Brasil tem Estatuto da Pessoa com Deficiência – conheça as ações da UFLA na busca pela acessibilidade

O entrevistado Nilmar Machado está sentado à frente do computador,.
Nimar Machado utiliza as instalações do NAUFLA para realizar suas atividades acadêmicas.

Depois de 15 anos de tramitação, o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146) foi sancionado em 6 de julho. São 124 artigos que garantem às pessoas com deficiência direitos em diferentes áreas, inclusive na educação. Pelo documento, ao poder público é atribuída a tarefa, por exemplo, de desenvolver e acompanhar pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e técnicas pedagógicas, de materiais didáticos, de equipamentos e de recursos de tecnologia assistiva.

Os três artigos vigentes que versam sobre o direito à educação contemplam a necessidade de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, que possibilite à pessoa com deficiência o desenvolvimento de seus talentos e habilidades, segundo seus interesses e necessidades. Para o advogado e estudante de Administração Pública da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Nilmar Machado, que possui deficiência visual, a aprovação do Estatuto é um avanço significativo, fruto de longas e numerosas discussões. “Essa lei sistematiza todo o arcabouço jurídico sobre o assunto. Com todos os direitos consolidados em um único documento, fica mais fácil que o cidadão com deficiência, e toda a população, os conheça”. Nilmar destaca o fato de que o Estatuto institui a pena de reclusão para os crimes cometidos contra a pessoa com deficiência.

Apesar de considerar que dois vetos feitos ao Estatuto ainda devem ser discutidos, o que já está sendo feito pelo Movimento Nacional das Pessoas com Deficiência, Nilmar afirma que o documento fortalece direitos já existentes e dá maior força ao estabelecimento de políticas públicas na área. A estimativa relatada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) é de que no Brasil existem 45 milhões de pessoas com deficiência.

Acessibilidade na UFLA

Procurando avançar na questão, foi fundado na UFLA em 2012 o Núcleo de Acessibilidade (NAUFLA), ligado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (Praec). O objetivo das atividades do NAUFLA é garantir todas as condições para que pessoas com deficiência ingressem no ensino superior e tenham os recursos necessários para desenvolver todo o seu potencial no ambiente acadêmico. Segundo a coordenadora do Núcleo, professora Helena Libardi, a instituição ainda tem muito a melhorar, mas alguns passos já foram dados. Abaixo, estão relatados alguns deles.

– O NAUFLA tem hoje um espaço no Pavilhão de Aulas 3. Lá, estudantes assistidos pelo Núcleo têm acesso a computadores e podem se dedicar aos estudos. Uma nova estrutura física que será construída na Avenida Norte deverá abrigar o Núcleo no futuro, melhorando as condições de instalação.

– Quando os estudantes com deficiência apresentam necessidade de acompanhamento por monitores, editais são publicados para seleção de bolsistas. Os monitores auxiliam principalmente na viabilização de material especial necessário aos estudos. Por exemplo, a gravação de conteúdos em voz é um apoio importante para o estudante com deficiência visual. Atualmente, estão ligados ao NAUFLA quatro monitores bolsistas e um voluntário.

– Foram empossados em 2015 dois servidores técnicos administrativos que são tradutores-intérpretes de Língua de Sinais e têm atuado em diferentes frentes na Universidade, tornando conteúdos acessíveis a pessoas com deficiência auditiva. O trabalho já iniciado por eles dá mostras à comunidade de que a Universidade busca se preparar para receber novos públicos. Eles atuam em parceria com a professora de Libras do Departamento de Educação (DED), Érica Alves Barbosa Medeiros Tavares, em um programa educativo chamado “UFLA acessível em Língua de Sinais”. Os tradutores-intérpretes ligados ao NAUFLA são Wanderson Samuel Moraes Souza e Welbert Vinícius de Souza Sansão.

– Sempre que um estudante com necessidades especiais procura atendimento, os integrantes do NAUFLA – com a atuação de um núcleo pedagógico formado por professores de diferentes departamentos – reúnem-se para analisar as demandas apresentadas e definir estratégias para atendimento a essas necessidades. Integram esse núcleo, além da professora Helena, os professores do Departamento de Ciência da Computação (DCC) André Pimenta e José Monserrat Neto; as professoras do Departamento de Ciências Exatas (DEX) Rosana Maria Mendes e Evelise Roman Corbalan Gois Freire; e as professoras do DED Érica Alves Barbosa Medeiros Tavares e Pryscilla Duarte de Melo. A também professora do DED Elaine das Graças Frade contribui como consultora.

– Existem três computadores portáteis exclusivos para empréstimo aos estudantes com deficiência. Programas leitores de tela também já foram adquiridos. Uma linha braile está em processo de compra e a aquisição de outros equipamentos, como uma impressora 3D para a produção de material didático, está nos projetos do NAUFLA.

