{"id":1076,"date":"2007-11-13T00:00:00","date_gmt":"2007-11-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/11\/estudo-lanca-luz-sobre-problemas-infantis-na-escola\/"},"modified":"2007-11-13T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-13T00:00:00","slug":"estudo-lanca-luz-sobre-problemas-infantis-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/11\/13\/estudo-lanca-luz-sobre-problemas-infantis-na-escola\/","title":{"rendered":"Estudo lan\u00e7a luz sobre problemas infantis na escola"},"content":{"rendered":"<p>Portal Terra, 13\/11\/07<\/p>\n<p>Benedict Carey <\/p>\n<p>Educadores e psic\u00f3logos h\u00e1 muito temem que crian\u00e7as que estejam come\u00e7ando na escola com problemas comportamentais enfrentar\u00e3o problemas em seus futuros anos de estudo. Mas duas pesquisas recentes sugerem que esses temores talvez sejam exagerados. <\/p>\n<p>Uma delas concluiu que os alunos de jardins de inf\u00e2ncia identificados como perturbados se saem t\u00e3o bem quanto seus colegas, no ensino b\u00e1sico. A segunda constatou que crian\u00e7as que sofrem de diferentes formas de defici\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o na verdade s\u00e3o v\u00edtimas de lentid\u00e3o no desenvolvimento no c\u00e9rebro, e n\u00e3o de um defeito ou d\u00e9ficit mental. <\/p>\n<p>Os especialistas dizem que as conclus\u00f5es dos dois estudos, que est\u00e3o sendo publicados hoje por duas revistas cient\u00edficas diferentes, podem mudar a maneira pela qual cientistas, professores e pais compreendem e administram crian\u00e7as inc\u00f4modas ou emocionalmente retra\u00eddas, nos anos iniciais de escola. Os estudos podem at\u00e9 levar a uma reavalia\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis causas de comportamento perturbador em algumas dessas crian\u00e7as. <\/p>\n<p>\u00b4Acredito que essas conclus\u00f5es possam tomar grande import\u00e2ncia, e nos forcem a perguntar se esse tipo de problema, expresso na forma de comportamento inc\u00f4modo, n\u00e3o seria secund\u00e1rio com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas indevidas de maturidade que alguns educadores mant\u00eam com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as assim que elas chegam \u00e0 escola\u00b4, disse Sharon Ramey, diretora do Centro de Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Georgetown, que n\u00e3o participou de nenhum dos dois estudos. <\/p>\n<p>Em uma das pesquisas, uma equipe internacional de cientistas analisou os indicadores de desenvolvimento social e intelectual de mais de 16 mil crian\u00e7as e constatou que os comportamentos perturbadores e anti-sociais no jardim de inf\u00e2ncia n\u00e3o se correlacionam aos \u00edndices de sucesso registrados ao final do ciclo de ensino b\u00e1sico. <\/p>\n<p>Os alunos de jardim de inf\u00e2ncia que costumam interromper professores, desobedecer instru\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 puxar briga com colegas tinham desempenho t\u00e3o bom em leitura e matem\u00e1tica quanto crian\u00e7as de n\u00edvel semelhante de habilidade, quando os dois grupos de estudantes chegavam \u00e0 quinta s\u00e9rie, de acordo com o estudo. <\/p>\n<p>Outros pesquisadores acautelaram que as conclus\u00f5es do estudo, que est\u00e3o sendo publicadas pela Developmental Psychology, uma revista cient\u00edfica, n\u00e3o implicam que os problemas emocionais de que as crian\u00e7as sofrem sejam triviais ou incapazes de prejudicar seu desenvolvimento acad\u00eamico, nos anos anteriores ou posteriores ao ensino b\u00e1sico. <\/p>\n<p>No outro estudo, pesquisadores do Instituto Nacional de Sa\u00fade americano e da Universidade McGill, no Canad\u00e1, usando t\u00e9cnicas de varredura magn\u00e9tica, constataram que os c\u00e9rebros de crian\u00e7as que sofrem de dist\u00farbio de