{"id":1318,"date":"2008-02-20T00:00:00","date_gmt":"2008-02-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/02\/pobreza-afeta-neuronios-e-prejudica-aprendizado\/"},"modified":"2008-02-20T00:00:00","modified_gmt":"2008-02-20T00:00:00","slug":"pobreza-afeta-neuronios-e-prejudica-aprendizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/02\/20\/pobreza-afeta-neuronios-e-prejudica-aprendizado\/","title":{"rendered":"Pobreza afeta neur\u00f4nios e prejudica aprendizado"},"content":{"rendered":"<p>Herton Escobar, BOSTON <\/p>\n<p>Crian\u00e7as criadas em condi\u00e7\u00f5es de pobreza t\u00eam mais dificuldade para aprender, n\u00e3o s\u00f3 por quest\u00f5es socioecon\u00f4micas, mas tamb\u00e9m biol\u00f3gicas. Pesquisas realizadas nos \u00faltimos anos comprovam que a pobreza tem impacto direto no desenvolvimento do c\u00e9rebro, justamente no per\u00edodo mais cr\u00edtico da inf\u00e2ncia, deixando seq\u00fcelas neurol\u00f3gicas que diminuem a capacidade de aprendizado. Pelo que est\u00e3o descobrindo os neurobi\u00f3logos, o fraco desempenho dos alunos da rede p\u00fablica tem ra\u00edzes que v\u00e3o muito al\u00e9m do que acontece na sala de aula.Os resultados dessa rela\u00e7\u00e3o entre pobreza e aprendizado j\u00e1 s\u00e3o conhecidos dos educadores, mas os cientistas ainda est\u00e3o longe de explicar como isso ocorre biologicamente.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o simples seria dizer que crian\u00e7as pobres freq\u00fcentam escolas piores, t\u00eam menos acesso a informa\u00e7\u00e3o e cultura, portanto \u00e9 natural que aprendam menos do que as outras, mais privilegiadas. Nesse caso, \u00e9 f\u00e1cil jogar a culpa nos professores ou na falta de dedica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios alunos. Mas, segundo os cientistas, \u00e9 preciso considerar que esses alunos j\u00e1 entram no sistema em desvantagem, por mais dedicados que sejam.<\/p>\n<p>CIRCUITOS MAL LIGADOS<\/p>\n<p>A capacidade do ser humano de memorizar, lembrar e aprender novas informa\u00e7\u00f5es depende de uma constante reconfigura\u00e7\u00e3o de sinapses &#8211; as liga\u00e7\u00f5es entre um neur\u00f4nio e outro, por meio das quais s\u00e3o transmitidas e armazenadas as informa\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro. A maior parte dos neur\u00f4nios \u00e9 formada no \u00fatero, durante o desenvolvimento embrion\u00e1rio e fetal, mas a planta b\u00e1sica de conectividade dessas c\u00e9lulas s\u00f3 \u00e9 estabelecida nos primeiros anos de vida, na medida em que a crian\u00e7a aprende a falar e raciocinar.<\/p>\n<p>Numa situa\u00e7\u00e3o de pobreza, em que h\u00e1 menos est\u00edmulos, piores condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, maior exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, abuso e outras dificuldades dom\u00e9sticas, esse desenvolvimento primordial do c\u00e9rebro pode ser prejudicado. \u201cUma vez que os circuitos s\u00e3o fechados, n\u00e3o d\u00e1 para voltar atr\u00e1s e reconfigurar o sistema. A crian\u00e7a vai viver com os circuitos defeituosos para sempre\u201d, diz o pesquisador Jack Shonkoff, diretor-fundador do Centro sobre Desenvolvimento Infantil de Harvard.<\/p>\n<p>O assunto foi tema de um simp\u00f3sio da Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Avan\u00e7o da Ci\u00eancia (AAAS) na semana passada, em Boston. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ser pobre \u00e9 ruim para o c\u00e9rebro\u201d, disse a organizadora do debate, Martha Farah, da Universidade da Pensilv\u00e2nia. Estudos mostram, por exemplo, que crian\u00e7as de tr\u00eas anos de idade, cujos pais t\u00eam diploma universit\u00e1rio, t\u00eam um vocabul\u00e1rio tr\u00eas vezes maior do aquelas cujos pais n\u00e3o completaram o ensino b\u00e1sico. \u201cCom dois anos voc\u00ea j\u00e1 pode notar a diferen\u00e7a\u201d, disse Shonkoff. As seq\u00fcelas da pobreza no desenvolvimento cerebral s\u00e3o profundas, mas n\u00e3o totalmente irrevers\u00edveis. Estudos com animais mostram que o c\u00e9rebro tem \u201cplasticidade\u201d suficiente para se recuperar, se os est\u00edmulos positivos para que isso ocorra forem tamb\u00e9m suficientes. No caso dos seres humanos, esses est\u00edmulos podem variar desde um programa de leitura at\u00e9 a oportunidade de estudar numa boa escola. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Herton Escobar, BOSTON Crian\u00e7as criadas em condi\u00e7\u00f5es de pobreza t\u00eam mais dificuldade para aprender, n\u00e3o s\u00f3 por quest\u00f5es socioecon\u00f4micas, mas tamb\u00e9m biol\u00f3gicas. Pesquisas realizadas nos \u00faltimos anos comprovam que a pobreza tem impacto direto no desenvolvimento do c\u00e9rebro, justamente no per\u00edodo mais cr\u00edtico da inf\u00e2ncia, deixando seq\u00fcelas neurol\u00f3gicas que diminuem a capacidade de aprendizado. 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