UFLA na Comunidade: há 7 anos, projeto “Cinema com Vida” complementa a formação de professores



28 de Abril de 2015, 4:29 pm , com 2.127 visualizações

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Debate sobre o filme Os Fuzis, exibido em 22/4/2015.

Em 2008, começava na Universidade Federal de Lavras (UFLA) um projeto de extensão que já gerou a exibição de 85 filmes. Hoje chamado “Cinema com Vida”, o projeto tem interface com a pesquisa e utiliza a reflexão sobre obras cinematográficas alternativas às comerciais para incrementar a formação cultural de professores das escolas de ensino básico e de futuros professores. Com sessões semanais, atualmente a iniciativa reúne grupos que vão de 15 a 25 pessoas, incluindo professores da educação básica, estudantes de licenciaturas, mestrandos da área de educação e professores da UFLA.

Depois de assistirem aos filmes, no Museu de História Natural (MHN), os participantes dedicam-se à reflexão sobre as obras. Um debate, geralmente conduzido por um dos integrantes da equipe do projeto, é a oportunidade para a troca de percepções e o aprofundamento das questões retratadas nas produções cinematográficas. Os filmes são agrupados em mostras que se estendem por determinado período de tempo. Em 1º de abril de 2015, teve início a nona mostra – Cinema Novo Brasileiro – com exibições todas as quartas-feiras às 14h, até 13/5.

O professor de Educação Física Fernando Cardoso Montes, da Escola Estadual Dr. João Batista Hermeto, frequenta as sessões e debates do projeto desde 2010, quando ainda era aluno de graduação na UFLA. Hoje, cursa o mestrado profissional em Educação, mantendo-se fiel à programação do Cinema com Vida. “Foi por meio deste projeto que tive contato com cineastas como Hitchcock, Orson Welles, Chaplin e outros.” Ele considera as atividades essenciais à complementação da formação do professor. “Quando utilizo filmes em sala de aula, eu o faço com uma visão diferenciada sobre as produções, e isso contribui no resultado final do meu trabalho”, diz.

Também graduada em Educação Física e atuando como professora na rede pública de ensino, Camila Sandim de Castro diz que o gosto pelo cinema foi sua primeira motivação para participar do projeto. Outro incentivo foi saber que as obras seriam discutidas a partir da Teoria Crítica, referencial teórico com o qual ela estava em contato durante sua participação no Grupo de Estudos e Pesquisas “Teoria Crítica e Educação”. Com o tempo, seu envolvimento só aumentou e ela foi colecionando outros bons motivos para manter o projeto na agenda, afirmado que foi progressivamente atraída pela beleza poética dos filmes, apesar das dificuldades de compreensão que eles impõem. “Fui percebendo a importância de se realizar a leitura crítica das imagens, assim como fazemos com as palavras. As atividades do Cinema com Vida têm sido importantes para uma reeducação do olhar, ou seja, para o desenvolvimento de um olhar crítico e sensível.”

Camila concluiu em 2014 o Mestrado em Educação na UFLA, tendo como objeto de sua pesquisa a mostra “Mestres da Sétima Arte – Alfred Hitchcock”, exibida pelo Projeto.

 

Os preparativos para o lançamento de uma nova mostra

Para que se chegue à programação das mostras, os integrantes do projeto realizam reuniões periódicas e têm como subsídio os estudos que ocorrem semanalmente no Grupo de Estudos e Pesquisas Teoria Crítica e Educação (GEPTCE). Nas reuniões preparatórias, os coordenadores apresentam uma proposta de mostra, para ser discutida pelo grupo. Então, cada integrante fica responsável por assistir a filmes que estejam dentro dos critérios indicados coletivamente. Com a pré-seleção das obras, é possível chegar às definições finais, estipulando, por exemplo, o tempo de duração da mostra. Todas as escolhas são amparadas pelo levantamento de materiais bibliográficos que possam ajudar no desenvolvimento do trabalho.

Com tudo pronto, a equipe produz um fôlder com a programação e o distribui nas escolas, de forma a incentivar a participação dos professores. A divulgação é reforçada por meio dos veículos de comunicação da UFLA e disponibilização de material informativo em diferentes locais do câmpus. De acordo com um dos coordenadores do projeto, professor Márcio Norberto Farias, a receptividade do público nas escolas é boa, embora haja algumas dificuldades para uma maior participação. “Percebemos que os professores da educação básica estão sobrecarregados com muitas atividades, portanto, infelizmente, ainda são poucos os que conseguiram permanecer no projeto ao longo do tempo”, avalia.

Quanto à participação de estudantes de licenciatura durante as mostras, o professor diz que ela pode ser considerada pequena, embora reconheça grande engajamento, dedicação e assiduidade nos graduandos que estão envolvidos. “Ainda permanece a frágil ideia de que formação na universidade ocorre apenas com o cumprimento de créditos exigidos para obtenção do diploma. Isso é prejudicial à formação cultural dos indivíduos, especialmente de futuros professores, que não devem se tornar reféns de um consumo de imagens desprovido de crítica”, diz.