defici\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade em geral se desenvolvem de maneira mais lenta em algumas \u00e1reas do que os c\u00e9rebros de crian\u00e7as que n\u00e3o sofram esse tipo de dist\u00farbio. <\/p>\n<p>O dist\u00farbio de defici\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o se tornou o mais comum diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico para as crian\u00e7as pequenas que exibem comportamento inc\u00f4modo; estima-se que entre 3% e 5% das crian\u00e7as em idade escolar sofram do problema. Os pesquisadores h\u00e1 muito debatem se isso \u00e9 resultado de alguma defici\u00eancia cerebral ou simplesmente de um atraso no desenvolvimento. <\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos dizem que o relat\u00f3rio, que sai na Proceedings of the National Academy of Sciences, ajuda a explicar por que tantas crian\u00e7as revertem o diagn\u00f3stico inicial de dist\u00farbio de defici\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o, quando passam do ensino b\u00e1sico ou ainda posteriormente, muitas vezes depois de tratamentos com medicamentos estimulantes que melhoram sua concentra\u00e7\u00e3o, quando ainda pequenas. <\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do primeiro estudo surgiram de uma colabora\u00e7\u00e3o entre uma d\u00fazia de importantes pesquisadores, que decidiram reavaliar os dados de seis grandes estudos sobre o desenvolvimento infantil realizados de 1970 para c\u00e1. Cada um desses seis estudos acompanhou centenas de crian\u00e7as da primeira inf\u00e2ncia at\u00e9 o ensino b\u00e1sico, registrando seu desempenho com rela\u00e7\u00e3o a diversos indicadores, entre os quais a capacidade matem\u00e1tica e a de leitura, a estabilidade emocional, a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, e a aten\u00e7\u00e3o. A maioria dos estudos utiliza relat\u00f3rios de professores sobre os alunos a fim de avaliar o progresso emocional e social dos estudantes e sua capacidade de prestar aten\u00e7\u00e3o, quando isso lhes \u00e9 requerido. Os pesquisadores ajustaram os resultados de sua avalia\u00e7\u00e3o com o objetivo de eliminar fatores como a renda familiar e a estrutura da fam\u00edlia das crian\u00e7as. <\/p>\n<p>Embora houvesse baixa correla\u00e7\u00e3o entre problemas de comportamento no jardim da inf\u00e2ncia e o sucesso acad\u00eamico posterior, os pesquisadores conclu\u00edram que os resultados obtidos em testes de matem\u00e1tica por crian\u00e7as de cinco ou seis anos de idade apresentavam forte correla\u00e7\u00e3o com os resultados acad\u00eamicos que elas viriam a obter na quinta s\u00e9rie. A capacidade de leitura e os resultados quanto aos indicadores de aten\u00e7\u00e3o, no jardim da inf\u00e2ncia &#8211; \u00e1reas em que as crian\u00e7as que sofrem de dist\u00farbio de aten\u00e7\u00e3o costumam encontrar problemas &#8211; tamb\u00e9m serviam para a previs\u00e3o de futuros resultados acad\u00eamicos, mas apresentando correla\u00e7\u00f5es bem menos fortes do que no caso dos resultados de testes matem\u00e1ticos. Os padr\u00f5es se assemelhavam para meninos e meninas, e tamb\u00e9m para crian\u00e7as de fam\u00edlias afluentes e de fam\u00edlias de baixa renda. <\/p>\n<p>Os autores do estudo sugerem que os programas pr\u00e9-escolares talvez devessem considerar a possibilidade de desenvolver m\u00e9todos mais efetivos de treinamento matem\u00e1tico no per\u00edodo anterior ao ensino b\u00e1sico. As conclus\u00f5es devem eliminar de vez as preocupa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 possibilidade de que crian\u00e7as inquietas, inc\u00f4modas ou retra\u00eddas, em seus anos de pr\u00e9-escola, estejam condenadas a enfrentar futuros problemas acad\u00eamicos. <\/p>\n<p>\u00b4Para os jardim de inf\u00e2ncia, ao que