{"id":1168,"date":"2007-12-05T00:00:00","date_gmt":"2007-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/12\/perdemos-em-qualidade\/"},"modified":"2007-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-05T00:00:00","slug":"perdemos-em-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/05\/perdemos-em-qualidade\/","title":{"rendered":"Perdemos em qualidade"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 05\/12\/07<\/p>\n<p>ANT\u00d4NIO GOIS<\/p>\n<p>Sempre que uma avalia\u00e7\u00e3o do ensino escancara o nosso atraso, os saudosistas lamentam o fato lembrando que, no passado, a escola p\u00fablica era de qualidade.<\/p>\n<p>Ainda que o Brasil s\u00f3 tenha come\u00e7ado a comparar o desempenho de seus estudantes em 1995, essa afirma\u00e7\u00e3o, muito provavelmente, \u00e9 verdadeira.<\/p>\n<p>O que nem sempre \u00e9 levado em conta \u00e9 que aquela escola p\u00fablica era para poucos. Em 1940, apenas 31% das crian\u00e7as de 7 a 14 anos estavam na escola. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar o perfil de quem estava fora dela.<\/p>\n<p>Em 2000, essa propor\u00e7\u00e3o chegou a 95%. Ganhamos em quantidade, perdemos em qualidade.<\/p>\n<p>A chegada dos mais pobres \u00e0 escola p\u00fablica foi acompanhada da migra\u00e7\u00e3o gradativa da elite para o ensino privado. Para um pa\u00eds que se esmerou como poucos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade desigual, a conviv\u00eancia dessas duas classes num mesmo espa\u00e7o -no caso, a escola- n\u00e3o fazia sentido.<\/p>\n<p>Esse modelo funcionou bem para aquele projeto de pa\u00eds. Os mais ricos eram educados em escolas privadas e, com isso, asseguravam seu futuro profissional, j\u00e1 que os melhores postos de trabalho n\u00e3o estavam ao alcance de quem tinha como \u00fanica op\u00e7\u00e3o a escola p\u00fablica.<br \/>\nOs resultados do Pisa evidenciam que esse projeto n\u00e3o serve mais nem mesmo para quem sempre se beneficiou dele. Numa economia cada vez mais globalizada, ganham mais empregos e investimentos os pa\u00edses que t\u00eam sua m\u00e3o-de-obra mais qualificada.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es que conseguiram as melhores posi\u00e7\u00f5es foram justamente aquelas onde a desigualdade de notas entre seus melhores e piores alunos foi a menor: Finl\u00e2ndia e Hong Kong.<\/p>\n<p>Na Finl\u00e2ndia, sequer existe ensino particular (98% est\u00e3o em escolas p\u00fablicas). Em Hong Kong, a maioria (91%) est\u00e1 no ensino privado, mas em escolas que dependem de financiamento p\u00fablico.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, os Estados do Brasil que se sa\u00edram melhor no Pisa foram os da regi\u00e3o Sul. \u00c9 l\u00e1 que, como mostra o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio, a dist\u00e2ncia entre a rede p\u00fablica e a privada \u00e9 menor no Brasil.<\/p>\n<p>O que Finl\u00e2ndia e Hong Kong fizeram foi equalizar as oportunidades. Por isso, ficam entre os primeiros mesmo quando se compara apenas os mais pobres ou somente os mais ricos.<br \/>\nCom uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e para todos, os melhores, para se sobressair, t\u00eam de ser ainda melhores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 05\/12\/07 ANT\u00d4NIO GOIS Sempre que uma avalia\u00e7\u00e3o do ensino escancara o nosso atraso, os saudosistas lamentam o fato lembrando que, no passado, a escola p\u00fablica era de qualidade. 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