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Professor do curso de Nutrição responde: o leite é vilão ou aliado para a saúde?

entrevista-tvuOs benefícios do consumo do leite têm sido questionados com diferentes argumentos, que levam a população a uma dúvida: o alimento é vilão ou aliado para a saúde? O professor do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Lavras (DNU/ UFLA) Michel Cardoso Angelis Pereira esteve no estúdio da TVU-Lavras nessa quarta-feira (17/2) para conversar sobre o tema e desmistificar algumas crenças.

De maneira geral, ele diz que o leite tem muito a oferecer à saúde da maior parte da população, se ingerido nas porções corretas, integrando uma dieta equilibrada. Ele esclarece também sobre o consumo de produtos sem lactose, que pode ser prejudicial a quem não tem intolerância comprovada a esse carboidrato.

Alergia e intolerância à lactose

Aqueles que condenam a ingestão dos lácteos apontam a alergia e a intolerância à lactose como supostos malefícios do produto. No entanto, professor Michel esclarece que apenas um número reduzido de pessoas tem alergia à proteína do leite (menos de 1% da população), não justificando que grande parcela das pessoas tenha temor em consumir. Trata-se de um processo alérgico que pode existir também em relação à proteína existente em outros alimentos, como o amendoim, a soja, etc.

A intolerância à lactose é outra reação do organismo que está presente em um número muito pequeno de indivíduos, em níveis variados: alguns deles precisam eliminar a lactose da alimentação e outros devem reduzir o consumo. No entanto, a indicação indiscriminada de uma dieta sem lactose pode trazer prejuízos a quem a adota. “Se a pessoa não tem a intolerância e é incentivada a não consumir a lactose por um longo período, poderá, no futuro, desenvolver a reação”, explica Michel.

Aproveitamento do cálcio pelo organismo

É comum o comentário de que o ser humano é o único mamífero que continua a ingerir leite ao longo da vida e de que essa ingestão é maléfica ao organismo, já que não haveria leiteabsorção do cálcio do leite de forma adequada. O professor, ao contrário, afirma que quem não consome leite tem maior tendência a desenvolver deficiência de cálcio. “O cálcio do leite tem absorção muito maior do que o cálcio de outros alimentos. A lactose colabora nesse processo, sendo a principal responsável pela melhor absorção”.

Vantagens do consumo do leite

Além de ser uma fonte diferenciada de cálcio, o leite é considerado um dos alimentos mais completos. Apresenta proteína de alto valor biológico, ou seja, uma proteína que é utilizada pelo organismo com muita eficiência. É rico em vitamina A (importante para manter a acuidade visual, proteger a pele, auxiliar na prevenção de alguns tipos de câncer e atuar no fortalecimento do sistema imunológico, prevenindo infecções, principalmente no pulmão). Vitaminas do complexo B também estão presentes.

“A lactose, para quem é tolerante – e a maioria da população é tolerante – tem efeito pré-biótico, ou seja, faz com que o intestino funcione melhor e aumenta a capacidade de absorção de outros micronutrientes, como as vitaminas e os sais minerais”, diz Michel. Além do mais, a lactose, exerce outros efeitos benéficos ao organismo, por auxiliar no equilíbrio da microbiota intestinal, o que pode estar relacionado com a prevenção de câncer do intestino.

Sim ao leite, mas não ao exagero

O professor Michel enfatiza que o excesso de qualquer alimento pode ser prejudicial à saúde. Com o leite não é diferente: “o recomendado é o consumo de três a cinco porções diárias, sendo esse número máximo recomendado para atletas de alto rendimento”. Uma porção de leite é equivalente a um copo americano (150 ml), ou a uma fatia pequena de queijo, ou a um pote pequeno de iogurte (cerca de 130 ml).

O excesso de cálcio pode levar a calcificações no fígado, formação de pedra nos rins e na vesícula, insuficiência renal e outras complicações.

É recomendado tomar leite após o exercício físico?

O exercício físico provoca a inflamação dos músculos, fazendo com que a pessoa precise de proteína para regenerá-los. Como é fonte de proteína de alto valor biológico, o leite é bem-vindo após as atividades. “Nesse momento, os músculos usam melhor os aminoácidos das proteínas do leite, e os ossos captam mais cálcio, o que colabora para que fiquem mais compactos e enrijecidos. Além disso, com o leite você consegue repor vários minerais”.

Assista à entrevista do professor Michel Cardoso Angelis Pereira

Cerca de 260 pessoas participam até 19/11 da I Jornada de Nutrição da UFLA

image011Começou nessa terça-feira (17/11) a I Jornada de Nutrição da Universidade Federal de Lavras (Jonufla). Cerca de 260 participantes estavam reunidos no momento oficial de abertura, realizada às 18h, no Salão de Convenções da Universidade. A programação teve início pouco antes, no período da tarde, com o minicurso “Fisiologia do Exercício e Nutrição no Combate à Obesidade”.