– As novas estruturas físicas construídas no câmpus já seguem as especificações exigidas pela legislação, de maneira a garantir o acesso de pessoas com deficiência.

– Disciplinas eletivas, voltadas à questão da acessibilidade, são oferecidas aos estudantes. A disciplina Produção de Material Didático para o Ensino Inclusivo busca principalmente preparar estudantes das licenciaturas. Já a disciplina Acessibilidade em Sistemas Computacionais é oferecida nos cursos da área de informática.

– A UFLA trabalha na adequação de seu Portal na Internet para melhorar sua acessibilidade às pessoas com deficiência. Uma comissão, coordenada pelo professor do Departamento de Ciência da Computação (DCC) André Pimenta Freire, está  responsável pela implantação na instituição do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (e-MAG). André é membro do NAUFLA, além de desenvolver pesquisas com foco Governo Eletrônico centrado no Cidadão para promoção da inclusão no Programa de Pós-Graduação em Administração Pública. A comissão tem representantes da Diretoria de Gestão e Tecnologia da Informação (DGTI), da Assessoria de Comunicação (ASCOM) e do NAUFLA. A previsão é de que até dezembro de 2015  muitos avanços se consolidem nessa área.

Desafios

A adequação da rotina acadêmica às necessidades da pessoa com deficiência ainda traz desafios para professores e técnicos administrativos da universidade. Para a coordenadora do NAUFLA, esses desafios vêm do fato de a legislação ser recente, anterior à formação da maioria dos profissionais. “A barreira da desinformação é muito grande. Muitos professores ainda não sabem o que fazer para atender ao aluno com deficiência”, explica. “Por isso, a função do Núcleo é justamente auxiliá-los nesse novo fazer pedagógico”.

Para Helena, a UFLA abraçou a causa da inclusão, não só motivada pela legislação, mas pela importância de garantir todas as condições para que a pessoa com deficiência possa se desenvolver plenamente. “Percebemos que toda a administração está aberta e sensível à causa”, diz. No entanto, ainda é necessária uma transformação cultural. “Precisamos de toda a comunidade acadêmica envolvida com a questão. Que todos estejam atentos às necessidades desses estudantes. Que sejam parceiros para orientá-los a procurar o NAUFLA. Pedimos que os coordenadores de cursos nos ajudem a identificar esses alunos.”

A professora relata que é comum o estudante passar o semestre todo com dificuldades ocasionadas por síndromes ou deficiências que não lhe permitem acompanhar o conteúdo por métodos tradicionais, sem procurar o auxílio do Núcleo. “Muitas vezes, eles não sabem que a universidade oferece esse suporte. Em outras situações, têm receio de se expor. Mas é necessário deixar claro que o NAUFLA não irá fazer nada sem o consentimento do próprio aluno. Nossas ações são discretas e têm apenas objetivo de facilitar o acesso e o desenvolvimento desses estudantes”.

De acordo com Nilmar, que utiliza os serviços do NAUFLA, a estruturação do Núcleo foi um ganho importante. “É um avanço da Universidade em relação ao quesito acessibilidade”, diz. Ele pondera que a pessoa com deficiência ainda se depara com desafios, como a dificuldade de adaptação curricular e a estigmatização por parte dos membros da comunidade acadêmica, mas reconhece que há indicativos de mudanças. “Ainda encontramos pessoas que não acreditam em nossas potencialidades, e os conteúdos das disciplinas muitas vezes ficam inacessíveis, mas vejo que UFLA tem buscado equacionar esses problemas”.

A proposta do Estatuto da Pessoa com Deficiência foi apresentada no ano 2000 pelo senador Paulo Paim (PT-RS) e se tornou lei em 6 de julho de 2015, sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

Reunião anual da SBPC destaca o papel da CTI no desenvolvimento do País

SBPCNa noite desse domingo (12/7), foi aberta oficialmente a 67ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que acontece até o dia 18 de julho no câmpus da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. A cerimônia contou com a participação de um grande número de dirigentes de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação, incluindo o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

Com o tema “Luz, Ciência e Ação”, em alusão ao Ano Internacional da Luz, o evento traz algumas novidades, como a primeira edição da SBPC Inovação, que reúne expositores de projetos e realizações em Ciência, Tecnologia e Inovação de empresas, universidades, instituições de pesquisa e fomento e secretarias de governo. Durante a semana, os visitantes também poderão participar da SBPC Jovem, da SBPC Indígena e da SBPC Cultural.

Durante a cerimônia de abertura da SBPC, várias homenagens foram realizadas a pesquisadores marcantes para a ciência brasileira. Também houve a entrega do Prêmio José Reis, iniciativa do CNPq, que teve como instituição vencedora a Fiocruz, além da exposição de fotografias premiadas no IV Prêmio de Fotografias – Ciência e Arte.

