Professora da UFLA participou de “Desafios da Madeira” na França – trabalho conquistou prêmios



6 de junho de 2016, 5:52 pm , com 5.330 visualizações

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Obra realizada, durante o Desafio, por equipe integrada por professora da UFLA.

A professora do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (DEG/UFLA) Luciana Barbosa de Abreu participou, na França, do Défis du Bois (Desafios da Madeira), organizado pela Escola de Arquitetura de Nancy (ENSA-Nancy) e pela École Nationale Supérieure des Technologies et Industries du Bois (ENSTIB).  O evento, que associa profissionais da construção e pós-graduandos de engenharia da madeira e de arquitetura, objetiva a execução de pequenas construções transportáveis.

O ápice do desafio aconteceu em abril, quando os participantes tiveram oito dias e sete noites para executar seus projetos. A equipe da professora Luciana recebeu dois prêmios no evento: “Destaque em Ambientação” e prêmio “SFS Intec”. Para ela, no entanto, a conquista mais valorosa foi outra: “O maior prêmio foi o conhecimento que eu pude adquirir sobre construção em madeira. Além disso, os contatos profissionais e a oportunidade de demonstrar minha capacidade de trabalho vão abrir grandes portas”.

Em sua opinião, a grande vencedora da manifestação foi a madeira, conforme entrevista que concedeu ao jornal Vosges Matin, em 22/04 (confira aqui a publicação do Vosges Matin).

O desafio foi promovido pelo 12° ano consecutivo, com dez grupos de cinco participantes que apresentavam competências diversas, sendo geralmente um jovem Compagnon du Devoir (“carpinteiro”), dois arquitetos e dois engenheiros, ligados ao Mestrado ABC (Arquitetura, Madeira e Construção) da ENSTIB e da ENSA-Nancy, ou do exterior. Em 2016, entre os participantes estrangeiros, estavam quatro alemães, quatro belgas, um mexicano e a professora brasileira.

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Na abertura do evento, a professora Luciana teve a oportunidade de apresentar a UFLA.

Os Compagnons du Devoir são uma instituição francesa que há séculos congrega e forma carpinteiros, sendo considerados como patrimônio cultural imaterial da França pela Unesco desde 2010.  “Sua participação enriqueceu sobremaneira cada equipe, com suas experiências no ramo de usinagem e montagem de estruturas”, diz Luciana. Em uma reportagem à revista Bois International, a professora faz uma declaração entusiasta sobre o trabalho dos Compagnons (acesse a reportagem)

Entenda como ocorre o evento

Desafios da Madeira é um evento dividido em duas etapas: a fase de concepção do projeto e a fase de construção propriamente dita. O tema do projeto foi revelado em janeiro aos participantes, mas permaneceu sob sigilo, tornando-se conhecido pelo público apenas no dia do lançamento da manifestação, dia inicial das obras. O comprador e o lugar de destino das dez construções também só foram divulgados nesse momento.

Os participantes deveriam desenvolver seus projetos guiados pelo tema “Tutti Modular – uma microarquitetura para o meio rural”. As construções deveriam ser pensadas para ser transportáveis e adaptáveis a várias funções, como a venda de produtos locais, a divulgação de eventos ou servir como ponto de ônibus ou de informações. Luciana explica que o tema incentivou a necessidade atual de repensar as dimensões espaciais. As especificações exigidas pelas regras eram várias: dimensões reduzidas (4,40m de comprimento x 2,50m de largura x 3,10m de altura, no máximo), resistência a carregamento de neve e ao deslocamento constante por caminhões, resistência a ventos de até 90 km/h, peso de até duas toneladas, estanqueidade, além da inclusão de, no mínimo, uma placa de policarbonato e um balcão na estrutura.

De acordo com a professora, por meio de plataformas colaborativas de trabalho, as distâncias foram superadas. Uma equipe pedagógica pluridisciplinar especializada em madeira supervisionou e acompanhou o desenvolvimento dos projetos e a execução das obras. Assim, criaram-se as chamadas microarquiteturas nômades, moduláveis, multiuso e acolhedoras, que foram compradas pela Associação de Municípios da costa do rio Moselle (CV2RM) antes mesmo que os projetos fossem conhecidos. “Isso demonstra uma expressão de confiança na ENSTIB e na capacidade dos participantes do evento. A CV2RM disponibilizará as dez construções a eventos organizados por suas comunidades”, relata Luciana.

Os projetos podem ser visualizados na página do evento, clicando-se na imagem de cada equipe.

Fotos do processo (En chantier e Tous ensemble) e dos resultados (Résultats), assim como os conteúdos que foram noticiados na imprensa francesa (Presse), podem ser visualizados na mesma página.

