{"id":117533,"date":"2016-08-22T15:50:30","date_gmt":"2016-08-22T18:50:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufla.br\/ascom\/?p=117533"},"modified":"2016-08-22T15:50:30","modified_gmt":"2016-08-22T18:50:30","slug":"dicas-de-portugues-questao-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2016\/08\/22\/dicas-de-portugues-questao-de-genero\/","title":{"rendered":"Dicas de Portugu\u00eas: Quest\u00e3o de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 poucos anos n\u00e3o passava pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m a possibilidade concreta de uma mulher ostentar, de fato, a faixa verde-amarela. Falava-se no assunto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">como hip\u00f3tese ut\u00f3pica. At\u00e9 chegar l\u00e1\u2026 Ops! Chegamos. O n\u00famero de eleitoras ultrapassou o de eleitores. O voto feminino passou a ser disputado a tapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo come\u00e7ou com o movimento feminista. Nos anos sessenta, as mulheres foram \u00e0 luta. Queriam os mesmos direitos que os homens. Abusaram dos trajes masculinos. Desfilaram barrigas gr\u00e1vidas. Queimaram suti\u00e3s em pra\u00e7a p\u00fablica. N\u00e3o deu outra. Conquistaram a universidade e o mercado de trabalho. Sentaram-se no Parlamento. Vestiram togas. Engrossaram as fileiras das For\u00e7as Armadas. Ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto era quest\u00e3o de tempo. N\u00e3o \u00e9 mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo da ascens\u00e3o, outra batalha corria solta. O alvo foi a l\u00edngua. \u201cO portugu\u00eas \u00e9 machista\u201d, decretaram elas sem ligar pra injusti\u00e7a. A raz\u00e3o: ao englobar os g\u00eaneros, a palavra fica no masculino plural. \u201cMeus filhos\u201d inclui os filhos e as filhas. \u201cOs devedores\u201d abarca as devedoras e os devedores. A luta pelo g\u00eanero se imp\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jos\u00e9 Sarney percebeu a virada. \u201cBrasileiras e brasileiros\u201d, saudava ele. Homens e mulheres acharam a novidade simp\u00e1tica. O SBT aproveitou a onda. P\u00f4s no ar a novela com o mesmo bord\u00e3o. A partir da\u00ed, distinguir o g\u00eanero deixou de ser gesto de simpatia. Virou obriga\u00e7\u00e3o. \u201cMeus amigos e minhas amigas\u201d, dizia FHC. \u201cSenhores deputados e senhoras deputadas\u201d, cumprimentava A\u00e9cio Neves. \u201cCaros senadores e caras senadoras\u201d, bradavam Suas Excel\u00eancias da tribuna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De obriga\u00e7\u00e3o passou a obsess\u00e3o. Hoje, n\u00e3o faltam situa\u00e7\u00f5es como estas: \u201cPedimos aos presentes e \u00e0s presentes que se levantem\u201d. \u201cOs estudantes e as estudantes devem usar uniforme.\u201d \u201cOs debatedores e as debatedoras chegar\u00e3o ao meio-dia.\u201d Nos convites, todo o cuidado \u00e9 pouco. A consagrada f\u00f3rmula \u201csenhor e senhora Paulo Silva\u201d provoca o furor delas. Melhor optar por \u201csenhor Paulo Silva e senhora Maria Silva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rea\u00e7\u00f5es ao exagero n\u00e3o faltam. Mill\u00f4r Fernandes dirige-se \u00e0s \u201cpessoas e pessoos\u201d. Ver\u00edssimo fala em \u201cpovo e pova\u201d. Aumenta o n\u00famero dos temerosos de que cheguemos ao absurdo de distinguir \u201chumanidade e mulheridade\u201d e \u201cseres humano e mulherano\u201d. Da\u00ed a conclus\u00e3o dos cr\u00edticos: \u201cEst\u00e1 certo que a l\u00edngua \u00e9 viva. Mas isso cheira a Odorico Paraguassu\u201d. E da\u00ed? O dicion\u00e1rio registra os femininos presidente e presidenta. Voc\u00ea decide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Distinguir o masculino e o feminino n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de corre\u00e7\u00e3o gramatical.\u00a0<em>Brasileiros<\/em>\u00a0refere-se a homens e mulheres nascidos nesta alegre Pindorama. Gramaticalmente recebe nota 10. Mas escorrega no femininamente correto. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Esconde a mulher. Deixa-a sem espa\u00e7o. No discurso, a modernidade recomenda usar o masculino e o feminino. Dando visibilidade a ele e a ela, marca-se, na fala, a igualdade dos dois g\u00eaneros,o que, na realidade, \u00e9 uma chatice. G\u00eanero \u00e9 uma quest\u00e3o mais abrangente e grandiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dad Squarisi (adaptado)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo Roberto Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ascom<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos anos n\u00e3o passava pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m a possibilidade concreta de uma mulher ostentar, de fato, a faixa verde-amarela. Falava-se no assunto como hip\u00f3tese ut\u00f3pica. At\u00e9 chegar l\u00e1\u2026 Ops! Chegamos. O n\u00famero de eleitoras ultrapassou o de eleitores. O voto feminino passou a ser disputado a tapa. 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