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Menos de 1% dos alunos buscam curso tecnológico

Folha de São Paulo, 03/12/07

Fábio Takahashi

Em países desenvolvidos, cerca de 29% dos estudantes de ensino superior se formam em cursos técnicos de curta duração

Modelo brasileiro, voltado para cursos tradicionais, é ruim para crescimento do país, diz pesquisador; tese é polêmica entre educadores

Menos de 1% dos estudantes brasileiros se formaram em cursos superiores de curta duração, mais voltados para o mercado de trabalho, nos últimos dez anos. Nos países desenvolvidos, o índice é de 29%.

A constatação será apresentada amanhã pelo pesquisador Renato Pedrosa, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em um seminário que debaterá acesso e financiamento do ensino superior.

A comparação utilizou dados do Censo da Educação Superior brasileiro e da OCDE (organização que reúne os países desenvolvidos). Pedrosa considerou os estudantes formados nos últimos dez anos.

Segundo o pesquisador, o atual modelo brasileiro, focado nos cursos tradicionais de graduação, traz prejuízos ao desenvolvimento do país.

‘Estamos formando chefes e temos mão-de-obra de base. Falta a parte do meio da cadeia’, afirma Pedrosa. ‘Em uma empresa automotiva, por exemplo, precisa-se de um volume muito maior de técnicos do que de engenheiros. E não estamos formando técnicos.’

Os cursos de curta duração, também conhecidos como tecnológicos, duram de dois a três anos e focam numa área do conhecimento. Já as graduações convencionais, que procuram dar uma formação mais ampla ao aluno, duram pelo menos quatro anos. Exemplo: na área que pode ser entendida como engenharia, existe o curso tecnológico de obras hidráulicas.

Enquanto o primeiro tem uma duração de cinco anos, o segundo fica entre dois e três.
Para sustentar a avaliação de que é necessário criar maciçamente vagas em cursos tecnológicos, Pedrosa lembra um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado no mês passado.

No trabalho, o instituto afirma que a indústria nacional não encontrou trabalhador qualificado para uma em cada quatro vagas abertas neste ano, principalmente entre pessoas com até 13,1 anos de estudo.

É nesse perfil que se encaixam aqueles que cursam o ensino superior de curta duração (11 anos de educação básica e mais dois ou três de superior).

Outra vantagem dos cursos tecnológicos, segundo Pedrosa, é o custo por aluno, que chega a ser oito vezes menor do que em universidades tradicionais como a Unicamp ou a USP.
Conta para isso, além da duração dos cursos, o fato de as instituições convencionais se dedicarem também à realização de pesquisas e à prestação de serviços, como hospitais universitários.

Segundo o último Censo da Educação Superior, com dados de 2005, os centros tecnológicos e as faculdades de tecnologia possuíam apenas 83,2 mil dos 4,4 milhões de matrículas nas graduações presenciais no país (1,9% do total).

Críticas

Professor da Faculdade de Educação da USP, Cesar Minto é contrário ao modelo de curta duração. ‘Sem formação geral, com forte teor humanístico, você não cria cidadãos críticos. Forma apenas pessoas para seguirem ordens.’

Minto afirma ainda que, ‘nos países ricos, as pessoas formadas em cursos tecnológicos têm salários razoáveis, o que pode não ocorrer aqui’.

Presidente do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), Simon Schwartzman diz que ‘uma das limitações fortes de qualquer sistema de educação profissional, seja público ou privado, é o baixo prestígio junto à população’, o que pode ter má repercussão no mercado de trabalho.

Para o membro do Conselho Estadual da Educação e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), João Cardoso Palma Filho, o ensino superior precisa expandir tanto pelos cursos tradicionais quanto pelos de curta duração.

‘Hoje, por exemplo, faltam engenheiros civis, um curso tradicional. Mas os tecnológicos também são importantes. Um dos fatores é que, com os mesmos recursos, consegue-se incluir muito mais alunos nesse modelo, que é mais barato.’

O seminário onde será apresentada a pesquisa de Pedrosa ocorrerá hoje e amanhã, na sede da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), na zona oeste de São Paulo. A iniciativa é da Presidência da Assembléia Legislativa, que pretende colher informações para possíveis novas leis sobre o assunto.

União e Estado pretendem ampliar ensino

Tanto o governo federal quanto o estadual paulista afirmam que pretendem expandir o número de escolas de ensino tecnológico.