parece os professores se provaram capazes de contornar esses problemas de comportamento de maneira que permite \u00e0s crian\u00e7as que sofrem esse tipo de dificuldade aprender tanto quanto as demais crian\u00e7as que ostentam n\u00edvel de capacidade b\u00e1sica semelhante\u00b4, disse o diretor do projeto de pesquisa, Greg Duncan, professor de desenvolvimento humano e pol\u00edticas sociais da Universidade Northwestern. Essa constata\u00e7\u00e3o, em especial, afirmou Duncan, \u00b4resultou em grandes controv\u00e9rsias entre os psic\u00f3logos especialistas em desenvolvimento que avaliaram o estudo\u00b4. <\/p>\n<p>Um dos psic\u00f3logos que discordam da teoria \u00e9 Ross Thompson, professor de psicologia na Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis. Ele afirma que seria um erro concluir, com base nos resultados, que os programas adotados para orientar o desenvolvimento emocional dos alunos de pr\u00e9-escola fossem ineficientes. \u00b4Isso seria uma tremenda, dupla, desvantagem para as crian\u00e7as realmente dif\u00edceis\u00b4, disse ele. \u00b4Primeiro, n\u00e3o receberiam ajuda para administrar melhor seu comportamento, e depois seriam classificadas como crian\u00e7as-problema t\u00e3o logo entrassem na escola\u00b4. <\/p>\n<p>No segundo estudo, pesquisadores do governo no campo da psiquiatria compararam imagens de tomografias cerebrais de dois grupos de crian\u00e7as: um deles composto por meninos e meninas que sofrem de dist\u00farbio de aten\u00e7\u00e3o e o outro por crian\u00e7as que n\u00e3o enfrentam esse problema. Os cientistas acompanharam as crian\u00e7as &#8211; 223 em cada grupo &#8211; dos seis aos 16 anos, obtendo m\u00faltiplas imagens tomogr\u00e1ficas de cada participante ao longo do per\u00edodo. <\/p>\n<p>Em um c\u00e9rebro que esteja se desenvolvendo normalmente, o c\u00f3rtex cerebral \u00bfo revestimento externo do c\u00e9rebro, regi\u00e3o em que se concentram os circuitos envolvidos no pensamento consciente- se adensa durante a primeira inf\u00e2ncia. Depois, reverte o curso e volta a se afinar, perdendo neur\u00f4nios \u00e0 medida que a crian\u00e7a vai se aproximando da adolesc\u00eancia. O estudo constatou que, em m\u00e9dia, os c\u00e9rebros das crian\u00e7as que sofrem de dist\u00farbio de aten\u00e7\u00e3o iniciam esse processo de \u00bfpoda\u00bf aos 10 anos e meio de idade, cerca de tr\u00eas anos depois de seus colegas que n\u00e3o enfrentam a mesma dificuldade. <\/p>\n<p>Cerca de 80% das crian\u00e7as que sofriam de defici\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o usavam ou haviam usado medicamentos estimulantes, e os pesquisadores n\u00e3o tinham como aferir o efeito dos medicamentos sobre o desenvolvimento cerebral. Os m\u00e9dicos consideram que os medicamentos estimulantes sejam uma boa maneira de estimular a aten\u00e7\u00e3o em curto prazo; o novo estudo n\u00e3o deve alterar essa posi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas o maior atraso no amadurecimento do c\u00e9rebro foi localizado exatamente naquelas \u00e1reas do c\u00f3rtex mais envolvidas com a aten\u00e7\u00e3o e o controle motor, disse o diretor cient\u00edfico do projeto, Philip Shaw, psiquiatra do Instituto Nacional de Sa\u00fade Mental. \u00b4Essas s\u00e3o exatamente as \u00e1reas nas quais t\u00ednhamos a expectativa de localizar diferen\u00e7as\u00b4, afirmou Shaw. <\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Migliacci ME<\/p>\n<p>The New York Times <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portal Terra, 13\/11\/07 Benedict Carey Educadores e psic\u00f3logos h\u00e1 muito temem que crian\u00e7as que estejam come\u00e7ando na escola com problemas comportamentais enfrentar\u00e3o problemas em seus futuros anos de estudo. 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