{"id":1117,"date":"2007-11-26T00:00:00","date_gmt":"2007-11-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/11\/para-ministro-a-escola-publica-sera-sempre-pior\/"},"modified":"2007-11-26T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-26T00:00:00","slug":"para-ministro-a-escola-publica-sera-sempre-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/11\/26\/para-ministro-a-escola-publica-sera-sempre-pior\/","title":{"rendered":"Para ministro, a escola p\u00fablica ser\u00e1 sempre pior"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 24\/11\/07<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Gois<\/p>\n<p>Fernando Haddad (Educa\u00e7\u00e3o) fez a afirma\u00e7\u00e3o ao comentar resultado do Enem, em que as particulares se sa\u00edram melhor<\/p>\n<p>Para o ministro, se a rede particular fosse pior do que a p\u00fablica, ela acabaria por falta de interessados em pagar por servi\u00e7os inferiores <\/p>\n<p>O ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, disse ontem \u00e0 Folha n\u00e3o ter se surpreendido com o fato de as escolas p\u00fablicas terem, em m\u00e9dia, pior desempenho do que as particulares no Enem (Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio).<\/p>\n<p>O exame mostrou que, neste ano, a m\u00e9dia de todos os alunos que estudaram somente na rede p\u00fablica na prova objetiva foi de 49,2, enquanto os que cursaram apenas a rede privada atingiram a m\u00e9dia de 68, numa escala de zero a cem. O mesmo aconteceu na prova de reda\u00e7\u00e3o, mas com diferen\u00e7a menor (55,3 das escolas p\u00fablicas ante 62,3 das particulares).<\/p>\n<p>&#8216;No dia em que a rede privada for pior do que a p\u00fablica, por defini\u00e7\u00e3o, ela acabar\u00e1, j\u00e1 que ningu\u00e9m vai pagar para receber um ensino que pode obter gratuitamente e com mais qualidade&#8217;, afirmou Haddad. Ele tamb\u00e9m reiterou que os resultados do Enem n\u00e3o podem ser comparados com os de anos anteriores, embora o MEC tenha destacado ontem, em informe, a evolu\u00e7\u00e3o nas notas.<\/p>\n<p>&#8216;No ano passado, quando as m\u00e9dias pioraram, n\u00f3s explicamos aos jornalistas que elas n\u00e3o podiam ser comparadas e que n\u00e3o se podia dizer, a partir da\u00ed, que a qualidade da educa\u00e7\u00e3o piorou. Mesmo assim, muitos publicaram que a qualidade caiu. Neste ano, as m\u00e9dias melhoraram, mas continuamos dizendo que o Enem n\u00e3o permite compara\u00e7\u00f5es com anos anteriores, seja para dizer que o ensino est\u00e1 melhor, seja para dizer que est\u00e1 pior.&#8217;<\/p>\n<p>A raz\u00e3o principal que explica por que essa compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser feita \u00e9 que a prova aplicada num ano n\u00e3o segue o mesmo padr\u00e3o de dificuldade do ano anterior. Se, por exemplo, o teste deste ano foi mais f\u00e1cil, as m\u00e9dias v\u00e3o aumentar, n\u00e3o porque os alunos s\u00e3o melhores, mas porque o n\u00edvel de dificuldade caiu.<\/p>\n<p>Se essa compara\u00e7\u00e3o fosse poss\u00edvel, o MEC registraria neste ano uma melhoria t\u00e3o s\u00fabita e significativa que soaria irreal. Na prova objetiva em 2006, a m\u00e9dia de todos os alunos foi de 36,9 pontos. Neste ano, essa mesma m\u00e9dia ficou em 51,5. A compara\u00e7\u00e3o de um ano para o outro permitiria dizer que houve melhoria de 40% nas notas nesse per\u00edodo, algo absolutamente incomum numa \u00e1rea em que os resultados v\u00eam a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>O ministro explicou tamb\u00e9m que, pela mesma raz\u00e3o, nem mesmo a compara\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre a rede p\u00fablica e a particular pode ser feita de um ano para o outro. Como o n\u00edvel de dificuldade da prova pode variar, um teste muito f\u00e1cil pode diminuir artificialmente a dist\u00e2ncia entre a rede p\u00fablica e a privada, por estar nivelado por baixo. Da mesma maneira, quest\u00f5es muito dif\u00edceis podem aumentar a dist\u00e2ncia entre bons e maus alunos.<\/p>\n<p>Os exames do MEC que permitem a compara\u00e7\u00e3o das notas de um ano para o outro s\u00e3o o Saeb (Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) e a Prova Brasil. Ambos s\u00e3o realizados com o objetivo de comparar o desempenho da educa\u00e7\u00e3o brasileira ao longo do tempo. Por isso, suas provas, aplicadas bianualmente, seguem o mesmo padr\u00e3o de dificuldade.<\/p>\n<p>A principal motiva\u00e7\u00e3o dos estudantes que fazem o Enem \u00e9 ingressar em universidades que aceitem o exame em seu processo de sele\u00e7\u00e3o ou tentar uma vaga no ProUni, programa do MEC que oferece vagas gratuitas para alunos carentes em institui\u00e7\u00f5es privadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, portanto, um instrumento adequado para comparar m\u00e9dias de um ano para o outro, mas, sim, para dizer quem naquele ano obter\u00e1 uma vaga no ensino superior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 24\/11\/07 Ant\u00f4nio Gois Fernando Haddad (Educa\u00e7\u00e3o) fez a afirma\u00e7\u00e3o ao comentar resultado do Enem, em que as particulares se sa\u00edram melhor Para o ministro, se a rede particular fosse pior do que a p\u00fablica, ela acabaria por falta de interessados em pagar por servi\u00e7os inferiores O ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/11\/26\/para-ministro-a-escola-publica-sera-sempre-pior\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Para ministro, a escola p\u00fablica ser\u00e1 sempre pior<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}