 

História

Em 2008, quando o Projeto começou, as exibições eram pontuais e envolviam um pequeno número de estudantes interessados na ideia. À medida que evoluiu, com estudos em grupo e a experiência acumulada pelo próprio projeto de extensão, a proposta foi se aperfeiçoando. As exibições semanais começaram em 2009.

Até 2010, o foco foi sobre filmes que abordavam temáticas relacionados a ciência, educação e cultura. A partir de 2011, movida pela necessidade de conhecer melhor o cinema, a equipe mudou os rumos e o projeto assumiu o formato “Mestres da 7ª Arte”, estudando obras clássicas de diretores como Charles Chaplin, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Glauber Rocha e outros. Iniciando a programação de 2015, o projeto volta-se ao Cinema Novo Brasileiro, com a meta de explorar essa produção cinematográfica que retratou as questões da segunda metade do século 20.

 

As nove mostras

Hitchcock

Material utilizado para divulgação da mostra sobre Hitchcock.

– “Ciência com Vida”: sua ideia era de discutir os estereótipos da ciência e dos cientistas, veiculados em obras cinematográficas, especialmente aquelas de alcance da grande massa.

– “Cinema com Vida” (nome que passou a denominar também o Projeto): tinha o tema “Educação e Opressão” e visava discutir as diferentes formas de opressão dentro da escola.

– A teceria mostra continuou a temática anterior, porém ampliou a discussão para incluir diferentes formas de opressão na educação fora do âmbito escolar.

– “Cinema com Vida – Mestres da Sétima Arte”: o objetivo era aprofundar os conhecimentos dos participantes, por meio do contato direto com as obras clássicas e as diferentes perspectivas da arte cinematográfica.

– “Mestres da Sétima Arte”, dedicada toda ao diretor sueco Ingmar Bergman. A experiência anterior havia demonstrado que o tempo até então dedicado a cada diretor era

insuficiente diante da grandiosidade de suas produções.

– “Mestres da sétima Arte – Hitchcock”: foram duas mostras consecutivas dedicadas a esse diretor.

– “Mestres da sétima Arte” – Glauber Rocha”: período de estudos sobre o diretor baiano e suas obras.

cinema-novo-brasileiro– “Cinema Novo Brasileiro”: sem foco em um diretor específico, busca compreender o cinema como um trabalho de caráter mais coletivo, que se constitui menos como uma criação exclusiva do diretor e mais como expressão de um momento histórico e social. O grupo, que já possuía a vontade de trabalhar com os mestres do cinema brasileiro, teve motivação adicional para investir na mostra com a publicação da Lei 13.006/2014, que define a obrigatoriedade da exibição de filmes de produção nacional nas escolas por no mínimo duas horas ao mês. A Lei é um acréscimo às Diretrizes e Bases da Educação Nacional, fazendo com que o cinema brasileiro constitua componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica das escolas.

 

Filme da próxima quarta (29/4)

Nesta quarta-feira (29/4), às 14h, no MHN (câmpus histórico), a mostra Cinema Novo Brasileiro segue com sua quinta exibição: o filme “A falecida”. Primeiro longa-metragem de Leon Hirszman, de 1965, o filme narra a história de Zulmira, mulher pobre do subúrbio que sonha com um funeral de luxo. A interpretação é feita por Fernanda Montenegro, em sua estreia no cinema. O destaque é para a humanização dos personagens, que lutam contra um ambiente social hostil.

Confira o fôlder com a programação completa.

 

Equipe do Cinema com Vida

Responsáveis: professores Márcio Norberto Farias (Departamento de Educação Física – DEF), Carlos Betlinski (Departamento de Educação – DED), Dalva Lobo (DED), Vanderlei Barbosa (DED) e Luciana Azevedo Rodrigues (DED); técnico administrativo da UFLA e professor de Química José Sebastião Andrade de Mello.

Participantes:

Raygner Carvalho Santos (professor de Educação Física e mestrando em Educação)
Pâmela Maria de Andrade (bolsista de Iniciação Científica do Projeto e licencianda em Biologia)
Camila Sandim de Castro (mestre em Educação e professora de Educação Física da rede pública)
Darlei Francisco de Souza (licenciando em Educação Física)
Juliana Oliveira (professora de Educação Física na rede pública e licencianda em Letras)
Fernando Cardoso Montes (mestrando em Educação e professor da rede pública)
Carlos Augusto Magalhães Jr. (professor de Educação Física na rede pública e mestre em Educação)
Jussara Maria Horta (mestranda em Educação e técnica administrativa da Universidade Federal de São João Del Rei –UFSJ)
Pedro Junyor Teixeira Cardoso (licenciando em EF e bolsista de Extensão)

Apoiadores:

Programa de Pós-Graduação em Educação; Mestrado Profissional em Educação; Departamento de Educação (DED); Departamento de Educação Física (DEF); Grupo de Estudos e Pesquisas Teoria Crítica e Educação (GEPTCE); Laboratório Interdisciplinar sobre Corpo, Cultura e Educação (Paidéia); Museu de História Natural (MHN); Proec/UFLA e Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

 

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