BIC Júnior/UFLA disponibiliza mais de 150 bolsas de estudos para alunos do ensino médio

Estudantes de escolas públicas de Lavras têm tido a oportunidade de realizar atividades de iniciação científica na UFLA por meio do BIC Jr., programa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São disponibilizadas mais de 150 bolsas na Universidade a estudantes do 1º e 2º ano do ensino médio, contribuindo para o estímulo à ciência e à continuidade dos estudos no nível superior.

Na UFLA, o projeto é desenvolvido desde 2002 e já mudou a realidade de muitos estudantes de escolas públicas: só no ano passado, entre os 32 bolsistas que se formaram no projeto, 18 passaram para cursos de graduação na Instituição.

O processo seletivo de novos bolsistas é realizado ao final de cada ano.  Em 2017, 270 estudantes concorreram a 43 bolsas.  Na recepção, pais e estudantes participam de um evento para esclarecer os objetivos e as ações do Bic Jr., bem como as atividades que serão desenvolvidas pelos estudantes no decorrer do programa e que irão ajudar nas decisões futuras de cada um.

O projeto envolve mais de 130 professores de diversos cursos, que contribuem não somente para o crescimento educacional dos estudantes, mas também os preparam para lidar com situações de vida.  São diversas propostas e ações,  entre elas palestras e minicursos, como “Gravidez na adolescência”, ministrada pela professora Kátia Poles, do Departamento de Ciências da Saúde – (DSA); e “Gênero e sexualidade, gravidez e sexo na adolescência”, proferida pela professora Cláudia Ribeiro, do Departamento de Educação – (DED).

Os bolsistas participam, ainda, do Congresso de Iniciação Científica da UFLA – CIUFLA, que os prepara para elaborar e confeccionar resumos e pôsteres, além de esclarecer sobre os aspectos inerentes aos processos de investigação científica. Durante o evento de 2017, os bolsistas participaram do l Workshop BIC Júnior, que contou com várias atividades. Entre elas, uma mesa-redonda composta por um ex-bolsista, um docente e um técnico da universidade, com objetivo de discutir a importância do BIC Jr. na formação e na vida dessas pessoas.  Os participantes puderam também conhecer um pouco mais sobre os núcleos de estudos da universidade, que apresentaram de forma dinâmica e interativa suas pesquisas, possibilitando aos estudantes o conhecimento sobre outras áreas de atuação. 

De acordo com a coordenadora do projeto na UFLA, professora Rita de Cássia Suart,  o BIC Jr. é muito mais do que um simples programa educacional, pois é capaz de transformar a vida das pessoas. “Nesse um ano e meio de gestão BIC Jr., tenho aprendido muito mais do que coordenar um Programa. Tenho compreendido a importância intelectual, cultural e, principalmente, social do Programa na vida dessas pessoas. Muito mais do que aproximar a Universidade da comunidade lavrense, o BIC Jr. tem transformado a vida de muitos estudantes e de muitas famílias. Conversar com o pai ou mãe de um bolsista e ver em seus olhos a gratidão por estarmos recebendo o seu filho e contribuindo para a sua formação é muito gratificante! Vemos e vivenciamos, nos relatos e nas conversas com os bolsistas, o quanto o BIC é um programa transformador e enriquecedor para todos os envolvidos, inclusive para todos nós da gestão”, ressalta.

Milena Maria Ribeiro foi uma das 32 formandas em 2017. Para ela, o programa a ajudou a ter responsabilidade e maturidade. “Com o meu projeto, aprendi também a cumprir os horários propostos e a praticar a leitura com os textos que todos os meses lemos. É de fato uma experiência inexplicável e inesquecível, por toda a vida vou levar comigo os ensinamentos e tudo que aprendi. Com o BIC Jr., descobri minha verdadeira paixão, Pedagogia, pois trabalhar com pessoas especiais é muito gratificante. Este ano, deixo o projeto com muita gratidão e alegria em ter feito parte. Pretendo, nos anos seguintes, continuar minha formação e, se possível, continuar na equoterapia”, revela a estudante.

Fazem parte do BIC Jr. sete escolas estaduais de Lavras: Escola Estadual Azarias Ribeiro, E. E. Cinira Carvalho, E. E. Cristiano de Souza, E. E. Dora Matarazzo, E. E. Dr. João Batista Hermeto, E. E. Firmino Costa e Colégio Tiradentes.