Segundo o MEC (Ministério da Educação), a rede federal de educação profissional e tecnológica, que possuía 140 instituições em 2002, passará a contar com 354 até 2010 (aumento de 152,9% em oito anos).

O estudo a ser apresentado mostra a fotografia deste momento, não capta a tendência de crescimento na rede no país’, afirmou o secretário de Ensino Superior do governo Lula, Ronaldo Mota.

A gestão José Serra (PSDB-SP), em artigo publicado na última terça-feira na Folha, afirma que aumentará em 109% o número de matrículas deste ano até 2010. O texto foi assinado pelo vice-governador e secretário de Desenvolvimento, Alberto Goldman, e pela diretora do Centro Paula Souza, Laura Laganá -a instituição é responsável pelas Fatecs (Faculdades de Tecnologia). (FT)

Ufla em luto

Faleceu dia 03 de dezembro de 2007, o professor Eufêmio Steiner Gomes Juste Júnior, aposentado do Departamento de Ciência dos Alimentos, da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

O professor Eufêmio Steiner foi presidente da AdUfla (1980-1982) e em sua gestão foi adquirida uma área nas proximidades da então ESAL, para construção do Clube de Campo da Associação, que teve sua infra-estrutura ampliada ao longo das gestões posteriores, consolidando diferentes espaços para lazer e prática de esportes pelo sindicalizado e seus dependentes. Foi também chefe de gabinete de 1973 a 1975, chefe do Departamento de Ciência dos Alimentos de 1977 a 1978, além de presidente da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) de 1986 a 1987.

O corpo está sendo velado no Salão de Convenções da Ufla e o féretro será logo mais as 10h30 de hoje (terça-feira, 4/12) no Cemitério São Miguel.

Eles ensinam sem terem aprendido

O Globo, 01/12/07

Demétrio Weber

Dos professores de ciências, 70% não são formados na área; em física, índice é de 90%

BRASÍLIA Sete em cada dez professores das disciplinas de ciências nas escolas brasileiras não têm formação específica para lecionar, isto é, fizeram faculdade em outra área ou, em menor escala, não têm sequer diploma universitário. A situação é mais dramática em física e química, em que 90% e 86% dos docentes, respectivamente, não concluíram o curso apropriado.

É o que revela estimativa do Ministério da Educação (MEC) realizada com base em dados de 2003 para as turmas de 5aa 8asérie do ensino fundamental (6º ao 9 º ano onde o ensino fundamental dura nove anos) e de ensino médio. A projeção será atualizada nas próximas semanas, tão logo o MEC consolide o novo Censo Escolar (Educacenso).

A má formação dos professores é apontada por especialistas como uma das principais causas do fraco desempenho dos estudantes brasileiros na última prova do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), que deixou o Brasil em 52º lugar entre 57 países e territórios.

Os resultados foram divulgados anteontem.

A nota média dos alunos brasileiros foi 390 pontos, numa escala que vai até 800. A nota média dos países que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade que reúne as nações do mundo desenvolvido e é responsável pelo exame, foi 500.

Despreparo torna ensino chato e distante do aluno

Além da falta de infra-estrutura das escolas públicas — apenas 6% delas tinham laboratório de ciências em 2005 —, o despreparo dos professores é apontado como um dos fatores que tornam o ensino chato e desvinculado da realidade dos alunos no Brasil. O Pisa avalia justamente o uso que os estudantes fazem do conhecimento científico no seu dia-a-dia.

O especialista em ensino da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, Célio da Cunha, diz que o país precisa investir simultaneamente na melhoria da carreira do magistério, aumentando salários, e na formação dos professores, oferecendo cursos universitários mais voltados para a atuação prática em sala de aula.

Segundo ele, o problema da formação inadequada de professores não mudou nos últimos quatro anos, isto é, no período posterior à data da estimativa do MEC.

— A situação permanece, porque, enquanto não melhorar a carreira e, simultaneamente, a formação dada nos cursos de licenciatura, fica difícil resolver o problema. Há um grande esforço do MEC e de algumas universidades, o que significa que poderemos ter uma situação melhor nos próximos anos — diz Cunha, lembrando que a Universidade de São Paulo (USP) está reformulando seus cursos, com ênfase na formação prática.

O estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) analisou a situação de todas as disciplinas. Na área de ciências, foram feitas projeções para matemática, química, física e biologia. De um lado, os técnicos consideraram o número de professores formados nos cursos de licenciatura nos últimos 25 anos. Do outro, estimaram a quantidade necessária de professores de cada área para atender os alunos matriculados.

Em física e química, não há professores suficientes

Em matemática, 72% dos docentes não tinham a licenciatura adequada. Em biologia, 42%. Em física e química, mesmo que todos os profissionais formados fossem lecionar, ainda assim faltariam professores.

— A situação não melhorou e, onde houve aumento de matrículas, seguramente piorou.

Não acho que o governo tenha impulsionado políticas para reverter o quadro — diz a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Dutra.

Segundo ela, a recém-lançada Universidade Aberta do Brasil, que se propõe a formar professores em cursos a distância, não é a melhor forma de resolver o problema.

— Curso a distância é adequado para a formação continuada, não para a inicial. Queremos que o governo nos convença, quando formar médicos e enfermeiros a distância. O ambiente universitário é fundamental para a formação dos professores — diz Juçara.

A estimativa do Inep foi feita a pedido do Conselho Nacional de Educação. A formação inadequada de professores será discutida no próximo dia 11, em seminário da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensinos Superior (Andifes). O Educacenso, novo censo escolar, registra o nome dos alunos e professores. Com isso, o governo saberá exatamente o tamanho do problema da falta de docentes.

Professor não está preparado para alunos deficientes

O Estado de São Paulo, 02/12/07

Maria Rehder e Naiana Oscar, Jornal da Tarde

Pesquisa do Ibope mostra que 96% deles se dizem sem condições e 87% afirmam nunca ter recebido treinamento

No caminho para promover a inclusão de alunos especiais na rede pública brasileira dentro das escolas regulares, como defende o Ministério da Educação (MEC) e grupos de especialistas da área, há uma barreira essencial a ser superada: o treinamento do professor para receber e ensinar esse estudante. Pesquisa Ibope encomendada pela Fundação Victor Civita, obtida com exclusividade pela reportagem, revela que 96% dos professores da rede pública se dizem despreparados para a inclusão de alunos especiais e 87% deles nunca receberam nenhum treinamento para isso. Foram ouvidos 500 docentes, em uma amostra de todas as capitais.

“Há experiências maravilhosas de docentes que promovem a inclusão. Só que ainda temos redes de ensino e até escolas que não oferecem capacitação”, afirma Regina Scarpa, pedagoga da Fundação Victor Civita. Ela explica que o mais importante é garantir que o aluno especial aprenda os conteúdos do ensino fundamental. “Para isso o professor tem de estar preparado.” Nesse quesito, o conceito de inclusão precisa ser bem definido, e inclui muito mais do que manter o aluno dentro da sala de aula.

O tema tem recebido maior atenção de entidades não-governamentais que trabalham com a questão, inclusive pela proximidade de uma data especial: amanhã se comemora o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população do mundo a respeito do problema.

Em São Paulo, dos 250 mil professores da rede estadual de ensino, apenas 13.992 receberam capacitação para isso. A técnica do Serviço de Educação Especial da Secretaria Estadual de Educação, Marlene Machado, diz que o número é pequeno porque a capacitação é mais focada nos professores-coordenadores. “Eles são multiplicadores nas escolas.”

Para a professora das redes municipal e estadual Maria Senna do Nascimento, os profissionais das escolas públicas não estão preparados. Tanto que ela matriculou a filha de 18 anos, portadora de síndrome de Down, numa escola especial privada. “As escolas públicas têm muitos alunos por sala e nem todos professores recebem capacitação.”

FALHAS

A dona de casa Cleuza Aparecida, de 39 anos, e sua filha Pâmela, de 13, são outro exemplo dessa realidade. Matriculada na 3ª série da Escola Municipal de Ensino Infantil Alexandre de Gusmão, em Guaianases (zona leste), a menina, que tem um leve retardo mental, só podia freqüentar as aulas se a mãe estivesse junto. Foi uma ordem da direção, segundo Cleuza. “Fiquei meses com a Pâmela na sala. A professora nunca chegou perto da carteira”, conta a mãe.