Na fala dos integrantes da mesa da cerimônia, o destaque ao papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento do País marcou o conjunto de pronunciamentos. O Reitor da UFSCar, Targino de Araújo Filho, ao falar sobre o momento histórico vivido pela Educação Superior brasileira, resgatou a transformação pelas quais as universidades federais passaram nos últimos anos, com um crescimento sem precedentes na história do País, e associou a essa transformação grandes desafios para o futuro.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, também direcionou sua fala ao desafio de combinar a universalidade da ciência às condições históricas do Brasil neste momento, destacando, assim, a necessidade de considerar as especificidades dessas condições na busca pela emancipação científica e tecnológica do País. O ministro também destacou a recomposição do orçamento de Ciência e Tecnologia como uma das prioridades de sua pasta, afirmando que a presidenta Dilma Rousseff já se comprometeu a incluir a Ciência e Tecnologia nos 50% ainda não regulamentados do fundo social do pré-sal.

Na fala do ministro da Educação, Renato Ribeiro, a defesa de que “não há democracia sem relevo dado à Ciência, à Tecnologia, à Inovação e à Cultura, e não há Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura que sejam consistentes se não houver democracia”.

A programação da 67ª Reunião Anual pode ser acompanhada em www.sbpc.ufscar.br e, também, na página do evento no Facebook.

Texto elaborado com informações da Assessoria de Comunicação da UFScar, Fapemig e CNPq

UFLA assina acordo de cooperação internacional com o Rikilt Institute of Food Safety

Parceria com o principal instituto de segurança de alimentos da união europeia deverá abrir novas oportunidades de pesquisa

Rikilt Institute of Food Safety, na cidade de Wageningen (Holanda).
Rikilt Institute of Food Safety, na cidade de Wageningen (Holanda).

Micotoxinas, resíduo de drogas veterinárias, agrotóxicos e dioxina em alimentos e ração animal, além de estudo da integridade e autenticidade de alimentos. Essas são linhas de pesquisa que a Universidade Federal de Lavras (UFLA) já desenvolve e deverão ser ainda mais fortalecidas com o acordo de cooperação técnica, educacional e científico, recentemente oficializado com o Rikilt Institute of Food Safety, na cidade de Wageningen (Holanda).

Considerado o principal instituto de segurança alimentar da união europeia, Rikilt é uma organização independente e sem fins lucrativos, voltada para pesquisas sobre a detecção e identificação de contaminantes químicos em alimentos e ração animal, e as interações destas substâncias na cadeia alimentar.

O acordo de cooperação começou a ser discutido em 2013, quando o professor Luís Roberto Batista, do Departamento de Ciências dos Alimentos (DCA/UFLA), desenvolveu o pós-doutorado no Rikilt. Desde então, as parcerias foram intensificadas e ampliadas para novas linhas de pesquisa. Para o professor, o acordo é uma importante contribuição para o processo de internacionalização da UFLA, permitindo o treinamento de professores, técnicos e estudantes de pós-graduação em metodologias analíticas voltada para a segurança de alimentos.

Referência Mundial

O Instituto contribui para o monitoramento de toda a cadeia de produção de alimentos, incluindo a qualidade e segurança dos alimentos, avaliação da transferência e toxicidade de contaminantes químicos na cadeia alimentar e identificação de riscos emergentes. Desenvolve tarefas legislativas e políticas de apoio para o governo holandês e demais organismos internacionais da Comissão Europeia.

De acordo com o professor Luiz Roberto, o Rikilt tem instalações de alta qualidade e sua força reside na versatilidade de conhecimentos analíticos e equipamentos – a sinergia de imuno-química, química analítica, toxicologia, microscopia, bionanotecnologia, fingerprinting multivariada e X-omics. Além disso, o Instituto é o Laboratório Nacional de Referência (NRL) para análise de micotoxinas e, sob sua chancela, são coordenados vários projetos financiados pela União Europeia relacionados com a alimentação humana e animal. Além disso, também sedia a European Food Safety Authority (EFSA) e tem um longo histórico na avaliação e interpretação de dados de Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Ração – Rapid Alert System Food and Feed (RASFF).

Histórico da parceria

Visita ao Rikilt, em 2013, com a presença de professores da UFLA e diretores do instituto
Visita ao Rikilt, em 2013, com a presença de professores da UFLA e diretores do instituto

A UFLA é uma das instituições brasileiras que possuem projetos em conjunto com o Rikilt. Ainda na década de 1990, quando a UFLA era Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), o professor José da Cruz Machado, do Departamento de Fitopatologia (DFP/UFLA) fez o pós-doutoramento no Instituto holandês. Desde então, um memorando de intenções assinado entre as duas instituições possibilitou uma série de projetos colaborativos, incluindo outros centros de pesquisa de Wageningen.