Processo seletivo:

A seleção dos estudantes é realizada de acordo com o número de vagas disponíveis para o período.  Normalmente, a seleção ocorre no final do segundo semestre de cada ano. E a partir dessa seleção, é elaborada uma lista com os nomes dos candidatos, que participam  de uma prova de redação, entrevista e análise do boletim escolar.

Os aprovados iniciam as atividades imediatamente. É divulgada uma lista com os suplentes que serão convocados, caso haja substituição, e uma lista com aqueles que não atingiram a nota de corte. Os estudantes classificados em ordem decrescente na lista de suplentes são convocados à medida que ocorra desligamento de bolsistas. A convocação obedece à ordem de classificação dos estudantes no processo seletivo.

Mais informações sobre o BIC Júnior em www.prp.ufla.br/iniciacao-cientifica/bic-junior/

 

Melissa Vilas Boas – bolsista do Projeto DCOM/TVU/Fapemig

Estudante da UFLA participa do Programa de Vivências no SUS do Ministério da Saúde

Em parceria realizada pelos cursos de Medicina e Engenharia ambiental e Sanitária, por meio da disciplina de Epidemiologia e Saúde Pública, ministrada pela professora Stela Márcia Pereira, do Departamento de Ciências da Saúde (DSA), o estudante Juliano Rezende Mudadu Silva, do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária foi selecionado para o projeto “VER-SUS – no VALE 2018”, onde teve uma vivência de oito dias nos municípios de Juazeiro e Petrolina, sertão baiano e pernambucano, respectivamente. 

A imersão no programa ocorreu por meio de debates sobre as realidades dos povos e o funcionamento de cada nível de complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e contou com o apoio a Universidade Federal do Vale do Rio São Francisco (Univasf). O estudante, e outros 29 participantes, receberam auxílio dormitório, alimentação e transporte.

O VER-SUS (Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde) é um projeto estratégico do Ministério da Saúde que acontece desde 2002, com foco na formação de trabalhadores para o SUS. Destina-se aos estudantes universitários brasileiros dos cursos da área da saúde, todavia tem aberto espaço para áreas conexas que contribuem para a redução do risco de doenças e de outros agravos.

O estudante da UFLA vivenciou experiências em Juazeiro, Bahia, participou de aulas e debates de diversos temas sobre o funcionamento da sociedade, conhecimento de fitoterápicos, uso de folhas e raízes medicinais pelos sertanejos e agroecologia. Também participou de dias de imersão no campus da Univasf de Juazeiro, onde o debate sobre o SUS foi mais intenso. A “Atenção Primária à Saúde (APS)” foi tema central, assim, foram realizadas visitas às Unidades Básica de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF-PSF), e Unidades de Pronto a Atendimento(UPA).

Juliano relata que a vivência lhe possibilitou adquirir mais conhecimentos da saúde pública e entendimento da vida. “Notei a não existência de sistemas, ou de um simples filtro, para o tratamento da água. O lixo gerado era descartado no quintal de cada casa, ficando exposto no ambiente em que crianças brincavam. Sendo a prova concreta da gritante necessidade de nós, profissionais promovedores do saneamento básico, contribuirmos para a saúde das populações. Para mim, foi o início de uma longa jornada, da luta pelo fim do maior desastre ambiental brasileiro, e provavelmente mundial, a falta saneamento básico, causador de diversos problemas de saúde pública. Outro ponto marcante ocorreu em uma tarde em que tivemos a honra da visita de Luciene, que ficou 13 anos internada em manicômio. Chocou e comoveu todos os viventes com a sua história. Estimulando o debate da importância do CAPS- Centro de Atenção Psicossocial como um espaço de reconstrução”.

Para a professora Stela, tais experiências vêm ao encontro do direito de cidadania. “É consenso mundial de que o Estado é responsável pela saúde de seus povos. No Brasil, por meio da Constituição de 1988 tem-se, pelo artigo 196, que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Deste modo, tais vivências sucitarão em nossos alunos a compreensão, na prática, sobre a necessidade de buscarnos o cumprimento desses direitos e seus impactos. Ademais, temos vivenciado, em todo mundo, o aparecimento de doenças emergentes e reemergentes”.

Colaboração direta da professora Stela Márcia Pereira

Proximidade com florestas nativas pode favorecer a biodiversidade em áreas de plantio, diz pesquisa

Wallace em área monitorada.

