{"id":1152,"date":"2007-12-03T00:00:00","date_gmt":"2007-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/12\/menos-de-1-dos-alunos-buscam-curso-tecnologico\/"},"modified":"2007-12-03T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-03T00:00:00","slug":"menos-de-1-dos-alunos-buscam-curso-tecnologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/03\/menos-de-1-dos-alunos-buscam-curso-tecnologico\/","title":{"rendered":"Menos de 1% dos alunos buscam curso tecnol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 03\/12\/07<\/p>\n<p>F\u00e1bio Takahashi<\/p>\n<p>Em pa\u00edses desenvolvidos, cerca de 29% dos estudantes de ensino superior se formam em cursos t\u00e9cnicos de curta dura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Modelo brasileiro, voltado para cursos tradicionais, \u00e9 ruim para crescimento do pa\u00eds, diz pesquisador; tese \u00e9 pol\u00eamica entre educadores <\/p>\n<p>Menos de 1% dos estudantes brasileiros se formaram em cursos superiores de curta dura\u00e7\u00e3o, mais voltados para o mercado de trabalho, nos \u00faltimos dez anos. Nos pa\u00edses desenvolvidos, o \u00edndice \u00e9 de 29%.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apresentada amanh\u00e3 pelo pesquisador Renato Pedrosa, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em um semin\u00e1rio que debater\u00e1 acesso e financiamento do ensino superior.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o utilizou dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior brasileiro e da OCDE (organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane os pa\u00edses desenvolvidos). Pedrosa considerou os estudantes formados nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o atual modelo brasileiro, focado nos cursos tradicionais de gradua\u00e7\u00e3o, traz preju\u00edzos ao desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8216;Estamos formando chefes e temos m\u00e3o-de-obra de base. Falta a parte do meio da cadeia&#8217;, afirma Pedrosa. &#8216;Em uma empresa automotiva, por exemplo, precisa-se de um volume muito maior de t\u00e9cnicos do que de engenheiros. E n\u00e3o estamos formando t\u00e9cnicos.&#8217;<\/p>\n<p>Os cursos de curta dura\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m conhecidos como tecnol\u00f3gicos, duram de dois a tr\u00eas anos e focam numa \u00e1rea do conhecimento. J\u00e1 as gradua\u00e7\u00f5es convencionais, que procuram dar uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla ao aluno, duram pelo menos quatro anos. Exemplo: na \u00e1rea que pode ser entendida como engenharia, existe o curso tecnol\u00f3gico de obras hidr\u00e1ulicas. <\/p>\n<p>Enquanto o primeiro tem uma dura\u00e7\u00e3o de cinco anos, o segundo fica entre dois e tr\u00eas.<br \/>\nPara sustentar a avalia\u00e7\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio criar maci\u00e7amente vagas em cursos tecnol\u00f3gicos, Pedrosa lembra um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) divulgado no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>No trabalho, o instituto afirma que a ind\u00fastria nacional n\u00e3o encontrou trabalhador qualificado para uma em cada quatro vagas abertas neste ano, principalmente entre pessoas com at\u00e9 13,1 anos de estudo.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse perfil que se encaixam aqueles que cursam o ensino superior de curta dura\u00e7\u00e3o (11 anos de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e mais dois ou tr\u00eas de superior).<\/p>\n<p>Outra vantagem dos cursos tecnol\u00f3gicos, segundo Pedrosa, \u00e9 o custo por aluno, que chega a ser oito vezes menor do que em universidades tradicionais como a Unicamp ou a USP.<br \/>\nConta para isso, al\u00e9m da dura\u00e7\u00e3o dos cursos, o fato de as institui\u00e7\u00f5es convencionais se dedicarem tamb\u00e9m \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas e \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como hospitais universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, com dados de 2005, os centros tecnol\u00f3gicos e as faculdades de tecnologia possu\u00edam apenas 83,2 mil dos 4,4 milh\u00f5es de matr\u00edculas nas gradua\u00e7\u00f5es presenciais no pa\u00eds (1,9% do total).