Sem ter concluído o ensino fundamental, Cleuza Aparecida decidiu ensinar o que sabe para a filha, na própria casa. Ela identifica cores, canta músicas em inglês, mas não sabe nem ler nem escrever. “Prova de que minha filha tem capacidade.”

A dona de casa Tereza Torres da Silva, de 39 anos, também não gostou do atendimento dado para filha Angélica, de 7 anos, na Escola Estadual Itiro Muto, no Grajaú. Decidiu tirar a menina da escola. Mesmo sem entender das discussões sobre inclusão, Tereza viu que alguma coisa estava errada. Angélica não estava na turma regular. “Ela ficava numa sala só com crianças deficientes, bem maiores do que ela. Fiquei com medo”, disse a mãe.

A nova política do Ministério da Educação propõe que os alunos portadores de deficiência estudem em salas comuns – o que tem gerado diversos protestos, manifestos e abaixo-assinados por todo o País, organizados por grupos de apoio aos portadores de deficientes.

A Secretaria Estadual da Educação informou que Angélica estava em uma sala especial provisoriamente, até que conseguisse se adaptar. Na escola, entretanto, a informação era de que crianças com necessidades especiais são matriculadas nessas turmas e a “inclusão” ocorre nos intervalos e em festas. Na Emef João de Lima Paiva, alunos com deficiência ficam em salas comuns. Mas isso não faz da escola um bom exemplo, pois os professores faltam muito. A Secretaria Municipal de Educação justifica que na falta de professores a aula é suprida por outros educadores.

Regina Martins, professora de 3ª série da Emef Coronel Tenório de Brito (zona sul), porém, afirma que é possível fazer a inclusão de alunos deficientes na classe regular. “Dou aulas por agrupamento, mapeio as necessidades de cada aluno, mas essa didática só adquiri após 20 anos e por meio de uma capacitação. O problema é que nem todo professor é capacitado.”

Ufla realiza Vestibular nesse final de semana

O curso de Medicina Veterinária, mais procurado, apresentou 51,80 candidatos por vaga

A Universidade Federal de Lavras (Ufla) realiza seu Vestibular (1º Processo Seletivo de 2008), nos dias 8 e 9 de dezembro. Para esse processo a Copese, recebeu 4.796 inscrições que concorrem a 240 vagas.

As obras literárias indicadas para o PAS 3ª Etapa e 1º Vestibular de 2008. Sagarana – Guimarães Rosa – adotados dois textos: “A hora e a vez deAugusto Matraga” e “Duelo” – Nova Fronteira. Nove Noites – Bernardo Carvalho – Companhia das Letras e Clara dos Anjos – Lima Barreto – Ediouro/Scipione.

As provas serão realizadas nas seguintes cidades: Estado de Minas Gerais: Lavras, Alfenas, Belo Horizonte, Divinópolis, Itajubá, Juiz de Fora, São João Evangelista, Uberlândia e Viçosa; Estado de São Paulo: São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto; Estado de Goiás: Goiânia.

Relação candidatos/vagas:

Administração – 18 vagas – 25,56 candidatos/vaga
Agronomia – 48 vagas – 17,25 candidatos/vaga
Ciência da Comutação – 15 vagas – 19,60 candidatos/vaga
Ciências Biológicas – 15 vagas – 32,33 candidatos/vaga
Educação Física (Licenciatura) – 15 vagas – 22,60 candidatos/vaga
Engenharia Agrícola – 15 vagas – 9,93 candidatos/vaga
Engenharia de Alimentos – 15 – 21,13 candidatos/vaga
Engenharia Florestal – 15 vagas – 25,67 candidatos/vagas
Matemática (Licenciatura) – 15 vagas – 7,40 candidatos/vaga
Medicina Veterinária – 15 vagas – 51,80 candidatos/vaga
Química (Licenciatura) – 15 vagas – 8,13 candidatos/vaga
Sistemas de Informação – 24 vagas – 12,04 candidatos/vaga
Zootecnia – 15 vagas – 16,00 candidatos/vaga

Mais informações:
www.copese.ufla.br
Tel: (35) 3829-1133/1120
E-mail: copese@ufla.br

Eleições para DCE

Dias 3 e 4 de dezembro, estudantes de graduação da Universidade Federal de Lavras(Ufla) votam para a escolha da nova diretoria para o Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Concorrem duas chapas: Revitalizar e Contramolas.