Até de 19/11, serão nove palestras (ministradas sempre no período da noite) e sete minicursos (no período diurno). A professora do Departamento de Nutrição Isabela Coelho de Castro, que coordena as ações, avaliou positivamente o início do evento. “Considerando que no período de greve a divulgação acaba sendo menos intensa, ficamos surpresos com tamanha receptividade do público e participação.” Ela explica que depois desta primeira edição, a equipe envolvida irá avaliar os resultados e definir as próximas edições.

Na mesa de abertura estavam presentes, além da professora Isabela, o chefe do DNU, professor Wilson César de Abreu; a sub-chefe Lílian Gonçalves Teixeira e representantes das entidades que integraram o grupo organizador. Professor Wilson parabenizou a comissão organizadora pelo empenho e destacou o fato de ser esse o primeiro evento que une todas as entidades estudantis ligadas ao curso de Nutrição (Núcleos de estudos, Centro Acadêmico de Nutrição, Empresa Nutri Júnior, Promec).

Além de estudantes da UFLA, o evento recebe públicos de outras instituições de ensino de Lavras e de outros municípios.

Palestras

A programação inclui temas que permitem a atualização de estudantes e profissionais sobre o avanço de conhecimentos na área, além de proporcionar reflexões sobre a inter-relação da Nutrição com as ciências da saúde e dos alimentos. A primeira palestra do evento foi “O papel do Conselho e a atuação do profissional – CRN9”, proferida Pela nutricionista Ana Carolina Brasil e Bernardes, delegada do Conselho Regional de Nutrição – 9º Região.

Diferentes profissionais da área terão a missão de conduzir a sequência de palestras. Confira temas, horários e nomes dos palestrantes na programação registrada do SIG.

Acompanhe novas informações pela página da Jonufla.

UFLA oficializa a criação do Departamento de Nutrição

aerea-campusEm recente avaliação do Ministério da Educação (Inep/MEC), o curso de Nutrição da Universidade Federal de Lavras (UFLA) foi destacado como o segundo mais bem avaliado do País, de acordo com o Conceito Preliminar de Cursos (CPC). Para consolidar ainda mais esta área do conhecimento na Universidade, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe/UFLA) aprovou a criação do Departamento de Nutrição (DNU), fruto de um projeto estratégico de crescimento e fortalecimento de diferentes linhas de pesquisa.

Quatorze docentes do curso de Nutrição, antes lotados no Departamento de Ciências dos Alimentos (DCA), passam a integrar o novo departamento, sob a chefia do professor Wilson César de Abreu. O crescimento da área, seus projetos e perspectivas no âmbito do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI – 2011/2015) fundamentaram a proposta.

Para a coordenadora do curso, professora Sandra Coelho, a criação do DNU é uma conquista que permitirá a consolidação do curso. “Poderemos investir ainda mais na oferta de ensino de qualidade, unindo teoria e prática, de forma a preparar nosso aluno para as exigências do mercado de trabalho”. Ela lembra também que o DNU terá metas e compromissos com a comunidade de Lavras. “Estaremos presentes na sociedade, com ações diversificadas, como educação nutricional em escolas, projetos de extensão que atendam os diversos ciclos da vida e, no futuro, com atendimento nutricional individualizado em um ambulatório”.

O momento de reconhecimento por que passa o curso – com a avaliação de destaque no IGC e ascensão da profissão no mercado de trabalho – colabora, na avaliação de Sandra, para com os projetos futuros. “Esperamos continuar a nos esforçar e a crescer para levar a marca da UFLA cada vez mais longe”, diz.

Consolidação e perspectivas

O curso de Nutrição, iniciado em 2009, oferece 50 vagas semestrais, sendo 60% destinadas ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e 40% ao processo de avaliação seriada (PAS). O curso funciona em período integral e está vinculado ao Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA / UFLA).

O curso conta ainda com quatro núcleos de estudo, com foco em diferentes áreas: Núcleo de Estudos em Alimentos Funcionais (Neaf), Grupo de Estudos de Nutrição em Exercício (Genex), Núcleo de Estudos em Saúde Materno Infantil (Nesmi) e Núcleo de Estudos em Nutrição Clínica (Nenucli). Além dos grupos de estudo, estudantes de Nutrição prestam serviços por meio da empresa Nutre Empresa Júnior.

Os docentes participam do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu Nutrição Humana e Saúde, vinculado ao DCA, e existem projetos para criação de dois novos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu com a participação de docentes do DNU: Programa de Pós-Graduação em Saúde Integrada (interdisciplinar) e Programa de Pós-Graduação em Ciência da Saúde, Alimentação e Nutrição. Os docentes, embora já atuem de forma interdisciplinar, colaborando com programas de pós-graduação da UFLA e com outras instituições de ensino, analisam a viabilidade de criar um curso especifico da área – Pós-Graduação em Nutrição.

A participação dos professores e estudantes em programas de extensão também é um ponto a ser ressaltado. Diversas atividades são exercidas na comunidade, com o objetivo de promover ações transformadoras na sociedade, pela difusão do conhecimento científico e tecnológico na área da nutrição.