<\/p>\n<p>Cr\u00edticas<\/p>\n<p>Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, Cesar Minto \u00e9 contr\u00e1rio ao modelo de curta dura\u00e7\u00e3o. &#8216;Sem forma\u00e7\u00e3o geral, com forte teor human\u00edstico, voc\u00ea n\u00e3o cria cidad\u00e3os cr\u00edticos. Forma apenas pessoas para seguirem ordens.&#8217;<\/p>\n<p>Minto afirma ainda que, &#8216;nos pa\u00edses ricos, as pessoas formadas em cursos tecnol\u00f3gicos t\u00eam sal\u00e1rios razo\u00e1veis, o que pode n\u00e3o ocorrer aqui&#8217;.<\/p>\n<p>Presidente do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), Simon Schwartzman diz que &#8216;uma das limita\u00e7\u00f5es fortes de qualquer sistema de educa\u00e7\u00e3o profissional, seja p\u00fablico ou privado, \u00e9 o baixo prest\u00edgio junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8217;, o que pode ter m\u00e1 repercuss\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Para o membro do Conselho Estadual da Educa\u00e7\u00e3o e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Jo\u00e3o Cardoso Palma Filho, o ensino superior precisa expandir tanto pelos cursos tradicionais quanto pelos de curta dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8216;Hoje, por exemplo, faltam engenheiros civis, um curso tradicional. Mas os tecnol\u00f3gicos tamb\u00e9m s\u00e3o importantes. Um dos fatores \u00e9 que, com os mesmos recursos, consegue-se incluir muito mais alunos nesse modelo, que \u00e9 mais barato.&#8217;<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio onde ser\u00e1 apresentada a pesquisa de Pedrosa ocorrer\u00e1 hoje e amanh\u00e3, na sede da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), na zona oeste de S\u00e3o Paulo. A iniciativa \u00e9 da Presid\u00eancia da Assembl\u00e9ia Legislativa, que pretende colher informa\u00e7\u00f5es para poss\u00edveis novas leis sobre o assunto.<\/p>\n<p>Uni\u00e3o e Estado pretendem ampliar ensino <\/p>\n<p>Tanto o governo federal quanto o estadual paulista afirmam que pretendem expandir o n\u00famero de escolas de ensino tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Segundo o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o), a rede federal de educa\u00e7\u00e3o profissional e tecnol\u00f3gica, que possu\u00eda 140 institui\u00e7\u00f5es em 2002, passar\u00e1 a contar com 354 at\u00e9 2010 (aumento de 152,9% em oito anos).<\/p>\n<p>O estudo a ser apresentado mostra a fotografia deste momento, n\u00e3o capta a tend\u00eancia de crescimento na rede no pa\u00eds&#8217;, afirmou o secret\u00e1rio de Ensino Superior do governo Lula, Ronaldo Mota.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o Jos\u00e9 Serra (PSDB-SP), em artigo publicado na \u00faltima ter\u00e7a-feira na Folha, afirma que aumentar\u00e1 em 109% o n\u00famero de matr\u00edculas deste ano at\u00e9 2010. O texto foi assinado pelo vice-governador e secret\u00e1rio de Desenvolvimento, Alberto Goldman, e pela diretora do Centro Paula Souza, Laura Lagan\u00e1 -a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelas Fatecs (Faculdades de Tecnologia). (FT)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 03\/12\/07 F\u00e1bio Takahashi Em pa\u00edses desenvolvidos, cerca de 29% dos estudantes de ensino superior se formam em cursos t\u00e9cnicos de curta dura\u00e7\u00e3o Modelo brasileiro, voltado para cursos tradicionais, \u00e9 ruim para crescimento do pa\u00eds, diz pesquisador; tese \u00e9 pol\u00eamica entre educadores Menos de 1% dos estudantes brasileiros se formaram em cursos &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/12\/03\/menos-de-1-dos-alunos-buscam-curso-tecnologico\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Menos de 1% dos alunos buscam curso tecnol\u00f3gico<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}