O projeto desenvolvido pela equipe da professora Luciana

A Equipe E, integrada pela professora Luciana, realizou o projeto denominado Le Bosquet. Seu conceito se baseou na menor intervenção possível desafio-madeira-1da construção no ambiente rural e arbóreo em que ela estivesse. Dessa forma, buscou-se a reprodução de um bosque, no qual telhas e revestimentos em madeira representam folhagens e cascas de árvores e, internamente, a “arborescência” dos galhos foi representada pelos contraventamentos. A alternância de sombras e luzes, possível pelo uso de placas de policarbonato, esconde e revela riquezas de um bosque… Uma perspectiva humanizada e outra “explodida” do projeto, além das possibilidades da parede móvel, que pode ser transformada em balcão, podem ser observadas no link http://www.defisbois.fr/Site_2016/Equipes/Pages/Equipe_E.html

A experiência e os próximos desafios

Luciana avaliou a experiência como “extremamente enriquecedora”. Para ela, a vivência de um desafio como esse teria sido valorosa também no momento em que era estudante. “Os trabalhos exigiam grande esforço físico; eu pude sentir minhas limitações e valorizar ainda mais o trabalhador braçal da construção. Dormíamos muito pouco, principalmente nas últimas noites. Em dez dias na cidade, não tive tempo para ir ao seu centro histórico. Apesar da concentração dentro da escola e de todo o esforço, o aprendizado e a satisfação se sobrepunham ao cansaço”.

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Momento da premiação da equipe. Da dir. p/ a esq.: Luciana Abreu, Sébastien Forsans, Élise Nonet, Théo Viala e Jean Rey.

Embora se tratasse de uma competição contra o tempo, a professora afirma que o clima era de colaboração entre as equipes. “O nível técnico era altíssimo e as equipes pedagógicas e de supervisão em obra ajudavam e aportavam ainda mais conhecimento. Todos estavam ali por um mesmo objetivo. Era um ambiente universitário e entusiasta da madeira, com variadas competências e nacionalidades, e cada participante edificando seu próprio projeto. Estar ali como convidada, como a única sul-americana participante do evento, desfrutando de resultados de anos de estudos de francês, divulgando o nome da UFLA, conhecendo equipamentos e técnicas que eu quero implantar aqui, foi uma experiência maravilhosa. Voltei muito feliz e encorajada”, diz.

A iniciativa divulga na França, e no exterior, a matéria-prima madeira como um material moderno, que atende às questões ambientais, econômicas e tecnológicas atuais. É uma vitrine que demonstra a especialidade (savoir-faire) da região de Vosges, maior produtora de madeira da França, considerada a capital da construção em madeira. Para a professora Luciana, a UFLA tem grande capacidade de influência sobre a opinião pública, o que, aliada à capacidade madeireira do Estado de Minas Gerais, torna a instituição uma potencial promotora do conhecimento em madeira e de eventos inspirados nesse modelo. “Quem sabe, daqui a algum tempo, não poderemos fazer uma comparação entre UFLA e ENSTIB ou Minas e Vosges? Nada é impossível. Já estamos idealizando uma manifestação como essa para ser desenvolvida por alunos de graduação e de pós-graduação. Os criadores do evento francês queriam que seus alunos vivenciassem e divulgassem uma experiência real de trabalho em madeira. Começaremos discretos, assim como eles começaram em 2005. O passar dos anos faz história. Vamos correr atrás desse défi!”, afirma.

Luciana já recebeu convite dos organizadores para participar da edição do evento em 2017, desta vez, possivelmente, como supervisora dos trabalhos, o que lhe permitirá contribuir com dez projetos diferentes. “Fico entusiasmada com qualquer tipo de participação, já tenho o que ensinar e muito para aprender”.

Antecedentes à participação no desafio – Programa Embaixador UFLA

Foi em 2015, pelo Programa Embaixador UFLA, que a professora Luciana Barbosa de Abreu visitou pela primeira vez a École Nationale Supérieure des Technologies et Industries du Bois (ENSTIB), da Université de Lorraine, em Épinal, região francesa dos Vosges. O interesse pela escola e o contato com professores já estavam em curso, mas, com a visita, a professora teve a oportunidade de conhecer esse centro de excelência em estudos e aplicações da madeira, referência no mundo todo, e fortalecer as relações.

Durante a viagem para participação do desafio de construção em madeira, Luciana realizou uma visita técnica ao CNDB (Comité National pour le Dévelopement du Bois), também alvo de seu projeto no Programa Embaixador UFLA. Foi quando, em Paris, participou do comitê de redação na edição da revista Séquences Bois (ISSN:1258-889X), a ser publicada em julho de 2016.

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As equipes participantes e os supervisores na foto clássica do evento.

Oportunidade para saber mais sobre “Sistemas Construtivos Atuais em Madeira” – palestra em 3/6

Quem tem interesse pelo assunto pode comparecer à palestra que será ministrada pela professora Luciana em 3/6, 11h, no anfiteatro do Departamento de Ciências dos Alimentos (DCA).  O tema será “Sistemas Construtivos Atuais em Madeira”. A atividade é promovida pelo Núcleo de Estudos em Engenharia Civil (NECiv).

Para saber mais sobre a ENSTIB, acesse http://www.enstib.univ-lorraine.fr/fr/

Outras informações sobre o evento: http://www.defisbois.fr/Site_2016/Accueil.html ou https://fr-fr.facebook.com/DefisduBois3.0/

Sobre os charpentiers Compagnons du Devoir: www.compagnons-du-devoir.com

 

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