{"id":1006,"date":"2007-10-03T00:00:00","date_gmt":"2007-10-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ascom.ufla.br\/site\/index.php\/2007\/10\/o-desanimo-dos-mestres\/"},"modified":"2007-10-03T00:00:00","modified_gmt":"2007-10-03T00:00:00","slug":"o-desanimo-dos-mestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufla.br\/dcom\/2007\/10\/03\/o-desanimo-dos-mestres\/","title":{"rendered":"O des\u00e2nimo dos mestres"},"content":{"rendered":"<p>Correio Braziliense, 03\/10\/07<\/p>\n<p>Paloma Oliveto e Mariana Flores<\/p>\n<p>Professores sofrem com baixos sal\u00e1rios, falta de uma pol\u00edtica constante de qualifica\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de materiais de apoio. N\u00edvel de ensino cai e contribui para que alunos, sem conseguir aprender, desistam <\/p>\n<p>A \u00fanica sala de aula da escola Extrema Boa Sorte, no munic\u00edpio de Brejo do Piau\u00ed, a 423km de Teresina, tem quatro alunos. A professora diz que eram 10, mas dois largaram os estudos e os outros h\u00e1 tempos n\u00e3o aparecem. \u201cQuando cheguei aqui, no in\u00edcio do ano, nenhum deles sabia ler, mesmo estando na 3\u00aa s\u00e9rie\u201d, conta Cleide dos Santos, 43 anos \u2014 professora h\u00e1 19. Sem material did\u00e1tico de apoio, a docente, que n\u00e3o tem curso superior, tenta alfabetizar as crian\u00e7as. Para isso, ganha R$ 420 mensais. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade sem a valoriza\u00e7\u00e3o do professor\u201d, diz a presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE), Ju\u00e7ara Maria Dutra Vieira. O pequeno investimento nos profissionais favorece a evas\u00e3o escolar. Sem aprender, muitos alunos abandonam os estudos para trabalhar. <\/p>\n<p>\u201cEscola \u00e9 neg\u00f3cio chato. Eu chegava na aula e n\u00e3o conseguia ler nada, ficava gaguejando\u201d, conta Jeferson Siqueira Cavalcante Filho, 17 anos, morador de Quipap\u00e1, no Cear\u00e1. Em maio, deixou a escola, quando estava na 5\u00aa s\u00e9rie. Hoje, trabalha limpando mato, servi\u00e7o pelo qual ganha cerca de R$ 10 por dia. \u201cEles perdem as esperan\u00e7as e v\u00eaem que n\u00e3o conseguir\u00e3o muito da vida\u201d, reconhece Cleocilene dos Santos Nunes, 35 anos, orientadora educacional no Col\u00e9gio Estadual Joaquina Maria da Silva, em Esperantina, norte do Tocantins. Na cidade de 8.112 habitantes, 54,6% da popula\u00e7\u00e3o depende do Bolsa Fam\u00edlia. Ainda assim, as taxas de abandono escolar aumentaram desde 2001. <\/p>\n<p>Os sistemas p\u00fablicos deveriam assumir a forma\u00e7\u00e3o dos professores. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a discutir pol\u00edticas de forma\u00e7\u00e3o envolvendo universidades p\u00fablicas. \u00c9 importante que o governo federal comece a se preocupar com o assunto, mas precisar\u00edamos de algo de grande porte, com previs\u00e3o de recursos e de continuidade, pois as necessidades hist\u00f3ricas da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito grandes\u201d, diz a presidente da CNTE. <\/p>\n<p>De acordo com Ju\u00e7ara Maria Dutra Vieira, os baixos sal\u00e1rios s\u00e3o um dos principais fatores que afetam a produtividade dos profissionais de educa\u00e7\u00e3o. \u201cCom sal\u00e1rio baixo, \u00e9 imposs\u00edvel atingir objetivos como dedica\u00e7\u00e3o exclusiva e cursos de atualiza\u00e7\u00e3o\u201d, alega. No pa\u00eds, como n\u00e3o h\u00e1 isonomia salarial para professores, o piso varia conforme estados e munic\u00edpios. Em Teresina (PI), por exemplo, um educador de ensino b\u00e1sico recebe R$ 535,54 para