Em 2008, o professor Machado participou de uma visita técnica a diferentes centros de pesquisa da Holanda, incluindo Rikilt, oportunidade em que retomou a antiga parceria com os colegas da época, que passaram a ocupar cargos de direção. Em 2013 e 2014, o professor participou de novas visitas ao Instituto, tendo como foco de estudos a área de micotoxinas. Segundo o professor, a trajetória de parcerias ainda alimenta o sonho de ser criado um centro avançado de pesquisas em ciências agrárias na UFLA, o que contribuiria sobremaneira para a instituição dar um salto no processo de internacionalização.

Em setembro de 2013, o diretor de Relações Internacionais da UFLA, professor Antônio Chalfun Junior, acompanhado dos professores Luciano Paiva (Departamento de Química) e Renato Paiva (Departamento de Biologia), visitaram Rikilt Institute of Food Safety. Participaram da reunião o diretor do Rikilt, professor Robert van Goncon, professor Gijs Kleter, e o diretor da Wageningen University para Assuntos com a América Latina, professor Peter Zuurbier.

Em nova oportunidade, o professor Luiz Roberto Guimarães Guilherme (Departamento de Ciências do Solo) também realizou visita técnica no Rikilt e teve a oportunidade de observar a estrutura do Instituto, bem como os processos de monitoramento de controle de contaminantes químico de alimentos e de desastres ambientais com compostos radioativos e agrotóxicos.

Na avaliação do pró-reitor de Pesquisa, professor José Maria de Lima e do diretor de Relações Internacionais, professor Antônio Chalfun Junior, o acordo vai permitir uma capacitação diferenciada do corpo técnico, docente e discente da UFLA em técnicas avançadas em segurança alimentar. “O acordo vem coroar os esforços de várias gerações e diferentes áreas do conhecimento para fortalecer a pesquisa em segurança alimentar na Universidade”, destacou o professor José Maria.

 

Professor da UFLA apresenta tecnologia na Bélgica

Luiz LimaO professor Luiz Antônio Lima, do Departamento de Engenharia (DEG), participou, no dia 16 de junho, da Desertland II – Conference on Desertification and Land Degradation, realizada na Bélgica. Na ocasião, ele apresentou uma de suas tecnologias, capaz de medir a velocidade das gotas e a intensidade da chuva.

Essa tecnologia foi gerada a partir de pesquisa para quantificar a energia cinética das gotas de chuva simulada no túnel de vento do Laboratório Internacional de Eremologia da UNESCO. A partir dos dados obtidos pelo doutorando Matheus Colares, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos da UFLA, o conhecimento da energia cinética possibilita descobrir o potencial erosivo da chuva, além do potencial de geração de energia elétrica a partir da chuva (essa alternativa vem sendo avaliada no meio científico através de superfícies piezoelétricas).

O desenvolvimento dessa tecnologia contou com o apoio da Hidrofoco, empresa incubada na Incubadora de empresas de Base Tecnológica da UFLA (Inbatec), que testou os dados e auxiliou nas medições de energia cinética de simuladores de chuva em outro laboratório, na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

Protótipo da máquina capaz de medir a intensidade da chuva e velocidade das gotas
Protótipo da máquina capaz de medir a intensidade da chuva e velocidade das gotas

De acordo com Luiz Lima, a Hidrofoco irá produzir e comercializar a nova tecnologia: “A expectativa é começar a fornecer o equipamento em um prazo de três meses”.  O perfil do consumidor provável para esse equipamento são pesquisadores e técnicos ligados à climatologia e estudos de erosão de solos.  “Exemplares do equipamento já foram produzidos pelo Laboratório Nacional de Pesquisas de Erosão de Solos dos Estados Unidos”, mencionou o professor.

Atualmente, o cenário da inovação tecnológica enfrenta grandes desafios, sobretudo no sentido de transformar pesquisas em produtos e serviços que agreguem qualidade e valor à vida das pessoas, ainda que indiretamente. Luiz Lima transpõe esta barreira à medida que sua tecnologia passa a ser desenvovolvida e comercializada pela Hidrofoco.

Amanda Castro – jornalista. Assessoria de Inovação e Empreendedorismo da UFLA

 

Última oportunidade para realização do teste Toefl ITP em julho – inscrição até 16/7

A partir de agosto de 2015, todos os candidatos à iniciação científica deverão apresentar o comprovante de realização do exame

isfEm julho, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) realiza seis aplicações do teste de nivelamento Toefl ITP. No próximo domingo (16/7), será a última oportunidade dessa oferta, com realização gratuita, no câmpus da Universidade. Podem se inscrever estudantes, professores e técnicos administrativos.

As inscrições para o Toefl ITP devem ser feitas com antecedência mínima de três dias antes do teste, exclusivamente no site http://isfaluno.mec.gov.br/ (opção testes de proficiência).

O resultado do exame é pré-requisito para estudantes terem acesso ao curso My English Online – MEO e os estudantes bloqueados terem o acesso liberado. Professores e técnicos administrativos também devem realizar o teste para terem acesso ao curso online e cursos presenciais do programa Idiomas sem Fronteiras (IsF-Inglês).

