{"id":1070,"date":"2007-11-12T00:00:00","date_gmt":"2007-11-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/11\/desinteresse-pela-inovacao\/"},"modified":"2007-11-12T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-12T00:00:00","slug":"desinteresse-pela-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/11\/12\/desinteresse-pela-inovacao\/","title":{"rendered":"Desinteresse pela inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 12\/11\/07<\/p>\n<p>Enquanto nos pa\u00edses desenvolvidos as atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico s\u00e3o cada vez mais impulsionadas pela iniciativa privada, no Brasil elas continuam se circunscrevendo predominantemente ao setor p\u00fablico. Na Fran\u00e7a, por exemplo, 53% dos cientistas trabalham para empresas particulares. Nos Estados Unidos e na Cor\u00e9ia do Sul, esse porcentual j\u00e1 est\u00e1 pr\u00f3ximo dos 80%. Entre n\u00f3s, por\u00e9m, apenas 16% dos pesquisadores atuam na iniciativa privada. Os 84% restantes trabalham em universidades p\u00fablicas ou em \u00f3rg\u00e3os governamentais, como o Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura. <\/p>\n<p>O resultado acaba sendo paradoxal: apesar do aumento dos investimentos do Pa\u00eds em pesquisa e desenvolvimento, que pode ser constatado pela amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de doutores formados por universidades de ponta e pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00famero de artigos publicados por cientistas brasileiros em conceituadas revistas especializadas internacionais, as empresas nacionais continuam enfrentando dificuldades para incorporar as inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas aos seus neg\u00f3cios e, com isso, ganhar produtividade, lan\u00e7ar novos produtos e conquistar novos mercados. <\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, embora a ci\u00eancia avance, \u201cela n\u00e3o vira Produto Interno Bruto\u201d, como afirma o f\u00edsico Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-cient\u00edfico da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa de S\u00e3o Paulo (Fapesp), uma das mais importantes ag\u00eancias de fomento ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico do Pa\u00eds. Isso acontece, diz ele em importante estudo recentemente divulgado pelo Estado, por causa da incapacidade de governos e empres\u00e1rios de constru\u00edrem \u201cpontes\u201d entre o mundo da ci\u00eancia e a realidade dos mercados. <\/p>\n<p>Os cientistas fazem pesquisa de ponta, mas as empresas n\u00e3o sabem utilizar o potencial de inova\u00e7\u00e3o propiciado pelos institutos do setor p\u00fablico. E, como s\u00e3o elas que geram riquezas, o avan\u00e7o da ci\u00eancia n\u00e3o tem os efeitos que poderia ter no aumento da produ\u00e7\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho. <\/p>\n<p>Segundo Brito Cruz, s\u00f3 quando o setor produtivo passar a registrar aproveitamentos significativos da inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 que a economia brasileira reunir\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para crescer num ritmo mais acelerado do que o atual. Para isso \u00e9 indispens\u00e1vel a contrata\u00e7\u00e3o de maior n\u00famero de cientistas e pesquisadores e a presen\u00e7a de empres\u00e1rios nos principais \u00f3rg\u00e3os deliberativos das universidades de ponta, assim como a moderniza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Sancionada h\u00e1 dois anos com o objetivo de incentivar as empresas particulares a investirem em ci\u00eancia e tecnologia, a Lei da Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica foi o primeiro passo nesse sentido. <\/p>\n<p>Mas, como lembra o diretor-cient\u00edfico da Fapesp, ainda h\u00e1 muitos desafios pela frente e a expans\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia n\u00e3o pode ficar na depend\u00eancia de financiamento direto do poder p\u00fablico. Para vencer esses desafios, uma sa\u00edda seria adotar medidas inspiradas na bem-sucedida pol\u00edtica posta em pr\u00e1tica pela Finl\u00e2ndia e pela Su\u00e9cia. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ind\u00fastrias desses pa\u00edses se tornaram l\u00edderes mundiais nas \u00e1reas em que as inova\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase di\u00e1rias, tais como a inform\u00e1tica e a telefonia. <\/p>\n<p>Gra\u00e7as a um engenhoso sistema de est\u00edmulos fiscais, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de comit\u00eas cient\u00edficos, constitu\u00eddos por professores universit\u00e1rios, pesquisadores e executivos de grandes empresas, e ao compromisso dos governantes de manter intocadas as \u201cregras do jogo\u201d, nos dois pa\u00edses a iniciativa privada p\u00f4de aumentar significativamente os investimentos em tecnologia. E, \u00e0 medida que se converteram nos principais empregadores de cientistas e pesquisadores, as empresas finlandesas e suecas em pouco tempo se tornaram grandes conglomerados mundiais. <\/p>\n<p>No Brasil, conforme reportagem recentemente publicada no Estado, muitas empresas t\u00eam interesse em firmar acordos com universidades p\u00fablicas, mas esbarram em problemas que v\u00e3o da falta de comunica\u00e7\u00e3o ao anacronismo da legisla\u00e7\u00e3o. Nas ag\u00eancias p\u00fablicas de fomento \u00e0 pesquisa j\u00e1 n\u00e3o predomina o preconceito ideol\u00f3gico que condena parcerias com a iniciativa privada, mas elas reivindicam leis mais modernas para poderem formalizar acordos. E falta, enfim, um marco regulat\u00f3rio que encoraje o setor produtivo nacional a aumentar seu peso relativo em mat\u00e9ria de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S\u00e3o Paulo, 12\/11\/07 Enquanto nos pa\u00edses desenvolvidos as atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico s\u00e3o cada vez mais impulsionadas pela iniciativa privada, no Brasil elas continuam se circunscrevendo predominantemente ao setor p\u00fablico. Na Fran\u00e7a, por exemplo, 53% dos cientistas trabalham para empresas particulares. 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