lecionar durante 40 horas semanais. J\u00e1 em Florian\u00f3polis (SC), o valor passa para R$ 1.792,08. <\/p>\n<p>Ponto de partida <\/p>\n<p>Para o professor C\u00e9lio da Cunha, assessor especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), aumentar o sal\u00e1rio dos professores \u00e9 o ponto de partida na busca pela qualidade do ensino. \u201c\u00c9 preciso tornar a profiss\u00e3o de docente atrativa, estimulando os jovens a seguirem a carreira\u201d, diz. Caso contr\u00e1rio, alega, ningu\u00e9m mais vai querer freq\u00fcentar os cursos superiores de licenciatura. <\/p>\n<p>Aubetiza Pereira, 34 anos, s\u00f3 investe na profiss\u00e3o porque este sempre foi seu sonho. Desde crian\u00e7a, se esfor\u00e7ou para terminar os estudos e fugir do analfabetismo que rondava sua fam\u00edlia. Conseguiu terminar o ensino m\u00e9dio e atualmente faz curso superior de pedagogia em Araguatins, pr\u00f3xima a Buriti do Tocantins, onde mora com o marido e a filha de 3 anos. No final do m\u00eas, recebe sal\u00e1rio de R$ 400. <\/p>\n<p>Hoje, a Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados dever\u00e1 votar o projeto de lei do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que estabelece um piso salarial unificado para professores da rede p\u00fablica. A proposta, que j\u00e1 saiu da pauta v\u00e1rias vezes, tramita em conjunto com um projeto do Poder Executivo, pelo qual todos os educadores devem receber, no m\u00ednimo, R$ 850 mensais. \u201cSe houver o m\u00ednimo de boa vontade das bancadas, esperamos que seja realmente votado\u201d, diz Ju\u00e7ara Maria Dutra Vieira. O presidente da comiss\u00e3o, deputado Gast\u00e3o Vieira (PMDB-MA), garante que haver\u00e1 vota\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 certeza absoluta\u201d, diz. <\/p>\n<p>Pr\u00eamios <\/p>\n<p>O deputado, que j\u00e1 foi secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, diz que a quest\u00e3o salarial n\u00e3o deve ser a \u00fanica a ser discutida. \u201cDepois da aprova\u00e7\u00e3o do piso, defendo que as gratifica\u00e7\u00f5es tenham como fundamento a produtividade, medida por sistemas de avalia\u00e7\u00f5es s\u00e9rios e independentes. Se o professor se sair bem, ganha um pr\u00eamio. Se for mal, leva um pux\u00e3o de orelhas.\u201d <\/p>\n<p>Aubetiza se esfor\u00e7a para tentar melhorar o curr\u00edculo, mas as condi\u00e7\u00f5es da escola n\u00e3o cooperam para estimular os alunos. Localizada \u00e0s margens da rodovia que cruza a cidade, a Escola Municipal Amiguinhos de Jesus possui apenas duas salas, em p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o, assim como as mesas e cadeiras. No banheiro, n\u00e3o h\u00e1 energia el\u00e9trica nem \u00e1gua encanada. As crian\u00e7as n\u00e3o praticam esportes e as brincadeiras s\u00e3o feitas no p\u00e1tio de terra vermelha. Na tentativa de barrar a evas\u00e3o, Aubetiza vai \u00e0 casa dos alunos para recuperar os faltantes. \u201cAlguns t\u00eam dificuldade de acompanhar as aulas porque n\u00e3o v\u00eam todos os dias, os pais n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o de mandar a crian\u00e7a para a escola, porque eles tamb\u00e9m n\u00e3o tiveram estudo. A gente acaba tendo que ir buscar na casa\u201d, conta. \n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correio Braziliense, 03\/10\/07 Paloma Oliveto e Mariana Flores Professores sofrem com baixos sal\u00e1rios, falta de uma pol\u00edtica constante de qualifica\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de materiais de apoio. 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