Nova exigência

Como parte do Programa de Internacionalização da UFLA, a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) exigirá, a partir de agosto de 2015, que todos os candidatos à iniciação científica apresentem comprovante de realização do exame Toefl-ITP., inclusive os estudantes que pleitearão renovação de bolsa.

Dessa forma, os alunos que concorrerão às vagas em editais lançados a partir de agosto, em todos os programas oferecidos pela PRP (Pibic-UFLA; Jovens Talentos; Pibic-Fapemig; Pibic-CNPq; Pivic-UFLA e Pibiti-CNPq), deverão se inscrever e realizar o teste.

Sobre o teste

O Toefl ITP é um exame de proficiência em língua inglesa, cujo resultado pode ser usado para a inscrição em programas de intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras e outros que ofertem bolsas de estudo em países de língua inglesa. Além disso, o exame é utilizado como diagnóstico de nivelamento para a inscrição em cursos presenciais do programa Idiomas sem Fronteiras, que atualmente são ofertados tanto para estudantes quanto para servidores de universidades federais.

Não há exigência de nivelamento mínimo em Inglês para a participação no teste. Também não há reprovação no Toefl ITP, é apenas um indicador do nível de proficiência em língua inglesa. Aqueles que quiserem aprimorar sua pontuação podem realizar o teste novamente em editais posteriores.

As inscrições devem ser realizadas pelo Sistema isfaluno.mec.gov.br

Mais informações sobre o Toefl ITP no Programa IsF podem ser acessadas em Teste de Nivelamento.

Na página Documentos do Portal IsF há o Examinee Handbook e o Manual do Candidato, que auxiliam o aplicante na preparação para o teste, e o Manual de Acessibilidade para candidatos com necessidades especiais na realização da prova.

 

Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação é aprovado na Câmara dos Deputados

A Câmara dos deputados aprovou no dia 9 de julho o Projeto de Lei 2177/11, que institui o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.  O texto traz avanços na relação entre pesquisadores de instituições públicas e o setor privado, altera a Lei das Fundações de Apoio e aponta melhorias para a Lei de Licitação. O documento foi aprovado na íntegra, construído em parceria com entidades ligadas à ciência, tecnologia, inovação e educação. A matéria precisa ser votada ainda pelo Senado.

“O PL 2177 foi elaborado para atender a comunidade científica brasileira, e desta forma foi aprovado. Já estamos dialogando com senadores para que o texto seja aprovado como saiu da Câmara e temos respostas positivas. Quando sancionado teremos uma lei, juntamente com a Emenda Constitucional 85, que constituirão o verdadeiro marco legal de CT&I. É uma contribuição para os novos caminhos de desenvolvimento do nosso País”, considerou o deputado Sibá Machado, relator do projeto.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) acompanhou e deu sugestões para elaboração do projeto, com foco nos avanços para a pesquisa nas Universidades Federais. No dia 18 de junho a Associação, juntamente com outras entidades, se reuniram com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para pedir celeridade na votação do projeto de lei. “As universidades estão contempladas nas mudanças propostas no projeto por estarem de acordo com o que reivindicamos para tornar mais eficiente nossas atividades de pesquisa. Esse é objetivo da nossa interlocução com o Congresso”, afirmou o presidente da Andifes, Targino de Araújo.

GANHOS PARA UNIVERSIDADES

A primeira garantia do PL que interessa diretamente às universidades federais é a permissão da ampliação do período em que os pesquisadores das universidades e de instituições de ciência e tecnologia (ICTs) públicas possam atuar na iniciativa privada. Nesse caso, o PL amplia de 120 horas anuais para 416 horas o período de cessão (8 horas semanais). Pela proposta, os docentes também poderão ocupar cargo de dirigente máximo de fundações de apoio e ser remunerado para tal função.

Sobre alterações na Lei das Fundações de Apoio (9.958/94) as mudanças permitirão que parque tecnológicos e incubadoras ligadas a ICT usem a Fundação de Apoio, autorize que receitas de atividades previstas na Lei de Inovação sejam depositadas diretamente na Fundação e que Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) com identidade jurídica própria sejam criados na forma de Fundação de Apoio.

Na área da Lei de Licitação (8.666/93) a projeto cria o conceito de produto para pesquisa e desenvolvimento e altera o artigo 24, o que agiliza a dispensa de licitação na aquisição e na contratação de produtos para pesquisa e desenvolvimento, facilitando a aquisição de resultados de P&D pela própria instituição. Sobre o Regime Diferenciado de Contratação (RDC), deverão ser incluídas ações em órgão e entidades dedicados à ciência, à tecnologia e à inovação.

