{"id":1136,"date":"2007-11-29T00:00:00","date_gmt":"2007-11-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/11\/opiniao-o-que-espero-dos-proximos-dirigentes-da-ufla\/"},"modified":"2007-11-29T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-29T00:00:00","slug":"opiniao-o-que-espero-dos-proximos-dirigentes-da-ufla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/11\/29\/opiniao-o-que-espero-dos-proximos-dirigentes-da-ufla\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O que espero dos pr\u00f3ximos dirigentes da Ufla"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Carlos dos Santos<\/p>\n<p>Estamos em pleno processo de escolha dos pr\u00f3ximos dirigentes da Universidade Federal de Lavras. Considero o momento de extrema import\u00e2ncia, pois  uma escolha errada pode comprometer grande parte dos sonhos de professores, servidores t\u00e9cnico-administrativos e alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s. Devemos escolher os dirigentes pelas suas reais compet\u00eancias para dire\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o e controle das a\u00e7\u00f5es planejadas e n\u00e3o pelas suas titula\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Pode-se dizer que o futuro da universidade est\u00e1 em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Como professor do quadro da universidade desde 1993, espero que os pr\u00f3ximos dirigentes transformem a Ufla em uma HIPER organiza\u00e7\u00e3o de ensino, pesquisa e extens\u00e3o. A escolha do prefixo HIPER se deve a fato de ele significar grande e por ele conter as letras iniciais de cinco estrat\u00e9gias b\u00e1sicas para se construir a universidade de nossos sonhos. <\/p>\n<p>A primeira estrat\u00e9gia a ser utilizada a da Humaniza\u00e7\u00e3o da universidade. N\u00e3o se constroem grandes organiza\u00e7\u00f5es sem a valoriza\u00e7\u00e3o dos seres humanos envolvidos. Os futuros dirigentes da Ufla precisam valorizar tanto os clientes internos (professores, servidores t\u00e9cnico-administrativos e alunos) como os externos (visitantes, parceiros, apoiadores, etc.). <\/p>\n<p>Nesse sentido, se faz necess\u00e1rio o estabelecimento de pol\u00edticas de incentivos, capacita\u00e7\u00e3o, treinamento e relacionamento, al\u00e9m das atividades cartoriais. Os seres humanos apresentam necessidades e desejos que precisam ser satisfeitos.  Sem essas a\u00e7\u00f5es, jamais teremos uma grande universidade.<\/p>\n<p>Uma segunda estrat\u00e9gia, fundamental para o desenvolvimento da universidade, \u00e9 a da Integra\u00e7\u00e3o. Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, a estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o tem sido utilizada por pequenas e grandes corpora\u00e7\u00f5es para se manter no mercado. A integra\u00e7\u00e3o deve ocorrer tanto no n\u00edvel interno como externo da universidade. No n\u00edvel interno, precisamos aproximar os setores para que tenhamos maior sinergia. Infelizmente, temos situa\u00e7\u00f5es em que departamentos n\u00e3o interagem, setores que n\u00e3o se relacionam e dire\u00e7\u00f5es se isolam em prol de seus objetivos individuais. Parece que a filosofia predominante \u00e9 a do bicho-da-seda.<\/p>\n<p>No n\u00edvel externo, precisamos de maior integra\u00e7\u00e3o da universidade com a sociedade, com as demais organiza\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, com os \u00f3rg\u00e3os de fomento, com os governos, as empresas de pesquisa e as ONGs, entre outros.  Precisamos, tamb\u00e9m, de uma integra\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito internacional.  N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formar profissionais dotados de um senso cr\u00edtico-criativo em rela\u00e7\u00e3o aos problemas do setor onde desenvolver\u00e1 suas atividades sem considerar o contexto internacional. Muitas tecnologias e processos que utilizamos s\u00e3o desenvolvidas por organiza\u00e7\u00f5es transnacionais. <\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de professores, pesquisadores e alunos do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, o que contribuir\u00e1 para constru\u00e7\u00e3o da grande universidade desejada.<br \/>\nA terceira estrat\u00e9gia, n\u00e3o menos importante, \u00e9 a da Profissionaliza\u00e7\u00e3o. Profissionalizar significa dotar os postos de trabalho da organiza\u00e7\u00e3o de pessoas habilitadas para tal. No atual contexto do desenvolvimento econ\u00f4mico, pol\u00edtico, sociol\u00f3gico e tecnol\u00f3gico em que vivemos \u00e9 inadmiss\u00edvel utilizar pessoas despreparadas nos postos de trabalho. Isso \u00e9 muito comum em nossa universidade. Encontramos pessoas com boa vontade, por\u00e9m, desqualificadas e deslocadas dos postos de trabalho. Como resultados, t\u00eam-se a baixa produtividade dos servidores, a insatisfa\u00e7\u00e3o de clientes internos e externos, reclama\u00e7\u00f5es, os desperd\u00edcios de talentos e tecnologias, o retrabalho e, at\u00e9 mesmo, os problemas de sa\u00fade. Isso n\u00e3o pode continuar.    <\/p>\n<p>A quarta estrat\u00e9gia \u00e9 a da Estrutura\u00e7\u00e3o.  Nenhuma organiza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 seus objetivos se n\u00e3o dispuser de uma boa estrutura organizacional, f\u00edsica e de pessoal. No mundo atual, a competitividade da organiza\u00e7\u00e3o moderna depende muito do alinhamento da sua estrutura organizacional aos seus ambientes de neg\u00f3cio. Nesse sentido, os pr\u00f3ximos dirigentes precisam investir muito. A estrutura organizacional atual da Ufla n\u00e3o corresponde \u00e0 sua evolu\u00e7\u00e3o; transformou-se em universidade, mas continuou com a estrutura organizacional da antiga Esal Falta alinhamento, em termos de sistema de atividade, autoridade, comunica\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre as atividades fim das atividades meio; n\u00e3o temos uma linha de assessoria coerente e o modelo de departamentaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 adequado \u00e0s caracter\u00edsticas da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 estrutura f\u00edsica, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 das melhores. Apesar de termos crescido muito, as estruturas que foram constru\u00eddas n\u00e3o oferecem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que haja um bom aproveitamento. A qualidade das estruturas deixou a desejar. H\u00e1 car\u00eancia de apoio audiovisual, controle t\u00e9rmico, de luminosidade e at\u00e9 um m\u00ednimo de conforto em termos de acomoda\u00e7\u00f5es n\u00e3o existe. N\u00e3o precisamos de estruturas luxuosas, mas conforto \u00e9 importante no processo ensino aprendizagem. <\/p>\n<p>Em termos de estrutura de pessoal, a situa\u00e7\u00e3o apresenta-se muito boa pelo lado do corpo docente, tendo em vista a quantidade e a qualidade dos mesmos, por\u00e9m, no que tange a servidores t\u00e9cnico-administrativos, al\u00e9m de faltar em quantidade, faltam investimentos em qualidade e motiva\u00e7\u00e3o. Conseq\u00fcentemente, muitos servidores est\u00e3o desvalorizados, estressados, revoltados, improdutivos, cansados, sobrecarregados e insatisfeitos com a atual situa\u00e7\u00e3o. A terceiriza\u00e7\u00e3o foi uma op\u00e7\u00e3o, em face da aus\u00eancia de vagas para a contrata\u00e7\u00e3o de servidores para o quadro. Entretanto, devido a maneira como foi realizada fez surgir uma categorias de colaboradores que se confronta com o pessoal do quadro permanente e os divide em os que ganham bem e os que ganham mal, os que trabalham e os que n\u00e3o trabalham; os que possuem benef\u00edcios e os que n\u00e3o os possuem. Essa situa\u00e7\u00e3o gera conflitos internos que colaboram para improdutividade, baixa qualidade dos servi\u00e7os e um clima organizacional ruim.  <\/p>\n<p>A \u00faltima estrat\u00e9gia, e de grande import\u00e2ncia, \u00e9 a do Reconhecimento. Um dos requisitos essenciais para evoluir e crescer no meio organizacional \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de marcas reconhecidas. N\u00e3o se consegue construir grandes organiza\u00e7\u00f5es sem que suas a\u00e7\u00f5es sejam reconhecidas no seu contexto interno e externo. <\/p>\n<p>No caso das organiza\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias n\u00e3o \u00e9 diferente. A sua avalia\u00e7\u00e3o \u00e9, na maioria das vezes, realizada com base no seu reconhecimento pela sociedade. Nesse sentido, espero que os futuros dirigentes da Universidade Federal de Lavras fa\u00e7am um excelente trabalho visando manter e ampliar o reconhecimento da marca Ufla tanto no contexto nacional como no internacional. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, pois a concorr\u00eancia \u00e9 muito grande e, \u00e0s vezes, desleal. Precisamos, urgentemente, de equipes que trabalhem a programa\u00e7\u00e3o visual da universidade, no sentido de profissionalizar e padronizar o processo de  comunica\u00e7\u00e3o interno e externo da organiza\u00e7\u00e3o. Precisamos mostrar para sociedade brasileira e estrangeira que queremos ser uma das melhores universidades do planeta. N\u00e3o podemos ser t\u00edmidos nesse sentido.<\/p>\n<p>Em suma, considero o momento de extrema import\u00e2ncia e acredito que, com as cinco estrat\u00e9gias apresentadas, ser\u00e1 poss\u00edvel, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades fim, construir uma  universidade educacionalmente orientada, cientificamente alinhada e socialmente integrada. No que tange \u00e0s atividades meio, teremos uma universidade bem estruturada, com servidores valorizados e profissionalmente gerenciada.  Essa \u00e9 a minha esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Carlos dos Santos<br \/>\nEngnheiro Agr\u00f4nomo, mestre e doutor em administra\u00e7\u00e3o e chefe do Departamento de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Lavras. <br \/>\nE-mail: acsantos@ufla.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Carlos dos Santos Estamos em pleno processo de escolha dos pr\u00f3ximos dirigentes da Universidade Federal de Lavras. 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