagogia s\u00e3o muito voltados para a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e preparam pouco o professor para sua principal fun\u00e7\u00e3o em sala de aula: ensinar. Para incentivar a mudan\u00e7a, o ministro diz que o pr\u00f3ximo Enade -avalia\u00e7\u00e3o aplicada aos os formandos- j\u00e1 ser\u00e1 adequado a essa nova forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia que Haddad cita nesse sentido foi a cria\u00e7\u00e3o do Conselho T\u00e9cnico e Cient\u00edfico da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, \u00f3rg\u00e3o que ter\u00e1 entre suas atribui\u00e7\u00f5es orientar pol\u00edticas p\u00fablicas para capacita\u00e7\u00e3o de professores e ajudar o MEC na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade dos cursos.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio quer tamb\u00e9m incentivar que os melhores professores formados em universidades p\u00fablicas sejam atra\u00eddos pelas escolas p\u00fablicas. &#8216;Foi por isso que, ao lan\u00e7armos o Pibid [programa que oferecer\u00e1 bolsas a alunos de cursos de licenciatura e pedagogia de universidades p\u00fablicas], colocamos como contrapartida o desenvolvimento de projetos de educa\u00e7\u00e3o em escolas p\u00fablicas&#8217;, diz Haddad.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE no governo FHC e atual presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, aponta como fundamental para a qualidade da educa\u00e7\u00e3o a melhoria da forma\u00e7\u00e3o do professor.<\/p>\n<p>&#8216;Bons sal\u00e1rios podem atrair melhores talentos, mas aumentar o vencimento de quem j\u00e1 est\u00e1 trabalhando n\u00e3o muda muita coisa. No entanto, para mudar o prest\u00edgio da profiss\u00e3o, \u00e9 preciso tamb\u00e9m melhorar a qualidade dos cursos de pedagogia e educa\u00e7\u00e3o, hoje desmoralizados. Uma combina\u00e7\u00e3o interessante poderiam ser cursos bem articulados, criados ou supervisionados por secretarias de educa\u00e7\u00e3o como as de S\u00e3o Paulo ou Minas&#8217;, diz. (AG)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o mostra que varia\u00e7\u00e3o de renda na rede p\u00fablica foi maior que a infla\u00e7\u00e3o de 17% entre 2003 a 2006 Tese da FGV-SP revela tamb\u00e9m que de 1995 a 2006 sal\u00e1rios no magist\u00e9rio p\u00fablico cresceram mais do que em outras categorias Em muitas an\u00e1lises sobre a piora da qualidade da educa\u00e7\u00e3o, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/02\/25\/salario-de-professores-aumentou-39\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Sal\u00e1rio de professores aumentou 39%<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}