Com informações da Andifes

 

UFLA aprova projeto de pesquisa com planta medicinal no Programa de Pesquisa para o SUS

pesquisaO projeto do doutorando do Programa de Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentares (PPMAC) Luiz Fernando Annunziata Trevisan foi uma das 56 propostas aprovadas no Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS). Sob a coordenação do professor do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras (DMV/UFLA) Raimundo Vicente de Souza, o estudo tem o objetivo de desenvolver um medicamento fitoterápico com potencial para prevenir, tratar e controlar a hipertensão arterial e a formação de cálculos renais.

O Termo de Outorga, para liberação do recurso de mais de 260 mil reais a ser utilizado na pesquisa, foi assinado pelos pesquisadores na terça-feira (7/7). A seleção das propostas foi feita pelo Edital 14/2013 da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

O extrato da planta estudada pode se transformar em alternativa eficaz e economicamente viável para o Sistema Único de Saúde (SUS), se comprovada sua ação benéfica para prevenção, tratamento e controle da pressão alta e dos cálculos renais. Com o investimento na pesquisa, será possível realizar os estudos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que se comprove a eficácia, a segurança e o controle de qualidade do fitoterápico.

O doutorando trabalha com o tema desde 2007 e já constatou que um dos componentes da planta em questão é capaz de provocar o relaxamento em estruturas que possuem músculo liso, como artérias e ductos urinários. Até o momento, foram feitos testes toxicológicos, pré-clínicos e de eficácia, além dos testes in vivo. Com a aprovação da proposta no PPSUS, os trabalhos agora serão pela elaboração dos testes exigidos pelas agências reguladoras para registro, patente e comercialização do medicamento, para disponibilizá-lo no SUS – o que constitui objetivo final, previsto no edital. O prazo previsto para conclusão das ações é de dois anos.

“O desenvolvimento de um medicamento, com tecnologia nacional, seguro, de baixo custo, que possa ser utilizado no SUS em pacientes acometidos por hipertensão arterial e urolitíase é por si só o maior benefício trazido à sociedade por esta proposta, além da disponibilização do conhecimento sobre a planta, permitindo sua introdução em farmácias verdes e hortas medicinais”, explica o doutorando do PPMAC, ligado ao Departamento de Agricultura (DAG/UFLA).

As atividades de pesquisa serão realizadas em diferentes laboratórios da UFLA: Laboratório de Fitoquímica do Horto de Plantas Medicinais (DAG), Laboratório de Fisiologia e Farmacologia Veterinária (DMV), Laboratório da Microbiologia do Alimento (DCA) e Laboratório de Botânica Estrutural (DBI). São colaboradores no projeto o coordenador do PPMAC, professor José Eduardo Brasil Pereira Pinto; o professor do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais Fernão Castro Braga; a professora Departamento de Agricultura (DAG/UFLA) Suzan Kelly Vilela Bertolucci; o professor do Departamento de Biologia (DBI/UFLA) Manuel Losada Gavilanes e a professora do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA/UFLA) Roberta Hilsdorf Piccoli.

O PPSUS, que apoiará a pesquisa coordenada pelo professor Raimundo Vicente e pelo doutorando Luiz Fernando, é um programa que tem a proposta de descentralizar o fomento à pesquisa em saúde entre os diferentes estados do país, contribuindo para o atendimento a especificidades regionais e para a redução das desigualdades.

Equipe do Projeto Rondon de Lavras compõe música para anunciar a chegada em Tocantins

rondon-videoclipPara anunciar mais uma etapa do Projeto Rondon, a equipe da Universidade Federal de Lavras (UFLA) que participará de ações na cidade de Ananás, em Tocantins, compôs a música “Cês tão sabendo que o Projeto Rondon tá chegando?“, com direito a gravação de clip.

O intuito é apresentar algumas das atividades que serão realizadas em conjunto com uma equipe da Universidade de São Paulo (USP-Ribeirão Preto) entre os dias 17 de julho a 2 de agosto em Tocantins.

A equipe da UFLA estará responsável pelas atividades da área de comunicação, meio ambiente, tecnologia e produção. “Teremos atividades de leitura, formação de biblioteca, construções de hortas, aulas de informática, cuidados com saneamento básico, uso correto da água, também diversas atividades com lixo, muita diversão e conhecimento”, conta a estudante de Engenharia Florestal Anani Morilha Zanini.

Serão oito estudantes da UFLA dos cursos das Engenharias Florestal, Controle e Automação, Agrícola, Ambiental, e ainda Medicina Veterinária e Biologia. Na coordenação da equipe estarão presentes os professores Warley Caldas, do Departamento de Ciências Florestais (DCF) e Mariana Mansanares, de Biologia (DBI).

Durante o ano, diversas caixas foram distribuídas por todo o câmpus da UFLA, nas quais as pessoas faziam doações de livros. “Estes serão de grande proveito para a população de Ananás”, comenta Anani em agradecimento a todas as pessoas que contribuíram.

Veja o vídeo com a música “Cês tão sabendo que o Projeto Rondon tá chegando?”

