{"id":1312,"date":"2008-02-18T00:00:00","date_gmt":"2008-02-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/02\/a-melhor-escola-do-mundo\/"},"modified":"2008-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2008-02-18T00:00:00","slug":"a-melhor-escola-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/02\/18\/a-melhor-escola-do-mundo\/","title":{"rendered":"A melhor escola do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Thomaz Favaro, de Helsinque<\/p>\n<p>Como a Finl\u00e2ndia criou, com medidas simples e focadas no professor, o mais invejado sistema educacional <\/p>\n<p>Quem entra numa escola na Finl\u00e2ndia se espanta com a simplicidade das instala\u00e7\u00f5es. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse tamb\u00e9m pela exuber\u00e2ncia do equipamento did\u00e1tico. Na verdade, na escola Meilahden Yl\u00e4aste, em Helsinque, igual a centenas de outras do pa\u00eds, as salas de aula s\u00e3o convencionais, com quadro-negro e, \u00e0s vezes, um par de computadores. <\/p>\n<p>Apesar do despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do Pisa, a mais abrangente avalia\u00e7\u00e3o internacional de educa\u00e7\u00e3o, feita pela Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). O \u00faltimo teste, em 2006, foi aplicado em 400 000 alunos de 57 pa\u00edses. O Brasil disputa as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es com pa\u00edses como Tun\u00edsia e Indon\u00e9sia. <\/p>\n<p>O segredo da boa educa\u00e7\u00e3o finlandesa realmente n\u00e3o est\u00e1 na parafern\u00e1lia tecnol\u00f3gica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira \u00e9 o curr\u00edculo amplo, que inclui o ensino de m\u00fasica, arte e pelo menos duas l\u00ednguas estrangeiras. A segunda \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de professores. O t\u00edtulo de mestrado \u00e9 exigido at\u00e9 para os educadores do ensino b\u00e1sico. <\/p>\n<p>Dar \u00eanfase \u00e0 qualidade dos professores foi um dos primeiros passos da reforma educacional que o pa\u00eds implementou a partir dos anos 70, e \u00e9 nesse quesito que a Finl\u00e2ndia mais tem a ensinar ao Brasil. Quarenta anos atr\u00e1s, metade da popula\u00e7\u00e3o finlandesa vivia na zona rural. A economia era dependente das flutua\u00e7\u00f5es do pre\u00e7o da madeira, j\u00e1 que 55% das exporta\u00e7\u00f5es vinham da ind\u00fastria florestal. Al\u00e9m dos bosques que cobrem 75% do territ\u00f3rio, o pa\u00eds s\u00f3 tinha a oferecer sua m\u00e3o-de-obra barata. <\/p>\n<p>Os finlandeses emigravam em massa para vizinhos ricos, como a Su\u00e9cia, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Preocupados com a m\u00e1 qualidade das escolas p\u00fablicas, os pais estavam transferindo os filhos para institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino.<\/p>\n<p>Em alguns desses aspectos, a Finl\u00e2ndia se parecia com o Brasil. A reforma educacional colocou a qualifica\u00e7\u00e3o dos professores a cargo das universidades, com dura\u00e7\u00e3o de cinco anos. Hoje, a profiss\u00e3o \u00e9 disputad\u00edssima (s\u00f3 10% dos candidatos s\u00e3o aprovados) e usufrui grande prest\u00edgio social (\u00e9 a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino m\u00e9dio). <\/p>\n<p>O segundo passo da reforma, em 1985, foi descentralizar o sistema de ensino. Por esse conceito, o professor \u00e9 o principal respons\u00e1vel pelo desempenho de seus alunos: \u00e9 ele quem avalia os estudantes, identifica os problemas, busca solu\u00e7\u00f5es e analisa os resultados. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o d\u00e1 apenas as linhas gerais do conte\u00fado a ser lecionado. &#8216;Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque os professores recebem um treinamento pr\u00e1tico espec\u00edfico para saber lidar com tanta independ\u00eancia&#8217;, disse a VEJA Hannele Niemi, vice-reitora da Universidade de Helsinque, que trabalha com a forma\u00e7\u00e3o de professores h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. <\/p>\n<p>O curr\u00edculo escolar tamb\u00e9m \u00e9 flex\u00edvel, decidido em conjunto entre professores, administradores, pais e representantes dos alunos. A cada tr\u00eas anos, as metas da escola s\u00e3o negociadas com o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por aplicar as pol\u00edticas do minist\u00e9rio. &#8216;Queremos que os professores e os diretores, que conhecem o dia-a-dia da escola, sejam respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o&#8217;, diz Reijo Laukkanen, um dos membros mais antigos do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo finland\u00eas faz anualmente