A votação será na Cantina Central, de 8 às 21 horas e no Restaurante Universitário, no horário de almoço.

Medicina e agronomia lideram pesquisas

O Estado de São Paulo, 30/11/07

MCT e CNPq apontam descentralização regional, com Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% em 2 anos

A maioria das pesquisas científicas brasileiras, espalhada por 403 instituições, concentra-se nas áreas de medicina e agronomia. Há uma pequena, mas constante descentralização regional da pesquisa, com o Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% nos últimos dois anos, ante 5% no Sul-Sudeste. As mulheres cientistas (48%), além de quase empatarem em quantidade com o número de homens (52%), lideram cada vez mais os grupos de pesquisa (43%) – ante 57% de grupos liderados por homens.

Esse retrato da pesquisa e dos pesquisadores foi divulgado ontem pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). O censo, intitulado Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, é realizado de dois em dois anos desde 1992.

O censo 2006 mostra que há hoje 90.320 pesquisadores em atividade no País, além de 128.969 estudantes envolvidos nos 21 mil grupos de pesquisa. Ao todo, foram registradas 76.719 linhas de pesquisa, com medicina (4.928) e agronomia (4.363) liderando o trabalho científico (12%). Pela ordem de quantidades de linhas de pesquisa, seguem-se educação (3.897), química (3.606) e física (2.794).

A idade média dos pesquisadores, homens e mulheres, é de 44 anos desde o primeiro censo em 1993. Do total de pesquisadores, 64% são doutores (57,5 mil). As ciências exatas e da terra (83%), as ciência biológicas (79%) e as ciências agrárias (75%) têm os mais altos índices de doutores envolvidos nas pesquisas. Entre os censos de 2004 e 2006, o Brasil incluiu 10 mil novos doutores ao cenário da produção científica.

Apesar da registrada descentralização, com a região Norte, sozinha, registrando 21% de crescimento, o Sudeste ainda concentra (50,4%) das pesquisas científicas do País. Pela ordem, essa distribuição, segundo o Censo 2006, está assim: Sul, 23,6%; Nordeste, 15,5%; Centro-Oeste, 6,1%; Norte, 4,4%.

Por Estado, a liderança é de São Paulo, com 27% dos grupos de pesquisa, seguido do Rio (13,2%), Rio Grande do Sul (10,4%), Minas Gerais (9,1%), Paraná (8,1%), Santa Catarina (5,1%), Bahia (4,6%), Pernambuco (3,2%), DF (2,1%) e Ceará (2%). Os demais Estados concentram menos de 2% dos grupos de pesquisa. Segundo o censo, há no País, ao todo, 129 mil estudantes envolvidos com a pesquisa.

Sozinha, a USP concentra 8,5% dos grupos de pesquisa, seguida da Unesp com 3,7%. As demais instituições dividem-se assim: UFRJ, 4,1%; UFMG, 3,1%; Unicamp, 3%; UFRGS, 2,6% e UFSC, 2%. As demais têm menos de 2% de participação.

Educação poderá ganhar R$ 19 bilhões a mais

Portal MEC, 29/11/07

O ministro da Educação, Fernando Haddad, comemorou o anúncio da possibilidade do fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU) na área educacional a partir de reduções graduais, até 2011. A proposta foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira, 28, e condiciona o fim da incidência da DRU à aprovação da CPMF pelo Congresso Nacional. Com a medida, a educação poderá receber R$ 19 bilhões a mais em quatro anos. Guido Mantega lembrou que a CPMF assegura a arrecadação anual de aproximadamente R$ 40 bilhões, a maior parte destinada à área social.

Para Haddad, a proposta demonstra que existe uma corrente nacional em favor da educação. “Serão R$ 19 bilhões a mais ao longo de quatro anos. Isso demonstra que existe uma pactuação em torno da melhoria da educação no país”, ressaltou durante lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, em Cuiabá.

O mecanismo da DRU, aprovado em 1994, permite que o governo gaste como quiser 20% do total de impostos arrecadados pela União, independentemente das vinculações previstas na Constituição.

De acordo com a Carta de 1988, 18% do total de recursos arrecadados com impostos federais deveriam ser destinados à educação. Mas, com a DRU, esse percentual passou a ser calculado depois de descontados os 20% da desvinculação. Assim, os 18% do total de recursos federais que deveriam financiar a educação foram reduzidos para cerca de 14%. Por causa disso, o Ministério da Educação deixou de investir R$ 45,8 bilhões entre 2000 e 2007.