Texto: Camila Caetano – jornalista, bolsista/UFLA

Palestras do 6º Simpósio de Mecanização da Lavoura Cafeeira estão disponíveis em vídeos

Evento, tradicional na abertura da Expocafé, reuniu cerca de 500 participantes
Evento, tradicional na abertura da Expocafé, reuniu cerca de 500 participantes

Em sua 6ª edição, o Simpósio de Mecanização da Lavoura Cafeeira marcou a abertura da Expocafé 2015, realizada na Fazenda Experimental da Epamig, em Três Pontas, no período de 30 de junho a 3 de julho. O evento reuniu pesquisadores, técnicos, consultores e produtores, sob a coordenação científica do professor Fábio Moreira da Silva, do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (DEG/UFLA).

Os interessados na temática mecanização da lavoura cafeeira, que tiveram a oportunidade de assistir às palestras e os que não puderam participar do Simpósio, agora poderão ver e rever as apresentações em vídeos, disponibilizados na Rede Social do Café – Peabirus. Os vídeos foram gravados e estão disponibilizados no link Café Web TV, projeto que recebe o apoio do Instituto Agronômico, UFLA, Inovacafé, Fapemig e Consórcio Pesquisa Café.

A programação foi positivamente avaliada pelos participantes. Entre os temas abordados, inovações no período pós-colheita; reuso da água no processamento do café; preparo profundo do solo em tempos de escassez de água; planejamento da eficiência mecânica e erosão na lavoura cafeeira;  manejo da lavoura cafeeira visando a mecanização; novo conceito de mecanização de colheita do café, gestão dos custos no manejo mecanizado da lavoura cafeeira e a análise técnica e econômica da mecanização da lavoura cafeeira.

Especialista e difusor da mecanização no Sul de Minas, o professor Fábio Moreira apresentou, uma análise técnica e econômica da mecanização em lavouras cafeeiras. Em sua fala, relembrou a primeira Expocafé, realizada em 1998 sob a coordenação da UFLA, e que, neste período, o café de montanha estava fadado ao fracasso, diante da crescente escassez de mão de obra que se tornou um fator limitante ao processo produtivo.

O professor destaca que hoje a realidade é bem diferente. Cerca de 80% das lavouras cafeeiras do Sul de Minas apresentam declividade abaixo de 20%, sendo plenamente possíveis de serem mecanizadas. “O debate agora não se restringe a avaliação de sua viabilidade, mas na busca por tecnologias para mecanização dos 21% das áreas restantes, com declividade de até 50%, dentro de sistema semi-mecanizados e mecanizados, uma vez que normalmente estas áreas mais inclinadas apresentam maior altitude e produzem café de elevada qualidade”, enfatiza.

Em sua avaliação, o simpósio foi muito bem aproveitado pelos participantes, pois as palestras foram cuidadosamente programadas para aliar resultados de pesquisas e também a prática de profissionais que lidam com a mecanização diretamente no campo.

Na programação, também houve a palestra do professor Flávio Meira Borém (DEG/UFLA), que apresentou as inovações no período pós-colheita. Entre os temas abordados, os estudos recentes sobre a qualidade do café, incluindo a interação entre genótipo e ambiente; além das tecnologias pós-colheita, com destaque para o processamento de secagem e armazenamento voltados para prolongar a qualidade dos cafés especiais.

Confira o Cardápio de Palestras

Confira a reportagem da TV Universitária sobre o Simpósio de Mecanização da Lavoura Cafeeira – Reportagem Lídia Bueno e imagens Jésus Rafael

 

 

 

Aprovação de uso do nome social na UFLA é reconhecida como avanço por membros da comunidade acadêmica

Divulgação - DCE UFLA Na Pegada.
Divulgação – DCE UFLA Na Pegada.

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Lavras (CUNI/UFLA) aprovou no início de maio a resolução que regulamenta a utilização do nome social na instituição (Resolução CUNI Nº 021). Com a medida, estudantes e servidores terão assegurado o direito de utilização do nome social nos registros acadêmicos e funcionais da UFLA. Trata-se de mais um passo para se garantir a motivação de diferentes públicos para ingresso no ensino superior, assim como sua permanência no ambiente universitário.

Garantindo que transgêneros, travestis e transexuais sejam nominados conforme sua identidade de gênero, a Universidade apresenta-se como espaço de acolhimento e vivência da diversidade e do direito à diferença. O reitor da UFLA, professor José Roberto Soares Scolforo, diz que a decisão é um avanço importante. “Se o nome de registro civil remete a um gênero com o qual a pessoa não se identifica, os constrangimentos ocorrerão. Por isso, a identificação pelo nome social, na rotina acadêmica, pode ter reflexos positivos até mesmo sobre os índices de evasão, no caso dos estudantes”.

