{"id":1247,"date":"2008-01-14T00:00:00","date_gmt":"2008-01-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2008\/01\/estrategia-educacional-brasileira\/"},"modified":"2008-01-14T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-14T00:00:00","slug":"estrategia-educacional-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2008\/01\/14\/estrategia-educacional-brasileira\/","title":{"rendered":"Estrat\u00e9gia educacional brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, Opini\u00e3o, 09 de janeiro de 2008 <\/p>\n<p>RUD\u00c1 RICCI<\/p>\n<p>Assim, parece ser a hora de repensarmos toda a porta de sa\u00edda do ensino regular e o ingresso no mundo do trabalho <\/p>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da USP, em 1934, nascia um pensamento cient\u00edfico com voca\u00e7\u00e3o ao poder pol\u00edtico. Essa voca\u00e7\u00e3o do mundo universit\u00e1rio cresceu, atingiu cargos de elabora\u00e7\u00e3o governamental, gerou refer\u00eancias para a esquerda. Mas, nos anos 90, houve uma acelerada e radical invers\u00e3o da realidade universit\u00e1ria. <\/p>\n<p>Ao redor de 80% das vagas se concentraram em faculdades particulares, dado o \u00b4boom\u00b4 de abertura de universidades privadas no interior do pa\u00eds. Houve avan\u00e7os: as vagas noturnas das particulares interiorizaram o estudo universit\u00e1rio e abriram oportunidades a mulheres e trabalhadores. Mas o crescimento foi desordenado e provocou a queda da qualidade. <br \/>\nA \u00b4Geografia da Educa\u00e7\u00e3o\u00b4 (MEC) revelou que as faculdades particulares do pa\u00eds possuem o dobro de alunos por sala que as p\u00fablicas, menos doutores e um \u00ednfimo n\u00famero de docentes com dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. H\u00e1 uma impress\u00e3o generalizada de que houve muita inger\u00eancia pol\u00edtica na abertura de cursos. <\/p>\n<p>Marilena Chaui, num dos encontros da Anped (maior encontro nacional de educa\u00e7\u00e3o), lamentava a transforma\u00e7\u00e3o da universidade brasileira de institui\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00e3o. Explicava que uma institui\u00e7\u00e3o se volta para a sociedade, e a organiza\u00e7\u00e3o, para si mesma, voltada para sua sobreviv\u00eancia e seu crescimento. <\/p>\n<p>Agora, ficamos sabendo pelo censo da educa\u00e7\u00e3o superior que o n\u00famero de formados em universidades p\u00fablicas caiu 9,5% nos \u00faltimos dois anos. O problema \u00e9 mais grave na medida em que se sabe que as faculdades do interior brasileiro enfrentam grandes dificuldades desde 2005. <\/p>\n<p>A inadimpl\u00eancia chega \u00e0 m\u00e9dia de 40% (caso de S\u00e3o Paulo, Estado mais rico do pa\u00eds). A concorr\u00eancia entre pequenas faculdades chega \u00e0s raias do desespero. O ataque ao ensino m\u00e9dio \u00e9 cada vez maior e, muitas vezes, obriga uma faculdade a se conveniar com uma rede de ensino m\u00e9dio para obter a fideliza\u00e7\u00e3o do futuro universit\u00e1rio. <\/p>\n<p>Caem as matr\u00edculas no ensino m\u00e9dio (1,5% entre 2004 e 2005 e 1,4% entre 2005 e 2006) e aumenta a procura pela modalidade EJA-m\u00e9dio (educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos-ensino m\u00e9dio) em 10% entre 2005 e 2006, motivada pela oferta de postos de trabalho. Projeta-se para 2008 a cria\u00e7\u00e3o de 2,5 milh\u00f5es de novos empregos. <\/p>\n<p>Assim, parece ser a hora de repensarmos toda a porta de sa\u00edda do ensino regular e o