O governo federal propõe reduzir a incidência da DRU para a educação até zerá-la em 2011. Em 2008, a desvinculação passaria de 20% para 15%, 10% em 2009, 5% em 2010 e zero em 2011. Em valores atuais, esses percentuais representariam cerca R$ 1,9 bilhão a mais sobre o orçamento da educação em 2008, R$ 3,8 bilhões em 2009, R$ 5,7 bilhões em 2010 e R$ 7,7 bilhões em 2011.

Maria Clara Machado e Ana Guimarães

Jovens se dizem desencantados com o Brasil

O Globo, 29/11/07

Chico de Gois

Violência e políticos são apontados, em estudo com adolescentes, como os maiores motivos de vergonha

Pesquisa realizada por Unicef, Fundação Itaú Social e Instituto Ayrton Senna mostra o desencanto dos jovens com o Brasil. Quando perguntados sobre quais motivos tinham para se orgulhar do país, 29% não quiseram ou não souberam responder, enquanto 11% afirmaram que “nada” lhes dá orgulho. Foram entrevistados 3.010 jovens em 206 municípios e 210 indígenas de 15 cidades, todos na faixa etária de 15 a 19 anos. Entre os que encontraram algum motivo de orgulho, 15% identificaram as riquezas, as belezas naturais e as praias, e 10% optaram pelo futebol. Dos representantes das classes D e E, 34% não opinaram. Para 20% dos indígenas, o povo e o cidadão brasileiro são motivos de orgulho, resposta de 5% dos demais entrevistados. Do lado oposto, o que mais envergonha os jovens entrevistados é a segurança pública, empatada com a política e os políticos. Em resposta espontânea, 20% apontaram cada um desses três problemas. Entre os indígenas, 23% não souberam ou não quiseram responder.

Entre os indígenas, quase metade sente-se discriminada A corrupção política é, na visão dos jovens, o que mais causa problemas sociais no Brasil: 27% dos entrevistados têm essa opinião, enquanto 17% apontaram a discriminação racial e 15%, a falta de segurança.

Entre os indígenas, a discriminação racial está no mesmo patamar da corrupção política, com 17% das respostas. Na Região Centro-Oeste, a corrupção política foi apontada como um dos principais males do país: 35% têm essa opinião, quase o mesmo percentual do Sudeste, 33%. Os jovens se dividiram ao apontarem caminhos para o ambiente político. Ao escolherem a expressão com a qual mais concordavam, 47% disseram que “a política é um ambiente muito contaminado, por isso o jovem deve buscar outros canais de participação”. Percentual praticamente igual dos que têm visão oposta: 48% responderam que “a participação política é um canal importante demais para deixar de ser utilizado pelos jovens”.

Embora observem a discriminação como um grave problema a ser enfrentado, a maioria (67%) não se sente vítima de preconceito. Porém, entre os que assim se sentem, 20% apontam o fato de serem pobres como motivo para serem destratados. Os indígenas (44%) são os que mais se sentem discriminados. A primeira etapa da pesquisa, intitulada “Adolescentes e jovens do Brasil”, foi realizada entre 11 e 18 de julho de 2006. O estudo foi concluído em 9 de agosto do ano passado, e divulgado ontem.

Ufla participa do Projeto Rondon no Pará e Piauí

A Universidade Federal de Lavras(Ufla) aprovou junto ao Ministério da Defesa dois projetos para a operação Grão-Pará do Projeto Rondon 2008.

A operação envolverá os estados do Pará e Piauí. No Piauí, a equipe da Ufla atuará na cidade de Boa Hora e terá a coordenação do professor Carlos Eduardo Silva Volpato. No Pará, a equipe atuará na cidade de Oeiras e terá a coordenação da professora Ila Maria da Silva Souza.

Entre os dias 19 e 23 de novembro os coordenadores visitaram as cidades de atuação e se reuniram com o prefeito e lideranças locais para traçarem o plano de trabalho, que será executado no mês de janeiro de 2008.

Desde 2005, quando o Projeto Rondon voltou a ser realizado, esta será a quarta participação da Universidade. Em 2005 esteve na Amazônia. Em 2006 em Roraima e em 2007 no Pará.