Dois anos após o rompimento da barragem em Bento Rodrigues, pesquisa realizada na UFLA propõe um destino diferente para os detritos da represa

Um fato que é conhecido internacionalmente e que tomou proporções imensuráveis foi o rompimento da barragem de Bento Rodrigues, no dia 5 de novembro de 2015, em Mariana, Minas Gerais. Após o desastre, a empresa responsável pela barragem disponibilizou os detritos acumulados para pesquisadores e demais interessados.

Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), uma pesquisa realizada pelo professor do Departamento de Engenharia (DEG), Rafael Farinassi Mendes, propõe contribuir com a população afetada por meio do uso dos resíduos de mineração na produção de materiais de construção civil.

A pesquisa está em desenvolvimento há um ano, e o objetivo é aplicar o resíduo de mineração na produção de painéis à base de cimento, fibrocimento, telhas, blocos, pisos e tijolos solo-cimento, em associação com diferentes tipos de materiais lignocelulósicos. A utilização desses resíduos irá permitir a substituição de materiais de custos mais elevados, o que permitirá que o produto tenha um custo menor e seja mais competitivo no mercado. 

Materiais já produzidos durante a pesquisa

Além disso, os próprios moradores, não só de Mariana, mas também de todas as cidades que possuem represas, poderão aplicar a pesquisa na prática. Ao final do projeto, com conclusão prevista para 2018, os conhecimentos adquiridos serão repassados à população de Bento Rodrigues por meio de cartilhas, oficinas e treinamentos, o que irá auxiliar na destinação adequada do resíduo que continua sendo produzido em larga escala – cerca de 25 milhões de toneladas por ano.

De acordo com Rafael Mendes, a iniciativa também visa auxiliar a economia local, abrindo possibilidade para que os próprios moradores possam constituir cooperativas ou pequenas empresas para produção dos materiais. “Com a utilização dos detritos, pretende-se evitar que novos desastres ambientais, sociais e econômicos possam acontecer e contribuir para a transferência de tecnologia social e a criação de novos empregos, além do desenvolvimento econômico da região para proporcionar uma melhor qualidade de vida diante do novo contexto causado pelo desastre”, reforça o pesquisador.

 

Panmela Oliveira – comunicadora e bolsista Dcom/Fapemig