ingresso no mundo do trabalho. O Brasil possui uma cultura de valoriza\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo universit\u00e1rio para ingresso e evolu\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Mas a prolifera\u00e7\u00e3o de vagas nas faculdades particulares banalizou o ensino acad\u00eamico. <\/p>\n<p>\u00c9 de questionar, portanto, os motivos para n\u00e3o transformarmos o ensino m\u00e9dio e a EJA em modalidades pr\u00f3prias, e n\u00e3o \u00b4ritos de passagem\u00b4. <\/p>\n<p>No caso do ensino m\u00e9dio regular, trata-se de passagem para o mundo universit\u00e1rio. No caso da EJA, de certifica\u00e7\u00e3o para postos de trabalho, normalmente semiqualificados. <br \/>\nQual seria o motivo para n\u00e3o transformar, como ocorre na Europa (sul da Alemanha, em especial), o ensino m\u00e9dio e a EJA em modalidades espec\u00edficas, de alto padr\u00e3o de qualidade, para forma\u00e7\u00e3o de quadros t\u00e9cnicos totalmente direcionados para a voca\u00e7\u00e3o regional do mercado de trabalho? <\/p>\n<p>Haver\u00e1, possivelmente, nos pr\u00f3ximos anos, um movimento de oligopoliza\u00e7\u00e3o do ensino universit\u00e1rio privado do pa\u00eds. Em alguns casos, grupos econ\u00f4micos mais agressivos e com menor voca\u00e7\u00e3o educacional avan\u00e7ar\u00e3o o sinal para fazer um bom neg\u00f3cio a partir da crise cada vez mais profunda de pequenas institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. A luta pela sobreviv\u00eancia ser\u00e1 mais aguda e \u00e9 necess\u00e1rio redirecion\u00e1-la para que n\u00e3o se torne selvagem. <\/p>\n<p>Um acordo nacional estrat\u00e9gico da educa\u00e7\u00e3o brasileira precisa ser firmado para definir as identidades de cada segmento do ensino brasileiro, sua voca\u00e7\u00e3o e seu foco de atua\u00e7\u00e3o, assim como os vasos comunicantes entre eles, por meio de programas de extens\u00e3o definidos n\u00e3o como marketing institucional, mas como projeto de desenvolvimento do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Afinal, continuaremos com os velhos rituais de passagem, que limitam o ensino m\u00e9dio e a EJA \u00e0s t\u00e9cnicas de memoriza\u00e7\u00e3o de fatos e informa\u00e7\u00f5es a serem descarregados nos exames de sele\u00e7\u00e3o \u00e0 universidade ou reproduzidos em atividades repetitivas de postos de trabalho constantemente amea\u00e7ados pelas novas tecnologias ou subemprego? <\/p>\n<p>Um dia, Florestan Fernandes perguntou-se a respeito do objetivo do ensino universit\u00e1rio, seu papel social para o pa\u00eds. O mundo acad\u00eamico se limitou a tal ponto que n\u00e3o temos mais nenhum acad\u00eamico que se fa\u00e7a a mesma pergunta. <\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>RUD\u00c1 RICCI, 45, soci\u00f3logo, mestre em ci\u00eancias pol\u00edticas e doutor em ci\u00eancias sociais, \u00e9 membro da Executiva Nacional do F\u00f3rum Brasil de Or\u00e7amento e do Observat\u00f3rio Internacional da Democracia Participativa. \u00c9 autor, entre outras obras, de \u00b4Terra de Ningu\u00e9m\u00b4. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, Opini\u00e3o, 09 de janeiro de 2008 RUD\u00c1 RICCI Assim, parece ser a hora de repensarmos toda a porta de sa\u00edda do ensino regular e o ingresso no mundo do trabalho Com a cria\u00e7\u00e3o da USP, em 1934, nascia um pensamento cient\u00edfico com voca\u00e7\u00e3o ao poder pol\u00edtico. 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