{"id":1163,"date":"2007-12-05T00:00:00","date_gmt":"2007-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/12\/abismo-separa-redes-publica-e-privada\/"},"modified":"2007-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-05T00:00:00","slug":"abismo-separa-redes-publica-e-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/05\/abismo-separa-redes-publica-e-privada\/","title":{"rendered":"Abismo separa redes p\u00fablica e privada"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 05\/12\/07<\/p>\n<p>Dos 35 pa\u00edses participantes do Pisa, Brasil foi o que apresentou a maior diferen\u00e7a entre os ensinos na prova de ci\u00eancias<\/p>\n<p>Resultados mostram ainda que elite brasileira tem desempenho fraco, cuja m\u00e9dia ocupa apenas a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial<\/p>\n<p>Entre 35 pa\u00edses onde foi poss\u00edvel fazer essa compara\u00e7\u00e3o, o Brasil foi o que apresentou a maior dist\u00e2ncia, em n\u00famero de pontos, entre os alunos da rede p\u00fablica e da rede privada na prova de ci\u00eancias.<\/p>\n<p>O resultado mostra que a elite brasileira, quando confrontada com a de outros pa\u00edses no Pisa, tamb\u00e9m tem desempenho abaixo da m\u00e9dia. Mesmo estando muito melhores do que os jovens das p\u00fablicas, os estudantes de particulares ocupariam somente a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o e estariam abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p>Como nem todos os pa\u00edses possuem rede privada em tamanho significativo, essa compara\u00e7\u00e3o se resume apenas a um grupo de 35 na\u00e7\u00f5es. Em alguns casos, como em Hong Kong, a rede p\u00fablica \u00e9 melhor do que a particular, mas \u00e9 preciso levar em conta que l\u00e1, diferentemente do Brasil, a maioria das escolas particulares -onde est\u00e3o 91% dos alunos- depende de financiamento estatal.<\/p>\n<p>Extremos<\/p>\n<p>Outra maneira de fazer essa mesma constata\u00e7\u00e3o \u00e9 comparar apenas os alunos que est\u00e3o nos extremos de melhores e piores notas. Nesse caso, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 pode ser feita entre todos os pa\u00edses que participaram do Pisa.<\/p>\n<p>Se as m\u00e9dias fossem comparada apenas pelo desempenho de estudantes que est\u00e3o entre os 5% melhores, a posi\u00e7\u00e3o do Brasil seria a 51\u00aa em ci\u00eancias, a 45\u00aa em leitura e a 53\u00aa em matem\u00e1tica. A posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito melhor do que em uma mesma compara\u00e7\u00e3o considerando somente os 5% piores alunos. As posi\u00e7\u00f5es, nesse caso, seriam a 55\u00aa em ci\u00eancias, a 51\u00aa em leitura e a 55\u00aa em matem\u00e1tica.<br \/>\nO p\u00edfio desempenho da elite brasileira j\u00e1 havia aparecido em outras edi\u00e7\u00f5es do Pisa. Um estudo feito pelo pesquisador Creso Franco, da PUC do Rio de Janeiro, mostra que, em 2000, os estudantes brasileiros de maior n\u00edvel s\u00f3cio-ec\u00f4nomico ficavam muito atr\u00e1s dos de na\u00e7\u00f5es como Fran\u00e7a, Cor\u00e9ia, Estados Unidos ou Espanha.<\/p>\n<p>Outra an\u00e1lise que o Pisa permite fazer \u00e9 o quanto as m\u00e9dias s\u00e3o explicadas pelo n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos alunos, j\u00e1 que o fator determinante para o desempenho do estudante \u00e9 sua situa\u00e7\u00e3o familiar, ou seja, filhos de pais escolarizados e de maior renda tendem a ter melhor desempenho do que os pobres e de fam\u00edlias menos escolarizadas, ainda que ambas estejam na mesma escola.<\/p>\n<p>Para isso, a OCDE estima qual seria a m\u00e9dia de todos os pa\u00edses caso todos os alunos tivessem n\u00edvel socioecon\u00f4mico igual. No Brasil, a m\u00e9dia em ci\u00eancias passaria de 390 -que \u00e9 a m\u00e9dia simples- para 424.<\/p>\n<p>Isso, no entanto, pouco alteraria a posi\u00e7\u00e3o brasileira no ranking em ci\u00eancias. O pa\u00eds passaria da 51\u00aa posi\u00e7\u00e3o para a 49\u00aa. Nessa compara\u00e7\u00e3o, em vez dos 57 pa\u00edses listados nas m\u00e9dias simples de ci\u00eancias, entrariam apenas 56, j\u00e1 que as m\u00e9dias do Qatar n\u00e3o foram ajustadas de acordo com o n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos alunos.<\/p>\n<p>Apesar de o Brasil apresentar uma das maiores desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o das notas dos alunos, de 2003 para 2006, os dados do Pisa revelam que essa diferen\u00e7a diminuiu.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, a m\u00e9dia dos estudantes que estavam entre os 5% piores teve ganho de 23 pontos em matem\u00e1tica e de 11 pontos em leitura. Entre os que estavam entre os 5% melhores, a m\u00e9dia variou apenas dois pontos em matem\u00e1tica e teve queda de 19 em leitura.<\/p>\n<p>O mesmo acontece quando, s\u00e3o selecionados os 25% melhores e os 25% piores. Entre os piores, as m\u00e9dias avan\u00e7am 22 pontos em matem\u00e1tica e caem dois em leitura. Entre os melhores, o avan\u00e7o em matem\u00e1tica \u00e9 de oito pontos e a queda em leitura, de 19.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 05\/12\/07 Dos 35 pa\u00edses participantes do Pisa, Brasil foi o que apresentou a maior diferen\u00e7a entre os ensinos na prova de ci\u00eancias Resultados mostram ainda que elite brasileira tem desempenho fraco, cuja m\u00e9dia ocupa apenas a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial Entre 35 pa\u00edses onde foi poss\u00edvel fazer essa compara\u00e7\u00e3o, o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/05\/abismo-separa-redes-publica-e-privada\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Abismo separa redes p\u00fablica e privada<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}