Pela Resolução, o nome social do estudante será o único a ser exibido em documentos de uso interno, como diários de classe, listas de presença, divulgação de notas e resultados de editais, cadastro de dados e informações de uso social, comunicações internas de uso social, endereço de correio eletrônico e nome de usuário em sistemas de informática. No entanto, em documentos oficiais como históricos escolares, diplomas e afins, será necessária a utilização do prenome constante no registro civil, seguido pelo nome social do estudante entre parênteses.

Os servidores que solicitarem a utilização do nome social também terão sua inscrição garantida nos mesmos registros e documentos citados no caso dos estudantes, além de lista de ramais telefônicos e outras formas de comunicação social da Universidade. Na identificação funcional, o nome social estará na parte principal do documento e o prenome do registro civil aparecerá apenas no verso.

Construção Coletiva

O documento é resultado do trabalho de uma comissão especial designada para o tema, que contou com a participação de servidores da Ouvidoria, Biblioteca Universitária e membros do PETI Direito, com o apoio das professoras Cláudia Maria Ribeiro e Catarina Dallapicula, do Departamento de Educação (DED/UFLA).

O trabalho desta comissão teve início em outubro de 2014, quando foi realizada uma campanha de conscientização dos servidores da Biblioteca, por meio do Projeto Saber+, com a participação das professoras Cláudia Ribeiro e Catarina Dallapicula, que abordaram a sexualidade e gênero na universidade.

Para o diretor da Biblioteca Universitária, Nivaldo Calixto Ribeiro, a importância dessa legislação está em abrir espaço para todos públicos, independente da sua identidade de gênero ou qualquer outra peculiaridade. “Acredito que devemos ter meios de incluir, devemos estar preparados para receber qualquer pessoa e não esperar que aconteçam constrangimentos para iniciar as medidas corretoras”, destaca.

Com a aprovação pelo CUNI, os setores da UFLA têm um prazo para providenciar adequações necessárias ao recebimento de requerimentos de servidores e estudantes que desejarem a utilização do nome social. E para que o benefício possa se estender também a outros públicos, foi estruturada uma comissão, formada por membros do Conselho, que apresentará uma proposta complementar a essa já aprovada. O objetivo é fazer com que qualquer pessoa da comunidade acadêmica que se sinta constrangida com seu nome (ou com parte dele) possa também solicitar a utilização do nome social. Tão logo essa comissão termine seus trabalhos, o conteúdo da proposta será apreciado pelo CUNI.

A coordenadora de Assuntos Estudantis do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Cynthia Valéria Oliveira, comentou a aprovação da utilização do nome social pelo CUNI: “O DCE considera o fato como uma conquista, porque garante a públicos que já estão na Universidade – e a outros que ainda irão ingressar – o respeito à identidade de gênero”. Cynthia lembra que o DCE, em reunião como reitor em 30/3, defendeu a pauta como prioritária para discussão pelo Conselho. “Empreendemos um diálogo com a reitoria para que a UFLA seguisse o caminho que já vem sendo trilhado por outras universidades. O Coletivo LGBT de Lavras foi nosso parceiro nessa defesa”, diz.

Um avanço reconhecido

O agrônomo Lucas Muzzi formou-se na UFLA em 2014. Hoje no mercado de trabalho, ele tomou conhecimento sobre a proposta de regulamentação da utilização do nome social na Universidade e manifestou satisfação ao saber que a medida foi aprovada. Lucas conta que ingressou na graduação em 2005 e resolveu afastar-se da instituição no período em que passava pela transição de gênero. “Só consegui retornar ao ambiente

Lucas Muzzi, ex-aluno da UFLA, atualmente é produtor rural e presta acompanhamento técnico a produtores de café orgânico em assentamentos de reforma agrária. Ele comemorou a aprovação do uso no nome social pela instituição.
Lucas Muzzi, ex-aluno da UFLA, atualmente é produtor rural e presta acompanhamento técnico a produtores de café orgânico em assentamentos de reforma agrária. Ele comemorou a aprovação do uso no nome social pela instituição.

universitário em 2012, depois que havia alterado meu nome no cartório”, diz.

O ex-aluno não descreve nenhuma situação específica vivenciada na UFLA que tenha lhe imposto constrangimentos, mas admite que o desconforto está sempre presente, por se tratar de um local de muita interação social, em que o nome da pessoa está presente em diferentes documentos e situações.

Foram aproximadamente quatro anos de intervalo até o retorno à Universidade. Ele novamente realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e voltou à UFLA para concluir Agronomia. “Se a utilização do nome social já fosse possível naquela época, eu teria voltado antes. Cheguei a pesquisar outras universidades que já tinham essa prática, porque realmente era um diferencial para mim”, explica.

Para Lucas, a medida é um incentivo para que transgêneros, travestis e transexuais sintam-se motivados a ingressar na Universidade e tenham acesso ao curso superior. “Há sempre certa apreensão e certa insegurança, porque não sabemos como as outras pessoas irão lidar com a questão. Se há a possibilidade de adoção do nome social, as barreiras são menores”.

Universidade Federal de Lavras