A necessidade de um plano ambiental e estruturante: “Eco Universidade”

Desde 1994, quando a Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) se transformou na Universidade Federal de Lavras (UFLA), o crescimento foi uma constante. A UFLA experimentou um aumento significativo dos cursos de graduação e de pós-graduação, de novos professores e estudantes, crescimento na geração e transferência de conhecimentos e tecnologias.

A estrutura existente na Universidade não foi preparada para suportar este crescimento. O sistema de rede elétrica, de saneamento básico e estação de tratamento de esgoto; o abastecimento de água; o gerenciamento de resíduos sólidos e de laboratórios; as vias de acesso ao campus e no campus; os estacionamentos e problemas de educação no trânsito, agravados com o crescente aumento de automóveis, motocicletas e bicicletas.

O campus da UFLA ocupa uma área de 476,50 ha, com um perímetro de 12.276,60m, localizando-se nos limites da área urbana do município. Apresenta partes com características de área urbana, onde se concentram as construções destinadas às atividades administrativas, de ensino e pesquisa, e outra parte com características de ocupação rural, onde se localizam as áreas experimentais e de ensino dos cursos da área de Ciências Agrárias.  Um dos primeiros impactos da expansão da UFLA foi a degradação da vegetação nativa, pois a UFLA é uma universidade com grande peso na área das Ciências Agrárias. Além disso, as queimadas eram na ordem de 15 a 20 por ano.

Os cursos de na área biológica, em suas atividades de docência, pesquisa, extensão e produção com frequência requerem a utilização de animais e, consequentemente, geram grande quantidade de resíduos com grande potencial de impacto à saúde pública e ao meio ambiente. Exemplos destes resíduos são cadáveres, carcaças, peças anatômicas, vísceras, líquidos corpóreos e outros resíduos de animais submetidos à experimentação ou suspeitos de serem portadores de microrganismos infecciosos. Estes resíduos podem disseminar doenças, produzir mau cheiro, servir com atrativo para proliferação de insetos e roedores, além de contaminar o meio ambiente. A UFLA utilizava fossa, onde as carcaças eram colocadas semanalmente sem tratamento nenhum. Já ocorreram situações em que essa fossa cedeu precisando ser refeita. Esta fica aberta e é somente fechada quando se encontra cheia, propiciando com isso a exposição de carcaças de animais que muitas vezes morreram de doenças infecto-contagiosas ou mesmo zoonoses. Essa fossa fica exposta ao homem e aos animais carniceiros, como os cães, que frequentemente, ao manipularem estas carcaças, tiram pedaços da fossa e espalham pelo ambiente. Além disso, mesmo ocorrendo a fermentação dos restos cadavéricos, esta não é eficiente na eliminação de algumas bactérias e outros patógenos, somado a isso, ocorre a geração de mau cheiro, presença de moscas, roedores e contaminação do lençol freático.

Antes da expansão a UFLA consumia, em termos de água tratada, o equivalente a 400 m3/dia, gerando um volume de esgotos em torno de 300 m3/dia. Com a expansão da Universidade o número de estudantes será duplicado e a quantidade de esgotos gerados deverá ser de 800 m3/dia. Os efluentes dos laboratórios da UFLA são lançados em sumidouros, o que não é ambientalmente correto. Esse sistema de lançamento dos esgotos ocorre por meio de 132 sumidouros, construídos junto às unidades prediais, o que pode, em um futuro próximo, comprometer nascentes, córregos e ainda as águas responsáveis pelo suprimento da estação de tratamento de água da UFLA.

As instituições de ensino trabalham com uma grande variedade de produtos químicos e geram, da mesma forma uma enorme diversidade de materiais residuais. A maioria destes resíduos químicos é material perigoso em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxidade. Os laboratórios acadêmicos – locais onde as atividades práticas associadas ao ensino, pesquisa e extensão são executadas – constituem fonte de geração de resíduos. Esses resíduos são: reagentes utilizados e produtos gerados em aulas práticas; reagentes químicos com rótulos danificados/sem identificação; reagentes e produtos químicos contaminados; reagentes químicos com prazo de validade vencido; materiais contaminados (luvas, papéis entre outros); etc. Na UFLA estes resíduos eram descartados na pia ou então em uma fossa concretada, eram inclusive jogados à céu aberto, prejudicando de forma agressiva ao Meio Ambiente. É Importante ressaltar que o descarte de resíduos químicos via esgoto comum provoca problemas ambientais e estruturais e a fossa concretada não é local adequado para o descarte de resíduos químicos.

Em 2004 a rede elétrica era constituída por cabos sem capeamento construída na década de 70 apresentando sobrecargas, interrupções excessivos e grande perda de energia; a cabine de Medição era antiga e sem proteção contra curto circuitos  na rede e a rede elétrica  nos departamentos e setores antiga era sobrecarregada e  com elevadas perdas por aquecimento, acarretando gastos excessivos com energia.

No que tange a prevenção de endemias e epidemias, a UFLA não apresentava nenhum programa sistematizado de monitoramento ou avaliação de fatores de risco de epidemias e endemias. O único monitoramento existente era realizado bimestralmente, pelos agentes da Prefeitura, com a colocação de armadilhas no campus, que foi finalizado devido ao prazo de expiração. Também não havia ações de cunho educativo na UFLA.