{"id":1183,"date":"2007-12-10T00:00:00","date_gmt":"2007-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/12\/estudante-deve-pagar-por-ensino-superior-publico\/"},"modified":"2007-12-10T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-10T00:00:00","slug":"estudante-deve-pagar-por-ensino-superior-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/10\/estudante-deve-pagar-por-ensino-superior-publico\/","title":{"rendered":"Estudante deve pagar por ensino superior p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 10\/12\/07<\/p>\n<p>F\u00e1bio Takahashi<\/p>\n<p>Entrevista com Wan-Hua Ma* <\/p>\n<p>\nPara pesquisadora, tarifa na universidade viabiliza expans\u00e3o e faz aluno estudar mais <\/p>\n<p>A cobran\u00e7a pelo ensino superior come\u00e7ou na China em 1997. No Brasil, a cobran\u00e7a \u00e9 vetada pela Constitui\u00e7\u00e3o, que determina &#8216;gratuidade do ensino p\u00fablico&#8217;. Boa parte da Academia defende este modelo, pois entende que \u00e9 dever do poder p\u00fablico oferecer educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A cobran\u00e7a de taxas faz parte das reformas que o governo chin\u00eas come\u00e7ou a implementar nos anos 90 para aumentar o n\u00famero de estudantes no ensino superior. O pa\u00eds conseguiu elevar o percentual de jovens no ensino superior de 3,4% em 1991 para 26,4% quinze anos depois. No Brasil, o percentual est\u00e1 em 17,5%, segundo dados da Unesco (bra\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a educa\u00e7\u00e3o). <\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a foi a expans\u00e3o de cursos superiores de car\u00e1ter mais profissionalizante, com dura\u00e7\u00e3o entre 2 e 3 anos, que j\u00e1 representam quase a metade das matr\u00edculas. No Brasil, eles s\u00e3o menos de 1%. <\/p>\n<p>A China busca melhorar tamb\u00e9m em qualidade, o que j\u00e1 aparece em rankings internacionais. No ranking do jornal brit\u00e2nico &#8216;The Times&#8217; h\u00e1 tr\u00eas universidades chinesas entre as 100 melhores do mundo. A de Pequim \u00e9 a de maior destaque entre elas (36\u00aa). A melhor brasileira \u00e9 a USP (175\u00aa). <\/p>\n<p>Ma veio ao Brasil para participar de um semin\u00e1rio promovido pela Assembl\u00e9ia Legislativa de S\u00e3o Paulo, em parceria com professores da USP, com o objetivo de discutir pol\u00edticas adotadas em outros pa\u00edses, para servirem de base para a proposi\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis novas leis. A pesquisadora concedeu a entrevista \u00e0 Folha, em ingl\u00eas, na semana passada.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Como a sra. analisa a atual situa\u00e7\u00e3o do ensino superior chin\u00eas? <br \/>\nWAN-HUA MA &#8211; Ap\u00f3s um forte crescimento nos \u00faltimos anos, o ensino superior tornou-se papel-chave no desenvolvimento da China, na produ\u00e7\u00e3o de tecnologia e de capital humano. Para isso, alteramos o sistema, diversificando-o, pois n\u00e3o havia recursos para incluir todos os alunos em universidades de pesquisa. Estas s\u00e3o muito caras, precisam de laborat\u00f3rios caros, por exemplo. H\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o do mercado de trabalho. N\u00e3o seria poss\u00edvel absorver todos esses alunos formados em ambiente extremamente acad\u00eamico. O mercado de trabalho requer pessoas com diversos n\u00edveis de conhecimento. Para resolver um problema no computador, por exemplo, voc\u00ea n\u00e3o precisa de algu\u00e9m com doutorado. Um t\u00e9cnico, formado em at\u00e9 tr\u00eas anos, estar\u00e1 muito bem capacitado. Tamb\u00e9m se economiza tempo e dinheiro dos estudantes [um curso de engenharia na China dura seis anos]. Para os pa\u00edses ricos, n\u00e3o faz tanta diferen\u00e7a voc\u00ea ter um doutor cuidando de problemas t\u00e9cnicos de um computador. Mas n\u00f3s, pa\u00edses em desenvolvimento, n\u00e3o podemos seguir nessa dire\u00e7\u00e3o, porque exige muito dinheiro. Claro que voc\u00ea pode ser um doutor, mas \u00e9 preciso ter outras op\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Como a expans\u00e3o do ensino superior foi financiada? <br \/>\nMA &#8211; Em 1999, o governo estabeleceu que todas as universidades deveriam aumentar as vagas em 30%. Houve aumento de recursos do governo, mas insuficiente. Nosso investimento em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 de apenas 2,7% do PIB [no Brasil, \u00e9 de 4,7%]. H\u00e1 uma forte press\u00e3o para que o governo aumente os recursos para o ensino superior. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O que a sra. acha da cobran\u00e7a de taxas aos estudantes? <br \/>\nMA &#8211; Uma boa qualidade de ensino p\u00fablico beneficia o estudante. Claro que tamb\u00e9m \u00e9 bom para a sociedade ter cidad\u00e3os bem formados, mas h\u00e1 benef\u00edcios privados para os alunos tamb\u00e9m. Eles conseguem bons empregos. Se voc\u00ea considerar esse benef\u00edcio privado ao cidad\u00e3o, ele ent\u00e3o tem a responsabilidade de pagar pelo ensino. Na China, em geral, o estudante de universidade p\u00fablica paga 20% dos custos do seu curso. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Foi dif\u00edcil implementar esse sistema? <br \/>\nMA &#8211; Foi, mas fomos testando aos poucos, primeiro em um grupo pequeno de estudantes, por dois, tr\u00eas anos, no come\u00e7o dos anos 90. Os resultados foram positivos. Os alunos passaram a estudar mais, porque viram o sacrif\u00edcio que suas fam\u00edlias fizeram para pagar. E os pais tamb\u00e9m ficaram contentes, porque os filhos passaram a estudar duro. Ent\u00e3o, percebeu-se que o modelo funcionaria. Agora, todas as institui\u00e7\u00f5es cobram taxas. O custo ao aluno nas universidades p\u00fablicas \u00e9 o mesmo, 5.000 renminbi [moeda chinesa] ao ano [equivalente a R$ 1.200], que s\u00e3o pagos uma vez, em setembro. Parece pouco, mas os nossos sal\u00e1rios s\u00e3o baixos, comparados com o de voc\u00eas do Brasil. O sistema causou um problema, porque h\u00e1 fam\u00edlias que n\u00e3o podem pagar. Ent\u00e3o foram criados programas de empr\u00e9stimo, de bolsa-trabalho, entre outros. Mas o sistema ainda n\u00e3o \u00e9 perfeito. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O ensino superior chin\u00eas prioriza alguma \u00e1rea? <br \/>\nMA &#8211; Estamos tentando construir universidades de classe mundial [de ponta], basicamente nas \u00e1reas cient\u00edficas, como engenharia e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o \u00e1reas que t\u00eam grande impacto econ\u00f4mico. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Em quais pontos o Brasil pode seguir o modelo chin\u00eas? <br \/>\nMA &#8211; N\u00e3o conhe\u00e7o tanto a situa\u00e7\u00e3o brasileira. Mas, em geral, o conhecimento de outras l\u00ednguas \u00e9 importante, para se poder aproveitar a comunidade internacional [a China \u00e9 o pa\u00eds que mais envia estudantes aos EUA]. Entender a l\u00edngua de um outro pa\u00eds \u00e9 um modo interessante de a pessoa entender como essa cultura funciona. Se voc\u00ea n\u00e3o sabe isso, n\u00e3o saber\u00e1 como negociar com esse pa\u00eds. <\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Professores e pesquisadores na China t\u00eam total liberdade? <br \/>\nMA &#8211; N\u00e3o vejo controle do governo. As pessoas sempre falam que n\u00e3o temos liberdade. N\u00e3o sei o porqu\u00ea disso.<\/p>\n<p>* \u00c9 professora da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Pequim (China), onde pesquisa pol\u00edticas internacionais de educa\u00e7\u00e3o superior. Tamb\u00e9m coordena a c\u00e1tedra da Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura) de pesquisa em ensino superior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 10\/12\/07 F\u00e1bio Takahashi Entrevista com Wan-Hua Ma* Para pesquisadora, tarifa na universidade viabiliza expans\u00e3o e faz aluno estudar mais A cobran\u00e7a pelo ensino superior come\u00e7ou na China em 1997. No Brasil, a cobran\u00e7a \u00e9 vetada pela Constitui\u00e7\u00e3o, que determina &#8216;gratuidade do ensino p\u00fablico&#8217;. 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