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Professora da UFLA vence Prêmio Para Mulheres na Ciência 2017, na categoria Física

A professora Jenaina Ribeiro Soares, do Departamento de Física da Universidade Federal de Lavras (DFI/UFLA), foi a vencedora do prêmio nacional Para Mulheres na Ciência 2017, sendo a única agraciada na categoria Física. O prêmio é uma promoção da Unesco, Academia Brasileira de Ciências e L’Oréal.

O projeto vencedor na categoria Física, elaborado pela professora Jenaina, está relacionado à sua linha de pesquisa: estudo das propriedades e síntese de nanomateriais – materiais cuja estrutura possui até um milionésimo de milímetro. Nessa escala, as nanoestruturas têm baixa dimensionalidade e apresentam propriedades diferentes das observadas em maior escala.

Assim, a professora desenvolve estudos teóricos e experimentais, aplicando diferentes técnicas, a fim de identificar as formas e propriedades das nanoestruturas. “Imagine conseguir escalar elementos para a espessura de poucos átomos: em eletrônica, isso permitiria obter componentes menores, com consumo menor de energia e maior capacidade de processamento”, exemplifica Jenaina.

Outra linha desenvolvida, que terá o auxílio da bolsa recebida pelo prêmio, é a continuidade no desenvolvimento de equipamentos para sintetizar e caracterizar nanomateriais. Investindo na construção de instrumentação científica própria, a pesquisadora busca mais independência em relação a aparelhos estrangeiros, redução de custos e customização. A aplicação do valor recebido no prêmio será, principalmente, em equipamentos e reagentes.

O programa Para Mulheres na Ciência está na 12ª edição e já reconheceu, desde 2006, mais de 70 cientistas brasileiras nas áreas de Física, Matemática, Química e Ciências da Vida. As sete vencedoras (sendo quatro na categoria Ciências da Vida) foram escolhidas por um júri acadêmico formado por membros da Academia Brasileira de Ciências, avaliadas pelo potencial das pesquisas e pela trajetória que já desenvolveram em suas áreas de atuação. Cada cientista será premiada, em solenidade em outubro, com uma bolsa-auxílio de R$50 mil para fundamentar e dar continuidade às pesquisas.

Segundo a pesquisadora, “O prêmio possui uma importância fundamental devido à projeção até mesmo internacional, visto que também é concedido em outros países. O recurso será essencial para colocarmos equipamentos em funcionamento que estavam parados por falta de reagentes, assim como a parte de desenvolvimento de instrumentação própria”, afirmou.

Na UFLA, Jenaina é coordenadora do grupo de pesquisa em teoria, síntese e caracterização de novos materiais (NanoMat/UFLA), dedicado ao estudo das propriedades eletrônicas, ópticas, estruturais e vibracionais de novos materiais, principalmente bidimensionais (grafeno, novos alótropos de grafeno, metal dicalcogenetos de transição, dentre outros), como objetivo de compreender novos fenômenos observados devido à baixa dimensionalidade ou à síntese de novos compósitos. “O estudo e trabalho com esse tipo de material são muito recentes. Foram iniciados em 2004”, revela a professora.

Para realizar tais estudos, são utilizados métodos como a Teoria do Funcional da Densidade (Density Functional Theory – DFT), teoria de grupos, Espectroscopia Raman, síntese por deposição química de vapor (Chemical Vapor Deposition – CVD), Microscopia de Força Atômica, Microscopia Eletrônica de Varredura, dentre outros. O NanoMat atua, ainda, no desenvolvimento de instrumentação científica para síntese e caracterização de novos materiais, assim como instrumentação voltada ao ensino; e formação de pessoal altamente qualificado para o desenvolvimento de tecnologias barateadas, que podem ser transformadas em produtos a serem transferidos para a sociedade.

O NanoMat também desenvolve pesquisas multidisciplinares envolvendo materiais para a melhoria da qualidade de solos e também análises de composição e armazenamento de cafés especiais, procurando desenvolver metodologias que agregam valor a estes produtos.

Saiba mais sobre o Prêmio Para Mulheres na Ciência.

Contribuição: Camila Caetano

 

II Encontro Intermunicipal – Fios Trançados com Terra e a Cor Negra – é realizado na UFLA

Grupos envolvidos no tema se encontram na UFLA
Grupos envolvidos no tema se encontram na UFLA

O Grupo de Pesquisa e Extensão: Gênero e Diversidade em Movimento – Gedim, o Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável e Extensão/PPGDE, do Departamento de Administração e Economia (DAE/UFLA), e a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal de São João de Rei (ITCP/UFSJ) realizaram, nos dias 6 e 7, o “II Encontro Intermunicipal Fios Trançados com Terra e a cor Negra: Prados, Lavras e Guapé”.

O evento contou com o apoio dos grupos de pesquisa e extensão da UFLA: Yebá – Ervas e Matos e Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Agroecologia do DAE e Núcleo de Estudos em Agricultura Orgânica do Departamento de Agricultura (DAG). O principal objetivo do evento foi apresentar e discutir os resultados do projeto “Relações de Gênero: Configurações e Reconfigurações da Divisão Sexual do Trabalho entre mulheres assentadas, mulheres negras e da economia solidária”.

Participaram do encontro, além dos grupos de mulheres envolvidos inicialmente no Projeto: Olhos D’água Produzindo e Preservando, do Assentamento Santo Dias de Guapé, coordenado pelo MST; Grupos de mulheres da Economia Solidária da cidade de Prados e representantes do Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial de Lavras (CMPIR) e outros grupos de mulheres do Sul de Minas e Campos das Vertentes.

Agricultoras familiares apresentaram a produção de café e rosas orgânicas, da cidade de Poço Fundo
Agricultoras familiares apresentaram a produção de café e rosas orgânicas, da cidade de Poço Fundo

O encontro simbolizou a diversidade de grupos presentes. Entre eles, o grupo “Mulheres Organizadas Buscando Independência – Mobi”, agricultoras familiares apoiadas pelo Instituto Federal (IF Sul de Minas) e Emater, que apresentaram a produção de café e rosas orgânicas, da cidade de Poço Fundo. Também participaram representantes do Conselho Municipal de Consciência Negra de Coronel Xavier Chaves (Consnec) e do poder público de Prados e Coronel Xavier Chaves.

A diretora de Políticas para Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DPMR/MDA) e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Karla Emmanuela Ribeiro Hora, participou de uma mesa redonda com a palestra intitulada “Políticas Públicas para Mulheres Rurais”. Ela enfatizou que o desenvolvimento dos trabalhos tem indicado que o fortalecimento organizativo desses grupos, tem se traduzido, de forma inovadora, em avanços nos diálogos com a sociedade em geral e com o poder público.

Os resultados da pesquisa sobre Divisão Sexual do Trabalho estão sendo organizados também em uma cartilha que será distribuída aos grupos.