Projeto Vozes da África: diferentes atores da comunidade universitária colaboram para o avanço de ações humanitárias em Moçambique



10 de agosto de 2017, 1:46 pm , com 315 visualizações

Ações em Muzumuia/ Moçambique.

Avançam em Moçambique as ações do projeto de extensão universitária “Vozes da África”, desenvolvido por meio da parceria entre a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a ONG Fraternidade Sem Fronteiras (UFLA/ONG-FSF). Dez meses após a capacitação técnica com ênfase em “Agroecologia e Agricultura Familiar”, ministrada em Muzumuia (distrito de Gaza) pelo professor Gilmar Tavares, a localidade já se tornou auto-suficiente em horticultura.

O desenvolvimento de uma horta comunitária “modelo”, com tecnologias socioambientais da Agroecologia, foi uma prioridade para a ONG-FSF, que desenvolve projeto de segurança alimentar na localidade e serve atualmente nove mil refeições por dia para crianças carentes, em diferentes aldeias do distrito.

Professor Gilmar desenvolve atividades como voluntário extensionista do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (DEG/UFLA) e relata que durante a capacitação, realizada em outubro de 2016 com agricultores familiares de Muzumuia, ele produziu apenas quatro canteiros-modelo para demonstração, e pouco tempo depois a área estava toda dedicada à produção de hortaliças. “É emocionante observar a forma como o conhecimento foi apropriado e tem gerado melhoria das condições de vida”, comenta. Ele ressalta, ainda, que nessa fase foi essencial a colaboração do professor do DEG Luiz Antônio Lima e da equipe do Laboratório de Irrigação da UFLA, que contribuíram com orientações técnicas e com a doação de um protótipo de gotejador, para superar as dificuldades causadas pela seca na região.

A colaboração de diferentes órgãos e setores da UFLA com o projeto é extensa. Em outra frente de trabalho na comunidade de Muzumuia, iniciou-se em maio deste ano uma ação para recuperação de nascentes da região, já que o acesso à água potável é um dos pontos críticos no local. Esse trabalho teve o apoio do Departamento de Ciências Florestais (DCF), por meio de uma equipe liderada pela professora Soraya Alvarenga Botelho, que elaborou uma cartilha educacional e viajou ao país africano, na ocasião, para dar início às atividades do projeto, em parceria com o Instituto Politécnico Superior de Gaza (ISPG) e com integrantes da ONG. Além desses avanços, outros atores da UFLA estão sendo mobilizados para colaborar com as ações de extensão econômica/socioambiental.

Ações em Muzumuia/ Moçambique.

Do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, a contribuição foi ofertada pelos professores Mateus Pimentel de Matos e Fátima Resende Luiz Fia por meio do desenvolvimento voluntário de um projeto para construção de uma estação de tratamento de esgoto para a unidade Muzumuia (ETE/M). A estrutura permitirá o atendimento à demanda de mil crianças por dia. O projeto já foi finalizado e enviado a Moçambique, onde está sendo trabalhado por uma comissão da ONG. “A rede de colaboradores só vai crescendo. Conseguimos localizar um moçambicano que fez mestrado na UFLA em área que contempla os conhecimentos em ETE. Já de volta ao seu país, ele vai colaborar voluntariamente no desenvolvimento do projeto”, comemora o professor.

De acordo com Gilmar, novas frentes de ação serão implantadas por meio da colaboração do Departamento de Zootecnia (DZO), com as orientações para a criação de galinhas caipira, a partir da colaboração dos professores Edison José Fassani e Renata Ribeiro Alvarenga, e, na área de caprinocultura, pela professora Maria das Graças Carvalho Moura e Silva.

Há ainda as articulações com a professora do Departamento de Entolomologia (DEN) Brígida Souza, que irá auxiliar na introdução de conhecimentos junto às comunidades locais sobre controle biológico de pragas e doenças nas lavouras. A orientação quanto às possibilidades de utilização de alimentos alternativos, com produtos nativos, será uma contribuição do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA), por meio da professora Melissa Silveira.

Já o Núcleo de Estudos em Agroecologia, Permacultura e Extensão Inovadora (Neape/DEG/UFLA), coordenado pelo professor Gilmar, desenvolveu, há dois anos, um filtro de água agroecológico utilizando carvão, areia e pedra britada. O projeto teve o apoio da Fazenda da Lagoa (NKG World), de Santo Antônio do Amparo, e foi validado cientificamente a partir de estudos da qualidade da água filtrada, realizados no Laboratório de Análise de Água da UFLA. Agora, esse filtro e o modo de construí-lo, em breve, estarão à disposição da população atendida pela ONG. As instruções para construção do recurso serão editadas em português, francês e inglês, para serem distribuídas em toda África.

Protótipo de irrigação nas hortas da unidade da ONG-FSF (Moçambique).

Professor Gilmar esclarece que Muzumuia, onde funciona uma das unidades da ONG-FSF, é considerada uma Unidade Experimental Participativa (UEP), onde todos esses projetos são implantados participativamente, de forma que possam ser depois expandidos para outras regiões, nas quais a ONG mantém as demais unidades. Em setembro, o professor retornará para o país africano, a convite do governo federal moçambicano, via Escola Superior de Desenvolvimento Rural (Esuder) para proferir uma série de palestras sobre Agroecologia e Segurança Alimentar. “Ficarei 15 dias e nesse tempo poderei oferecer um suporte adicional para os projetos em andamento“.

O projeto Vozes da África teve início em 2007, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (ABC/MRE), com ações na República Democrática do Congo, onde está em desenvolvimento avançado. Em 2016 teve início sua expansão para Moçambique, em parceria com a ONG-FSF.

Fotos encaminhadas à DCOM pelo professor Gilmar Tavares.

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