um teste com todas as escolas do pa\u00eds e o resultado \u00e9 entregue ao diretor da institui\u00e7\u00e3o, comparando o desempenho de seus alunos com a m\u00e9dia nacional. Cabe aos diretores e aos professores decidir como resolver seus fracassos. Esse sistema tem o m\u00e9rito de fazer com que os professores se sintam motivados para trabalhar. <\/p>\n<p>A reforma educacional finlandesa levou tr\u00eas d\u00e9cadas para se consolidar. Pouco a pouco, as crian\u00e7as voltaram a ser matriculadas nas escolas p\u00fablicas e as institui\u00e7\u00f5es privadas foram incorporadas ao sistema do estado. Hoje, 99% das escolas s\u00e3o p\u00fablicas e o aluno conta com material escolar, refei\u00e7\u00f5es e transporte gratuitos. Cerca de 20% dos estudantes recebem algum tipo de refor\u00e7o escolar, \u00edndice acima da m\u00e9dia internacional, de 6%. &#8216;Quando um aluno repete, perde toda sua motiva\u00e7\u00e3o, torna-se amargo e pode at\u00e9 apresentar resultados piores que na primeira tentativa&#8217;, diz Eeva Penttil\u00e4, do departamento de educa\u00e7\u00e3o da cidade de Helsinque. <\/p>\n<p>O sucesso da educa\u00e7\u00e3o finlandesa \u00e9, em parte, fruto das caracter\u00edsticas \u00fanicas do pa\u00eds. A popula\u00e7\u00e3o, de 5,2 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 relativamente pequena e homog\u00eanea. &#8216;Com uma popula\u00e7\u00e3o 35 vezes  maior e disparidades regionais e sociais mais acentuadas, o Brasil n\u00e3o conseguiria ter o mesmo padr\u00e3o de igualdade entre as escolas, como existe na Finl\u00e2ndia&#8217;, diz Jo\u00e3o Batista de Oliveira, ex-secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O pre\u00e7o do sistema de bem-estar social que assiste o cidad\u00e3o do ber\u00e7o ao t\u00famulo \u00e9 uma carga tribut\u00e1ria de 43% do PIB, uma das maiores do mundo, mas apenas seis pontos acima da brasileira. Ou seja, trata-se de um estado paquid\u00e9rmico, mas eficiente. <\/p>\n<p>A Finl\u00e2ndia \u00e9 o pa\u00eds menos corrupto, segundo a Transpar\u00eancia Internacional. H\u00e1 quase treze anos na Finl\u00e2ndia, a brasileira Andrea Brand\u00e3o conhece bem as diferen\u00e7as entre as duas sociedades. &#8216;No Brasil, muita gente acha que algumas profiss\u00f5es, como porteiro, n\u00e3o necessitam de um ensino b\u00e1sico de qualidade&#8217;, diz. &#8216;Na Finl\u00e2ndia, existe um consenso de que todo mundo precisa ter uma educa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para ser um cidad\u00e3o.&#8217; Andrea \u00e9 professora de ingl\u00eas em uma das poucas escolas particulares do pa\u00eds, voltada para a popula\u00e7\u00e3o de fala sueca, que \u00e9 minoria na Finl\u00e2ndia. Particular, nos &#8216;moldes finlandeses&#8217;, significa que os alunos pagam uma anuidade opcional de 100 euros, pouco mais de 250 reais. <\/p>\n<p>A estudante Eeva-Maria Puska, de 16 anos, passa seis horas e meia por dia na escola Meilahden Yl\u00e4aste, em Helsinque. Al\u00e9m das disciplinas obrigat\u00f3rias, ela freq\u00fcenta aulas de m\u00fasica, artes e franc\u00eas, opcionais para os alunos da 9\u00aa s\u00e9rie. Mesmo com tantas mat\u00e9rias, Eeva n\u00e3o reclama da carga hor\u00e1ria nem, menos ainda, do ambiente: &#8216;Gosto dos meus professores, tanto como profissionais quanto como pessoas&#8217;, afirma. Na sua escola, professores e alunos conversam amigavelmente nos corredores espa\u00e7osos e bem iluminados. <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o de qualidade foi essencial para uma virada na economia finlandesa. A m\u00e3o-de-obra qualificada permitiu que a eletr\u00f4nica substitu\u00edsse a madeira e o papel como principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o. A Finl\u00e2ndia tem hoje o terceiro maior investimento em pesquisa e desenvolvimento do planeta, grande parte feita por empresas privadas. Uma antiga f\u00e1brica de pap\u00e9is e de botas de borracha do interior do pa\u00eds foi o s\u00edmbolo dessa transforma\u00e7\u00e3o. A empresa, Nokia, hoje \u00e9 a maior fabricante mundial de celulares, com 40% do mercado internacional. Juntos, ela e o sistema educacional s\u00e3o os dois maiores orgulhos dos finlandeses.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thomaz Favaro, de Helsinque Como a Finl\u00e2ndia criou, com medidas simples e focadas no professor, o mais invejado sistema educacional Quem entra numa escola na Finl\u00e2ndia se espanta com a simplicidade das instala\u00e7\u00f5es. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse tamb\u00e9m pela exuber\u00e2ncia do equipamento did\u00e1tico. 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