{"id":1155,"date":"2007-12-03T00:00:00","date_gmt":"2007-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/12\/professor-nao-esta-preparado-para-alunos-deficientes\/"},"modified":"2007-12-03T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-03T00:00:00","slug":"professor-nao-esta-preparado-para-alunos-deficientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/03\/professor-nao-esta-preparado-para-alunos-deficientes\/","title":{"rendered":"Professor n\u00e3o est\u00e1 preparado para alunos deficientes"},"content":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 02\/12\/07<\/p>\n<p>Maria Rehder e Naiana Oscar, Jornal da Tarde<\/p>\n<p>Pesquisa do Ibope mostra que 96% deles se dizem sem condi\u00e7\u00f5es e 87% afirmam nunca ter recebido treinamento <\/p>\n<p>No caminho para promover a inclus\u00e3o de alunos especiais na rede p\u00fablica brasileira dentro das escolas regulares, como defende o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) e grupos de especialistas da \u00e1rea, h\u00e1 uma barreira essencial a ser superada: o treinamento do professor para receber e ensinar esse estudante. Pesquisa Ibope encomendada pela Funda\u00e7\u00e3o Victor Civita, obtida com exclusividade pela reportagem, revela que 96% dos professores da rede p\u00fablica se dizem despreparados para a inclus\u00e3o de alunos especiais e 87% deles nunca receberam nenhum treinamento para isso. Foram ouvidos 500 docentes, em uma amostra de todas as capitais. <\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 experi\u00eancias maravilhosas de docentes que promovem a inclus\u00e3o. S\u00f3 que ainda temos redes de ensino e at\u00e9 escolas que n\u00e3o oferecem capacita\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Regina Scarpa, pedagoga da Funda\u00e7\u00e3o Victor Civita. Ela explica que o mais importante \u00e9 garantir que o aluno especial aprenda os conte\u00fados do ensino fundamental. \u201cPara isso o professor tem de estar preparado.\u201d Nesse quesito, o conceito de inclus\u00e3o precisa ser bem definido, e inclui muito mais do que manter o aluno dentro da sala de aula. <\/p>\n<p>O tema tem recebido maior aten\u00e7\u00e3o de entidades n\u00e3o-governamentais que trabalham com a quest\u00e3o, inclusive pela proximidade de uma data especial: amanh\u00e3 se comemora o Dia Internacional das Pessoas com Defici\u00eancia, data escolhida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o do mundo a respeito do problema. <\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, dos 250 mil professores da rede estadual de ensino, apenas 13.992 receberam capacita\u00e7\u00e3o para isso. A t\u00e9cnica do Servi\u00e7o de Educa\u00e7\u00e3o Especial da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, Marlene Machado, diz que o n\u00famero \u00e9 pequeno porque a capacita\u00e7\u00e3o \u00e9 mais focada nos professores-coordenadores. \u201cEles s\u00e3o multiplicadores nas escolas.\u201d <\/p>\n<p>Para a professora das redes municipal e estadual Maria Senna do Nascimento, os profissionais das escolas p\u00fablicas n\u00e3o est\u00e3o preparados. Tanto que ela matriculou a filha de 18 anos, portadora de s\u00edndrome de Down, numa escola especial privada. \u201cAs escolas p\u00fablicas t\u00eam muitos alunos por sala e nem todos professores recebem capacita\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>FALHAS <\/p>\n<p>A dona de casa Cleuza Aparecida, de 39 anos, e sua filha P\u00e2mela, de 13, s\u00e3o outro exemplo dessa realidade. Matriculada na 3\u00aa s\u00e9rie da Escola Municipal de Ensino Infantil Alexandre de Gusm\u00e3o, em Guaianases (zona leste), a menina, que tem um leve retardo mental, s\u00f3 podia freq\u00fcentar as aulas se a m\u00e3e estivesse junto. Foi uma ordem da dire\u00e7\u00e3o, segundo Cleuza. \u201cFiquei meses com a P\u00e2mela na sala. A professora nunca chegou perto da carteira\u201d, conta a m\u00e3e. <\/p>\n<p>Sem ter conclu\u00eddo o ensino fundamental, Cleuza Aparecida decidiu ensinar o que sabe para a filha, na pr\u00f3pria casa. Ela identifica cores, canta m\u00fasicas em ingl\u00eas, mas n\u00e3o sabe nem ler nem escrever. \u201cProva de que minha filha tem capacidade.\u201d<\/p>\n<p>A dona de casa Tereza Torres da Silva, de 39 anos, tamb\u00e9m n\u00e3o gostou do atendimento dado para filha Ang\u00e9lica, de 7 anos, na Escola Estadual Itiro Muto, no Graja\u00fa. Decidiu tirar a menina da escola. Mesmo sem entender das discuss\u00f5es sobre inclus\u00e3o, Tereza viu que alguma coisa estava errada. Ang\u00e9lica n\u00e3o estava na turma regular. \u201cEla ficava numa sala s\u00f3 com crian\u00e7as deficientes, bem maiores do que ela. Fiquei com medo\u201d, disse a m\u00e3e. <\/p>\n<p>A nova pol\u00edtica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o prop\u00f5e que os alunos portadores de defici\u00eancia estudem em salas comuns &#8211; o que tem gerado diversos protestos, manifestos e abaixo-assinados por todo o Pa\u00eds, organizados por grupos de apoio aos portadores de deficientes. <\/p>\n<p>A Secretaria Estadual da Educa\u00e7\u00e3o informou que Ang\u00e9lica estava em uma sala especial provisoriamente, at\u00e9 que conseguisse se adaptar. Na escola, entretanto, a informa\u00e7\u00e3o era de que crian\u00e7as com necessidades especiais s\u00e3o matriculadas nessas turmas e a \u201cinclus\u00e3o\u201d ocorre nos intervalos e em festas. Na Emef Jo\u00e3o de Lima Paiva, alunos com defici\u00eancia ficam em salas comuns. Mas isso n\u00e3o faz da escola um bom exemplo, pois os professores faltam muito. A Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o justifica que na falta de professores a aula \u00e9 suprida por outros educadores. <\/p>\n<p>Regina Martins, professora de 3\u00aa s\u00e9rie da Emef Coronel Ten\u00f3rio de Brito (zona sul), por\u00e9m, afirma que \u00e9 poss\u00edvel fazer a inclus\u00e3o de alunos deficientes na classe regular. \u201cDou aulas por agrupamento, mapeio as necessidades de cada aluno, mas essa did\u00e1tica s\u00f3 adquiri ap\u00f3s 20 anos e por meio de uma capacita\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que nem todo professor \u00e9 capacitado.\u201d <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 02\/12\/07 Maria Rehder e Naiana Oscar, Jornal da Tarde Pesquisa do Ibope mostra que 96% deles se dizem sem condi\u00e7\u00f5es e 87% afirmam nunca ter recebido treinamento No caminho para promover a inclus\u00e3o de alunos especiais na rede p\u00fablica brasileira dentro das escolas regulares, como defende o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/03\/professor-nao-esta-preparado-para-alunos-deficientes\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Professor n\u00e3o est\u00e1 preparado para alunos deficientes<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}