Um estudo feito com comunidades de escaravelhos, em áreas de plantação de eucaliptos na Amazônia, concluiu que ecossistemas de plantação podem ser melhorados mantendo áreas de florestas naturais ao redor das de produção. Esta foi a conclusão da tese de doutorado de Wallace Beiroz, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada.

Wallace utilizou dados obtidos entre 2009 e 2013, de áreas de plantação de eucalipto próximas ou não de florestas naturais, na região Nordeste do Pará. Aquelas com mais floresta nativa possuíram mais possibilidade para a chegada de besouros rola-bosta, espécies sensíveis e indicadoras da saúde do ambiente. Esses animais desempenham função importante no ciclo da matéria orgânica, transportando nutrientes pelo solo (auxiliando o desenvolvimento das plantas e microrganismos). Em plantações com maior quantidade de floresta ao redor, foram encontradas comunidades com distribuição mais igualitária das características funcionais.

Parte da pesquisa foi dedicada ao registro do número de espécies encontradas nas áreas de plantação, mas Wallace também avaliou outras características, como: o peso médio dos animais; período de atividade (diurnos ou noturnos); e dieta e tratamento do esterco, entre outras características funcionais que afetam a influência das atividades dos besouros no ecossistema. Uma das conclusões foi que as plantações mais próximas das florestas naturais não tinham necessariamente mais espécies de besouros do que as outras, mas costumavam incluir mais besouros com potencial de reciclar mais matéria orgânica.

Uma das espécies de escaravelho encontrada no solo pesquisado.

Assim, essas áreas próximas de florestas naturais tinham funcionamento mais parecido com essas últimas. “Em áreas distantes de florestas naturais (menos úmidas), bichos diurnos estão mais sujeitos a perder água, e é comum que desapareçam de plantações. Assim como animais pesados, que precisam de mais recursos e promovem mais ciclo de nutrientes”, diz o pesquisador.

Durante a pesquisa, outra conclusão foi que o funcionamento do agroecossistema pode se manter, mesmo perdendo espécies em relação à floresta – isso porque algumas delas podem apresentar redundância em relação ao papel no funcionamento. “Por isso, é importante que áreas nativas sejam preservadas, para que sirvam de fonte de espécies para áreas modificadas, promovendo a sustentabilidade”, aponta Wallace.

Uma das características das plantações para permitir mais oportunidade de entrada de espécies naturais é o aumento da área de floresta nativa e natural ao redor. “Ou seja: teoricamente, florestas próximas podem garantir uma maior ciclagem de nutrientes e fluxo de energia em plantações”.

Impactos

Wallace aponta que os resultados podem ser interessantes para a redução  do uso de agrotóxicos e dos gastos de manutenção das plantações. A pesquisa sugere que a restauração ou manutenção de florestas naturais pode facilitar o movimento de espécies: “Os proprietários de plantações têm gastos para fornecer nutrientes para tornar as plantações mais produtivas, mas, caso mantenham a floresta natural ao redor das plantações, podem ter esse serviço gratuitamente dos besouros”, diz.

“Outro resultado interessante foi que apesar dos besouros rola-bosta normalmente se recuperarem, uma seca forte ou prolongada pode prejudicar a comunidade de rola-bosta. Portanto, o aumento das secas devido às mudanças climáticas pode ser um grande problema, já que esses besouros são responsáveis pela ciclagem de nutriente e até dispersão de sementes. Então, podemos estar matando as florestas indiretamente, mesmo aquelas que são consideradas protegidas”.

Dupla titulação com a Universidade de Lancaster

Wallace passou um ano na Inglaterra, no Centro de Meio Ambiente da Universidade de Lancaster, e obteve dupla titulação. A experiência no exterior foi positiva: “Incentivo todos os estudantes a tentar passar um período no exterior. Isso faz enxergar como outra cultura vive, sair um pouco da zona de conforto. Isso muda a forma de ver o mundo e elimina muitos preconceitos”.

Ele foi orientado pelo professor Júlio Louzada (DBI) e teve coorientação dos docentes Emma Sayer, Jos Barlow e Eleanor Slade. A tese, premiada como a melhor do Programa de Pós-Graduação daquele ano, foi defendida no final de 2016.

Núcleo de Divulgação Científica da UFLA.